Fraternidade Espiritual Estrela do Oriente
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PROGRAMA DE TRATAMENTO DO TABGISMO
- Deixe de fumar e dê uma virada na sua vida.
Sta Casa, Hospital Pereira Filho.
Te: (51)3214.8315 – (51)3214.8304
Diário do Paciente
– (Copia do livreto de controle)
Caro Paciente,
Você está iniciando o Programa de Tratamento do Tabagismo 180º. Através dele, você receberá todo auxílio para deixar de fumar e dar uma virada na sua vida.
O Programa conta com a aplicação das melhores práticas disponíveis e tem a duração de um ano. Nesse período, são previstas 20 consultas com a uma equipe multidisciplinar que pode incluir, além de Pneumologistas, Enfermeiras, Psiquiatras, Endocrinologistas, Nutricionistas e Fisioterapeutas. Tudo para um tratamento especializado, individualizado e com o devido acompanhamento para você parar de fumar.
Utilize este material (livreto de acompanhamento) para auxiliá-lo. Registre diariamente as informações e dúvidas durante os três primeiros meses e apresente-as na consulta médica.
Equipe Assistência.
A VIDA HUMANA E O E O ESPÍRITO IMORTAL
Ramatís por Hercílio Maes
Ed. Do Conhecimento – 11ª edição
Capítulo 8.
Problemas do vício de fumar
PERGUNTA: – Quem fuma ofende a Deus?
RAMATÍS: – Caso Deus se ofendesse pela estultícia de o homem fumar, então seria tão passional e contraditório quan¬to à própria criatura humana. E como Deus não se ofende de modo algum, pois está acima das paixões e dos sentimentos dos homens, também não precisa perdoar. Evidentemente, só perdoa quem primeiro se ofende. O homem viciado no fumo, no álcool, em entorpecentes ou substâncias nocivas, jamais ofende a Divindade, mas perturba a sua saúde física e intoxica a delicada contextura sideral do seu perispírito, sendo candi¬dato voluntário a sofrimentos e aflições indesejáveis, no Além ¬túmulo, e algumas vezes, até na próxima existência.
PERGUNTA: – Mas se o homem viciado não ofende a Deus, por que, então, é castigado após a morte corporal?
RAMATÍS: Como durante a encarnação não há sepa¬ração absoluta entre o espírito e o corpo carnal do homem, é óbvio que ele há de sofrer após a morte os efeitos danosos dos seus desatinos e vícios cometidos na existência física. É bastan¬te lógico que não se pode colher morangos plantando cicuta, nem usufruir saúde ingerindo venenos!
PERGUNTA: – Todos os espíritos desencarnados sofrem no Além-Túmulo os efeitos de quaisquer imprudências viciosas?
RAMATÍS: – No Além-Túmulo sofrem todos os espíritos que usufruem, em excesso, as coisas do mundo carnal, perdendo o controle mental e espiritual sobre o seu organismo físico.
Em vez de senhores, eles se tornam, escravos das paixões animais. Não é o aperitivo, a bebida moderada ou o cigarro sem exagero, o que estigmatiza os desencarnados após a morte, mas, sim, os que não fumam, mas são “fumados”, os que não bebem, mas são “bebidos”!
PERGUNTA: – Qual é o prejuízo mais grave que o homem viciado no fumo causa a si mesmo?
RAMATÍS: – O fumante inveterado é um infeliz escravo, que abdica de sua própria vontade, cedendo o seu comando ins¬tintivo a um cérbero implacável e exigente, como é o tabaco! O tabagismo é uma doença evitável, da qual, entretanto, padece grande parte da humanidade. É o culto fanático ao “senhor Fumo”, que intromete-se incessantemente na vida dos tabagis¬tas, explorando-lhes os pensamentos, sentimentos, as aptidões psíquicas e até inspirações na esfera da música, pintura e lite¬ratura. Alguns homens fumam para “matar o tempo”, ou se iludem buscando no tabaco o sedativo hipnótico para acalmar os nervos; outros acreditam que o fumar sugere-lhes bons negó¬cios nas volutas da fumaça do cigarro ou do cachimbo.
Evidentemente, o tabagista inveterado não é apenas um tolo, mas, também, um escravo da fumaça e nicotina do cigarro incinerado, pois sofre atrozmente quando lhe falta o fumo. Vive inconsciente de sua própria escravidão, pois mete a mão no bolso, retira a cigarreira, no maço de “caipira” fétido ou o cha¬ruto perfumado; e põe isso nos lábios, vencido pelo ato vicioso. É um autômato vivo, que pratica todo esse ritual obedecendo a urna vontade oculta.
Conforme explicamos anteriormente, o fumante inveterado já não fuma, mas é estupidamente “fumado”; já não comanda a sua vontade, ele é servilmente dominado pelo tabaco, vítima de uma entidade estranha que interfere discricionariamente em todos os movimentos da sua existência. O corpo físico da criatu¬ra transforma-se numa espécie de “piteira viva”, prolongamento material a incinerar tabaco!
PERGUNTA: – Mas fumar é uma condição natural e comum em nosso mundo; é mesmo uma tradição cultivada em todas as classes e profissões, pois é adotada por homens cultos, cientistas, filósofos, médicos, alunos, professores, moços e velhos, homens e mulheres, Que dizeis?
RAMATÍS: – Não é a preferência da quantidade de pes¬soas que fumam que justifica ou suaviza a sua característica viciosa e prejudicial, assim como ninguém passa a cultivar devotadamente as ervas daninhas só porque elas são mais numerosas que as flores do jardim!
O tabagismo é fonte de renda tão comum, que há cérebros especializados queimando fosfatos para descobrir novas técni¬cas e estímulos na arte de fumar ou na queima da erva tirânica, que deve ser ajustada conforme a classe, fortuna, hierarquia e distinção social do fumante.
Os sertanejos e os aldeões fumam o malcheiroso cigarro de palha ou então chupam os sarrentos de barro ou madeira; os cidadãos comuns viciam-se aos cigarros de papel, enquan¬to os mais afortunados distinguem-se pelo uso ele piteiras de arco de ouro e filtros. Os homens de responsabilidade, chefes de indústrias, autoridades públicas e políticas, sugam polpudos charutos de fumo escolhido e de marca requintada, Há, também, os epicuristas dos luxuosos e artísticos cachimbos de “espuma do mar”, que lhes pendem dos lábios salivados, a disfarçar o cheiro acre e tóxico do tabaco, pela mistura de bau¬nilha e cacau. Os menos educados e mais preocupados com a sua íntima satisfação não se pejam de queimar o desagradável charuto ou impregnar de sarro de cachimbo os ambientes saudáveis.
