Fenômenos nos Grupos de Apometria

EVOLUÇÃO NO PLANETA AZUL
Ed. Do Conhecimento – Norberto Peixoto pelo espírito Ramatís.

Fenômenos nos grupos de Apometria

PERGUNTA: — Percebemos que se tornou consenso para alguns confrades mais resistentes aos “novos” conhecimentos, que a Apometria é de terminologia de difícil entendimento. Em especial, os transtornos anímicos são repelidos, pois esses mesmos irmãos são de opinião que tudo é “espiritual” quando lidam com as disfunções psíquicas nos trabalhos desobsessivos, classificando-as como manifestações mediúnicas. Pedimos vossos comentários quanto aos chamados “fenômenos anímicos auto-obsessivos”.
RAMATÍS: — Sois espírito imortal com “infinitas” vivências, tanto quando estais encarnados como desencarnados.
Todo o roteiro desse filme ininterrupto está guardado em vosso inconsciente espiritual, mente não-física, sendo que o cérebro físico abriga uma parte infinitamente pequena, que é o vosso consciente atual, quando comparada à enormidade de experiências, sensações, sentimentos e emoções que demarcaram vosso psiquismo de profundidade. A preexistência de vossa alma formou vossa memória perene ao longo das vivências milenares no planeta. Isso quando não vivenciastes experiências em outros planetas, o que o Universo oportuniza a todos.
Muitos dos estados doentios que são classificados como de causas ocultas derivam dos refolhos da própria individualidade.
As ansiedades, depressões, transtornos compulsivos, esquizofrenias, enfim, as psicopatias nas suas variadas etiologias são como dardos jogados do inconsciente, a mente não-física, para o consciente, parte da mente abrigada no órgão cerebral e que não experimentou as vidas transatas do espírito milenar que impulsiona ambos, inconsciente e consciente, que formam ininterruptamente vossa memória integral.
Deveis considerar que isso é comum em todos vós, sendo o que determina as diferenças de personalidades, impulsos, predisposições, tão bem observáveis em filhos criados igualmente por pais zelosos, mas que se apresentam distintos em suas manias e peculiaridades comportamentais.
Infelizmente, ainda prepondera o processo de “interferência” catártica do inconsciente, espécie de expurgo de vossas impurezas existenciais pregressas, ao invés das ressonâncias vibratórias positivas, harmoniosas e benfazejas.
Essa situação “anômala” se instala pela imoralidade de muitos terrícolas. Uma grande parcela da comunidade encarnada se vê aturdida por insights desagradáveis, aparentemente inexplicáveis e taxados de exagero de imaginação pela medicina convencional e mecanicista. São pavores sem causa aparente, pânicos e fobias que se instalam, insônias, raivas e toda sorte de situações tormentosas que envolvem os escafandros do psiquismo, que terminam por desestruturar o equilíbrio existencial do ser, quando não se instala a ausência mental da vida social à sua volta, quadros de histeria e comportamentos violentos que requerem isolamento pelo destrambelho do sistema nervoso. São flashs-ideoplásticos de vidas passadas que se apoderam da mente consciencial, a cerebração física, se “apropriando” das sinapses nervosas e da rede neuronal por intermédio das “correntes mentais parasitas auto-induzidas”.
O fato de considerar-se que tudo é espírito nos trabalhos socorristas desobsessivos demonstra a urgência de vos tornardes mais ativos nas experimentações psíquicas e mediúnicas.
Não que esse fato em si seja preponderante para o socorro do “lado de cá”, mas sim pela importância de vossa contínua evolução, que não deve estar engessada, como doente imobilizado por ataduras que não consegue alimentar-se por iniciativa própria. Como dissemos alhures, e repetimos novamente, os homens não poderão negar suas potencialidades psíquicas, recursos válidos para socorrer, curar e liberar as consciências do aguilhão da dor e do sofrimento, mantendo indefinidamente os espíritos desencarnados responsáveis por tudo, numa atitude de passividade temerosa.
Na verdade, são complexas e de difícil percepção para vós todas essas peculiaridades relacionadas ao psiquismo dos espíritos imortais, o que reforça a necessidade de aprofundamento das experimentações anímico-mediúnicas, ao contrário do que está ocorrendo em muitas agremiações que estão acomodadas há décadas num mesmo modelo de trabalho.
Essas situações de dor e sofrimento tendem a se tornar cada vez mais complexas se não há o tratamento adequado, advindo o enredamento de vários cidadãos, encarnados e desencarnados, num mesmo cenário desequilibrante.
Podeis concluir que serem anímicas ou mediúnicas as manifestações, nos trabalhos socorristas de desobsessão, é uma preocupação menor diante da urgência do alento curativo que se impõe àqueles que procuram esses agrupamentos em busca do alívio para seus males.
Quanto à Apometria ser de “terminologia de difícil entendimento” para alguns, repetindo, isso demonstra a repulsa diante do “novo”, pelo receio desmesurado de se verem sem a “posse” do conhecimento atual. Estrutura-se a cognição desses irmãos em bases cômodas, como rara jóia em armário intocável, mas em que a madeira está embolorada pela falta de asseio da luz do Sol que não adentra os escuros cômodos, atacados pelas traças famintas da preguiça mental.

