Caixinha cheia de beijos

A CAIXINHA CHEIA DE BEIJOS….

Há certo tempo atrás, um homem castigou sua filhinha de 3 anos por desperdiçar um rolo de papel de presente dourado.

O dinheiro estava escasso naqueles dias, razão pela qual o homem ficou furioso ao ver a menina envolvendo uma caixinha com aquele papel dourado e colocá-la debaixo da árvore de Natal.

Apesar de tudo, na manhã seguinte, a menininha levou o presente a seu pai e disse: “Isto é prá você, paizinho!”. Ele sentiu-se envergonhado da sua furiosa reação, mas voltou a “explodir” quando viu que a caixa estava vazia. Gritou, dizendo: “Você não sabe que quando se dá um presente a alguém, a gente coloca alguma coisa dentro da caixa?”

A pequena menina olhou para cima com lágrima nos olhos e disse: “Oh, paizinho, não está vazia. Eu soprei beijos dentro da caixa. Todos para você, Papai.”

O pai quase morreu de vergonha, abraçou a menina e suplicou que ela o perdoasse.

Dizem que o homem guardou a caixa dourada ao lado de sua cama por anos e sempre que se sentia triste, chateado, deprimido, ele tomava da caixa um beijo imaginário e recordava o amor que sua filha havia posto ali.

De uma forma simples, mas sensível, cada um de nós humanos temos recebido uma caixinha dourada, cheia de amor incondicional e beijos de nossos pais, filhos, irmãos e amigos……

Ninguém poderá ter uma prioridade ou posse mais bonita que esta.

AGORA, VOCÊ TEM DUAS OPÇÕES:

1) – Enviar esta mensagem a seus amigos;

2) – Destrui-la e agir como se ela não tivesse tocado seu coração.

Como você está vendo, eu escolhi a opção número um.

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Crystal

Descrever….

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Dominar e Falar!

Dominas o fogo, escravizando-o à lide caseira.

Burilas a pedra, arrancando-lhe obras primas.

Conquistas os metais, neles plasmando complicadas expressões de serviço.

Amansas os animais ferozes, deles fazendo cooperadores na economia doméstica.

Disciplinas o vapor e o combustível, anulando as distâncias.

Diriges tratores pesados, transfigurando a face da gleba.

Submetes a eletricidade, e glorificas a civilização.

Retiras o veneno de serpentes temíveis, fabricando remédios.

Controlas a velocidade, e inicias vigorosa excursão para além do Planeta.

Entretanto, ai de nós! Todos trazemos leve músculo selvagem, muito distante da educação.

Com ele, forjamos guerra.

Libertamos instintos inferiores.

Destruímos lares.

Empestamos vidas alheias.

Envilecemos o caminho dos outros.

Corrompemos o próximo.

Revolvemos o lixo moral da Terra.

Veiculamos o pessimismo.

Criamos infinitos problemas.

Injuriamos.

Criticamos.

Caluniamos.

Deprimimos.

Esse órgão minúsculo é a língua – lâmina pequenina, embainhada na boca.

Instrumento sublime, feito para louvar e instruir, ajudar e incentivar o bem, quantas vezes nos valemos dela prá cesurar e vergastar, perturbar e ferir!…

Governemo-la, pois, transformando-a em leme de paz e amor, no barco de nossas vidas!

E, alicerçados nas lições do Evangelho, roguemos a Deus nos inspire sempre a dizer isso ou aquilo como o próprio Jesus desejaria ter dito.

Religião dos Espíritos, pág. 205 – F. C. Xavier. – União Espírita P. Alegrense, Rua João Alfredo, 464 – POA.

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Recordando Allan Kardec – O Fim do Mundo

Recordando Allan Kardec

O fim do mundo


Entre o velho mundo e o novo, não haverá solução de continuidade

” (. . .) é então que o fim chegara…” – Jesus. (Mt.,24:14.)

Em uma página instrutiva e de peregrina beleza que se contrapõe às escatológicas e apocalípticas notícias sobre os horizontes futuros da Humanidade, esclarece Jobard (l):

“( … ) Se a apreensão do fim do mundo terrifica os seres pusilânimes de vosso mundo, ela fere igualmente de terror os seres atrasados da Erraticidade. Todos aqueles que não são desmaterializados, quer dizer, que, embora Espíritos, vivem mais materialmente, se amedrontam à ideia do fim do mundo, porque compreendem, por esta palavra, a destruição da matéria. Não vos admireis, pois, que esta idéia coloque em emoção certos Espíritos que não saberiam em que se tomar se a Terra não existisse mais; porque a Terra é ainda o seu mundo, seu ponto de apoio …

Por mim, disse a mim mesmo:

- Sim, o fim do mundo está próóximo; ele está ali, eu o vejo, eu o toco … Ele está próximo para aqueles que, com seu desconheciimento, trabalham para precipitarrlhe a chegada … Sim, o fim do mundo está próximo … Mas de que mundo é o fim? Será o fim do mundo da superstição, do despootismo, dos abusos mantidos pela ignorância, da malevolência e da hipocrisia; será o fim do mundo egoísta e orgulhoso, do paupeerismo, de tudo o que é vil e reebaixa o homem; em uma palavra, de todos os sentimentos baixos e cúpidos que são o triste apanágio de vosso mundo.

Esse fim do mundo, essa grande catástrofe que todas as religiões concordam em prever, é o que elas entendem? Não é preciso ver aí, ao contrário, o cumprimento dos altos destinos da Humanidade? Se refletíssemos em tudo o que se passa ao nosso redor, esses sinais precursores não são o sinal do começo de um outro mundo, eu quero dizer de um outro mundo moral, antes do que o da destruição do mundo material?

Sim, senhores, um período de depuração terrestre termina neste momento; um outro vai começar… Tudo concorre para o fim do velho mundo, e aqueles que se esforçam por sustentá-lo trabalham energicamente, sem o querer, para sua destruição. Sim, o fim do mundo está próximo para eles; eles o pressentem e com isto se assustam, crede-o bem, mais do que do fim do mundo terrestre, porque é o fim de sua dominação, de sua preponderância, à qual se prendem mais do que a qualquer outra coisa; e isso será, a seu respeito, não a vingança de Deus, porque Deus não se vinga, mas a justa recompensa de seus atos.

Os Espíritos são, como vós, os filhos de suas obras; se são bons, é porque trabalharam para o futuro; se são maus, não é que não tenham trabalhado para o futuro, é porque não trabalharam para se tomarem bons.

Amigos, o fim do mundo está próximo, e eu vos convido vivamente a tomarem boa nota desta previsão; ele está tanto mais próximo, quanto já se trabalha para reconstruí-lo. A sábia previdência d’Aquele a quem nada escapa quer que tudo se reconstrua antes que tudo seja destruído; e quando o novo edifício estiver coroado, quando o cume estiver coberto, será então que se desmoronará o antigo; ele cairá por si mesmo; de sorte que, entre o velho mundo e o novo, não haverá solução de continuidade.

É assim que é preciso entender o fim do mundo, que tantos sinais precursores pressagiam. E quais serão os operários mais poderosos para essa grande transformação? Sois vós, senhoras; sois vós, senhoritas, com a ajuda da dupla alavanca da instrução e do Espiritismo. Na casa da mulher em que o Espiritismo penetrou, há mais do que uma mulher, há uma operária espiritual; nesse estado, tudo trabalhando por ela, a mulher trabalha ainda mais do que o homem na edificação do monumento; porque, quando ela conhecer todos os recursos do Espiritismo, e deles souber servir-se, a maior parte da obra será feita por ela. Amamentando o corpo de seu filho, ela poderá também amamentar seu Espírito; e quem é melhor ferreiro do que o filho de um ferreiro, aprendiz de seu pai? A criança sugará, assim, em crescendo, o leite da Espiritualidade, e quando tiverdes os Espíritas, filhos de Espíritas e pais de Espíritas, o fim do mundo, tal como o compreendemos, não terá se realizado? Admirai-vos, pois, depois disto, que o Espiritismo seja um espantalho para tudo o que se prende ao velho mundo, e da obstinação que se põe para abafá-lo em seu berço!”.

Tais assertivas do nobre Espírito Jobard encontram pleno respaldo na Codificação Espírita, haja vista a inserção de mais argumentos, feita pelo insuperável Mestre Lionês, que lhe avaliza, plenamente, o texto. Ei-o:

“( … ) Será que, predizendo a sua segunda vinda, era o fim do mundo o que Jesus anunciava, dizendo: “Quando o Evangelho for pregado por toda a Terra, então é que virá o fim?”. Não é racional se suponha que Deus destrua o mundo precisamente quando ele entre no caminho do progresso moral, pela prática dos ensinos evangélicos. Nada, aliás, nas palavras do Cristo, indica uma destruição universal que, em tais condições, não se justificaria.

Devendo a prática geral do Evangelho determinar grande melhora no estado moral dos homens, ela, por isso mesmo, trará o reinado do bem e acarretará a queda do mal. É, pois, o fim do mundo velho, do mundo governado pelos preconceitos, pelo orgulho, pelo egoísmo, pelo fanatismo, pela incredulidade, pela cupidez, por todas as paixões pecaminosas, que o Cristo aludia, ao dizer: “Quando o Evangelho for pregado por toda a Terra, então é que virá o fim”. Esse fim, porém, para chegar, ocasionaria uma luta e é dessa luta que advirão os males por ele previstos.

Tais são os esclarecimentos espiritistas que nos abrem horiizontes inimagináveis, acenandoonos com infinitas perspectivas, no âmbito da magna questão do proogresso humano, que deverá – neecessariamente – fazer-nos atingir o desiderato existencial, assinado pelo Pai Celestial para todas as Suas criaturas: a felicidade sem mescla e a perfeição relativa.

1 – KARDEC, Allan. Revue Spirite. Abril de 1868. Araras: IDE, 2000.

2 – KARDEC, Allan. A Gênese. 34.ed.Rio [de Janeiro]: FEB, 2003, capo XVII, item 58.

Rogério Coelho

Rcoelho47@yahoo.com.br

O autor é escritor e palestrante espirita em Muriaé, MG.

Revista Internacional de Espiritismo – abril/11

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Paulo Coelho – Seguindo a Lenda Pessoal

Seguindo a Lenda Pessoal

Paulo Coelho

Quando Joseph Campbell, o mais conhecido estudioso de mitologia de nosso tempo (e autor, entre outros livros, do excelente O Poder do Mito) criou a expressão “siga sua bênção” ele estava refletndo uma ideia cujo momento parece ter chegado. Em O Alquimista, esta mesma ideia está sob o nome de Lenda Pessoal.

Alan Cohen, um terapeuta que vive no Havaí, também trabalha sobre o tema. Ele conta que, nas suas conferências, pergunta quem está insatisfeito com o seu trabalho; setenta e cinco por cento da audiência levanta a mão. Cohen criou um sistema de doze passos, para ajudar o reencontro com sua “bênção” (ele segue a escola de Campbell):

1 – Diga a verdade para você mesmo: divida uma folha de papel em duas colunas, e escreva do lado esquerdo tudo que adoraria fazer. Depois, escreva do lado direito tudo que está fazendo sem entusiasmo. Escreva como se ninguém fosse ‘ler’ o que está ali, não censure nem julgue suas respostas.

2 – Comece devagar, mas comece: chame o agente dê viagens, procure algo que se encaixe no seu orçamento; vá assistir ao filme que está adiando; compre o livro que desejava. Seja generoso com você mesmo, e verá que mesmo estes pequenos passos lhe farão sentir mais vivo.

3 – Vá parando devagar, mas pare: há coisas que tiram por completo sua energia. Você precisa mesmo ir a tal reunião do comitê? Precisa ajudar quem não quer ser ajudado? Seu chefe tem o direito de exigir que, além do trabalho, você tenha que estar nas mesmas festas que ele? Ao parar de fazer o  que não lhe interessa, vai notar que você estava se exigindo mais que os outros realmente pediam.

4 – Descubra seus pequenos talentos: o que os amigos dizem que você faz bem? O que você faz com vontade mesmo que não seja perfeito? Estes pequenos talentos são mensagens escondidas de seus talentos ocultos.

5 – Comece a escolher: se algo lhe dá prazer, não hesite. Se você está em dúvida, feche os olhos, imagine que tomou a decisão A, e veja tudo que ela acarretará. Faça o mesmo com a decisão B. A decisão que lhe fizer sentir mais conectado com a vida, é a decisão certa.

6 – Não baseie suas decisões em ganhos financeiros: eles virão, se você realmente fizer algo com entusiasmo. O mesmo vaso, feito por um oleiro que adora o que faz, ou por um homem que detesta seu ofício, tem uma alma. Ele será rapidamente vendido (no primeiro caso) ou ficará encalha- do (no segundo caso).

7 – Siga sua intuição: o trabalho mais interessante é aquele que você se permite ser criativo. Eistein dizia: “eu não cheguei à minha compreensão do Universo usando apenas  a matemática”. Descartes, o pai da lógica, desenvolveu seu método baseado em um sonho que teve.

8 – Não tenha medo de mudar de ideia: se você deixou uma decisão de lado, e ela o incomoda, repense o que escolheu.

9 – Saiba descansar: um dia por semana sem pensar no trabalho, termina : permitindo que o subconsciente o ajude, e muitos (não todos) problemas se solucionam sem ajuda da razão.

10 – Deixe que as coisas mostrem o caminho mais alegre: se você está lutando demais por algo, e não tem resultados, seja mais flexível e se entregue aos caminhos que a vida mostra. Isso não significa renunciar a luta, ter preguiça, ou deixar as coisas nas mãos dos outros – significa entender que o trabalho com amor nos dá forças, jamais desespero.

11 – Leia os sinais: é uma linguagem individual, unida à intuição, que aparece nos momentos certos. Mesmo que os sinais indiquem uma direção oposta àquela que você planejou, siga-os. Às vezes você vai errar, mas é a única maneira de aprender esta nova linguagem.

12 – Finalmente, arrisque! Os homens que mudaram o mundo começaram seus caminhos através de um ato de fé. Acredite na força dos seus sonhos; Deus é justo, e não colocaria em seu coração um desejo impossível de ser realizado.

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O Problema do Vício de Fumar

Fraternidade Espiritual Estrela do Oriente
Rua: São Pedro 626 – São Leopoldo – Centro – Entre a Praça e Federal.

http://art24.com.br/estreladooriente/

PROGRAMA DE TRATAMENTO DO TABGISMO
- Deixe de fumar e dê uma virada na sua vida.

Sta Casa, Hospital Pereira Filho.
Te: (51)3214.8315 – (51)3214.8304

Diário do Paciente
– (Copia do livreto de controle)

Caro Paciente,
Você está iniciando o Programa de Tratamento do Tabagismo 180º. Através dele, você receberá todo auxílio para deixar de fumar e dar uma virada na sua vida.
O Programa conta com a aplicação das melhores práticas disponíveis e tem a duração de um ano. Nesse período, são previstas 20 consultas com a uma equipe multidisciplinar que pode incluir, além de Pneumologistas, Enfermeiras, Psiquiatras, Endocrinologistas, Nutricionistas e Fisioterapeutas. Tudo para um tratamento especializado, individualizado e com o devido acompanhamento para você parar de fumar.
Utilize este material (livreto de acompanhamento) para auxiliá-lo. Registre diariamente as informações e dúvidas durante os três primeiros meses e apresente-as na consulta médica.
Equipe Assistência.