PERGUNTA: – Em face de vossas explicações, concluímos que não se fuma em planetas cujas humanidades é de graduação espiritual superior ao homem terreno. Não é assim?
RAMATÍS: – Não é preciso o homem ser médico, ana¬tomista ou fisiologista, para compreender quão delicada é a função e a composição dos pulmões humanos, os órgãos respi¬ratórios responsáveis pela oxigenação que sustenta a vida físi¬ca, A extensa e complicada rede de brônquios, lóbulos e toda espécie de canais e ramificações capilares, dispersas por toda a área pulmonar respiratória, não foram criados para atender ao metabolismo vicioso do fumo, mas destinados ao fenômeno da hematose ou oxigenação do sangue. É uma insensatez o homem transformar o equipo pulmonar, tão valioso, em filtra¬dor de fumaça corrosiva e depósito de fuligem a comprometer a sua saúde.
É inacreditável que o homem, ser racional e pensante, submeta-se voluntariamente às conseqüências de sujeitar o seu sistema respiratório aos perigos da asma, bronquites, resfriados, gripes, edemas pulmonares, intoxicações, atrofias, pleurites, irritações laringofaríngeas, tuberculose e até câncer! Essas enfermidades podem estabelecer-se e progredir na área pulmonar, quando no primeiro surto já encontram terreno eletivo para grassar, evoluir e dominar.
A supercarga de anidrido carbônico, que resulta da má oxigênio, forma um residual opressivo disseminado pela rede venosa e sobrecarrega o sistema arterial, produzindo uma percentagem indesejável de anorexia cerebral. Então, é comum as hemicranias, enxaquecas, mau hálito, cefalalgias agravadas pela intoxicação anidridocarbônica, inclusive pela vertência dos demais derivados do fumo, além ela saliva nicotizada e rsíduos de picumã, que depois atingem o estômago, alteram a composição dos sucos gátricos, excitam o esôfago e pertur¬bam o peristaltismo do intestino.
Em suma, as humanidades espiritualmente mais evoluídas do que a terrena são sadias e conscientes de sua realidade imor¬tal bastante zelosas do seu organismo físico na vivência huma¬na, semelhantes ao artista sensato que cuida seriamente do seu instrumento. Jamais elas se abalariam à tolice e ao ridículo de sugar ervas tóxicas e malcheirosas.
PERGUNTA: – Embora concordando comvosco, lembramos que certos fumantes inveterados têm gozado de excelente saúde e até desencarnado centenários!
RAMATÍS: – A diminuta percentagem de tabagistas que têm sobrevivido sem sofrer os efeitos tóxicos do fumo não basta para recomendar o vício que prejudica ou até liquida os homens de uma descendência biológica mais débil. Aliás, é bem maior a percentagem das criaturas vulneráveis à nico¬tina, como cardíacos congênitos, asmáticos, hipocondríacos, u1cerosos, dispéptico, portadores de má circulação, fragilidade capilar, insuficiência gástrica e outros sintomas mórbidos e que o uso do fumo ainda apressa na marcha para o túmulo. Autóp¬sias recentes e estatísticas médicas provam que o tabagismo, para muitos homens, é um verdadeiro “suicídio a prestação”!
PERGUNTA: – Há informes científicos de que o organis¬mo humano mobiliza defesas suficientes para neutralizar os efeitos nocivos do fumo! Que dizeis?
RAMATÍS: – Não há dúvida; o corpo físico jamais cede em sua defesa enquanto possui energias e capacidade para neu¬tralizar quaisquer imprudências ofensivas à sua natureza. Mas é insensato que o homem abuse e agrave esse inato poder de resistência do organismo físico, na imprudência e insensatez de inalar venenos tão destruidores como o fumo e o álcool.
Os viciados no tabaco deveriam meditar profundamente quanto aos desesperados esforços e dispendiosas energias que o organismo físico mobiliza para sobreviver contra o enve¬nenamento do primeiro cigarro! O fumante neófito, quando tenta sorver o primeiro cigarro, é acometido de suores gelados e vômitos incoercíveis; baixa-lhe a temperatura e o sistema endocrínico destrambelha-se na produção de hormônios defen¬sivos; o esôfago excita-se, enquanto o fígado atropela-se, o tecido gástrico intoxica-se, afrouxa-se o pilaroa e surge até o fluxo desintérico. Há casos mais graves, em que o candidato ao tabagismo precisa ser socorrido pelo médico, pois desmaia, atinge o coma nicotínico ou sofre de cegueira acidental. Porém, não se atemoriza, nem se resguarda, malgrado o primeiro cho¬que fisiológico aflitivo e atroz. Imitando verdadeiro idiota, ele tenta novamente a mesma aventura mórbida e, de sofrimento em sofrimento, termina por adaptar-se ao condicionamento do fumo intoxicante, até converter-se na excêntrica e ridícula figu¬ra de uma “chaminé ambulante”!
Enquanto 50 miligramas de nicotina podem matar um fumante calouro, o tabagista viciado suporta até 120 mili¬gramas sem conseqüência mortal, graças à sua teimosia e obstinação em ajustar-se à incineração da erva tóxica. Mas o sucesso vicioso não se deve a uma defensiva natural, porém ao organismo que estabelece novos processos químicos e mobiliza energias específicas, furtadas de outros setores orgânicos, para a sua sobrevivência.
Após a viciação tabagista, o corpo carnal também fica mais vulnerável aos ataques tóxicos das doenças mais comuns, inclusive quanto à contaminação da área respiratória. Sem dúvida, ante essa defensiva incomum, então é possível que o fumante, de vigorosa estirpe ancestral biológica, possa viver até 100 anos algo sadio; no entanto, os menos favorecidos apressam a sua viagem para o túmulo!
PERGUNTA: – Mas o corpo humano não dispõe de ener¬gias suplementm’es, podendo adaptar-se à nicotina do fumo sem onerar outros setores orgânicos e causar prejuízos ulte¬riores?
RAMATÍS: – O tabaco não é nocivo tão-somente pela nico¬tina que o estrutura quimicamente, pois contém outros venenos perigosos, facilmente identificados em análise de laboratório, tais como ácidos pectósico, málico, oxálico, a amônia, extratos azotados e outras substâncias ofensivas. Na fumaça se percebe a presença do próprio ácido cianídrico, na base de 0,10 gramas para 20 gramas de tabaco analisado. O fumante inveterado, além disso, inala certa quantidade de gás venenoso, na forma de óxido de carbono, ao acender o cigarro, produto da combus¬tão do fósforo.
PERGUNTA: – Porventura os filtros modernos, nos cigar¬ros ou nas piteiras, não bastam para eliminar a substância tóxica da nicotina?