PERGUNTA: — O que são as “correntes mentais parasitas auto-induzidas”?
RAMATÍS: — É como se vos abrissem uma porta para vosso passado remoto. Adentrarão no território de vossa memória consciente, da atual personalidade encarnada, cenários ideoplásticos de experiências traumáticas de outrora, que chegam como ferrenho cobrador de algo não resolvido pelo espírito imortal. Em processo contínuo, como se fosse dínamo que alimenta campo magnético que se instala.
Pouco a pouco, independente de induções espirituais externas com repercussões vibratórias de espíritos sofredores, sofre o cidadão desequilíbrio psíquico sem causa aparente na vida atual.
Essas rememorações traumatizantes, partes de encarnações anteriores, podem se instalar como sensações desarmônicas, desagradáveis, que vão se intensificando gradativamente, sem a necessidade precípua de haver “sonhos” ou imagens traumáticas que refulgem conscientemente. Na maioria das vezes, ocorrem sem a noção exata do que está havendo, situação comum pelo discernimento restrito e pela falta de auto-conhecimento dos homens.

PERGUNTA: — Solicitamo-vos a demonstração de um caso do transtorno anímico, denominado de “correntes mentais parasitas auto-induzidas”.
RAMATÍS: — Um encarnado vivencia uma morte abrupta em existência pregressa, em que se viu, após um ato traiçoeiro de envenenamento, retido no corpo físico enrijecido sem poder se movimentar. Escuta, como se não tivesse morrido, o relato sarcástico dos autores do crime hediondo lançado contra ele. Essa situação de aflição e de desespero que o leva a um estado de loucura, marca-lhe no psiquismo um pavor terrificante das diversas situações de desencarne do mundo físico. Por um mecanismo de ressonância vibratória com essa vida passada traumatizante, em encarnação futura se vê diante do pânico da morte sem causa aparente e evita se alimentar, por causa do transtorno acarretado pelas correntes mentais parasitas que o seu próprio inconsciente dispara, agravando-se a depressão, a ansiedade, a insônia, e se instalando o desarranjo do sistema nervoso.
Ininterruptamente, sente nas entranhas as sensações passadas, “vendo-se” morto, imobilizado, escutando a conversa tenebrosa dos assassinos que o mataram com eficaz veneno, com minúcias de sadismo e ironia.