A VIDA HUMANA E O E O ESPÍRITO IMORTAL
Ramatís por Hercílio Maes
Ed. Do Conhecimento – 11ª edição
Capítulo 8.
Problemas do vício de fumar

PERGUNTA: – Quem fuma ofende a Deus?
RAMATÍS: – Caso Deus se ofendesse pela estultícia de o homem fumar, então seria tão passional e contraditório quan¬to à própria criatura humana. E como Deus não se ofende de modo algum, pois está acima das paixões e dos sentimentos dos homens, também não precisa perdoar. Evidentemente, só perdoa quem primeiro se ofende. O homem viciado no fumo, no álcool, em entorpecentes ou substâncias nocivas, jamais ofende a Divindade, mas perturba a sua saúde física e intoxica a delicada contextura sideral do seu perispírito, sendo candi¬dato voluntário a sofrimentos e aflições indesejáveis, no Além ¬túmulo, e algumas vezes, até na próxima existência.

PERGUNTA: – Mas se o homem viciado não ofende a Deus, por que, então, é castigado após a morte corporal?
RAMATÍS: Como durante a encarnação não há sepa¬ração absoluta entre o espírito e o corpo carnal do homem, é óbvio que ele há de sofrer após a morte os efeitos danosos dos seus desatinos e vícios cometidos na existência física. É bastan¬te lógico que não se pode colher morangos plantando cicuta, nem usufruir saúde ingerindo venenos!

PERGUNTA: – Todos os espíritos desencarnados sofrem no Além-Túmulo os efeitos de quaisquer imprudências viciosas?
RAMATÍS: – No Além-Túmulo sofrem todos os espíritos que usufruem, em excesso, as coisas do mundo carnal, perdendo o controle mental e espiritual sobre o seu organismo físico.
Em vez de senhores, eles se tornam, escravos das paixões animais. Não é o aperitivo, a bebida moderada ou o cigarro sem exagero, o que estigmatiza os desencarnados após a morte, mas, sim, os que não fumam, mas são “fumados”, os que não bebem, mas são “bebidos”!

PERGUNTA: – Qual é o prejuízo mais grave que o homem viciado no fumo causa a si mesmo?
RAMATÍS: – O fumante inveterado é um infeliz escravo, que abdica de sua própria vontade, cedendo o seu comando ins¬tintivo a um cérbero implacável e exigente, como é o tabaco! O tabagismo é uma doença evitável, da qual, entretanto, padece grande parte da humanidade. É o culto fanático ao “senhor Fumo”, que intromete-se incessantemente na vida dos tabagis¬tas, explorando-lhes os pensamentos, sentimentos, as aptidões psíquicas e até inspirações na esfera da música, pintura e lite¬ratura. Alguns homens fumam para “matar o tempo”, ou se iludem buscando no tabaco o sedativo hipnótico para acalmar os nervos; outros acreditam que o fumar sugere-lhes bons negó¬cios nas volutas da fumaça do cigarro ou do cachimbo.
Evidentemente, o tabagista inveterado não é apenas um tolo, mas, também, um escravo da fumaça e nicotina do cigarro incinerado, pois sofre atrozmente quando lhe falta o fumo. Vive inconsciente de sua própria escravidão, pois mete a mão no bolso, retira a cigarreira, no maço de “caipira” fétido ou o cha¬ruto perfumado; e põe isso nos lábios, vencido pelo ato vicioso. É um autômato vivo, que pratica todo esse ritual obedecendo a urna vontade oculta.
Conforme explicamos anteriormente, o fumante inveterado já não fuma, mas é estupidamente “fumado”; já não comanda a sua vontade, ele é servilmente dominado pelo tabaco, vítima de uma entidade estranha que interfere discricionariamente em todos os movimentos da sua existência. O corpo físico da criatu¬ra transforma-se numa espécie de “piteira viva”, prolongamento material a incinerar tabaco!

PERGUNTA: – Mas fumar é uma condição natural e comum em nosso mundo; é mesmo uma tradição cultivada em todas as classes e profissões, pois é adotada por homens cultos, cientistas, filósofos, médicos, alunos, professores, moços e velhos, homens e mulheres, Que dizeis?
RAMATÍS: – Não é a preferência da quantidade de pes¬soas que fumam que justifica ou suaviza a sua característica viciosa e prejudicial, assim como ninguém passa a cultivar devotadamente as ervas daninhas só porque elas são mais numerosas que as flores do jardim!
O tabagismo é fonte de renda tão comum, que há cérebros especializados queimando fosfatos para descobrir novas técni¬cas e estímulos na arte de fumar ou na queima da erva tirânica, que deve ser ajustada conforme a classe, fortuna, hierarquia e distinção social do fumante.
Os sertanejos e os aldeões fumam o malcheiroso cigarro de palha ou então chupam os sarrentos de barro ou madeira; os cidadãos comuns viciam-se aos cigarros de papel, enquan¬to os mais afortunados distinguem-se pelo uso ele piteiras de arco de ouro e filtros. Os homens de responsabilidade, chefes de indústrias, autoridades públicas e políticas, sugam polpudos charutos de fumo escolhido e de marca requintada, Há, também, os epicuristas dos luxuosos e artísticos cachimbos de “espuma do mar”, que lhes pendem dos lábios salivados, a disfarçar o cheiro acre e tóxico do tabaco, pela mistura de bau¬nilha e cacau. Os menos educados e mais preocupados com a sua íntima satisfação não se pejam de queimar o desagradável charuto ou impregnar de sarro de cachimbo os ambientes saudáveis.

PERGUNTA: – Em face de vossas explicações, concluímos que não se fuma em planetas cujas humanidades é de graduação espiritual superior ao homem terreno. Não é assim?
RAMATÍS: – Não é preciso o homem ser médico, ana¬tomista ou fisiologista, para compreender quão delicada é a função e a composição dos pulmões humanos, os órgãos respi¬ratórios responsáveis pela oxigenação que sustenta a vida físi¬ca, A extensa e complicada rede de brônquios, lóbulos e toda espécie de canais e ramificações capilares, dispersas por toda a área pulmonar respiratória, não foram criados para atender ao metabolismo vicioso do fumo, mas destinados ao fenômeno da hematose ou oxigenação do sangue. É uma insensatez o homem transformar o equipo pulmonar, tão valioso, em filtra¬dor de fumaça corrosiva e depósito de fuligem a comprometer a sua saúde.
É inacreditável que o homem, ser racional e pensante, submeta-se voluntariamente às conseqüências de sujeitar o seu sistema respiratório aos perigos da asma, bronquites, resfriados, gripes, edemas pulmonares, intoxicações, atrofias, pleurites, irritações laringofaríngeas, tuberculose e até câncer! Essas enfermidades podem estabelecer-se e progredir na área pulmonar, quando no primeiro surto já encontram terreno eletivo para grassar, evoluir e dominar.
A supercarga de anidrido carbônico, que resulta da má oxigênio, forma um residual opressivo disseminado pela rede venosa e sobrecarrega o sistema arterial, produzindo uma percentagem indesejável de anorexia cerebral. Então, é comum as hemicranias, enxaquecas, mau hálito, cefalalgias agravadas pela intoxicação anidridocarbônica, inclusive pela vertência dos demais derivados do fumo, além ela saliva nicotizada e rsíduos de picumã, que depois atingem o estômago, alteram a composição dos sucos gátricos, excitam o esôfago e pertur¬bam o peristaltismo do intestino.
Em suma, as humanidades espiritualmente mais evoluídas do que a terrena são sadias e conscientes de sua realidade imor¬tal bastante zelosas do seu organismo físico na vivência huma¬na, semelhantes ao artista sensato que cuida seriamente do seu instrumento. Jamais elas se abalariam à tolice e ao ridículo de sugar ervas tóxicas e malcheirosas.

PERGUNTA: – Embora concordando comvosco, lembramos que certos fumantes inveterados têm gozado de excelente saúde e até desencarnado centenários!
RAMATÍS: – A diminuta percentagem de tabagistas que têm sobrevivido sem sofrer os efeitos tóxicos do fumo não basta para recomendar o vício que prejudica ou até liquida os homens de uma descendência biológica mais débil. Aliás, é bem maior a percentagem das criaturas vulneráveis à nico¬tina, como cardíacos congênitos, asmáticos, hipocondríacos, u1cerosos, dispéptico, portadores de má circulação, fragilidade capilar, insuficiência gástrica e outros sintomas mórbidos e que o uso do fumo ainda apressa na marcha para o túmulo. Autóp¬sias recentes e estatísticas médicas provam que o tabagismo, para muitos homens, é um verdadeiro “suicídio a prestação”!

PERGUNTA: – Há informes científicos de que o organis¬mo humano mobiliza defesas suficientes para neutralizar os efeitos nocivos do fumo! Que dizeis?
RAMATÍS: – Não há dúvida; o corpo físico jamais cede em sua defesa enquanto possui energias e capacidade para neu¬tralizar quaisquer imprudências ofensivas à sua natureza. Mas é insensato que o homem abuse e agrave esse inato poder de resistência do organismo físico, na imprudência e insensatez de inalar venenos tão destruidores como o fumo e o álcool.
Os viciados no tabaco deveriam meditar profundamente quanto aos desesperados esforços e dispendiosas energias que o organismo físico mobiliza para sobreviver contra o enve¬nenamento do primeiro cigarro! O fumante neófito, quando tenta sorver o primeiro cigarro, é acometido de suores gelados e vômitos incoercíveis; baixa-lhe a temperatura e o sistema endocrínico destrambelha-se na produção de hormônios defen¬sivos; o esôfago excita-se, enquanto o fígado atropela-se, o tecido gástrico intoxica-se, afrouxa-se o pilaroa e surge até o fluxo desintérico. Há casos mais graves, em que o candidato ao tabagismo precisa ser socorrido pelo médico, pois desmaia, atinge o coma nicotínico ou sofre de cegueira acidental. Porém, não se atemoriza, nem se resguarda, malgrado o primeiro cho¬que fisiológico aflitivo e atroz. Imitando verdadeiro idiota, ele tenta novamente a mesma aventura mórbida e, de sofrimento em sofrimento, termina por adaptar-se ao condicionamento do fumo intoxicante, até converter-se na excêntrica e ridícula figu¬ra de uma “chaminé ambulante”!
Enquanto 50 miligramas de nicotina podem matar um fumante calouro, o tabagista viciado suporta até 120 mili¬gramas sem conseqüência mortal, graças à sua teimosia e obstinação em ajustar-se à incineração da erva tóxica. Mas o sucesso vicioso não se deve a uma defensiva natural, porém ao organismo que estabelece novos processos químicos e mobiliza energias específicas, furtadas de outros setores orgânicos, para a sua sobrevivência.
Após a viciação tabagista, o corpo carnal também fica mais vulnerável aos ataques tóxicos das doenças mais comuns, inclusive quanto à contaminação da área respiratória. Sem dúvida, ante essa defensiva incomum, então é possível que o fumante, de vigorosa estirpe ancestral biológica, possa viver até 100 anos algo sadio; no entanto, os menos favorecidos apressam a sua viagem para o túmulo!

PERGUNTA: – Mas o corpo humano não dispõe de ener¬gias suplementm’es, podendo adaptar-se à nicotina do fumo sem onerar outros setores orgânicos e causar prejuízos ulte¬riores?
RAMATÍS: – O tabaco não é nocivo tão-somente pela nico¬tina que o estrutura quimicamente, pois contém outros venenos perigosos, facilmente identificados em análise de laboratório, tais como ácidos pectósico, málico, oxálico, a amônia, extratos azotados e outras substâncias ofensivas. Na fumaça se percebe a presença do próprio ácido cianídrico, na base de 0,10 gramas para 20 gramas de tabaco analisado. O fumante inveterado, além disso, inala certa quantidade de gás venenoso, na forma de óxido de carbono, ao acender o cigarro, produto da combus¬tão do fósforo.

PERGUNTA: – Porventura os filtros modernos, nos cigar¬ros ou nas piteiras, não bastam para eliminar a substância tóxica da nicotina?
RAMATÍS: – Evidentemente, se o homem usa filtros para vedar a passagem da nicotina, ele admite, em sã consciência, a nocividade do cigarro! Mas, em face da tradicional negligência ou tendência viciosa, o homem passa a fumar o dobro de cigar¬ros que fumava anteriormente sem filtros, porque os acha fracos ante a ausência mais pronunciada da nicotina nos pulmões. Indubitavelmente, se o homem reconhece que o fumo é um mal, ele devia abandona-lo  e temê-lo, em vez de ainda procurar palia¬tivos como filtros.
As toxinas do fumo agridem a delicada mucosa gástrica, perturbam as funções digestivas e alteram os fermentos pan¬creáticos; e ainda integram-se à circulação sangüínea na forma de resíduos nocivos, passando a deprimir o sistema nervoso, porque se trata de entorpecente, que é mal•drenado pelos rins! O tabagista jamais é um homem saudável, pois vive perma¬nentemente expelindo toxinas por todas as vias emunctórias e fatigando-se pela drenação intensiva. Enrolando-se o corpo despido do fumante, num lençol úmido, ocorre um acelera¬mento na transpiração pelos poros, a ponto de ficar gravada no mesmo a forma corporal modelada pela nicotina expulsa através do suor!

PERGUNTA: – Quem fuma 20 cigarros por dia, quanto absorve de nicotina nesse consumo de tabaco?
RAMATÍS: – Considerando-se que um cigarro deve conter perto de um grama de fumo, o tabagista aspira 20 gramas de fumo na inalação de 20 cigarros. Dizem os cientistas que um grama de tabaco contém 2,5% de nicotina, do que se conclui que 20 cigarros, ou seja, 20 gramas de fumo, hão de conter 50 miligramas de nicotina, Quem consome uma carteira com 20 cigarros, por dia, absorve de 350 a 400 miligramas de nicoti¬na numa semana. E o fato é de preocupar, pois apenas 5 ou 7 miligramas de nicotina, por via subcutânea ou endovenosa, matam coelhos e cobaias facilmente, assim como certas aves morrem rapidamente ao aspirarem apenas o vapor da nicotina. Daí o motivo por que o principiante a tabagista sofre distúrbios respiratórios, salivação anormal, transtornos hepáticos, tontura, falta de visão e audição, inclusive dor de cabeça, vômitos, fraque¬za, cólicas e disenteria, quando fuma o primeiro cigarro. Com o tempo, ele se acostuma ao veneno nicotínico, mas, em geral, ficam os estigmas da “asma tabagista”, o pigarro incômodo e demais distúrbios nas vias respiratórias que já mencionamos.
Ademais, a língua do tabagista pode ficar atrofiada pelos venenos do fumo, que atingem as suas “papilas gustativas”, constituídas de minúsculos feixes de nervos, com a função de transmitirem para o cérebro a sensação do gosto das substân¬cias e líquidos em ingestão. Mal o fumante termina as refeições e ingere o costumeiro cafezinho, surge à vontade imperiosa de fumar, pois as antitoxinas que se libertam e se apuram, estimu¬ladas pela cafeína, logo exigem o tóxico tradicional para então combatê-lo. Enfim, são forças permanentemente mobilizadas num gasto desnecessário e sob o automatismo vicioso, que se excitam até sob os pensamentos incontrolados do fumante inveterado.