RAMATÍS: – Evidentemente, se o homem usa filtros para vedar a passagem da nicotina, ele admite, em sã consciência, a nocividade do cigarro! Mas, em face da tradicional negligência ou tendência viciosa, o homem passa a fumar o dobro de cigar¬ros que fumava anteriormente sem filtros, porque os acha fracos ante a ausência mais pronunciada da nicotina nos pulmões. Indubitavelmente, se o homem reconhece que o fumo é um mal, ele devia abandona-lo e temê-lo, em vez de ainda procurar palia¬tivos como filtros.
As toxinas do fumo agridem a delicada mucosa gástrica, perturbam as funções digestivas e alteram os fermentos pan¬creáticos; e ainda integram-se à circulação sangüínea na forma de resíduos nocivos, passando a deprimir o sistema nervoso, porque se trata de entorpecente, que é mal•drenado pelos rins! O tabagista jamais é um homem saudável, pois vive perma¬nentemente expelindo toxinas por todas as vias emunctórias e fatigando-se pela drenação intensiva. Enrolando-se o corpo despido do fumante, num lençol úmido, ocorre um acelera¬mento na transpiração pelos poros, a ponto de ficar gravada no mesmo a forma corporal modelada pela nicotina expulsa através do suor!
PERGUNTA: – Quem fuma 20 cigarros por dia, quanto absorve de nicotina nesse consumo de tabaco?
RAMATÍS: – Considerando-se que um cigarro deve conter perto de um grama de fumo, o tabagista aspira 20 gramas de fumo na inalação de 20 cigarros. Dizem os cientistas que um grama de tabaco contém 2,5% de nicotina, do que se conclui que 20 cigarros, ou seja, 20 gramas de fumo, hão de conter 50 miligramas de nicotina, Quem consome uma carteira com 20 cigarros, por dia, absorve de 350 a 400 miligramas de nicoti¬na numa semana. E o fato é de preocupar, pois apenas 5 ou 7 miligramas de nicotina, por via subcutânea ou endovenosa, matam coelhos e cobaias facilmente, assim como certas aves morrem rapidamente ao aspirarem apenas o vapor da nicotina. Daí o motivo por que o principiante a tabagista sofre distúrbios respiratórios, salivação anormal, transtornos hepáticos, tontura, falta de visão e audição, inclusive dor de cabeça, vômitos, fraque¬za, cólicas e disenteria, quando fuma o primeiro cigarro. Com o tempo, ele se acostuma ao veneno nicotínico, mas, em geral, ficam os estigmas da “asma tabagista”, o pigarro incômodo e demais distúrbios nas vias respiratórias que já mencionamos.
Ademais, a língua do tabagista pode ficar atrofiada pelos venenos do fumo, que atingem as suas “papilas gustativas”, constituídas de minúsculos feixes de nervos, com a função de transmitirem para o cérebro a sensação do gosto das substân¬cias e líquidos em ingestão. Mal o fumante termina as refeições e ingere o costumeiro cafezinho, surge à vontade imperiosa de fumar, pois as antitoxinas que se libertam e se apuram, estimu¬ladas pela cafeína, logo exigem o tóxico tradicional para então combatê-lo. Enfim, são forças permanentemente mobilizadas num gasto desnecessário e sob o automatismo vicioso, que se excitam até sob os pensamentos incontrolados do fumante inveterado.
PERGUNTA: – Não será o fumo um recurso subjetivo do próprio espírito do homem, a fim de atenuar a vivência humana tão angustiosa e desconcertante?
RAMATÍS: – Se fosse sensata tal idéia, teríamos de expli¬car por que a humanidade conseguiu viver normalmente, sem precisar de tabaco, até o dia em que Colombo o trouxe da Amé¬rica para a Europa; e então, se divulgou tal vício. Os selvagens, como criaturas primitivas e ingênuas, sugavam fumaça pelos canudos de folhas de tabaco num divertimento tolo e infantil; e os civilizados passaram a imitá-los de modo bastante ridículo.
O sistema anti-higiênico de incinerar essa erva malcheirosa teve início depois que Monsenhor Nicot, embaixador francês em Portugal, passou a cultivar o tabaco em sua horta, como se fosse uma planta de excelente benefício para a humanidade. Caso os selvagens tivessem um pouquinho de senso de humor, teriam rido dos civilizados, que passaram a levar a sério o que era simples gozação! E os civilizados, hoje, exploram o vício de fumar, despendendo vultosas somas numa propaganda comer¬cial e sensacionalista.
De princípio, só os homens e as mulheres de má reputação é que fumavam às claras; porém, hoje, fumam as criaturas de todas as classes, pois o médico descansa o seu cigarro, enquanto aconselha o cliente a deixar de fumar para recuperar a saúde, ou o sacerdote excomunga todos os vícios do alto do púlpito, embora ele também seja um fumante.
PERGUNTA: – Cremos que a maioria dos fumantes busca uma distração.
RAMATÍS: – Não há dúvida que o tabagista alega que é para se distrair; e com a sua tolice viciosa gasta uma parte de sua economia na aquisição de cigarros. Ante a perspectiva de uma via¬gem de negócios, turismo ou piquenique, a sua mente, primeiro, se preocupa com o fumo! No caso de esquecimento voltará do meio do caminho ou se desviará para a cidade mais próxima, a fim de adquirir o tabaco! Dominado pelo desejo vicioso é capaz de atrasar-se para o almoço ou jantar, e até perder o último ôni¬bus, na aflição de comprar o seu atormentador. O tabagista suja de cinzas as vestes, os tapetes, as toalhas e as roupas de cama, dei¬xando a marca da nicotina pelos lugares onde perambula; corre até o risco de incendiar a própria casa ou escritório, ante o descui¬do de um fósforo mal apagado, um toco de cigarro aceso sobre o tapete ou na cesta do lixo. Mal abandona as cobertas do leito para lavar os dentes, suas mãos tateiam o maço de cigarros!
PERGUNTA: – Mas que dizer de homens célebres como Lord Byron, o esotérico Bulwer Lytton, o genial Rudyard Kipling, autor do poema “Se”, Churchill, o responsável pela vitória dos aliados, que além de fumantes inveterados, consideravam o tabaco um prazer indiscuível?
RAMATÍS: – Celebridade não é sinônimo de santidade ou libertação do instinto inferior. No entanto, todos os homens espiritualmente libertos do jugo da matéria não fumavam, como Francisco de Assis, Ramakrishna, Gandhi, Maharischi, Lahiry Marasaya, Vivekananda e outros líderes do spiritualismo sadio.