PERGUNTA: — Esse tipo de fenômeno se instala isoladamente ou pode vir acompanhado de outros distúrbios?
RAMATÍS: — Não raro, se manifesta acompanhado de outros fenômenos, podendo reavivar diversos quadros traumáticos de vidas passadas por semelhanças com a atual, como comporta de uma represa que se abre, intensificando o fulcro gerador dos distúrbios.
Imaginai um quadro gripal. Esse é o diagnóstico principal que vem acompanhado de sintomas secundários: febre, dor de cabeça, indisposição, falta de apetite, dores gerais, obstrução nasal. Isso quando não se vê o paciente com outras perturbações de diagnose diferente, mas que têm atuação sinérgica com a gripe, como as inflamações das vias aéreas: rinofaringites, traqueobronquites e laringites.
Voltando às síndromes e fenômenos anímico-espirituais, podeis encontrar paralelo no exemplo referido, de recordações tormentosas e fragmentárias de outras encarnações, com mortes abruptas e violentas, que começam a se abrir pelo desequilíbrio emotivo do enfermo.
Aliado ao fato de procederem à sintonia com outras mentes, pela similaridade de pensamentos, podem se fazer presentes espíritos sofredores na mesma condição de desequilíbrio mental, quando não se “mostram” à vista ferrenhos adversários do passado remoto para se aproveitarem da desdita de todos diante desse novelo enfermiço.
Agrava-se o mal-estar, a angústia e estados de perturbação, quando não sobrevêm núcleos obsessivos pela mediunidade reprimida e em desequilíbrio, que pode até levar o enfermo a uma desistência reencarnatória com suicídio indireto.

PERGUNTA: — Desajuste e desistência reencarnatória são a mesma “síndrome”?
RAMATÍS: — Podeis inferir que toda a desistência é um desajuste do indivíduo diante da vida, mas nem todos os desajustes geram desistências reencarnatórias. Uma mulher de beleza exuberante, dominadora, e que abusou do poder sexual com que envolvia os homens, quando reencarna para retificação de conduta como homem, mas no seu interior lateja a mulher bela e pujante de outrora, normalmente tem um período de desajustamento reencarnatório, de dissonância com a sua nova existência. Caso haja uma acomodação que a leve a aceitar-se como homem, mas sem estabelecer laços afetivos com o sexo oposto ou numa postura homossexual, ambas as situações não caracterizam desistência reencarnatória, o que não quer dizer harmonia existencial, pois os desequilibrados lamentavelmente se acostumam com seus tormentos internos até o ponto em que haja uma retificação cármica que os coloque novamente no trilho ascensional, o que pode ocorrer em encarnações futuras. As desistências reencarnatórias geralmente se dão inconscientemente, como o envenenado de ontem que no hoje não quer se alimentar, ou o monge recluso de mosteiro medieval que na atualidade se isola socialmente de tudo e de todos, desenvolvendo uma inação ante as situações comezinhas da vida, que, aos poucos, o vai conduzindo à vontade inconsciente de suicídio, por meio de pensamentos mórbidos recorrentes.

PERGUNTA: — O que é mediunidade reprimida?
RAMATÍS: — É a mediunidade que está aflorada plenamente, mas não disciplinada. Muitas vezes o médium tem conhecimento do seu compromisso com a mediunidade, mas, infelizmente, por uma conduta escapista diante dos compromissos com o Além, integra uma parcela significativa de encarnados desequilibrados psiquicamente, com manias compulsivas, condutas anormais e estados alucinatórios.
As capacidades mediúnicas ficam abertas, mas represadas, destituídas de educação e exercício continuado, o que leva o medianeiro a ser um rádio receptor manipulado por mãos que o “obrigarão” a sintonizar todas as estações a pleno volume, deixando-o extenuado e esgotado mentalmente pelo seu próprio descontrole.