PERGUNTA: – Não será o fumo um recurso subjetivo do próprio espírito do homem, a fim de atenuar a vivência humana tão angustiosa e desconcertante?
RAMATÍS: – Se fosse sensata tal idéia, teríamos de expli¬car por que a humanidade conseguiu viver normalmente, sem precisar de tabaco, até o dia em que Colombo o trouxe da Amé¬rica para a Europa; e então, se divulgou tal vício. Os selvagens, como criaturas primitivas e ingênuas, sugavam fumaça pelos canudos de folhas de tabaco num divertimento tolo e infantil; e os civilizados passaram a imitá-los de modo bastante ridículo.
O sistema anti-higiênico de incinerar essa erva malcheirosa teve início depois que Monsenhor Nicot, embaixador francês em Portugal, passou a cultivar o tabaco em sua horta, como se fosse uma planta de excelente benefício para a humanidade. Caso os selvagens tivessem um pouquinho de senso de humor, teriam rido dos civilizados, que passaram a levar a sério o que era simples gozação! E os civilizados, hoje, exploram o vício de fumar, despendendo vultosas somas numa propaganda comer¬cial e sensacionalista.
De princípio, só os homens e as mulheres de má reputação é que fumavam às claras; porém, hoje, fumam as criaturas de todas as classes, pois o médico descansa o seu cigarro, enquanto aconselha o cliente a deixar de fumar para recuperar a saúde, ou o sacerdote excomunga todos os vícios do alto do púlpito, embora ele também seja um fumante.

PERGUNTA: – Cremos que a maioria dos fumantes busca uma distração.
RAMATÍS: – Não há dúvida que o tabagista alega que é para se distrair; e com a sua tolice viciosa gasta uma parte de sua economia na aquisição de cigarros. Ante a perspectiva de uma via¬gem de negócios, turismo ou piquenique, a sua mente, primeiro, se preocupa com o fumo! No caso de esquecimento voltará do meio do caminho ou se desviará para a cidade mais próxima, a fim de adquirir o tabaco! Dominado pelo desejo vicioso é capaz de atrasar-se para o almoço ou jantar, e até perder o último ôni¬bus, na aflição de comprar o seu atormentador. O tabagista suja de cinzas as vestes, os tapetes, as toalhas e as roupas de cama, dei¬xando a marca da nicotina pelos lugares onde perambula; corre até o risco de incendiar a própria casa ou escritório, ante o descui¬do de um fósforo mal apagado, um toco de cigarro aceso sobre o tapete ou na cesta do lixo. Mal abandona as cobertas do leito para lavar os dentes, suas mãos tateiam o maço de cigarros!

PERGUNTA: – Mas que dizer de homens célebres como Lord Byron, o esotérico Bulwer Lytton, o genial Rudyard Kipling, autor do poema “Se”, Churchill, o responsável pela vitória dos aliados, que além de fumantes inveterados, consideravam o tabaco um prazer indiscuível?
RAMATÍS: – Celebridade não é sinônimo de santidade ou libertação do instinto inferior. No entanto, todos os homens espiritualmente libertos do jugo da matéria não fumavam, como Francisco de Assis, Ramakrishna, Gandhi, Maharischi,  Lahiry Marasaya, Vivekananda e outros líderes do spiritualismo sadio.
Em virtude de o orbe terráqueo ainda ser uma escola de alfabetização espiritual, os espíritos que o habitam também são de tal natureza primária; ainda são alunos quase irresponsá¬veis, inescrupulosos, rebeldes, mal-educados, cínicos, agressivos e até cruéis, como se pode verificar pela simples leitura dos jornais do mundo. Eles matam-se em guerras fatrícidas, liquefazem os companheiros com bombas incendiárias ou atômicas, arrasam cidades, lavouras, pomares, campos, matas, destroem cidades e reservas nutritivas, para depois lastimarem e temerem o fantasma da fome. Zombam dos seus líderes espi¬rituais, pulverizam templos e instituições religiosas, selecionam jovens sadios e depois os eviam para a guerra e os estropiam em batalhas sangrentas.
Em conseqüência, os próprios gênios incomuns, cientistas abalizados e filósofos eruditos, que formam a cúpula mais sadia ela humanidade terrena, ainda são criaturas inconscientes de sua realidade espiritual. O cientificismo, a cultura ou habilidade incomuns não os livram de mergulhar nas paixões dos vícios do mundo, porque sua alma ainda é de graduação espiritual primária. Deslumbram-se, porque esmiuçam o atomismo estrutural dos elementos que compõem a sua moradia física, mas ainda não alcançam o conhecimento de si mesmos! Dominam os fenômenos próprios do cenário terreno onde atuam, mas não conseguem livrar-se, sequer, do tolo vício de fumar.
Kipling compôs o admirável poema “Se”, um admirável tratado ele libertação humana, mas ainda fumava bons charutos como qualquer moleque divertido; demonstrando que ele mesmo não conseguira se tornar o homem sonhado na sua criação genial! Bulwer Litton escreveu avançadas obras de simbolismo iniciático, focalizando diversas atitudes do homem no campo da espiritualidade consciente, mas era escravo do tabaco, em flagrante contradição consigo mesmo! Churchill concorreu extraordinariamente para libertar o seu país das garras nazistas: mas, lastimavelmente, na sua ingênua preocu¬pação de manter a tradição de uma figura excêntrica, em vez de fumar, era “fumado” pelos ostensivos charutos! Por isso, já dizia Pedro: “Porque todo aquele que é vencido é também escra¬vo daquele que o venceu” (II Pedro, 2: 19).

PERGUNTA: – Entre os próprios médicos há divergência de opiniões, pois enquanto alguns condenam o fumo, outros o acham inofensivo e até prazenteiro! Que dizeis?
RAMATÍS: – A confusão ainda é uma condição comum do vosso mundo primário e ela também ocorre entre os pró¬prios cientistas. O homem tateia, vacila e duvida antes de firmar seus princípios científicos, morais e sociais; e paga a sua cota de sacrifício no equívoco que precede a exatidão. Ptolomeu, em sua época, demonstrou cientificamente que a Terra era o centro do sistema solar; Copérnico, mais tarde, também provou, sob fundamento científico, que o Sol era o centro do sistema e a Terra era quem girava. Mas Tycho Brahe, cientista de renome, combateu novamente a teoria de Copérnico, defendendo a tese ptolomaica, Lavoisier não acreditava que os meteoros caíam do céu: Pasteur foi combatido e ridicularizado antes de glorificado pela ciência médica.
Assim se verifica no tocante aos próprios vícios da huma¬nidade; há quem os defenda por achá-los inofensivos, até com¬provar-lhes os malefícios na própria carne! O médico que fuma pode achar inofensivo o tabagismo, enquanto o que ainda não se viciou o censura como uma prática perigosa. No entanto, é suficiente o mais singelo exame de laboratório para se comprovar a natureza agressiva do alcalóide nicotina, que existe pro¬fusamente no tabaco. Após certo tempo de tabagismo, podem provir dores de cabeça do monóxido de carbono; irritações dos brônquios, da garganta e dos pulmões, produzidos pela amônia ou piridina; nas fossas nasais, devido ao calor da brasa do cigar¬ro, crestam as mucosas sensíveis das narinas. Há, ainda, os efei¬tos danosos dos derivados alcatroados do fumo, que formam residual nocivo atacando os pulmões, enegrecendo os dentes e compondo o terreno eletivo para o câncer pulmonar.

PERGUNTA: – Muitos fumantes consideram que o cigarro acalma os nervos!
RAMATÍS: – Os sedativos também acalmam os nervos, principalmente os barbitúricos; mas terminam por causar depressão e mais tarde perturbam o metabolismo do sistema nervoso! O desejo incontrolável do fumante origina-se no corpo perispiritual, cujas emoções no homem centralizam-se na região do “plexo solar” ou “plexo abdominal”. Em conse¬qüência, os fluidos volatilizados do fumo convergem para essa zona perispiritual, após verterem pelo “duplo-etérico”:.’ consoli¬dando-se, ali, o condicionamento que vitaliza o desejo vicioso incessante. Disso origina-se a angústia perispiritual devido ao efeito constante do tabaco eterizado, a qual só se acalma com a própria droga, tal qual acontece com o “delirium tremens” produzido pelo álcool e depois tranqüilizado pela ingestão do mesmo. O fumante supõe tranqüilizar os nervos, porque a nicotina ao penetrar no sangue produz um efeito hipnótico momentâneo sobre o nervo simpático. Lastimavelmente, os efeitos degradantes do vício requerem a providência da própria substância que o gera, assim como o veneno da cobra cura a sua mordida.
Em conseqüência, o fumante inveterado, depois que desen¬carna, ainda continua a sentir no “plexo abdorninal” do perispírito as angústias do vício tabagista cultivado na carne, exigindo o cigarro para se acalmar, coisa impossível de ser satisfeita no Além-Túmulo, pela ausência de qualquer tabacaria!

PERGUNTA:- Que dizeis das mulheres que fumam? Muitas delas acham que o fumo faz emagrecer e que as livra das drogas químicas perigosas!
RAMATÍS: – É um equívoco das mulheres pretenderem emagrecer à custa do fumo, quando isso deve ser obtido atra¬vés de dietas convenientes ao seu tipo, sob a orientação de hábil nutrólogo.
O tóxico do tabaco deprime fortemente certas pessoas debilitadas e exige a incessante mobilização de energias contra o seu impacto agressivo, resultando uma redução de peso do organismo físico por debilidade energética, e não devido ao tabagismo, que nada tem de terapêutico! Em geral, os fumantes inveterados engordam assim que deixam de fumar porque isso resulta do acúmulo de antitoxinas, que anteriormente foram mobilizadas no organismo para a defensiva contra a nicotina. Mas, paulatinamente, essas toxinas vão desaparecendo desmo¬bilizadas pela ausência do tabaco tóxico; e o “ex-fumante” não tarda a retomar à antiga forma física.

PERGUNTA: – As mulheres que fumam são mais prejudicadas do que os homens?
RAMATÍS: – A nicotina contrai os vasos sangüíneos e retarda o afluxo ele sangue aos centros e camadas cerebrais superiores situados externamente no córtex cerebral. Por isso, alguns tabagistas sofrem de certa “amnésia” parcial e insensi¬bilidade nas extremidades dos dedos, provocados pela exigui¬dade da circulação capilar. As doenças do coração, mais raras entre as mulheres, são mais freqüentes entre os homens tabagis-tas, multiplicando-se os “enfartes” à medida que a humanidade fuma. A nicotina reduz o calibre das veias coronárias e produz a “falsa angina”, cada vez mais comum entre os fumantes inve¬terados. O fumante inveterado apressa a constrição das veias coronárias, devido à incessante presença da nicotina atuando nos vasos sangüíneos de modo anômalo. Conforme o velho preceito de que “a função faz o órgão”, a delicada rede das coro¬nárias, que irriga e alimenta o coração, também acaba vítima da estenose crônica provocada pela nicotina, transformando o homem sadio, e ainda moço, num ótimo cliente dos médicos cardiologistas!
Conseqüentemente, a mulher que fuma é mais lesada pelo tabagismo, em virtude de ser constituída por mais extensa rede de vasos sangüíneos do que o homem, a fim de atender à sublime missão de procriar a vida. Através dos períodos cata¬mêniais, verifica-se que a mulher precisa descarregar o residual químico-tóxico sangüíneo, que se acumula naturalmente por não ser usado na procriação. A nicotina, a amônia, os ácidos oxálico, tânico, nítrico e o óxido de carbono, que se produzem na queima do tabaco, são mais nocivos ao metabolismo femi¬nino, porque agravam a necessária exoneração da carga mens¬trual tóxica e irritam o sistema nervoso.
Ademais, a mulher que fuma envelhece prematuramente, porque a constrição sangüínea provocada pela nicotina rouba o rosado da pele e reduz a irrigação circulatória elas faces. As rugas surgem mais cedo e formam-se petrificações subcutâ¬neas devido à retenção de resíduos nocivos e gordurosos, como cravos, manchas e sardas, o que obriga a mulher a mobilizar cremes, tinturas, substâncias químicas ou massagens através dos modernos salões de beleza, na tentativa de dissimular a velhice prematura.

PERGUNTA: – O fato de a mulher fumar também pode influir na procriação dos filhos?
RAMATÍS: – E de senso comum que “não há regra sem exceção”, e por esse motivo se existem homens tabagistas que vivem saudavelmente até 100 anos, há mulheres que resistem satisfatoriamente ao vício nocivo do fumo sem alteração na saúde. Mas essas exceções dependem fundamentalmente de orga¬nismos físicos oriundos de bons ascendentes biológicos.
É o caso mais comum das camponesas que fumam desde jovens, e, no entanto, são saudáveis e procriam sem dificuldades. Mas em tais casos a natureza possui recursos de reserva para mobilização de defesas, pois se trata de vida simples, instintiva e sadia nos campos pródigos de oxigênio puro, sem as combus¬tões nocivas da atmosfera das cidades poluídas por toda a sorte de emanações químicas e epidêmicas das aglomerações. Mas a moça situada no turbilhão dos resíduos impuros das populações citadinas, cuja alimentação mais artificializada e impura exige ainda os recursos de uma farmacologia violenta e tóxica, não pode assemelhar-se ao tipo de resistência que a camponesa, bem nutrida e vitalizada pelo ar puro, oferece contra o fumo.
As mulheres tabagistas tendem a gestar menor quantidade de filhos e algumas são estéreis, enquanto o uso do fumo duran¬te a gravidez acentua as náuseas, vômitos, salivação excessiva, ataques nervosos, perturbações digestivas e hepáticas, além das cefaléias periódicas. Certos abortos resultam ela inanição circulatória da rede vascular de irrigação do feto, quando ocor¬re a constrição demasiada sob o efeito ela nicotina.
A justificativa de existirem mulher e homem imunes ao tabaco, não significa que é inofensivo fumar, tal qual a idéia insensata ele que não é perigosa a tuberculose, só porque tam¬bém há criaturas imunes a essa doença!