Em virtude de o orbe terráqueo ainda ser uma escola de alfabetização espiritual, os espíritos que o habitam também são de tal natureza primária; ainda são alunos quase irresponsá¬veis, inescrupulosos, rebeldes, mal-educados, cínicos, agressivos e até cruéis, como se pode verificar pela simples leitura dos jornais do mundo. Eles matam-se em guerras fatrícidas, liquefazem os companheiros com bombas incendiárias ou atômicas, arrasam cidades, lavouras, pomares, campos, matas, destroem cidades e reservas nutritivas, para depois lastimarem e temerem o fantasma da fome. Zombam dos seus líderes espi¬rituais, pulverizam templos e instituições religiosas, selecionam jovens sadios e depois os eviam para a guerra e os estropiam em batalhas sangrentas.
Em conseqüência, os próprios gênios incomuns, cientistas abalizados e filósofos eruditos, que formam a cúpula mais sadia ela humanidade terrena, ainda são criaturas inconscientes de sua realidade espiritual. O cientificismo, a cultura ou habilidade incomuns não os livram de mergulhar nas paixões dos vícios do mundo, porque sua alma ainda é de graduação espiritual primária. Deslumbram-se, porque esmiuçam o atomismo estrutural dos elementos que compõem a sua moradia física, mas ainda não alcançam o conhecimento de si mesmos! Dominam os fenômenos próprios do cenário terreno onde atuam, mas não conseguem livrar-se, sequer, do tolo vício de fumar.
Kipling compôs o admirável poema “Se”, um admirável tratado ele libertação humana, mas ainda fumava bons charutos como qualquer moleque divertido; demonstrando que ele mesmo não conseguira se tornar o homem sonhado na sua criação genial! Bulwer Litton escreveu avançadas obras de simbolismo iniciático, focalizando diversas atitudes do homem no campo da espiritualidade consciente, mas era escravo do tabaco, em flagrante contradição consigo mesmo! Churchill concorreu extraordinariamente para libertar o seu país das garras nazistas: mas, lastimavelmente, na sua ingênua preocu¬pação de manter a tradição de uma figura excêntrica, em vez de fumar, era “fumado” pelos ostensivos charutos! Por isso, já dizia Pedro: “Porque todo aquele que é vencido é também escra¬vo daquele que o venceu” (II Pedro, 2: 19).
PERGUNTA: – Entre os próprios médicos há divergência de opiniões, pois enquanto alguns condenam o fumo, outros o acham inofensivo e até prazenteiro! Que dizeis?
RAMATÍS: – A confusão ainda é uma condição comum do vosso mundo primário e ela também ocorre entre os pró¬prios cientistas. O homem tateia, vacila e duvida antes de firmar seus princípios científicos, morais e sociais; e paga a sua cota de sacrifício no equívoco que precede a exatidão. Ptolomeu, em sua época, demonstrou cientificamente que a Terra era o centro do sistema solar; Copérnico, mais tarde, também provou, sob fundamento científico, que o Sol era o centro do sistema e a Terra era quem girava. Mas Tycho Brahe, cientista de renome, combateu novamente a teoria de Copérnico, defendendo a tese ptolomaica, Lavoisier não acreditava que os meteoros caíam do céu: Pasteur foi combatido e ridicularizado antes de glorificado pela ciência médica.
Assim se verifica no tocante aos próprios vícios da huma¬nidade; há quem os defenda por achá-los inofensivos, até com¬provar-lhes os malefícios na própria carne! O médico que fuma pode achar inofensivo o tabagismo, enquanto o que ainda não se viciou o censura como uma prática perigosa. No entanto, é suficiente o mais singelo exame de laboratório para se comprovar a natureza agressiva do alcalóide nicotina, que existe pro¬fusamente no tabaco. Após certo tempo de tabagismo, podem provir dores de cabeça do monóxido de carbono; irritações dos brônquios, da garganta e dos pulmões, produzidos pela amônia ou piridina; nas fossas nasais, devido ao calor da brasa do cigar¬ro, crestam as mucosas sensíveis das narinas. Há, ainda, os efei¬tos danosos dos derivados alcatroados do fumo, que formam residual nocivo atacando os pulmões, enegrecendo os dentes e compondo o terreno eletivo para o câncer pulmonar.
PERGUNTA: – Muitos fumantes consideram que o cigarro acalma os nervos!
RAMATÍS: – Os sedativos também acalmam os nervos, principalmente os barbitúricos; mas terminam por causar depressão e mais tarde perturbam o metabolismo do sistema nervoso! O desejo incontrolável do fumante origina-se no corpo perispiritual, cujas emoções no homem centralizam-se na região do “plexo solar” ou “plexo abdominal”. Em conse¬qüência, os fluidos volatilizados do fumo convergem para essa zona perispiritual, após verterem pelo “duplo-etérico”:.’ consoli¬dando-se, ali, o condicionamento que vitaliza o desejo vicioso incessante. Disso origina-se a angústia perispiritual devido ao efeito constante do tabaco eterizado, a qual só se acalma com a própria droga, tal qual acontece com o “delirium tremens” produzido pelo álcool e depois tranqüilizado pela ingestão do mesmo. O fumante supõe tranqüilizar os nervos, porque a nicotina ao penetrar no sangue produz um efeito hipnótico momentâneo sobre o nervo simpático. Lastimavelmente, os efeitos degradantes do vício requerem a providência da própria substância que o gera, assim como o veneno da cobra cura a sua mordida.
Em conseqüência, o fumante inveterado, depois que desen¬carna, ainda continua a sentir no “plexo abdorninal” do perispírito as angústias do vício tabagista cultivado na carne, exigindo o cigarro para se acalmar, coisa impossível de ser satisfeita no Além-Túmulo, pela ausência de qualquer tabacaria!
PERGUNTA:- Que dizeis das mulheres que fumam? Muitas delas acham que o fumo faz emagrecer e que as livra das drogas químicas perigosas!
RAMATÍS: – É um equívoco das mulheres pretenderem emagrecer à custa do fumo, quando isso deve ser obtido atra¬vés de dietas convenientes ao seu tipo, sob a orientação de hábil nutrólogo.
O tóxico do tabaco deprime fortemente certas pessoas debilitadas e exige a incessante mobilização de energias contra o seu impacto agressivo, resultando uma redução de peso do organismo físico por debilidade energética, e não devido ao tabagismo, que nada tem de terapêutico! Em geral, os fumantes inveterados engordam assim que deixam de fumar porque isso resulta do acúmulo de antitoxinas, que anteriormente foram mobilizadas no organismo para a defensiva contra a nicotina. Mas, paulatinamente, essas toxinas vão desaparecendo desmo¬bilizadas pela ausência do tabaco tóxico; e o “ex-fumante” não tarda a retomar à antiga forma física.