PERGUNTA: — Podemos afirmar que essas situações rememorativas traumatizantes são como alicerces atávicos que afetam todos os homens? Essas impressões e “imagens” atemporais irrompidas do íntimo dos seres integrais que somos todos nós, espíritos, e ainda desconhecidas da medicina convencional, são de alguma forma “aproveitadas” intencionalmente nos processo obsessivos pelos magos negros?
RAMATÍS: — Os alicerces atávicos da alma afetam a todos vós, positivamente ou não. Vossa questão inicial é procedente.
Em relação às obsessões, é de bom alvitre salientar que os transtornos anímicos auto-obsessivos na maior parte das vezes antecedem as imantações com agentes espirituais externos. Disso podeis concluir que a cura de todos os males está no íntimo de cada ser, e o obsediado é o maior algoz de si mesmo, pois os seus próprios pensamentos e ideações são os gatilhos que disparam as armas das mazelas. Primeiro, em prejuízo próprio, pelas portas escancaradas da invigilância e imprudência existencial de muitas eras; segundo, pela afinidade de interesses desditosos com comparsas de antigamente, de desmandos e atitudes cruentas com os semelhantes; e terceiro, porque cabe unicamente ao objeto da obsessão a cura definitiva dos males que o afligem. Ou seja, se houvesse somente o esclarecimento ou o afastamento do carrasco obsessor, e não se alterasse a condição vibratória do alvo dos seus ataques, eis que rapidamente outro desafeto se instalaria à frente do obsediado.
De todo modo, é comum nesses casos a imantação sintônica de espíritos sofredores em mesma faixa de freqüência dementada, que “colam” nos encarnados por semelhança de correntes mentais enfermiças e fatos traumatizantes do passado remoto. Nesses casos, o quadro mórbido se intensifica e aumentam rapidamente os laços de imantação com o espírito sofredor, obsessor indireto, não intencional, multiplicando o tormento do encarnado, suas sensações, emoções e sentimentos em desalinho.
Quanto aos alicerces atávicos que jazem em todos vós, realmente os planejadores das obsessões os utilizam ao máximo possível. Querem destruir suas vítimas; fazê-las sofrer de todas as maneiras, desde técnicas de desdobramento magnético do encarnado, durante o sono físico, levando-os a locais altamente deletérios, intensificando a turvação mental em que se encontram, estimulando novamente a memória para as situações destrutivas e traumáticas do passado remoto. Sois frágeis, na maioria, diante desses ataques das sombras, sendo que vós próprios sois os maiores responsáveis por essas intoxicações enfermiças. Não vamos nos alongar em exemplos de condutas inadequadas que disparam essas disposições mórbidas que ainda latejam em vossa existência atual. Contudo, lembrar-vos-emos da importância da higienização mental, que deve ser acompanhada de atitudes práticas que corroborem a mudança de uma vida melhor, em que os valores de amor e perdão do Evangelho do Cristo são a conduta mais segura.
Refleti quanto ao que pensais e sabereis com quem andais.

Fim.

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Considerações sobre a origem do câncer.

FISIOLOGIA DA ALMA
Ramatís

CAPÍTULO 20
Considerações sobre a origem do câncer

PERGUNTA: – Podeis dizer-nos se o câncer é uma enfermi¬dade proveniente do meio planetário que habitamos?
RAMATÍS: – Já vos dissemos anteriormente que o corpo físico é o prolongamento do próprio perispírito atuando na matéria; podeis mesmo compará-lo a um vasto mata-borrão capaz de absorver todo o conteúdo tóxico produzido durante os desequilíbrios mentais e os desregramentos emotivos da alma. Qualquer desarmonia ou dano físico do corpo carnal deve, por isso, ser examinado ou estudado tendo em vista o todo do indivíduo, ou seja o seu conjunto psicofísico. O corpo humano, além de suas atividades propriamente fisiológicas, está em relação com uma vida oculta, espiritual, que se elabo¬ra primeiramente no seu mundo subjetivo, para depois, então, manifestar-se no mundo físico.
O espírito é uno em sua essência imortal, mas a sua manifes¬tação se processa em três fases distintas; ele pensa, sente e age. Em qualquer aspecto sob o qual for analisado, ou em qualquer umna de suas ações, deve ser considerado sob essa revelação trí¬plice, que abrange o pensamento, o sentimento e a ação. E para maior êxito no verdadeiro conhecimento do homem, é convenien¬te saber-se que ele é também a mesma unidade quando mani¬festa as suas atividades morais, intelectuais, sociais e religiosas. Deste modo, quer na enfermidade ou na saúde, não há separação entre o pensamento, a emoção e a ação do homem; em qualquer acontecimento de sua vida, há de sempre revelar-se numa só consciência, num só todo psíquico e físico, numa só memória forjada no simbolismo do tempo e do espaço.
Em conseqüência, como o espírito e o corpo não podem ser estudados separadamente, quer na saúde, quer na doença, é óbvio que também no caso do câncer e do seu tratamento específico é muito importante e sensato identificar-se antes o tipo psíquico do doente e, em seguida, considerar-se então a espécie de doença. Embora certa porcentagem de incidência do câncer seja oriunda do choque ocorrido entre as forças ocultas que descem do plano superior e as energias astrais criadoras dos diversos reinos da vida física, a sua manifestação mórbida no homem é proveniente da toxicidade fluídica que ainda circula no perispírito e que foi acu¬mulada pelos desatinos mentais e emotivos ocorridos nas várias encarnações pretéritas.
Esse morbo fluídico “desce”, depois, do perispírito para concentrar-se num órgão ou sistema orgânico físico, passando a perturbar a harmonia funcional da rede eletrônica de susten¬tação atômica e alienando o trabalho de crescimento e coesão das células.
Embora cada corpo físico seja o produto específico dos ascendentes biológicos herdados de certa linhagem carnal humana, ele sempre revela no cenário do mundo físico o aspec¬to interior da própria alma que o comanda. Mesmo conside¬rando-se as tendências hereditárias, que disciplinam as carac¬terísticas físicas das criaturas, há também que se reconhecer a força dos princípios espirituais que podem dirigir e modificar o corpo de carne. Cada organismo físico reage de acordo com a natureza íntima de cada alma encarnada, e de modo diferente entre os diversos homens; e isto ocorre tanto na saúde como na enfermidade.
Assim, variam as reações e a gravidade de um mesmo tipo de tumor canceroso em diferentes indivíduos, porque a sua maior ou menor influência, além da resistência biológica, tam¬bém fica subordinada à natureza psíquica, emotiva e mesmo psicológica do enfermo.