PERGUNTA – Considerando-se que o vício de fumar antigamente era um hábito censurável e próprio das mulheres de má vida, isso agora pode desconsiderar moral ou espiritualmente as demais mulheres que fumam?
RAMATÍS: – Sob a tradição poética e histórica do mundo, cabe à mulher ser a figura representativa da poesia, graça e ins¬piração do homem, além de sua função sublime materna, Sem dúvida, existem mulheres brutas, grosseiras, obscenas e impie¬dosas, que desfiguram o conceito louvável da sublimidade femi¬nina. Mas, sob qualquer circunstância, a mulher sempre deverá representar o oposto masculino, preferindo as atitudes supe¬riores, que contrastam com a rudeza, má-criação, despotismo, insolência e egoísmo tão próprios do homem! Deus criou dois tipos de criaturas definidas na área da razão a fim ele constituir o motivo e o equilíbrio da vida; o homem, que é viril, autoritá¬rio, enérgico, másculo e mais rústico; e a mulher, atraente, terna, passiva e conciliadora, lembrando a flor que tenta pelo perfume fragrante, Ela significa o repouso espiritual, o “oásis” venturoso no deserto ela vida humana! É o aconchego do homem quando retoma ao lar, depois ele atormentado no mundo profano na luta pela manutenção da família, após as dissensões ou frustra¬ções de chefes e empregados, subalternos e hierárquicos, preocu¬pações econômicas, preterições injustas!
Em conseqüência, tudo aquilo que é próprio do homem agressivo, autoritário, dinâmico e vicioso, deve ser ridículo, antiestético e censurável quando praticado pela mulher, sím¬bolo de gentileza e inspiração no jardim ela vida humana! A mulher pode se tornar grotesca e desagradável, plagiando ou imitando os vícios masculinos, como o fumo e o álcool. Na ati¬tude de lastimável masculinização, criticável por ser viciosa, a mulher destrói o encanto milenário que lhe cabe na face elo orbe! Embora exija o mesmo tratamento na vivência humana, em igualdade aos direitos do homem e podendo participar das instituições políticas, científicas e laboriosas do mundo, deve manter a ternura, cortesia e a feminilidade inspiradora, tradi¬cional. A mulher que fuma ou bebe im-eteradamente, embora não chegue a alterar os seus sentimentos inatos ela meiguice, resignação, tolerância e afeto, macaqueia algo dos vícios e da rudeza do homem!

PERGUNTA: – O câncer será uma conseqüência do vício de fumar?
RAMATÍS – Tudo depende ela vulnerabilidade ancestral biológica do homem, pois a criatura de pulmões fracos é tão eletiva à pneumonia, pleurisia, atrofia, asma, enfisema, como, à tuberculose ou câncer pulmonar! Em tal caso, qualquer manifestação mórbida tende a convergir para essa região já debilitada por força da hereditariedade. O fumante inveterado e portador de pulmões deficientes contribui imprudentemente para agravar mais cedo a sua saúde. É, conseqüentemente, um candidato em potencial para o câncer nessa região pulmonar mais vulnerável. O fumo não é a causa exclusiva do apareci¬mento do câncer pulmonar, mas produz o terreno favorável à manifestação cancerígena, porque as substâncias alcatroadas e próprias do fumo atacam principalmente os pulmões por onde penetram agressivamente. Então é mais freqüente essa doença entre os tabagistas, os quais também oferecem mais probabili¬dades de ruína no tecido pulmonar pela infiltração nociva do tabaco. Atualmente, já se verifica que a maioria das mulheres cancerosas de pulmão fumam desbragadamente.
Sem dúvida, há diversos fatores que provocam o câncer, desde os surtos viróticos, alterações enzimáticas, distúrbios químico-orgânicos, deficiências nutritivas, desequilíbrios dos metais e metalóides organogênicos, inclusive traumatismos. Mas o abuso do fumo ou do álcool,  aliado ao uso de substân¬cias químicas corrosivas e tóxicas na alimentação humana, contribuem gravemente para esgotar as defesas vitais do orga¬nismo e tornar eletivo o clima para o câncer. É o caso dos animais selvagens, que não são sujeitos ao câncer, em face ele sua vivência sadia e equilíbrio no seu metabolismo fisiológico, enquanto os animais domesticados podem se tornar cancero¬sos ao serem violentados pelos hábitos viciosos da alimentação do homem!
O açúcar e o sal químicos são os maiores responsáveis pelas enfermidades nutritivas, gástricas. hepáticas, pancreá¬ticas e renais, que debilitam e alteram as defesas do animal domesticado à sombra do homem incoerente e ignorante das leis saudáveis da alimentação. Assim, o câncer não é propria¬mente originário de uma só fonte mórbida, mas de condições onde sempre impera a “desordem” mental, psíquica ou orgânica, a violência, enfim, contra a ordem e a harmonia da natureza! Aliás, há até um hibridismo cancerígeno proveniente da alteração no metabolismo enzimático e catalizador das ações e reações químicas necessárias à vida vegetal e animal. E assim proporciona o clima eletivo para certo vírus nutrir a sua progê¬nie no núcleo vital das células, que se mostram desamparadas pela alteração enzimática. Os instrutores espirituais sabem que o psiquismo influi poderosamente no metabolismo das enzimas catalisadoras do quimismo corporal, pois uma célula viva é maravilhosa fábrica que chega a produzir mais de 2.000 reações químicas provocadas por cem mil enzimas, das quais a medicina atualmente só conhece mil e poucos tipos!
Como a nicotina e as demais substâncias nocivas do fumo interferem diretamente na circulação pulmonar, é óbvio que as células sanguíneas também terminam provocando distúrbios e alterações nos quadros peculiares das enzimas catalisadoras do corpo sadio, estabelecendo-se o desequilíbrio na raiz celular e conseqüente degeneração das células.
A ação insistente de determinado instrumento, substância ou tóxico num ponto dado do organismo pode alterar o tra¬balho químico das enzimas e resultarem alterações celulares. Entre os hindus mascadores de noz-de-araca, o câncer ataca mais particularmente na boca, enquanto o câncer labial tem ocorrido mais freqüentemente no ponto em que mais o homem usa a piteira, o cigarro ou o cachimbo. Muitas úlceras gástricas, erradamente atribuídas à vida tensa do cidadão do século XX, têm a sua origem principal nos efeitos corrosivos das substân¬cias Tóxicas e alcatroadas. A excessiva e tóxica salivação defen¬siva do fumante inveterado para enfraquecer o fumo ataca a delicada mucosa do estômago e modifica os sucos gástricos e entéricos. perturbando o equilíbrio do metabolismo harmônico da digestão.

PERGUNTA – Mas por que aumenta o número de fumantes no mundo, quando através da própria ciência já se conhecem os prejuízos indesejáveis produzidos pelo tabaco?
RAMATÍS: – O homem terrícola ainda é muitíssimo negli¬gente para consigo mesmo, e confia quase que exc1usivamente na ciência acadêmica, a qual só opera adstrita à superfície terráquea. Aumentam os vícios, as paixões e os tumultos que desventuram o ser, na mesma proporção que aumenta a humani¬dde, pois apesar dos triunfos científicos, a quantidade humana domina a qualidade espiritual. O homem conseguiu pousar na Lua através da nave espacial “ApoIo-11″, mas ainda não conse¬guiu penetrar um centímetro na investigação do seu espírito; dispondo da bomba atômica e apenas apertando um botão ele pode destruir um milhão de criaturas, mas, lastimavelmente, não consegue destruir, sequer, o vício do cigarro! É capaz de dialogar genialmente com os povos antípodas do planeta, mas, infelizmente, não possui assunto superior para manter um minu¬to de palestra com a sua própria alma! Transplanta o coração ele um desastrado para outra criatura cardiopata, consegue movimentá-la no trânsito do mundo sob a genial intervenção cirúrgica, e, no entanto, não sabe de onde vem, o que é e para onde vai! Ilumina a face do orbe sob o controle remoto, mas ainda não conseguiu acender uma vela para iluminar o próprio espírito! Senhor de riquezas materiais no mundo profano, ainda não pôde povoar de alegria e paz o seu coração!
Por isso, na sua ignorância espiritual pouco faz para restrin¬gir a prática das coisas nocivas ao gênero humano, corno é o tabagismo, o uso de entorpecentes ou alcoolismo! As indústrias tabagistas do mundo, através de processos de propaganda em cartazes vistosos, propagam o vício de fumar utilizando-se dos recursos mais excêntricos; aqui, atrativas figuras de mulheres despidas convidam ao inigualável prazer divino de aspirar fuma¬ça malcheirosa do cigarro! Ali, esportistas famosos ou artistas consagrados apregoam a inspiração que o tabaco exerce na arte e no esporte; acolá, os próprios cientistas ponderam em frases raras que o cigano é um prolongamento epicurista do próprio homem! Há fidalguia e requinte na elegância de cultuar o idola¬trado cigano, ou impõe respeito o famoso político entrevistado com vistoso charuto entre os dedos amarelentos!
E a humanidade negligente prefere despender fortunas para convencer que o fumo e o álcool são prazeres justificáveis até pela ciência, apreciados pelos esportistas que necessitam manter-se saudáveis, e cultivados por verdadeiras expressões artísticas do comportamento humano!

PERGUNTA: – Quais são os prejuízos espirituais mais graves que podem afetar o fumante inveterado?
RAMATÍS: – O indivíduo que perde o seu domínio men¬tal e escraviza-se ao vício de fumar revela-se um candidato em potencial para outras investidas perigosas no seu psiquismo vulnerável. Assim que decaia na sua segurança moral, que negligencie com a estabilidade espiritual no mundo, constitui uma brecha a permitir a interferência possessiva de algum espírito desencarnado e sedento de satisfazer igual vício. Obvia-mente, quem não pode livrar-se de uma prática nociva, como é o tabagismo, é sempre mais difícil desprender-se de uma “vonta¬de oculta”; e o espírito do Além-Túmulo goza plena liberdade de agir invisivelmente.
Considerando-se que os espíritos desencarnados são apenas as entidades que se moviam pela Terra através de corpos carnais, é óbvio que do “lado de cá” vivem as mesmas espécies da fauna humana terrícola! Em conseqüência, também é grande o número de espíritos de “ex-fumantes” inveterados, que embora despidos do corpo carnal, ainda estão presos ao vício tolo de engolir fuma¬ça irritante cultivado na matéria. E como o desejo não é próprio do corpo físico, mas inerente ao espírito imortal, os viciados do Além-Túmulo necessitam de uma ponte viva e dinâmica para ligarem-se ao objeto do seu vício inexistente no mundo espiritual. Assim, os mais inescrupulosos ou sedentos vivem à cata de outros viciados encarnados, que lhes possam satisfazer a angústia taba¬gista! Eles procuram verdadeiras “piteiras vivas” para fumarem, assim como os alcoólatras sem corpo buscam “canecos vivos” para beberem, numa simbiose mediúnica eletiva!

PERGUNTA: – E como se processa essa degradante fun¬ção, em que os “vivos” transformam-se em “piteiras vivas” dos espíritos viciosos desencarnados?
RAMATÍS: – O duplo-etérico do homem encarnado é o veículo de segurança contra os espíritos desencarnados, desde que ele não perca o controle e o domínio no comando. É o intermediário entre o corpo físico e o perispírito imortal, o veí¬culo onde se centralizam todas as ações e reações no intercâm¬bio do mundo espiritual com o mundo físico. Em conseqüência, a satisfação de fumar, no homem viciado, processa-se através da ação desse duplo-etérico que, atuando na forma de sensibi¬líssimo laboratório confeccionado de éter-físico da Terra, trans¬forma o tabaco incinerado na condição de fluidos etéricos assi-miláveis pela natureza sutil e imponderável do espírito imortal. Como o duplo-etérico é um corpo provisório, que existe apenas durante a encanação do espírito, pois desintegra-se alguns dias depois da morte carnal, quem desencarna desliga-se do seu laboratório que sublima as substâncias físicas em fluidos etéricos. Assim, perde o contacto direto com os fenômenos do mundo físico, sem poder satisfazer vícios ou paixões cultivadas em excesso, na carne!
Isso acontece também com o “ex-tabagista” inveterado, que ainda mais se alucina ao ver-se desligado do corpo carnal e surpreende-se, aflito, pelo desejo do fumo estigmatizado no perispírito! Falta-lhe o duplo-etérico, o “transformador” ade¬quado para sublimar a erva incinerada em condições fluídicas assimiláveis. Deste modo, se o espírito desencarnado vítima do tabagismo é de baixa freqüência vibratória, de pouco escrúpu¬lo ou alucinado, ele não trepida em perseguir os encarnados viciados pelo fumo, a fim de absorver tanto quanto possível as emanações do cigarro! É a “via crucis” do infeliz viciado que transladando-se para o mundo espiritual, não conseguiu desvencilhar-se completamente dos cordoames das paixões ou vícios, que são próprios e exeqüíveis apenas no orbe físico! Os mais estóicos curvam-se ao sofrimento mórbido e pouco a
pouco retemperam-se dissipando de si o desejo vicioso; mas os tabagistas desencarnados, moralmente aviltados e desprovidos de qualquer escrúpulo, só têm um objetivo e intenção obsessi¬va: mobilizar um outro viciado no mundo carnal, para torná-lo na função ridícula e indesejável de “piteira viva”!

PERGUNTA: – O que poderíamos entender mais correta¬mente por essa função de “piteira viva”?
RAMATÍS: – Informamos que, através do duplo-etérico do tabagista encarnado, o espírito viciado e sem corpo absorve os fluidos “etereofisicos” exalados na queima do fumo material, assim como se utilizasse excêntrica “piteira viva” humana! Daí, a surpresa de certos médiuns videntes, quando deparam a estra¬nha simbiose de um espírito desencarnado, aflito e sedento, completamente enlaçado a um fumante inveterado ou alcoó¬latra. É o ignóbil vampirismo de uma alma destroçada pelo vício, que nenhum objetivo possui na vida além da satisfação do desejo pervertido!
Mas como há um grande desperdício fluídico nesse vampi¬rismo tabagista pela ausência do corpo carnal, então o espírito desencarnado e escravo do vício do fumo assedia o fumante para renovar a sua dose de cigarros, a fim de haurir maior per¬centagem da nicotina fluídica. Assim, o fumante invigilante pode atingir o máximo da degradação viciosa, a ponto de acender um cigarro atrás de outro, na absurda submissão mental de atender ao desejo insofreável de alguém agindo do mundo oculto!

PERGUNTA: – Todos os fumantes inveterados são “piteiras vivas” dos espíritos viciados, no Além?
RAMATÍS: – A simbiose de um encarnado com um obsessor no vampirismo do fumo resulta propriamente da “afinidade” espiritual, moral ou psíquica entre ambos! É indubitável que, se Francisco de Assis fumasse, mesmo desbragadamente, nenhum espírito viciado conseguiria torná-lo uma “piteira viva”, em face de sua sublime freqüência Angélica, pois, enti¬dade de tal quilate espiritual, mesmo algemada ao vício do fumo, jamais desceria à ignomínia de obsediar um encarnado e prosseguir no mesmo vício trazido da carne! Os espíritos ben¬feitores, embora tenham se deixado escravizar por algum vício, na Terra, são bastante briosos depois de desencarnados, para curtirem a sua fraqueza sem prejudicar o próximo!
Em conseqüência, nem todos os homens tabagistas são “piteiras vivas”, quando se trata de criaturas benfeitoras, dig¬nas, pacíficas, amorosas, tolerantes e religiosas. Na verdade, o encarnado que funciona na condição degradante de “piteira viva” já é um candidato em potencial a futuro vampiro tabagis¬ta no Além-Túmulo, porque a simbiose viciosa e indesejável depende da afinidade por força da mesma moral censurável e sentimentos malévolos entre ambos!