PERGUNTA: – As mulheres que fumam são mais prejudicadas do que os homens?
RAMATÍS: – A nicotina contrai os vasos sangüíneos e retarda o afluxo ele sangue aos centros e camadas cerebrais superiores situados externamente no córtex cerebral. Por isso, alguns tabagistas sofrem de certa “amnésia” parcial e insensi¬bilidade nas extremidades dos dedos, provocados pela exigui¬dade da circulação capilar. As doenças do coração, mais raras entre as mulheres, são mais freqüentes entre os homens tabagis-tas, multiplicando-se os “enfartes” à medida que a humanidade fuma. A nicotina reduz o calibre das veias coronárias e produz a “falsa angina”, cada vez mais comum entre os fumantes inve¬terados. O fumante inveterado apressa a constrição das veias coronárias, devido à incessante presença da nicotina atuando nos vasos sangüíneos de modo anômalo. Conforme o velho preceito de que “a função faz o órgão”, a delicada rede das coro¬nárias, que irriga e alimenta o coração, também acaba vítima da estenose crônica provocada pela nicotina, transformando o homem sadio, e ainda moço, num ótimo cliente dos médicos cardiologistas!
Conseqüentemente, a mulher que fuma é mais lesada pelo tabagismo, em virtude de ser constituída por mais extensa rede de vasos sangüíneos do que o homem, a fim de atender à sublime missão de procriar a vida. Através dos períodos cata¬mêniais, verifica-se que a mulher precisa descarregar o residual químico-tóxico sangüíneo, que se acumula naturalmente por não ser usado na procriação. A nicotina, a amônia, os ácidos oxálico, tânico, nítrico e o óxido de carbono, que se produzem na queima do tabaco, são mais nocivos ao metabolismo femi¬nino, porque agravam a necessária exoneração da carga mens¬trual tóxica e irritam o sistema nervoso.
Ademais, a mulher que fuma envelhece prematuramente, porque a constrição sangüínea provocada pela nicotina rouba o rosado da pele e reduz a irrigação circulatória elas faces. As rugas surgem mais cedo e formam-se petrificações subcutâ¬neas devido à retenção de resíduos nocivos e gordurosos, como cravos, manchas e sardas, o que obriga a mulher a mobilizar cremes, tinturas, substâncias químicas ou massagens através dos modernos salões de beleza, na tentativa de dissimular a velhice prematura.
PERGUNTA: – O fato de a mulher fumar também pode influir na procriação dos filhos?
RAMATÍS: – E de senso comum que “não há regra sem exceção”, e por esse motivo se existem homens tabagistas que vivem saudavelmente até 100 anos, há mulheres que resistem satisfatoriamente ao vício nocivo do fumo sem alteração na saúde. Mas essas exceções dependem fundamentalmente de orga¬nismos físicos oriundos de bons ascendentes biológicos.
É o caso mais comum das camponesas que fumam desde jovens, e, no entanto, são saudáveis e procriam sem dificuldades. Mas em tais casos a natureza possui recursos de reserva para mobilização de defesas, pois se trata de vida simples, instintiva e sadia nos campos pródigos de oxigênio puro, sem as combus¬tões nocivas da atmosfera das cidades poluídas por toda a sorte de emanações químicas e epidêmicas das aglomerações. Mas a moça situada no turbilhão dos resíduos impuros das populações citadinas, cuja alimentação mais artificializada e impura exige ainda os recursos de uma farmacologia violenta e tóxica, não pode assemelhar-se ao tipo de resistência que a camponesa, bem nutrida e vitalizada pelo ar puro, oferece contra o fumo.
As mulheres tabagistas tendem a gestar menor quantidade de filhos e algumas são estéreis, enquanto o uso do fumo duran¬te a gravidez acentua as náuseas, vômitos, salivação excessiva, ataques nervosos, perturbações digestivas e hepáticas, além das cefaléias periódicas. Certos abortos resultam ela inanição circulatória da rede vascular de irrigação do feto, quando ocor¬re a constrição demasiada sob o efeito ela nicotina.
A justificativa de existirem mulher e homem imunes ao tabaco, não significa que é inofensivo fumar, tal qual a idéia insensata ele que não é perigosa a tuberculose, só porque tam¬bém há criaturas imunes a essa doença!
PERGUNTA – Considerando-se que o vício de fumar antigamente era um hábito censurável e próprio das mulheres de má vida, isso agora pode desconsiderar moral ou espiritualmente as demais mulheres que fumam?
RAMATÍS: – Sob a tradição poética e histórica do mundo, cabe à mulher ser a figura representativa da poesia, graça e ins¬piração do homem, além de sua função sublime materna, Sem dúvida, existem mulheres brutas, grosseiras, obscenas e impie¬dosas, que desfiguram o conceito louvável da sublimidade femi¬nina. Mas, sob qualquer circunstância, a mulher sempre deverá representar o oposto masculino, preferindo as atitudes supe¬riores, que contrastam com a rudeza, má-criação, despotismo, insolência e egoísmo tão próprios do homem! Deus criou dois tipos de criaturas definidas na área da razão a fim ele constituir o motivo e o equilíbrio da vida; o homem, que é viril, autoritá¬rio, enérgico, másculo e mais rústico; e a mulher, atraente, terna, passiva e conciliadora, lembrando a flor que tenta pelo perfume fragrante, Ela significa o repouso espiritual, o “oásis” venturoso no deserto ela vida humana! É o aconchego do homem quando retoma ao lar, depois ele atormentado no mundo profano na luta pela manutenção da família, após as dissensões ou frustra¬ções de chefes e empregados, subalternos e hierárquicos, preocu¬pações econômicas, preterições injustas!
Em conseqüência, tudo aquilo que é próprio do homem agressivo, autoritário, dinâmico e vicioso, deve ser ridículo, antiestético e censurável quando praticado pela mulher, sím¬bolo de gentileza e inspiração no jardim ela vida humana! A mulher pode se tornar grotesca e desagradável, plagiando ou imitando os vícios masculinos, como o fumo e o álcool. Na ati¬tude de lastimável masculinização, criticável por ser viciosa, a mulher destrói o encanto milenário que lhe cabe na face elo orbe! Embora exija o mesmo tratamento na vivência humana, em igualdade aos direitos do homem e podendo participar das instituições políticas, científicas e laboriosas do mundo, deve manter a ternura, cortesia e a feminilidade inspiradora, tradi¬cional. A mulher que fuma ou bebe im-eteradamente, embora não chegue a alterar os seus sentimentos inatos ela meiguice, resignação, tolerância e afeto, macaqueia algo dos vícios e da rudeza do homem!