PERGUNTA: – Então devemos considerar que o câncer é uma doença espiritual, uma vez que provém dos deslizes psíquicos cometidos pelo homem no passado?
RAMATÍS: – É na intimidade oculta da alma que realmen-te tem início qualquer impacto mórbido, que depois perturba o ritmo e a coesão das células na organização de carne.
É por isso que também se distinguem a natureza, a freqüên¬cia e a qualidade das suas energias, tanto quanto elas agem mais profundamente no seio do espírito humano. Assim, a força mental sutilíssima que modela o pensamento é muitíssimo supe¬rior à energia astral, mais densa, que manifesta o sentimento ou a emoção, da mesma forma que, na matéria, o médico também reconhece que a força nervosa do homem é superior à sua força muscular. Eis por que, durante a enfermidade, seja uma simples gastralgia ou o temido câncer, o raciocínio, a emoção e a resistên¬cia psíquica de cada doente apresentam consideráveis diferenças e variam nas reações entre si. Enquanto o homem predominan¬temente espiritual e de raciocínio mais apurado pode encarar o seu sofrimento sob alguma cogitação filosófica confortadora ou aceita-lo como justificado pelo objetivo de sua maior sensibili¬zação, a criatura exclusivamente emotiva é quase sempre uma infeliz desarvorada, que materializa a dor sob o desespero incon¬trolável, por causa de sua alta tensão psíquica.
O certo é que as energias sutilíssimas, que atuam no mundo oculto da criatura humana e se constituem na mara¬vilhosa rede magnética de sustentação do edifício atômico de carne, só podem manter-se coesas e proporcionar tranqüila pulsação de vida desde que também permaneça o equilíbrio harmonioso do espírito. Só então a saúde física é um estado de magnífico ajuste orgânico; o ser não sente nem ouve o seu pulsar de vida, porque o seu ritmo é suave e cadenciado pelo mais leve arfar de todas as peças e funções orgânicas. Manifes¬tando-se admiravelmente compensadas em todo o seu meta-bolismo, elas não perturbam a consciência em vigília, porque não provocam o desânimo, a inquietação ou a angústia, que se geram durante a desarmonia do espírito.
O animal selvagem ou o bugre (indígena) puro, da floresta, embora sejam de vida rudimentar, são portadores de organismos bem dispostos, como preciosas máquinas estrutura das de carne a funcionarem tão ajustadas como se fossem valiosos cronôme¬tros de precisão. Sem dúvida, isso acontece porque vivem dis¬tantes das inquietações mentais dos civilizados, não lhes ocor¬rendo quaisquer distúrbios psíquicos que possam alterar-lhes a harmonia das forças eletrônicas responsáveis pela coesão molecular da carne.
Não desconhecemos a existência de certas doenças capa¬zes de afetar os seres primitivos e que não se produzem por quaisquer ações ou emoções desatinadas; mas insistimos em vos lembrar que é justamente entre os civilizados, como seres pensantes em essência, que a enfermidade grassa cada vez mais insidiosa. É notório que os selvagens sadios enfermam com facilidade logo que entram em contato com as metrópoles e passam a adotar os seus vícios e capciosidades mais comuns.
O câncer, que tanto se manifesta na forma de tumores como desvitalizando o sistema linfático, nervoso, ósseo ou sangüíneo, não deve ser considerado apenas como um sintoma isolado do organismo, pois a sua maior ou menor virulência mantém estreita relação com o tipo psíquico do doente. O morbo cance¬rígeno avulta pelos desatinos mentais e emotivos, que abalam o campo bioelétrico animal e lesam o sistema vital de defesa, para depois situar-se num órgão ou sistema orgânico mais vul¬nerável do corpo carnal. Em conseqüência, a “causa remota” patológica, do câncer, deve ser procurada consciensiosamente no campo original do espírito e na base de suas atividades mentais e emotivas. Não se trata de acontecimento mórbido da exclusividade de qualquer dependência orgânica, que se produ¬za sem o conhecimento subjetivo do todo-indivíduo.