PERGUNTA: – Todos os fumantes inveterados, depois de desencarnados, sofrem no Além os efeitos perniciosos do vício de fumar?
RAMATÍS: – O sofrimento ou prazer de cada espírito, após a desencarnação, depende da extensão de sua escravatura ou submissão aos vícios e às paixões que cultivou imprudente¬mente no mundo carnal. Como o desejo continua a espicaçar o espírito, mesmo depois de desencarnado, pois isso não pertence ao corpo carnal transitório, ele há de sofrer tanto quanto seja a intensidade desse desejo, e, lastimavelmente, quanto à perspectiva ou probabilidade de poder satisfaze-lo! No caso do taba¬gismo, o espírito evoca o cigarro, charuto ou cachimbo, com a mesma aflição com que fazia na Terra, quando achava-se des¬prevenido de imediata satisfação viciosa. E como percebe que ainda é mais difícil acalmar o desejo insofreável, no Espaço, então se torna mais desesperado centuplicando o sofrimento.
Sabem os espiritualistas estudiosos e os médiuns, quando incorporam entidades sofredoras, que a fome, a sede, o desejo alcoólico ou de fumar, não se extinguem pela simples libertação do corpo carnal no “falecimento” físico, pois mudar de plano de vida é como mudar de apartamento, em que o morador conti-nua a manter as mesmas idiossincrasias, gostos e prazeres. A morte não é um banho miraculoso, pois não transforma diabos em santos, analfabetos em sábios, viciados em espíritos puros! Em conseqüência, todos os fumantes hão de sofrer, no Além, os efeitos brandos ou intensos de sua estultícia em perder o comando do organismo físico, estigmatizando, também, o peris¬pírito, com vícios que depois o imantam ao mundo físico!

PERGUNTA:- E que aconteceria, no Além-Túmulo, a um excelso espírito desencarnado, supondo-se que ele tenha sido um fumante desbragado, na Terra?
RAMATÍS: – A alma sublime, mas estigmatizada pelo vício de fumar no mundo físico, assemelha-se a uma espécie de balão cativo, que depois de livrar-se de 99 amarras, lutasse afanosamente para desprender-se do último cordel que ainda a imanta à carne! Embora situada no Paraíso, entre os eleitos do Senhor, ela sentir-se-ia inquieta e aflita pelo chamamento do mundo carnal no desejo vicioso!
Por isso Jesus foi bastante explícito, quando advertiu sobre a escravidão do homem aos vícios da carne: “Em veredade vos digo, que tudo o que ligardes sobre a Terra será ligado também no céu, e tudo o que desligardes sobre a Terra, será desligado também no céu” (Mateus, 18:18). Aquele que fuma descontroladamenle, viciou-se no álcool ou é um carnívoro insaciável sem dúvida, ficará ligado pelos laços etéricos a esses prazeres ínfimos terrenos, até que o seu espírito reassuma o comando mental próprio, ou prepare-se para novas experiên¬cias encarnatórias, onde o sofrimento o ajudará a extirpar os vícios escravizantes.

PERGUNTA: – Há algum meio infalível de o homem deixar de fumar?
RAMATÍS: – É óbvio que o problema não se soluciona no simples “largar do cigarro”, mas deve ser compreendida a realidade estulta, nociva e onerosa, que é incinerar folhas ele tabaco sem qualquer finalidade saudável ou nutritiva! Em pri¬meiro lugar é preciso analisar e solucionar o fato na mente e libertá-la da escravidão excêntrica. Alguns homens recuperam a sua força de vontade instantaneamente e expulsam de si a indesejável entidade tabagista viciosa; outros preferem eliminar o intruso através de etapas sucessivas e reconquistam, palmo a palmo, o terreno perdido! O psiquismo, às vezes, precisa reto¬mar o ponto de partida do vício; analisá-lo desde os primeiros efeitos fisiológicos desagradáveis e perniciosos, inclusive quan¬to à infanti1idade de chupar “canudinhos de papel com erva malcheirosa”, que produz fuligem nos pulmões, irrita a gargan¬ta e amarela os dedos! Há que refletir no incômodo causado às pessoas amigas ou estranhas, nos restaurantes, salões, ônibus, trens e ele,’adores, quanto às cinzas e aos buracos nas roupas, sobre a angústia de não poder assistir tranqüilamente a uma cerimônia ou filme cinematográfico sem fumar! Além do perigo ele incêndio, existe a situação humilhante de um homem que se julga senhor de si, mas ainda é escravo de um poder oculto, primário e nocivo, como é o ridículo vício de fumar!
A libertação do tabagismo há de ser mental, sem trocas por “bonbons” ou cigarros repulsivos, que embora inofensivos, ainda demonstram a fraqueza de vontade e a necessidade de um substituto vicioso! Convença-se o fumante de que o fumo não causa prazer ou distração, nem acalma os nervos e não produz inspirações sublimes. É um vício ridículo, que humilha qualquer homem inteligente e sensato! O fumante inveterado devia lastimar-se por ser escravo do estulto “canudinho de erva queimada” ou de uma folha de fumo enrolada entre os lábios babosos! E acima de tudo, o tabagista não deve esquecer o ter¬rível e angustioso sofrimento que advém após a morte corporal, pois no Além não existem tabacarias. É degradante para um espírito razoável também tentar o escabroso recurso de fumar através de outra “piteira viva”, viciada, na Terra!
O fumante, quando se liberta do vício de fumar, então se surpreende verificando que há um desafogo no sistema circula¬tório e respiratório, enquanto desaparecem as proverbiais cefa¬léias, sensibilizam-se os sentidos físicos como o paladar e o olfa¬to, antes “nicotinizados”. Passa a sentir os sabores e os odores naturais dos alimentos, enquanto o sistema nervoso acalma-se, pouco a pouco, sem a excitação mórbida do cigarro. Finalmen¬te, sentirá orgulho de sua grande vitória ao libertar-se do fumo que já lhe dirigia até os pensamentos, fortalecido para iniciar a ofensiva contra quaisquer paixões ou demais vícios que pren¬dem a alma nos ciclos tristes das reencarnações físicas!

FIM!.

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O Problema do Vício de Beber

Fraternidade Espiritual Estrela do Oriente – Atdto espiritual apométrico
Fundado em: 22.02.2006
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A VIDA HUMANA E O E O ESPÍRITO IMORTAL
Ramatís por Hercílio Maes
Ed. Do Conhecimento – 11ª edição

Capítulo 9.

Os problemas do vício de beber

PERGUNTA: – Sem dúvida, os instrutores espirituais devem considerar o álcool um dos maiores malefícios do nosso mundo. Não é assim?
RAMATÍS: – O álcool não é um dos maiores malefícios do mundo, mas de incontestável benefício para o ser huma¬no. Ele serve para compor xaropes, tintas e medicamentos; move motores, alimenta fogões, ilumina habitações, higieniza as mãos, desinfeta contusões e seringas hipodérmicas; limpa móveis, extrai manchas de roupas e asseia objetos, destrói germens perniciosos e enriqueci os recursos da química do mundo. Usado com parcimônia, estimula o aparelho cardíaco, acelera à digestão difícil e ajuda a queimar o excesso de gordu¬ras nas pessoas idosas. O álcool é maléfico, avilta, deprime e mata, quando os homens abusam de sua ingestão e chegam a degradar-se pela embriaguez.

PERGUNTA: – Sob a vossa conceituação espiritual, o alcoolismo deve ser considerado um vício ou uma doença da humanidade terrena?
RAMATÍS: – O alcoolismo deveria ser enquadrado mais propriamente no terreno patológico, pois o alcoólatra é um doente, que se enferma por sua livre e espontânea vontade. Assim como certas doenças deformam e lesam o organismo durante a sua manifestação, a embriaguez também produz lastimáveis e perniciosos efeitos no corpo físico, ofendendo os delicados centros cerebrais e rebaixando o homem no conceito da moral humana.
Surpreende-nos que os administradores, cientistas e auto¬ridades de todas as nações terrenas movimentem campanhas contra o vício da maconha, da cocaína, da morfina e do ópio, e até procurem disciplinar o uso de entorpecentes farmacêuticos, mas negligenciem completamente quanto ao abuso do álcool e tolerem os seus resultados nefastos. Enquanto a medicina inverte somas apreciáveis para pesquisar e sanear moléstias de menor importância, descuram-se de erradicar o alcoolismo, que lesa a vitalidade humana. Embriaga-se o rico com o uís¬que caríssimo e o pobre se degrada com a cachaça; no entanto, ambos se envenenam pelo mesmo tóxico pernicioso.

PERGUNTA: – E como se poderia solucionar problema tão crusciante?
RAMATÍS: – Alhures, explicamos que a graduação espi¬ritual primária dos habitantes da Terra justifica os indivíduos desordeiros, inescrupulosos, injustos, fesceninos, cruéis, mistifica¬dores, ciumentos e desregrados, motivo por que o orbe terráqueo ainda não merece ser governado por espíritos do quilate de um Francisco de Assis, Gandhi, Buda ou Jesus; essas entidades santi¬ficadas jamais conseguiram disciplinar ou administrar criaturas ainda tão desatinadas pela cobiça, ambição, pilhagem e guerras fratricidas; e em sua maioria, preocupadas exclusivamente com os seus interesses pessoais.
Malgrado o problema cruciante do alcoolismo, que degrada o moço negligente, a mulher ingênua, o homem desesperado ou velho desiludido, os terrícolas despendem gastos nababescos, para pousarem na Lua e lá prolongarem o mesmo sistema nefas¬to de vida cruel e viciosa, já cultuada na Terra! Conseqüentemen¬te, a displicência do homem, quanto ao alcoolismo, em breve há de ser corrigido pela “Administração Sideral” da Terra, pois neste “Fim de Tempos”, ou profético “Juízo Final” já em execução no seio da humanidade terrena, devem ser exilados para outro orbe inferior os responsáveis pelos desequilíbrios e empreitadas funes¬tas, que perturbam a vivência sadia do homem!

PERGUNTA: – Quais são as conseqüências mais graves para os homens alcoólatras?
RAMATÍS: – O alcoólatra é o indivíduo que já perdeu o senso direcional do seu espírito, pois vive em função do coman¬do discricionário de uma entidade oculta, que comanda todas as suas ações na vida física e até depois de desencarnado! Convinha que todos os homens seduzidos pela bebida alcoóli¬ca pudessem certificar-se dos cometimentos atrozes e terríveis, próprios das vítimas do alcoolismo em tratamento nos sana¬tórios antialcoólicos. Elas assemelham-se a verdadeiras feras enjauladas que, entre uivos e clamores, torturadas pela ardên¬cia insofreável do vício degradante, ameaçam despedaçar-se de encontro às grades protetoras. São trapos vivos, que se amon¬toam pelo solo e transpiram as emanações etílicas por todos os poros compondo a fauna dos candidatos à morte inglória nas valetas do mundo ou expostos nos necrotérios públicos.
É estarrecedor, após o exaustivo período sacrificial de ges¬tação da mulher, na sua função sublime de procriar um filho, vê-Ia tombado no lodo das ruas e marcado pelos estigmas vicio¬sos do alcoolismo!

PERGUNTA: – No entanto, muitos estudiosos do problema do alcoolismo temem pela extinção da indústria de bebidas alcoólicas, considerando um desastre econômico e colapso fatal na fabulosa renda fiscal do país. O fechamento de fábricas de garrafas, barris, caixas, tampinhas, cortiças e copos, a redução de impressos, transportes e conseqüente extinção da lavoura de lúpulo, cevada, ou cana-de-açúcar hão de causar os mais vulto¬sos desempregos do mundo! Que dizeis?
RAMATÍS: – E absurdo, insensato e maléfico esse sis¬tema de sustentação econômica terrícola através do álcool, pois ainda são mais catastróficos os prejuízos e as tragédias decorrentes de tal vício, em vez do desastre econômico, desem¬prego e” déficit” da renda fiscal, que podem ser remediados por outros recursos mais sensatos! O alcoolismo é o responsável direto pela maior parte de latrocínios, prostituições, doenças, misérias, luxúria, orgias, desordens, desventuras domésticas e maus-tratos da família. A indústria e o comércio que o sus¬tentam lembram um monstruoso vampiro a sugar as forças sadias de toda a humanidade! Qual é a vantagem do mundo em manter indústria tão macabra e funesta, se o álcool devora o organismo do próprio homem, além de ser combustível indire¬to da tuberculose, câncer, cirrose, sífilis, degenerações renais e pancreáticas, embrutecimento cerebral, imbecilidade, histeria, epilepsia, neuroses, lesões orgânicas, prostração física, enfra¬quecimento nervoso, taras hereditárias e esterilidade?
Mas o homem, em sua imbecilidade, chega até a glorificar o abuso do álcool e valoriza o produto nefasto, como se tal acontecimento vicioso e degenerativo fosse realmente algo de notável à cultura, glória, filosofia ou cientificismo de um povo! A Alemanha orgulha-se de sua cerveja; a Rússia, da vodca, a França, Espanha, Portugal e Itália, dos seus vinhos famosos; a Escócia e a Inglaterra são países mais conhecidos pelo seu uís¬que do que por suas realizações históricas! A América Latina proclama a preciosidade do rum de Cuba, da tequila do México, ou da cidra da Argentina, enquanto o próprio Brasil muito se envaidece pela sua famigerada cachaça! Sem dúvida, tudo isso poderia consagrar um país, caso fosse usado com parcimônia, que não conduz ao vício e à degradação, pois há povos cujos louvores provêm dos seus saborosos pêssegos, morangos, figos ou deliciosas uvas!
Malgrado a bebida alcoólica ser excelente fonte de renda fiscal, paradoxalmente, o seu abuso provoca o dobro dos gastos da administração pública de cada país, ante a série de enfermida¬des, degenerações orgânicas, crimes, desastres, acidentes, infelici¬dades, embrutecimento e desencaminhamento da juventude! Há verbas vultosas para atender à manutenção de asilos, hospitais, cárceres, presídios, institutos de recuperação psíquica e excepcio¬nais filhos de alcoólatras.

PERGUNTA: – Alegam alguns homens célebres que, se Deus permitiu a descoberta do álcool no mundo, evidente¬mente, é para se bebê-lo!. .. E a própria Bíblia narra a feliz descoberta de Noé na fermentação da uva, assim como o uso costumeiro da bebida alcoólica entre as primeiras tribos judaicas! Que dizeis?
RAMATÍS: – Deus não induziu a descoberta do álcool para o homem se embriagar, assim como da descoberta do ácido sulfúrico ninguém deve se matar! Ele quis prover a huma¬nidade de um elemento útil para aliviar os problemas mais simples da vida! Caso o Senhor considerasse o álcool bebida para ser ingerida sem qualquer controle, é indubitável que também teria criado as fontes, os riachos e rios prenhes de vinho, cerve¬ja, uísque, licores e cachaça; jamais tê-Ios-ia enchido de água! Mas é a concupiscência, a ganância, a cobiça, a avidez e a falta de escrúpulo de lucros ilícitos e fáceis que induzem os homens a se explorarem mutuamente no intercâmbio do alcoolismo oneroso e funesto.
Por isso, a propaganda alcoólica é feita por hábeis artistas através de quadros atraentes e multicores, que sugerem hipno¬ticamente as mais excêntricas bebidas corrosivéis à conta de verdadeiras ambrosias dos deuses! A imprensa, o rádio, a tele¬visão e os cartazes de ruas seduzem os incautos e avivam-lhes o desejo para preferir certo alcoólico da moda. Aliás, maquiave¬licamente, a indústria já introduz álcool em doces, chocolates e bombons finos, a fim de habituarem, desde muito cedo, as crianças, ao condicionamento tóxico e assim garantirem novos clientes no futuro! Que importa aos homens ambiciosos, egoís¬tas e inescrupulosos a aventura do próximo, desde que possam aumentar a sua receita financeira?
Embora certas descrições da Bíblia, que aparentemente endossam o uso do álcool, Jesus e seus apóstolos nada disse¬ram de favorável a esse vício nefasto. Aliás, Paulo de Tarso é bem claro quando assim adverte: “Nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os que se dão à embriaguez, nem os maldizentes possuirão o reino de Deus” (I Coríntios, 6:9-10) e antes dele já dizia o célebre profeta Habacuc: “Ai daquele que dá de beber ao seu companheiro!”