PERGUNTA: – O câncer será uma conseqüência do vício de fumar?
RAMATÍS – Tudo depende ela vulnerabilidade ancestral biológica do homem, pois a criatura de pulmões fracos é tão eletiva à pneumonia, pleurisia, atrofia, asma, enfisema, como, à tuberculose ou câncer pulmonar! Em tal caso, qualquer manifestação mórbida tende a convergir para essa região já debilitada por força da hereditariedade. O fumante inveterado e portador de pulmões deficientes contribui imprudentemente para agravar mais cedo a sua saúde. É, conseqüentemente, um candidato em potencial para o câncer nessa região pulmonar mais vulnerável. O fumo não é a causa exclusiva do apareci¬mento do câncer pulmonar, mas produz o terreno favorável à manifestação cancerígena, porque as substâncias alcatroadas e próprias do fumo atacam principalmente os pulmões por onde penetram agressivamente. Então é mais freqüente essa doença entre os tabagistas, os quais também oferecem mais probabili¬dades de ruína no tecido pulmonar pela infiltração nociva do tabaco. Atualmente, já se verifica que a maioria das mulheres cancerosas de pulmão fumam desbragadamente.
Sem dúvida, há diversos fatores que provocam o câncer, desde os surtos viróticos, alterações enzimáticas, distúrbios químico-orgânicos, deficiências nutritivas, desequilíbrios dos metais e metalóides organogênicos, inclusive traumatismos. Mas o abuso do fumo ou do álcool, aliado ao uso de substân¬cias químicas corrosivas e tóxicas na alimentação humana, contribuem gravemente para esgotar as defesas vitais do orga¬nismo e tornar eletivo o clima para o câncer. É o caso dos animais selvagens, que não são sujeitos ao câncer, em face ele sua vivência sadia e equilíbrio no seu metabolismo fisiológico, enquanto os animais domesticados podem se tornar cancero¬sos ao serem violentados pelos hábitos viciosos da alimentação do homem!
O açúcar e o sal químicos são os maiores responsáveis pelas enfermidades nutritivas, gástricas. hepáticas, pancreá¬ticas e renais, que debilitam e alteram as defesas do animal domesticado à sombra do homem incoerente e ignorante das leis saudáveis da alimentação. Assim, o câncer não é propria¬mente originário de uma só fonte mórbida, mas de condições onde sempre impera a “desordem” mental, psíquica ou orgânica, a violência, enfim, contra a ordem e a harmonia da natureza! Aliás, há até um hibridismo cancerígeno proveniente da alteração no metabolismo enzimático e catalizador das ações e reações químicas necessárias à vida vegetal e animal. E assim proporciona o clima eletivo para certo vírus nutrir a sua progê¬nie no núcleo vital das células, que se mostram desamparadas pela alteração enzimática. Os instrutores espirituais sabem que o psiquismo influi poderosamente no metabolismo das enzimas catalisadoras do quimismo corporal, pois uma célula viva é maravilhosa fábrica que chega a produzir mais de 2.000 reações químicas provocadas por cem mil enzimas, das quais a medicina atualmente só conhece mil e poucos tipos!
Como a nicotina e as demais substâncias nocivas do fumo interferem diretamente na circulação pulmonar, é óbvio que as células sanguíneas também terminam provocando distúrbios e alterações nos quadros peculiares das enzimas catalisadoras do corpo sadio, estabelecendo-se o desequilíbrio na raiz celular e conseqüente degeneração das células.
A ação insistente de determinado instrumento, substância ou tóxico num ponto dado do organismo pode alterar o tra¬balho químico das enzimas e resultarem alterações celulares. Entre os hindus mascadores de noz-de-araca, o câncer ataca mais particularmente na boca, enquanto o câncer labial tem ocorrido mais freqüentemente no ponto em que mais o homem usa a piteira, o cigarro ou o cachimbo. Muitas úlceras gástricas, erradamente atribuídas à vida tensa do cidadão do século XX, têm a sua origem principal nos efeitos corrosivos das substân¬cias Tóxicas e alcatroadas. A excessiva e tóxica salivação defen¬siva do fumante inveterado para enfraquecer o fumo ataca a delicada mucosa do estômago e modifica os sucos gástricos e entéricos. perturbando o equilíbrio do metabolismo harmônico da digestão.
PERGUNTA – Mas por que aumenta o número de fumantes no mundo, quando através da própria ciência já se conhecem os prejuízos indesejáveis produzidos pelo tabaco?
RAMATÍS: – O homem terrícola ainda é muitíssimo negli¬gente para consigo mesmo, e confia quase que exc1usivamente na ciência acadêmica, a qual só opera adstrita à superfície terráquea. Aumentam os vícios, as paixões e os tumultos que desventuram o ser, na mesma proporção que aumenta a humani¬dde, pois apesar dos triunfos científicos, a quantidade humana domina a qualidade espiritual. O homem conseguiu pousar na Lua através da nave espacial “ApoIo-11″, mas ainda não conse¬guiu penetrar um centímetro na investigação do seu espírito; dispondo da bomba atômica e apenas apertando um botão ele pode destruir um milhão de criaturas, mas, lastimavelmente, não consegue destruir, sequer, o vício do cigarro! É capaz de dialogar genialmente com os povos antípodas do planeta, mas, infelizmente, não possui assunto superior para manter um minu¬to de palestra com a sua própria alma! Transplanta o coração ele um desastrado para outra criatura cardiopata, consegue movimentá-la no trânsito do mundo sob a genial intervenção cirúrgica, e, no entanto, não sabe de onde vem, o que é e para onde vai! Ilumina a face do orbe sob o controle remoto, mas ainda não conseguiu acender uma vela para iluminar o próprio espírito! Senhor de riquezas materiais no mundo profano, ainda não pôde povoar de alegria e paz o seu coração!
Por isso, na sua ignorância espiritual pouco faz para restrin¬gir a prática das coisas nocivas ao gênero humano, corno é o tabagismo, o uso de entorpecentes ou alcoolismo! As indústrias tabagistas do mundo, através de processos de propaganda em cartazes vistosos, propagam o vício de fumar utilizando-se dos recursos mais excêntricos; aqui, atrativas figuras de mulheres despidas convidam ao inigualável prazer divino de aspirar fuma¬ça malcheirosa do cigarro! Ali, esportistas famosos ou artistas consagrados apregoam a inspiração que o tabaco exerce na arte e no esporte; acolá, os próprios cientistas ponderam em frases raras que o cigano é um prolongamento epicurista do próprio homem! Há fidalguia e requinte na elegância de cultuar o idola¬trado cigano, ou impõe respeito o famoso político entrevistado com vistoso charuto entre os dedos amarelentos!
E a humanidade negligente prefere despender fortunas para convencer que o fumo e o álcool são prazeres justificáveis até pela ciência, apreciados pelos esportistas que necessitam manter-se saudáveis, e cultivados por verdadeiras expressões artísticas do comportamento humano!
PERGUNTA: – Quais são os prejuízos espirituais mais graves que podem afetar o fumante inveterado?
RAMATÍS: – O indivíduo que perde o seu domínio men¬tal e escraviza-se ao vício de fumar revela-se um candidato em potencial para outras investidas perigosas no seu psiquismo vulnerável. Assim que decaia na sua segurança moral, que negligencie com a estabilidade espiritual no mundo, constitui uma brecha a permitir a interferência possessiva de algum espírito desencarnado e sedento de satisfazer igual vício. Obvia-mente, quem não pode livrar-se de uma prática nociva, como é o tabagismo, é sempre mais difícil desprender-se de uma “vonta¬de oculta”; e o espírito do Além-Túmulo goza plena liberdade de agir invisivelmente.
Considerando-se que os espíritos desencarnados são apenas as entidades que se moviam pela Terra através de corpos carnais, é óbvio que do “lado de cá” vivem as mesmas espécies da fauna humana terrícola! Em conseqüência, também é grande o número de espíritos de “ex-fumantes” inveterados, que embora despidos do corpo carnal, ainda estão presos ao vício tolo de engolir fuma¬ça irritante cultivado na matéria. E como o desejo não é próprio do corpo físico, mas inerente ao espírito imortal, os viciados do Além-Túmulo necessitam de uma ponte viva e dinâmica para ligarem-se ao objeto do seu vício inexistente no mundo espiritual. Assim, os mais inescrupulosos ou sedentos vivem à cata de outros viciados encarnados, que lhes possam satisfazer a angústia taba¬gista! Eles procuram verdadeiras “piteiras vivas” para fumarem, assim como os alcoólatras sem corpo buscam “canecos vivos” para beberem, numa simbiose mediúnica eletiva!
PERGUNTA: – E como se processa essa degradante fun¬ção, em que os “vivos” transformam-se em “piteiras vivas” dos espíritos viciosos desencarnados?
RAMATÍS: – O duplo-etérico do homem encarnado é o veículo de segurança contra os espíritos desencarnados, desde que ele não perca o controle e o domínio no comando. É o intermediário entre o corpo físico e o perispírito imortal, o veí¬culo onde se centralizam todas as ações e reações no intercâm¬bio do mundo espiritual com o mundo físico. Em conseqüência, a satisfação de fumar, no homem viciado, processa-se através da ação desse duplo-etérico que, atuando na forma de sensibi¬líssimo laboratório confeccionado de éter-físico da Terra, trans¬forma o tabaco incinerado na condição de fluidos etéricos assi-miláveis pela natureza sutil e imponderável do espírito imortal. Como o duplo-etérico é um corpo provisório, que existe apenas durante a encanação do espírito, pois desintegra-se alguns dias depois da morte carnal, quem desencarna desliga-se do seu laboratório que sublima as substâncias físicas em fluidos etéricos. Assim, perde o contacto direto com os fenômenos do mundo físico, sem poder satisfazer vícios ou paixões cultivadas em excesso, na carne!
Isso acontece também com o “ex-tabagista” inveterado, que ainda mais se alucina ao ver-se desligado do corpo carnal e surpreende-se, aflito, pelo desejo do fumo estigmatizado no perispírito! Falta-lhe o duplo-etérico, o “transformador” ade¬quado para sublimar a erva incinerada em condições fluídicas assimiláveis. Deste modo, se o espírito desencarnado vítima do tabagismo é de baixa freqüência vibratória, de pouco escrúpu¬lo ou alucinado, ele não trepida em perseguir os encarnados viciados pelo fumo, a fim de absorver tanto quanto possível as emanações do cigarro! É a “via crucis” do infeliz viciado que transladando-se para o mundo espiritual, não conseguiu desvencilhar-se completamente dos cordoames das paixões ou vícios, que são próprios e exeqüíveis apenas no orbe físico! Os mais estóicos curvam-se ao sofrimento mórbido e pouco a
pouco retemperam-se dissipando de si o desejo vicioso; mas os tabagistas desencarnados, moralmente aviltados e desprovidos de qualquer escrúpulo, só têm um objetivo e intenção obsessi¬va: mobilizar um outro viciado no mundo carnal, para torná-lo na função ridícula e indesejável de “piteira viva”!
PERGUNTA: – O que poderíamos entender mais correta¬mente por essa função de “piteira viva”?
RAMATÍS: – Informamos que, através do duplo-etérico do tabagista encarnado, o espírito viciado e sem corpo absorve os fluidos “etereofisicos” exalados na queima do fumo material, assim como se utilizasse excêntrica “piteira viva” humana! Daí, a surpresa de certos médiuns videntes, quando deparam a estra¬nha simbiose de um espírito desencarnado, aflito e sedento, completamente enlaçado a um fumante inveterado ou alcoó¬latra. É o ignóbil vampirismo de uma alma destroçada pelo vício, que nenhum objetivo possui na vida além da satisfação do desejo pervertido!
Mas como há um grande desperdício fluídico nesse vampi¬rismo tabagista pela ausência do corpo carnal, então o espírito desencarnado e escravo do vício do fumo assedia o fumante para renovar a sua dose de cigarros, a fim de haurir maior per¬centagem da nicotina fluídica. Assim, o fumante invigilante pode atingir o máximo da degradação viciosa, a ponto de acender um cigarro atrás de outro, na absurda submissão mental de atender ao desejo insofreável de alguém agindo do mundo oculto!
PERGUNTA: – Todos os fumantes inveterados são “piteiras vivas” dos espíritos viciados, no Além?
RAMATÍS: – A simbiose de um encarnado com um obsessor no vampirismo do fumo resulta propriamente da “afinidade” espiritual, moral ou psíquica entre ambos! É indubitável que, se Francisco de Assis fumasse, mesmo desbragadamente, nenhum espírito viciado conseguiria torná-lo uma “piteira viva”, em face de sua sublime freqüência Angélica, pois, enti¬dade de tal quilate espiritual, mesmo algemada ao vício do fumo, jamais desceria à ignomínia de obsediar um encarnado e prosseguir no mesmo vício trazido da carne! Os espíritos ben¬feitores, embora tenham se deixado escravizar por algum vício, na Terra, são bastante briosos depois de desencarnados, para curtirem a sua fraqueza sem prejudicar o próximo!