PERGUNTA: – Por que até homens de talento louvável e capacidade criadora têm-se deixado aviltar completamente pelo álcool?
RAMATÍS: – Não há dúvida, foram vitimados pelo álcool homens de avançada sensibilidade, como Edgard Allan Poe, Charles Baudelaire e outros, que deixaram um rasto lumino¬so na superfície do orbe. No entanto, os homens consagrados nas esferas científicas ou da arte do mundo material também podem ser pobres analfabetos espirituais! Nem sempre o talen¬to no mundo é sinal de que se fez o conhecimento da verdadeira vida do espírito imortal. Em geral, tais homens se estiolam na pesquisa demasiada dos valores da vida física, numa especializa¬ção isolada do panorama espiritual, ignorando a Lei do Carma e o processo justo da Reencarnação, que lhes poderia solucionar inúmeros problemas da vida em comum! Alguns atribuem-se excessivo valor quanto à sua personalidade incomum na face da Terra, e chegam a se mostrar humilhados, porque o destino ligou-os à família vulgar humana! Infelizes no lar, ante o clima prosaico e primário da parentela consangüínea, mal sabem que a Lei os imantou a criaturas deseducadas, que exploraram no passado. Revoltam-se alguns contra um pseudo Criador que os fez nascer empobrecidos, ignorando que a trama cármica os desvia incessantemente da fortuna material e motivo de desman¬dos funestos no pretérito! Os mais inteligentes transformam a sua desventura pessoal num melodrama cósmico, e vivem em sob intenso protesto contra quaisquer motivações divinas! Outros, exaltam a boemia regada a álcool, justificando o seu próprio vício como válvula de escape para a poesia, a pintura, a literaatice ou dramas novelescos!
No entanto, muitos desses bêbedos intelectualizados são homens vulgares, que atormentam os filhos ou infelicitam o ambiente doméstico, malgrado os seus arroubos geniais e epigra¬mas incomuns! Embora sejam escritores, poetas, dramaturgos ou artistas, quando se embriagam regridem ao nível dos homens primários, cujos sentimentos se afogam nas ondas do instinto animal! Em geral, a esposa heróica se curva sobre o tanque de lavar roupas, atravessa a madrugada com o ferro de engomar, ou se humilha na limpeza dos casarões alheios, desdobrando -se para sustentar, vestir e educar a prole faminta, enquanto o esposo de talento percorre as bodegas lançando ditos inteligen¬tíssimos ou compondo poesias de alta emotividade. A boemia sustentada à base de cachaça ou de uísque, mesmo quando se trate de bêbedo capaz de tecer as mais delicadas filigranas sonoras e poéticas, não oferece nenhum motivo para louvores extemporâneos!

PERGUNTA: – Mas a história e a literatura do mundo exaltam bastante os poetas, artistas e músicos, os quais, embora fossem noctívagos e beberrões, deixaram sinais brilhantes na sua passagem pelo mundo terreno!
RAMATÍS: – Sob o critério de julgamento feito pelo mundo espiritual, os valores terrenos mudam completamente de interpretação, pois só prevalecem no Além-Túmulo as virtudes do espírito imortal! É flagrante a incoerência do homem que traça roteiros luminosos e geniais no campo da poesia, da arte, da crítica, do teatro ou da literatura, mas não consegue movimen¬tar-se de modo digno e sensato junto à família!
Os sentimentos de bondade, ternura, humildade, renúncia, fidelidade e amor não são exclusivos do homem talentos o e científico, mas qualidades insignes do homem! Muitos gênios forjados nos elementos transitórios do mundo material, e dis¬tinguidos lisonjeiramente pela história, são espíritos débeis e escravos dos vícios, exaltando a boemia improdutiva! Muitos desses boêmios talentosos, mas ignorantes da realidade espi¬ritual, que alegram as ruas e os botequins das cidades, costu¬mam abandonar a família como um lastro inútil, oneroso e humilhante. Outros trocam a companheira devotada, laboriosa e resignada, que os serviu nos dias mais aflitivos, pela mulher volúvel, ociosa e ladina, e a elegem como inspiradora de suas obras excêntricas!
Causa estranheza que tais gênios só despertem a sua veia poética ou a inspiração artística sob o aquecimento do álcool corrosivo, mas quando sóbrios são incapazes de conseguir um litro de leite para os filhos! Nenhum ensinamento duradouro podem legar à humanidade os poetas, filósofos e artistas, que, para produzirem algumas obras geniais, principiam justamente escrevendo o drama covarde e inescrupuloso de abandonarem a família! Que valem para o mundo, cada vez mais sedento de esclarecimento espiritual, a alacridade, as rimas, os conceitos e as filigranas, os pensamentos e as graças literárias dos poetas ou gênios alcoolizados, que sabendo cantar a epopéia da vida humana, não conseguem manter a alegria no próprio lar?

PERGUNTA: – Os homens geniais, mas boêmios e beber¬rões, quando desencarnam também sofrem as mesmas conseqüências espirituais próprias das vítimas de embriaguez, sem qualquer talento ou cultura?
RAMATÍS: – A Lei Espiritual preceitua “a cada um será dado segundo as suas obras”, e não quanto à sua cultura, crença, inteligência ou alacridade boêmia! O alcoólatra, de qualquer natureza, ou mesmo capaz de criar no mundo das letras ou da arte, quando desencarna sofre no perispírito as conseqüências mortificantes da ação corrosiva do tóxico alcoó¬lico, assim como o arsênico tanto queima a pele do homem ou da mulher, do bandido ou do santo, do gênio ou do analfabeto! Isso é uma questão de química transcendental e nada tem a ver com a condição social, cultural ou religiosa do homem no mundo físico!
Aliás, a inteligência ou genialidade humana, que distingue o homem na face terráquea, pode ser completamente inútil para a criatura ainda distante da “sabedoria espiritual” do mundo angélico! O artista genial pode criar deslumbrante obra no mármore provisório do mundo físico, e, no entanto, ser um péssimo escultor da sua própria felicidade; o escritor talentoso pode compor admirável texto literário de esclarecimento psi¬cológico aos encarnados, continuando um analfabeto nas suas resoluções espirituais! A verdadeira sabedoria é alicerçada nas coisas definitivas do espírito imortal, uma vez que o mundo físi¬co é apenas o “meio” e não o “fim” da existência humana!
Atila, Gêngis Khan, Alexandre, Júlio César, Anibal, Carlos Magno, Napoleão ou Hitler, foram “gênios”, mas no conceito de guerra, seu talento e habilidade eles os empregaram destruindo e pilhando outros povos! Passaram pelo mundo execrados por essa genialidade enfermiça e que deixou gemidos e mortes no seu rasto de sangue. No entanto, gênios também foram Vicente de Paulo, Francisco de Assis, Paulo de Tarso, Buda, Krishna, Confúcio, Gandhi ou Jesus, porém, sábios espirituais que con¬sagraram-se na estratégia sublime de melhorar e enriquecer a vida da humanidade. O sábio autêntico é aquele que sabe administrar a sua própria vida espiritual, proporcionando a si mesmo a ventura eterna. Jamais é genial quem conquista povos ou tesouros materiais, mas desencarna possuindo um árido deserto no coração!
O problema da ventura espiritual é assunto particular; por isso, muitos gênios, artistas e cientistas, que fartaram de álcool o seu corpo pelas espeluncas do mundo, enquanto dei¬xavam a família à míngua de um pedaço de pão, infelizmente, acordaram no Além-Túmulo estarrecidos e desgraçados ante a tragédia que passaram a viver em si mesmos! Sofreram a mais atroz desilusão, desaparecendo-lhes a garridice, o sarcasmo e os epigramas com que se aureolavam no mundo físico e deslum¬bravam os “fãs” através de jogos incomuns de palavras e recita¬tivos álacres! Muitos desses famosos beberrões ironizavam os tolos da crença na vida imortal. Mas, para a sua infelicidade, confundiam a sua própria incapacidade de apercebimento da Realidade Divina, na convicção de avançada sabedoria pes¬soal!
Malgrado terem sido cultos oradores, abalizados filósofos e argutos psicólogos, ágeis de raciocínio, famosos e ricos de epi¬gramas aguçados, eis que após o “falecimento” precisam apoiar¬-se, servilmente, na textura que lhes oferece a esposa inculta, inexpressi\’a e resignada, que no seu orgulho intelectivo eles abandonaram na Terra!

PERGUNTA: – Fomos informados de que o álcool chega a produzir modificações na contextura do perispírito! Poderíeis dizer-nos algo a respeito desse acontecimento?
RAMATÍS: – Não há dúvida; a anarquia física do bêbedo é apenas o reflexo da sua mórbida desordem psíquica! Assim, quando desencarna, o seu perispírito desfigurado pela ação corrosiva etereoastralina do álcool plasma um aspecto larval, vampírico e horrendo, que impressiona e assusta as almas mais tímidas! Aí na Terra, o corpo desfigurado, bamboleante e repulsivo, reflete a desagradável plastia da sua organização perispiritual, cujo tecido delicadíssimo é profundamente sensí¬vel às ações mentais.
O bêbedo descuida-se do seu vestuário, torna-se excêntrico e extravagante; interpreta a vida a seu modo e confunde anomalias censuráveis com a naturalidade da existência. Irrita-se facilmente, discute numa fatigante verborragia as coisas mais simples e tolas, contradiz-se, revolta-se, rebaixa-se moralmente e perde o senso psicológico do ambiente. Vive existência à parte; os seus delírios são constantes e mesclados de alucinações visuais e auditivas. Degeneram-se os seus órgãos físicos, inflamam-se os intestinos e o estômago sob a ação corrosiva do álcool, atrofia-se o fígado, dificulta-se a drenação renal e fatiga-se o coração. Então, o seu aspecto modifica-se numa feição estranha, o rosto de cor terrosa, olhos empapuçados e injetados de sangue. O ébrio contumaz se impressiona e se horroriza da sua feição quando, depois de desen¬carnado, defronta a sua imagem refletida na condensação fluídica do meio astralino, pois alguns fogem, espavoridos de si mesmos, lembrando as histórias fantásticas de “O Médico e o Monstro”.

PERGUNTA: – Mas o que poderíamos entender por câncer cármico?
RAMATIS: – O câncer cármico resulta da vertência da carga “psicotóxica” do perispírito para o corpo carnal, espécie de residual nocivo de energias destruidoras, que o espírito mobili¬zou em vidas anteriores na prática da feitiçaria mental, verbal e física. Não é propriamente um castigo divino, mas conseqüente perturbação no mecanismo normal do intercâmbio das forças primárias, provindas da Terra, em choque com as energias espi¬rituais descidas do Além. Os radiologistas que morrem de “radio¬dermite” não são castigados por exercerem profissão incomum e perigosa, mas eles sofrem apenas o efeito da causa nociva radioa¬tiva, que é inerente ao mecanismo e à técnica radiológica! Assim, os espíritos que, na sua ambição e ignorância das leis da Criação, mobilizaram certa energia primária, de fácil inversão destruido¬ra, terão de suportar a dolorosa condição de cancerosos futuros, quando para a sua própria ventura espiritual precisarem drenar do pelispírito o indesejável morbo deteliorado! Sabe-se que a eletlicidade é uma força criadora ou destrutiva, conforme seja aplicada a sua polaridade, pois ela tanto produz a luz, o calor, como regela e mata, na inversão dos pólos!
Eis, então, por que o câncer incide mais nos órgãos vulnerá¬veis ou ofendidos do homem alcoólatra, como o esôfago, o estô¬mago ou então os pulmões, nos fumantes inveterados!

PERGUNTA: – O álcool é nocivo à gestação?
RAMATÍS: – O álcool é prejudicial à gestação; e quando as mães o ingerem em demasia durante a gravidez perturbam a formação do feto e podem dá-lo à luz com a tara da histeria ou esquizofrenia. Há casos, também, em que degenera o filho gerado sob a ação do álcool, mesmo por parte do pai ou dos pais, como é comum a bebedeira na noite de núpcias, em que o gérmen responsável pela fecundação já inicia o seu ciclo de vida sob uma ação tóxica perturbadora.
À surdez, os defeitos de visão, as paralisias, a mudez e outros efeitos patológicos também podem ser de origem alcoólica.

PERGUNTA: – Não seria uma injustiça o espírito reencarnante sofrer os prejuízos na sua organização carnal, só porque seus pai estavam ébreos no momento da fecundação?
RAMATÍS: – Embora não haja duas encarnações perfeita¬mente semelhantes, na Terra, em geral, o espírito inicia a com¬posição do corpo no ventre materno logo após o espermatozói¬de fecundar o óvulo feminino. Então o perispírito, já reduzido à configuração fetal, pode “encaixar-se” no ventre perispiritual da mulher terrena, dando início à convergência das energias etérico-fisicas para preencherem o molde original. Assim, o duplo-etérico, o veículo intermediário entre o espírito e o corpo físico também vai se modelando gradativamente conforme a materialização do feto físico.
Os técnicos siderais, responsáveis pelo evento reencarnató¬rio, só vinculam o espírito ao campo “biofísico” da progenitora, depois de ajustá-la através dos cromossomos à linhagem ances¬tral hereditária e atendendo ao programa cármico do encarnan¬te. Em conseqüência, o espírito de melhor-padrão sideral fez jus a um organismo sadio e de boa contextura nervosa, e por esse motivo não deve nascer de pais alcoólatras. No entanto, o “ex-alcoólatra” do passado será encaminhado para descender de pais alcoólatras, e tal processo se efetua por afinidade espiri¬tual e jamais sob qualquer determinação divina, injusta!
Quando o espírito de bom quilate espiritual verifica que se contaminou o embrião que lhe deve proporcionar o corpo físico, isso por força da embriaguez dos pais durante a fecundação ou da imprudência materna na fase gestativa, ele pode desligar-se do processo reencarnatório, se assim preferir, sendo imediatamente substituído por outra entidade afim ao caso.

PERGUNTA: – Supondo-se que a mãe se ponha a beber durante a gravidez, mas só na proximidade do parto é que se verifica a lesão no feto, o que sucede após o longo tempo já decorrido da vinculação do espírito encarnante?
RAMATÍS: – Em tal situação, os técnicos do Além interfe¬rem e libertam o espírito que não merece um destino tão ingló¬rio de um corpo físico lesado pelo álcool, pois não há injustiça por parte da Administração Sideral. Isso, então, pode ocorrer através do aborto inesperado, ou se não é conveniente pôr em perigo a vida da mãe, mesmo imprudente, o nascituro não se cria, ante a impossibilidade de outro espírito ainda vincular-se em tempo no comando “psicofísico!”
Sem dúvida, é desventurada a mãe que perde o seu descen¬dente, após nove meses de gestação e sacrifícios, quando, por causa de sua imprudência ou vício censurável, frustra o trabalho exaustivo do próprio espírito reencarnante, e o obriga a desven¬cilhar-se de um corpo perturbado e carmicamente imerecido. Desde que a Lei Cármica dispõe “a cada um segundo as suas obras”, os pais que se embriagam na noite de núpcias e podem lesar o gérmen da fecundação, ante a gestação de um corpo defei¬tuoso para o espírito encarnante, candidatam-se à amargura de procriarem filhos retardados, esquizofrênicos, mentecaptos, nevropatas ou alcoólatras, que passam a substituir a entidade espiritual que é liberada por não merecer a tara do alcoolismo. Nenhum espírito encarnante é injustiçado por qualquer eventualidade desastrosa ou indesejável, pois o seu guia e amigos desencarnados vigiam e protegem-lhe o processo reencarnatório perfeitamente vinculado ao programa cármico elaborado.

PERGUNTA: – Ante essa incessante ameaça à integrida¬de da raça humana pelo consumo cada vez mais elevado do álcool, que poderíamos fazer para reduzir vício tão perigoso?
RAMATÍS: – É de senso-comum que quaisquer vícios do homem só podem ser extintos pelo próprio homem, e não por simples admoestações ou advertências! O homem viciado, cuja vontade é escrava do vício do álcool, só poderá integrar-se novamente na comunidade dos espíritos libertos desse estigma vicioso, depois de recuperar novamente o seu domínio mental, psíquico e físico. A libertação espiritual é processo que se forja de dentro da alma para fora, do espírito para a matéria, da mente para o corpo! O homem escravo do álcool só consegue retomar o comando do seu organismo, se agir tão impiedosamente contra si mesmo, tanto quanto é tiranizado pelo vicio!
A existência humana é um estágio rápido para o espírito treinar e dispor de sua vontade, a fim de poder criar nas regiões espirituais, onde a vida se manifesta na sua autenticidade divi¬na! Sob qualquer hipótese, o homem não deve lesar o organis¬mo físico que lhe é confiado pelo Alto, a fim de modelar a sua própria ventura espiritual. E tão prejudicial o alcoolismo, e disso já tinha conhecimento o povo judeu, que a Bíblia faz as seguintes recomendações: “Não olhes para o vinho quando te começa a parecer louro. Ele entra suavemente, mas no fim mor¬derá como uma serpente e difundirá o seu veneno como um basilisco.” E mais adiante: “Não te queiras achar nos banquetes dos grandes bebedores” (Provérbios 23:31,32 e 23:20).

PERGUNTA: – Alhures, dissestes que os encarnados beberrões podem servir de instrumentos de satisfação para espíritos de “ex-alcoólatras” desencarnados?
RAMATÍS: – São poucos os encarnados conhecedores do terrível perigo que se oculta através do desregramento pelo álcool! A embriaguez é sempre uma condição vulnerável, que pode transformar o homem num ensejo para satisfazer o desejo insofreável dos espíritos de “ex-alcoólatras” já desencarnados. Os espíritos viciados pelo álcool continuam a sofrer no Além¬ túmulo os horrores do desejo insatisfeito, que aumenta ainda mais devido à vibração rapidíssima do perispírito liberto da carne! Então, só lhes resta um recurso, e os mais inescrupulo¬sos e cínicos não vacilam na sua prática: escravizar os encar¬nados para exercerem a detestável função de “ponte viva”, ou, mais propriamente, de “canecos ‘vivos” para as suas libações mórbidas!
O desejo é furioso, esmagador e masoquista; a vítima desen¬carnada alucina-se vendo visões pavorosas e aniquilantes. E quando isso acontece os espíritos inescrupulosos são capazes das maiores infâmias e torpezas contra os encarnados, desde que possam minorar a sede ardente da bebida! São almas que deixaram o seu corpo cozido pelo álcool nas valetas, nos catres de hospitais, ou mesmo em leitos ricos, mas despertam enlou¬quecidas pelo desejo desesperado de satisfazer o vício! Só redu¬zido número de almas viciadas na Terra entrega-se, submissa, à terapia do sofrimento purificador e luta, no Espaço, contra o desejo mórbido, a fim de eliminar do perispírito o eterismo ou residual etérico do tóxico que as acicata incessantemente. Algu¬mas, corajosas e decididas, depois de se libertarem do desejo cruciante do álcool alimentado na vida carnal, entregam-se ao serviço de socorro aos alcoólatras encarnados, tentando influen-ciá-los para que deixem o vício, ou atraindo-os para junto das organizações religiosas e instituições espiritualistas do mundo, que devem lhes orientar uma conduta sadia. Mas é coisa difi¬cílima encaminhar alcoólatras para os ambientes religiosos salvacionistas, tal é o assédio que lhes fazem os obsessores viciados!

PERGUNTA: – Realmente, temos observado que é tra¬balhoso conduzir um beberrão a um templo religioso ou instituição espírita onde seja protegido e esclarecido sobre o terrível vício do álcool.
RAMATÍS: – Os espíritos nas Trevas voltam-se furiosa¬mente contra os homens e instituições que tentam intervir nos seus propósitos torpes de vampirismo no mundo. Então encetam campanhas de desmoralização ou de perseguição con¬tra religiosos, médiuns ou doutrinadores, que se propõem a libertar de suas garras os embriagados enfraquecidos nas suas defesas espirituais.
Muitas vezes, quando o candidato a “caneco vivo” é digno de boa proteção espiritual, para livrá-lo da degradante condi¬ção, os seus guias provocam algum acidente ou enfermidade, que o lança no leito por longo tempo, e essa imobilidade ben¬feitora frustra o intento dos obsessores. E ali intensificam a presença de criaturas regradas, amigas e líderes religiosos, que ainda o fortalecem, cada vez mais, no sentido de encouraçá-lo contra as investidas traiçoeiras dos vampiros do Além!

PERGUNTA: – E quando o alcoólatra chega ao final de sua vida degradante, os seus “donos” não jazem alguma coisa para evitar-lhe a morte e o conseqüente prejuízo pela perda do seu vasilhame carnal?
RAMATÍS: – Conforme explicamos, os obsessores atuam incessantemente no seu vasilhame encarnado, a fim de torna¬-lo sem o controle do raciocínio, que possa conduzi-lo às fontes de salvação. Furiosos e vingativos afastam-no, até rudemente dos ambientes regrados e de amigos bem-intencionados; dis¬tanciam-no das missões religiosas salvacionistas, dos centros espíritas ou de contato com panfletos e livros de esclarecimen¬to espiritual capazes de os livrarem da sua astuta influência. Quando lhes é possível, mediunizam o infeliz alcoólatra provo¬cando balbúrdia, sarcasmos, posturas censuráveis, ditos obsce¬nos, ofensas públicas, gargalhadas cínicas e agressividade, que desencorajam os seus protetores.
Mas esses vampiros também sabem que os seus “canecos vivos” sucumbem prematuramente aniquilados pelo excesso do álcool destruidor; e quando isso acontece, eles os deixam impie¬dosamente entregues à sua terrível sorte, agindo à semelhança do cangaceiro, que abandona na estrada o animal estropiado que o servia na sua fuga desesperada. Como não existem quais¬quer sentimentos de nobreza nesses viciados inescrupulosos e exclusivamente preocupados na satisfação de seus vícios aviltantes, pouco lhes importa a agonia, o sofrimento e a degra¬dação dos que os serviram como repasto da satisfação viciosa. Ademais, o alcoólatra “in extremis” só ingere poucas doses de álcool, o que não convém mais ao seu obsessor, por não poder saciar o desejo ardente e insaciável no deficiente alambique humano!
PERGUNTA: – Que se compreende, realmente, por “caneco vivo” dos malfeitores desencarnados?
RAMATÍS: – “Caneco vivo” é a criatura que, dominada completamente pelo vício do álcool, perde o seu comando psicológico e espiritual, tornando-se um verdadeiro “alambi¬que”, ou “robô” da vontade dos desencarnados alcoólatras. Os espíritos degenerados e viciados procuram as criaturas vítimas da bebida alcoólica, porém, enfraquecidas de vonta¬de ou escravas de paixões inferiores, a fim de transformá¬-las num prolongamento vivo e pelas quais possam absorver as emanações do álcool. Através do estômago dos seus “canecos vivos” e em infame simbiose fluídica, conseguem sugar os fluidos etílicos que se exsudam na decomposição digestiva.
Mas a confecção de um “caneco vivo” exige tempo, porque é fruto de um trabalho obstinado do obsessor, ajus¬tando-se ao “duplo-etérico” do viciado encarnado, isto é, o campo energético, espécie de cavalo que se liga vitalmente ao carro físico! De princípio, precisa afastar as boas amiza¬des, proteções e circunstâncias que envolvam o candidato a recipiente alcoólico; é necessário isolá-lo, tanto quanto possível, da própria família, através de conflitos, desen-tendimentos e repulsas! Alguns obsessores perseveram anos, vigiando e subvertendo sua vítima até à degradação máxima, pois quanto mais ela se embriaga e se degrada, mais lhes atende a sensações pervertida, E depois que o vampiro consegue o seu domínio completo sobre o bêbedo encarnado, cerca-o ele todos os cuidados e o protege contra acidentes, agressões e até enfermidades, a fim de usá-lo na lastimável função de “caneca vivo”!
Mas como o espírito sem corpo físico não pode usufruir integralmente o álcool ingerido pelo alcoólatra encarnado, pois só aproveita os fluidos etéricos volatilizados na opera¬ção digestiva, então acicata incessantemente o seu “caneca vivo” para embriagar-se até cair. Daí o motivo por que muitos alcoólatras afirmam que uma força oculta os obri¬ga a beber insaciavelmente, mesmo depois de intoxicados e debilitados! Infeliz fornecedor de vapores alcoólicos aos vampiros do Além-Túmulo, o “caneco vivo” degrada-se, dia a dia, até findar-se qual farrapo humano encharcado pelo lodo do mundo!

FIM!

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O Casamento na Visão Espírita

O casamento na visão espírita

Torna-se necessário que cada um dos cônjuges compreenda a importância de sua participação na resolução das divergências

Para os Espíritas, não é novidade ser a reencarnação um dos princípios básicos e mais importantes da sua Doutrina; que a sua finalidade é a de proporcionar aos Espíritos perfeição, progredindo sempre, para aproximar-se de Deus, conforme aprendemos em O Livro dos Espíritos, na questão 132.

Nas questões 231 e 258, aprendemos também que, quando desencarnados e ainda vinculados à Terra, são eles chamados de errantes e que, nesse estado, entrevem o que lhes falta para serem felizes. É por isso que buscam os meios de atingirem o objetivo almejado, escolhendo, eles mesmos, o gênero de provas que desejam sofrer. Nisso consistem os seus livres-arbítrios. Quando lhes falta experiência para escolher, Deus supre as suas inexperiências, por intermédio da colaboração dos bons Espíritos, Seus mensageiros.

São, em tese, esses os ensinamentos dos Espíritos superiores sobre a importância da volta do Espírito à Terra, através das reencarnações sucessivas. São ensinamentos que nenhum Espírita pode ignorar e deve entendê-los, nos seus meandros, para que possa assumir sua parte de responsabilidade nos atos praticados, em sua vida terrena, na busca de sua transformação interior, para melhorar sempre.

Sendo o casamento uma das provas mais importantes na vida de todos e, perante os conhecimentos trazidos pela doutrina Espírita, somos levados a uma cogitação séria sobre o casamento na ótica espírita. O objetivo é posicionar os interessados sobre a responsabilidade de cada um, considerando a liberdade da mulher; a quase liberação do sexo; o uso do anticoncepcional tornou-se prática fácil e moderna e a dissolução do casamento, muitas vezes, é causada pelo simples desejo de inovação.

Martins Peralva, de saudosa memória, estudioso do Espiritismo e bom entendedor dos ensinamentos constantes da obra de Kardec, em feliz abordagem sobre o tema Espiritismo no Lar, constante do livro de sua autoria, Estudando a Mediunidade, sugere a seguinte classificação dos casamentos:

“Acidentais: Encontro de almas inferiorizadas, por efeito de atração momentânea, sem qualquer ascendente espiritual.

“Provacionais: Reencontro de almas, para reajustes necessários para a evolução de ambos.

“Sacrificiais: Reencontro de alma iluminada com alma inferiorizada, com objetivo de redimi-la;

“Afins: Reencontro de corações amigos, para consolidação de afetos.

“Transcendentes: Almas engrandecidas no Bem e que se buscam para realizações imortais.”

Tomando-se por base essa classificação, podemos deduzir que os acidentais, quando duas pessoas se unem, sem qualquer ascendente espiritual, onde funcionou apenas o livre arbítrio, na busca do sexo oposto, apenas para satisfação instintiva, tem início ali um vínculo de comprometimento para o futuro, em próximas existências, uma vez que ninguém tem o direito de lesar sentimentos alheios, sem que lhe seja imputada a devida culpa.

Nos casamentos provacionais, em que duas almas se encontram em processo de reajustamento, necessário ao crescimento espiritual, esses que são a grande maioria na Terra, o ensinamento trazido pelo Espiritismo faz luz para nos alertar sobre a sua finalidade.

Essas uniões demonstram, de forma palpável, que não existem encontros afetivos, sem raízes profundas nos princípios cármicos, onde as nossas responsabilidades são esposadas em comum. Quando, ainda no mundo espiritual, programou-se, por moto-próprio, o remédio, embora amargo, que precisa ser ingerido para o restabelecimento da saúde espiritual, isto é, o acerto de contas reclamado por ambas as partes.

No livro de sua autoria, Fé, Paz e Amor, página 92, Emmanuel, o sábio amigo do médium Chico Xavier, ensina: “Se encontrastes em casa, o campo de batalha, em que sentes compelido a graves indenizações do pretérito, não te detenhas na dúvida! Suporta os conflitos à própria redenção, com valor moral do soldado que carrega o fardo da própria responsabilidade, enquanto se desenvolver a guerra a que foi trazido. Não te esqueças de que o lar é o espelho, onde o mundo contempla o teu perfil e, por isso mesmo, intrépidas e tranquilas nos compromissos esposados, saibamos enobrecê-los e santificá-los.”

Pensemos nisto: se contraímos dívida nos estabelecimentos bancários ou comerciais e, se não pagarmos no vencimento, o nosso nome será encaminhado ao Serasa ou SPC e ficamos com o nome “sujo”, sem direito a novos créditos. Para reaver o crédito e limpar o nome, é necessário pagar a dívida.

O mesmo acontece com o Espírito encarnado, na vigência do casamento. Praticando erros em prejuízo do outro cônjuge, fica sem crédito espiritual e só o reaverá, quando conseguir resgatá-lo, atendendo Jesus, quando afirmou: “reconcilia-te com o adversário enquanto em caminho com ele”.

Fica claro que os Espíritas, que conhecem tudo isso, no seu interesse próprio, devem ver, no casamento provacional, a oportunidade bendita que nos é dada por Deus para o nosso entendimento pacífico com os nossos supostos adversários, por nós mesmos lesados, em outros tempos, e, agora, podermos nos entender, retirando da consciência o peso difícil de ser carregado.