Em conseqüência, nem todos os homens tabagistas são “piteiras vivas”, quando se trata de criaturas benfeitoras, dig¬nas, pacíficas, amorosas, tolerantes e religiosas. Na verdade, o encarnado que funciona na condição degradante de “piteira viva” já é um candidato em potencial a futuro vampiro tabagis¬ta no Além-Túmulo, porque a simbiose viciosa e indesejável depende da afinidade por força da mesma moral censurável e sentimentos malévolos entre ambos!
PERGUNTA: – Todos os fumantes inveterados, depois de desencarnados, sofrem no Além os efeitos perniciosos do vício de fumar?
RAMATÍS: – O sofrimento ou prazer de cada espírito, após a desencarnação, depende da extensão de sua escravatura ou submissão aos vícios e às paixões que cultivou imprudente¬mente no mundo carnal. Como o desejo continua a espicaçar o espírito, mesmo depois de desencarnado, pois isso não pertence ao corpo carnal transitório, ele há de sofrer tanto quanto seja a intensidade desse desejo, e, lastimavelmente, quanto à perspectiva ou probabilidade de poder satisfaze-lo! No caso do taba¬gismo, o espírito evoca o cigarro, charuto ou cachimbo, com a mesma aflição com que fazia na Terra, quando achava-se des¬prevenido de imediata satisfação viciosa. E como percebe que ainda é mais difícil acalmar o desejo insofreável, no Espaço, então se torna mais desesperado centuplicando o sofrimento.
Sabem os espiritualistas estudiosos e os médiuns, quando incorporam entidades sofredoras, que a fome, a sede, o desejo alcoólico ou de fumar, não se extinguem pela simples libertação do corpo carnal no “falecimento” físico, pois mudar de plano de vida é como mudar de apartamento, em que o morador conti-nua a manter as mesmas idiossincrasias, gostos e prazeres. A morte não é um banho miraculoso, pois não transforma diabos em santos, analfabetos em sábios, viciados em espíritos puros! Em conseqüência, todos os fumantes hão de sofrer, no Além, os efeitos brandos ou intensos de sua estultícia em perder o comando do organismo físico, estigmatizando, também, o peris¬pírito, com vícios que depois o imantam ao mundo físico!
PERGUNTA:- E que aconteceria, no Além-Túmulo, a um excelso espírito desencarnado, supondo-se que ele tenha sido um fumante desbragado, na Terra?
RAMATÍS: – A alma sublime, mas estigmatizada pelo vício de fumar no mundo físico, assemelha-se a uma espécie de balão cativo, que depois de livrar-se de 99 amarras, lutasse afanosamente para desprender-se do último cordel que ainda a imanta à carne! Embora situada no Paraíso, entre os eleitos do Senhor, ela sentir-se-ia inquieta e aflita pelo chamamento do mundo carnal no desejo vicioso!
Por isso Jesus foi bastante explícito, quando advertiu sobre a escravidão do homem aos vícios da carne: “Em veredade vos digo, que tudo o que ligardes sobre a Terra será ligado também no céu, e tudo o que desligardes sobre a Terra, será desligado também no céu” (Mateus, 18:18). Aquele que fuma descontroladamenle, viciou-se no álcool ou é um carnívoro insaciável sem dúvida, ficará ligado pelos laços etéricos a esses prazeres ínfimos terrenos, até que o seu espírito reassuma o comando mental próprio, ou prepare-se para novas experiên¬cias encarnatórias, onde o sofrimento o ajudará a extirpar os vícios escravizantes.
PERGUNTA: – Há algum meio infalível de o homem deixar de fumar?
RAMATÍS: – É óbvio que o problema não se soluciona no simples “largar do cigarro”, mas deve ser compreendida a realidade estulta, nociva e onerosa, que é incinerar folhas ele tabaco sem qualquer finalidade saudável ou nutritiva! Em pri¬meiro lugar é preciso analisar e solucionar o fato na mente e libertá-la da escravidão excêntrica. Alguns homens recuperam a sua força de vontade instantaneamente e expulsam de si a indesejável entidade tabagista viciosa; outros preferem eliminar o intruso através de etapas sucessivas e reconquistam, palmo a palmo, o terreno perdido! O psiquismo, às vezes, precisa reto¬mar o ponto de partida do vício; analisá-lo desde os primeiros efeitos fisiológicos desagradáveis e perniciosos, inclusive quan¬to à infanti1idade de chupar “canudinhos de papel com erva malcheirosa”, que produz fuligem nos pulmões, irrita a gargan¬ta e amarela os dedos! Há que refletir no incômodo causado às pessoas amigas ou estranhas, nos restaurantes, salões, ônibus, trens e ele,’adores, quanto às cinzas e aos buracos nas roupas, sobre a angústia de não poder assistir tranqüilamente a uma cerimônia ou filme cinematográfico sem fumar! Além do perigo ele incêndio, existe a situação humilhante de um homem que se julga senhor de si, mas ainda é escravo de um poder oculto, primário e nocivo, como é o ridículo vício de fumar!
A libertação do tabagismo há de ser mental, sem trocas por “bonbons” ou cigarros repulsivos, que embora inofensivos, ainda demonstram a fraqueza de vontade e a necessidade de um substituto vicioso! Convença-se o fumante de que o fumo não causa prazer ou distração, nem acalma os nervos e não produz inspirações sublimes. É um vício ridículo, que humilha qualquer homem inteligente e sensato! O fumante inveterado devia lastimar-se por ser escravo do estulto “canudinho de erva queimada” ou de uma folha de fumo enrolada entre os lábios babosos! E acima de tudo, o tabagista não deve esquecer o ter¬rível e angustioso sofrimento que advém após a morte corporal, pois no Além não existem tabacarias. É degradante para um espírito razoável também tentar o escabroso recurso de fumar através de outra “piteira viva”, viciada, na Terra!
O fumante, quando se liberta do vício de fumar, então se surpreende verificando que há um desafogo no sistema circula¬tório e respiratório, enquanto desaparecem as proverbiais cefa¬léias, sensibilizam-se os sentidos físicos como o paladar e o olfa¬to, antes “nicotinizados”. Passa a sentir os sabores e os odores naturais dos alimentos, enquanto o sistema nervoso acalma-se, pouco a pouco, sem a excitação mórbida do cigarro. Finalmen¬te, sentirá orgulho de sua grande vitória ao libertar-se do fumo que já lhe dirigia até os pensamentos, fortalecido para iniciar a ofensiva contra quaisquer paixões ou demais vícios que pren¬dem a alma nos ciclos tristes das reencarnações físicas!
FIM!.