A separação consiste no não cumprimento da programação anterior que se adia para outra encarnação. Pode ser comparada com a Nota Promissória que, vencida, poderá ser prorrogada, mas, com o ônus do acréscimo dos juros, multas e correções.

Sendo assim, verificamos que não é compensadora a separação, uma vez que demonstra falta de inteligência e de bom senso.

Para tanto, toma-se necessário que cada um dos cônjuges compreenda a importância de sua participação empenhada no êxito resolutivo nas divergências. Assumindo, com boa vontade e compreensão, a parte que lhes compete, receberão, necessariamente, uma solução positiva. Isso é de Lei.

É importante olhar para dentro de si, com valor e humildade, admitindo a necessidade de modificar alguma coisa, talvez, o comportamento com o outro cônjuge, perdoando-o, tratando-o com afetividade, com indulgência, usando da caridade que enaltece e ensina a amar.

Se não fizer mudanças necessárias e continuar com o mesmo procedimento anterior, permanecerá sofrendo aquilo que já sofria, isto é, as dificuldades de relacionamento familiar, em prejuízo dos próprios filhos. Não agindo assim, estará, sem dúvida, transferindo para encarnação futura a solução daquilo que pode resolver desde já.

A separação, portanto, toma-se necessária em casos extremos, quando a irracionalidade de um ou de ambos os cônjuges não propiciar ambiente para entendimentos; quando a convivência, ao invés de pacificar, cria maiores divergências, complicando, ainda mais, as dificuldades para o bom relacionamento; quando as agressões podem causar prática de crimes ou por adultério. Todavia, mais cedo ou mais tarde, as partes se encontrarão para os devidos reparos, pois, nas Leis de Deus, só a prática do AMOR nos fará felizes.

A visão espírita sobre o casamento, cogitada, estudada e divulgada tem o objetivo de ser útil, especialmente a quem tem conhecimento dos ensinamentos do Espiritismo e da finalidade da encarnação na Terra.

Trata-se de estudo sério, com a finalidade de colaborar, sem puritanismo. Ninguém de nós está imune de provas e expiações. Todos somos portadores de muitos problemas que se relacionam, muitos deles, com o tema deste estudo, sem nenhuma pretensão de fazer doutrinação, pois o dever de fraternidade determina que sejamos amigos solidários, nas alegrias e nas tristezas.

Revista Espírita – Abril/11

O autor participa do movimento espírita de Matão·SP.

Édo Mariani

edo@edomariani.com.br

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Não Entre em Pânico

Não entre em pânico

Existem evidências de que pessoas ansiosas demais, controladoras e com personalidade rígida são mais vulneráveis às crises.

Medo. Para algumas pessoas, esse sentimento é normal, faz parte da vida. Para outras, limita, emudece, apavora. Quem tem a chamada síndrome do pânico pode viver em um eterno estado de medo. É o pavor de voltar a ter uma crise. Pode parecer exagero, mas a sensação é extrema, e apesar de os ataques durarem poucos minutos, as marcas são profundas.

De repente, o coração dispara, a respiração fica curta, o braço pode formigar. E possível sentir tontura, náusea. Seria um ataque do coração? A boca fica seca, uma onda de calor ou de frio invade o corpo. É a morte. Exagero? Não, quem sofre do problema tem esse exato sentimento: a vida está por um fio. Por conta disso e pela repetição das crises, ela passa a ter medo, muito medo de novos episódios. Daí, é comum começar a limitar a rotina e evitar lugares ou situações em que a crise do pânico aflorou.

Algumas pessoas passam a ficar apreensivas como em uma vigília constante, antecipando os sinais de um novo ataque. Há quem pare de se relacionar socialmente, há quem mine a trajetória profissional por conta desse sentimento aprisionador. Pior, há quem não busque tratamento, porque não quer encarar o problema de frente ou mesmo por receio do preconceito de ser visto como um doente psiquiátrico.

Quem descreveu esse estado pela primeira vez foi o fundador da psicanálise Sigmund Freud, que o batizou como neurose de angústia. Sabe-se hoje que cerca de 2% a 3% da população apresenta a versão crônica do problema. O que a ciência ainda não descobriu é o o que, exatamente, faz disparar esse conjunto de sensações ou por que as mulheres são mais propensas a desenvolvê-lo do que os homens – a síndrome é duas a três vezes mais frequentemente diagnosticada nelas.

Existem evidências de que pessoas ansiosas demais, controladoras e com personalidade rígida podem ser mais vulneráveis à síndrome do pânico. Da mesma forma, em momentos de vida nos quais o estresse é alto ou em períodos de mudanças, a síndrome pode aparecer. O uso de drogas e o consumo exagerado de álcool também podem servir como estopim. E, claro, parece existir, como em tantos outros males, uma predisposição genética. Mas é importante saber: qualquer pessoa pode desenvolver esse estado exacerbado de angústia sem que exista um motivo aparente e, ainda, a síndrome do pânico pode vir acompanhada de outros transtornos psiquiátricos, como as fobias ou a depressão.

A boa notícia é que a medicina comprova, cada vez mais, a eficiência dos tratamentos conjugados. Os que têm mostrado melhor resultado são aqueles que unem a psicoterapia com os medicamentos antidepressivos ou ansiolíticos, dependendo do caso. A terapia cognitiva comportamental tem mostrado ótimos resultados para amenizar ou manter as crises sob controle. Melhor: são terapias focadas, com tempo de duração curto. Nela, o paciente aprende a enfrentar seus medos e a se controlar, por meio de técnicas de respiração e de relaxamento. Assim, se o pânico der sinais, a pessoa já saberá contra-atacar e, dessa maneira, dominar seu medo.

Revista Veja – Abril/2011

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Ante as Portas Livres – A Lenda do Peixinho Vermelho

Ante as Portas Livres
Livro LIBERTAÇÃO ditado pelo espírito de André Luiz psicografado por Francisco Candido Xavier.

por Maria Rodrigues do Amaral
Ante as portas livres de acesso ao trabalho cristão e ao conhecimento salutar que André Luiz vai desvelando, recordamos prazerosamente a antiga lenda egípcia do peixinho vermelho.
No Centro de formoso jardim, havia grande lago, adornado de ladrilhos azul-turquesa.
Alimentado por diminuto canal de pedras, escoava suas águas, do outro lado, através de grade muito estreita.
Nesse reduto acolhedor, vivia toda uma comunidade de peixes, a se refestelarem, nédios e satisfeitos, em complicadas locas, frescas e sombrias. Elegeram um dos concidadãos de barbatanas para os encargos de rei. E ali viviam, plenamente despreocupados, entre a gula e a preguiça.
Junto deles, porém, havia um peixinho vermelho, menosprezado de todos.
Não conseguia pescar a mais leve larva, nem se refugiar nos nichos barrentos.
Os outros, vorazes e gordões, arrebatavam para si todas as formas larvárias e ocupavam, displicentes, todos os lugares consagrados ao descanso.
O peixinho vermelho que nadasse e sofresse.
Por isso mesmo era visto, em correria constante, perseguido pela canícula ou atormentado pela fome.
Não encontrando pouso no vastíssimo domicílio , o pobrezinho não dispunha da tempo para muito lazer e começou a estudar com bastante interesse.
Fez o inventário de todos os ladrilhos que enfeitavam as bordas do poço, arrolou todos os buracos nele existente e sabia, com precisão, onde se reuniria maior massa de lama por ocasião de aguaceiros.
Depois de muito tempo, à custa de longas perquirições, encontrou a grade do escoadouro.
À frente da imprevista oportunidade de aventura benéfica, refletiu consigo:- “ Não seria melhor pesquisar a vida e conhecer outros rumos?”
Optou pala mudança.
Apesar de macérrimo pela abstenção completa de qualquer conforto, perdeu vários escamas, com grande sofrimento, a fim de atravessar a passagem estreitíssima.
Pronunciando votos renovadores, avançou, otimista, pelo rego dágua encantado com as novas paisagens, ricas de flores e sol que o defrontavam, e seguiu embriagado de esperança…
Em breve, alcançou grande rio e fez inúmeros conhecimentos. Encontroou peixes de muitas famílias diferentes que com ele simpatizaram, instruindo-o quanto aos percalços da marcha e descortinando-lhe mais fácil roteiro.
Embevecido, contemplou nas margens homens e animais, embarcações e ponte, palácios e veículos, cabanas e arvoredo.
Habituado com o pouco, vivia com extrema simplicidade, jamais perdendo a leveza e a agilidade naturais.
Conseguiu, desse modo, atingir i oceano, ébrio de novidade e sedento de estudo.
De início porém fascinado pela paixão de observar, aproximou-se de uma baleia para quem toda a água do lago em que vivera não seria mais que diminuta ração;Impressionado com o espetáculo, abeirou-se dela mais que devia e foi tragado com os elementos que lhe constituíam a primeira refeição diária.
Em apuros o peixinho orou ao Deus dos peixes rogando proteção no bojo do monstro e, no obstante as trevas em que pedia salvamento, sua prece foi ouvida, porque o valente cetáceo começou a soluçar e vomitou, restituindo-o às correntes marítimas.
O pequeno viajante, agradecido e feliz, procurou companhias simpáticas e aprendeu a evitar os perigos e tentações.
Plenamente transformado em suas concepções do mundo, passou a reparar as infinitas riquezas da vida.Encontrou plantas luminosas, animais extranhos, estrelas móveis.e flores diferentes no seio das águas. Sobretudo, descobriu a existência de muitos peixinhos, estudiosos e delgados tanto como ele, junto dos quais se sentia maravilhosamente feliz.
Vivia agora, sorridente e calmo, no Palácio de Coral que elegera, com centenas de amigos, para residência ditosa, quando ao se referir ao seu começo laborioso, veio a saber que somente no mar, as criaturas aquáticas dispunham de mais sólida garantia, de vez que,quando o estio se fizesse mais arrasador, as águas de outra altitude continuariam a correr para o oceano.
O peixinho pensou, pensou… e sentindo imensa compaixão daqueles com quem convivera na infância, deliberou consagrar-se à obra do progresso e salvação deles.
Não seria justo regressar e anunciar-lhes a verdade? Não seria nobre Ampara-los, prestando-lhes a tempo valiosas informações?
Não hesitou.
Fortalecido pela generosidade de irmãos benfeitores que com ele viviam no Palácio de Coral, empreendeu comprida viagem de volta.
Tornou ao rio, do rio aos regatos e dos regatos se encaminhou para os canaizinhos que o conduziram ao primitivo Lar.
Esbelto e satisfeito como sempre, pela vida de estudo e serviço a que se devotara, varou a grade e procurou ansiosamente, os velhos companheiros.
Estimulado pela proeza de amor que efetuava, supôs que seu regresso causasse surpresa e entusiasmo gerais. Certo a coletividade inteira lhe celebraria o feito, mas depressa verificou que ninguém se mexia.
Todos os peixes continuavam pesados e ocioso, repimpados nos mesmos ninhos lodacentos, protegidos por flores de lótus, de onde saiam apenas para disputar moscas, larvas, ou minhocas desprezíveis.
Gritou que voltara a casa, mas não houve quem lhe prestasse atenção, porquanto ninguém, ali havia dado pela ausência dele.
Ridicularizado, procurou então, o rei de guelras enormes e comunicou-lhe a reveladora aventura.
O soberano, algo entorpecido pela mania de grandeza, reuniu o povo e permitiu que o mensageiro se explicasse.
O benfeitor desprezado, valendo-se do ensejo, esclareceu com ênfase, que havia outro mundo liquido, glorioso e sem fim. Aquele poço era uma insignificância que podia desaparecer, de momento para outro. Além do escoadouro próximo, desdobrava-se outra vida e outra experiência. Lá fora, corriam regatos ornados de flores, rios caudalosos repletos de seres diferentes e, por fim, o mar, onde a vida aparece cada vez mais rica e cada vez mais surpreendente. Descreveu o serviço de tainhas e salmões, de trutas e esqualos.Deu noticias do peixe-lua, do peixe-coelho e do galo do mar. Contou que vira o céu repleto de astros sublimes, e que descobrira árvores gigantescas, barcos imensos, cidades praieiras, monstros temíveis, jardins submersos, estrelas do oceano e ofereceu-se para conduzi-los ao Palácio de Coral, onde viveriam todos, prósperos e tranqüilos. Finalmente os informo de que semelhante felicidade, porem, tinha igualmente o seu preço. Deveriam todos emagrecer convenientemente, abstendo-se de devorar tanta larva e tanto verme nas locas escuras e aprendendo e trabalhar e estudar tanto quanto era necessário à venturosa jornada.
Assim que terminou, gargalhadas estridentes coroaram-lhe a preleção.
Ninguém acreditou nele.
Alguns oradores tomaram a palavra, e afirmaram solenes, que o peixinho vermelho delirava, que outra vida alem do posso era francamente impossível. Que aquela história de riachos, rios e oceanos, era mera fantasia de cérebro demente e alguns chegaram a declarar que falavam em nome do Deus dos peixes, que trazia os olhos voltados para eles ùnicamente.
O soberano da comunidade, para melhor ironizar o peixinho, dirigiu-se com ele até à grade de escoamento e, tentando, de longe, a travessia, exclamou, borbulhante:- “ Não vês que não cabe aqui nem uma só de minhas barbatanas? Grande tolo! Vai-te daqui! Não nos perturbe o bem estar… Nosso lago, é o centro do universo… Ninguém possui vida igual a nossa!…”
Expulso a golpes de sarcasmo, o peixinho realizou a viagem de retorno e instalou-se , em definitivo, no Palácio de Coral, aguardando o tempo.
Depois de alguns anos, veio pavorosa e devastadora seca.
As águas desceram de nível. O poço onde viviam os peixes pachorrentos e vaidosos, esvaziou-se, compelindo a comunidade inteira a perecer, atolada na lama…
O esforço de André Luiz, buscando acender luz nas trevas, é semelhante á missão do peixinho vermelho.
Encantado com as descobertas do caminho infinito, realizadas depois de muitos conflitos no sofrimento, volve aos recôncavos da Crosta Terrestre, anunciando aos antigos companheiros, que além dos cubículos em que se movimentam, resplandece outra vida, mais intensa e mais bela, exigindo porem,mais acurado aprimoramento individua para a travessia da estreita passagem de acesso às claridades da sublimação.
Há contudo, muitos peixes humanos que sorriem e passam, entre a mordacidade e a indiferença, procurando locas passageiras ou pleiteando larvas temporárias. Esperam um paraíso gratuito com milagrosos deslumbramentos depois da morte do corpo.
Mas sem André Luiz e sem nós, humildes servidores de boa vontade, para todos os caminheiros da vida humana, pronunciou o pastor Divino, as indeléveis palavras:- “ A CADA UM SERÀ DADO DE ACORDO COM AS SUAS OBRAS.”
EMMANUEL
Pedro Leopoldo, 22 de Fevereiro de 1949.
BIBLIOGRAFIA
André Luiz – Espírito.
Chico Xavier – Médium.
Livro: Libertação.
“Pagina 7: Ante as Portas Livres”.

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