PERGUNTA: – Como poderíamos entender melhor essa manifestação mórbida do câncer “desde o campo original do espírito “?
RAMATÍS: – O espírito é O comandante exclusivo e o responsável pela harmonia e funcionamento de todo o cosmo de células que constituem o seu corpo de carne, o qual não tem vida à parte ou independente da vontade do seu dono. Mesmo o senso instintivo que regula as diversas atividades orgânicas do corpo físico, e que se presume funcionando sem o conhecimen¬to direto da alma, tal como o fenômeno de nutrir-se, andar e respirar, não é acontecimento autômato, pois a sua harmonia e êxito de ação controladora ainda dependem do melhor contato do espírito com a carne. O sistema respiratório, o estômago, o intestino ou o próprio coração também podem alterar-se sob a menor emoção ou mudança de pensamento pois, embora sejam órgãos fora do alcance de nossa vontade, são perturbados no seu automatismo quando submetidos a demasiada insistência de nosso temor, angústia, irascibilidade ou melancolia.
É do conhecimento popular que a alegria aumenta o aflu¬xo da bílis no fígado, a cólera o paralisa e a tristeza o reduz.
Os médicos afirmam que se produzem inúmeras modificações e reações na vesícula biliar à simples variação do nosso pensar e sentir. E essas alterações, como já lembramos anteriormente, ocorrem mais comumente na região hepática, porque o corpo astral, que é o’ responsável pela manifestação das emoções do espírito, encontra-se ligado ao de carne justamente no plexo solar, mais conhecido por plexo abdominal na terminologia médica, e o principal controlador dos fenômenos digestivos. Também acontece ali se ligarem os nervos simpático e paras¬simpático, com importantes funções nessa zona; o primeiro tem por função acelerar o trabalho dos órgãos digestivos e regular a vertência da bílis, na vesícula, enquanto o segundo retarda todos os seus movimentos fisiológicos.
Inúmeros fenômenos que ocorrem no corpo físico comprovam a intervenção do pensamento produzido pela mente humana, que atua através do sistema nervoso e repercute pelo sistema glandu¬lar, facilmente afetável pelas nossas emoções. O medo, a vergonha, a raiva ou a timidez causam modificações na circulação cutânea e produzem a palidez ou vermelhidão do rosto. Sob as descargas de adrenalina e demais alterações dos hormônios, sucos gástricos e mudanças nos centros térmicos, às pupilas se contraem e se dilatam, assim como os vasos capilares. Muitas enfermidades pró¬prias da região abdominal, como as do estômago, do intestino ou do pâncreas, originam-se exatamente das perturbações nervosas decorrentes do descontrole mental e emotivo.
Desde que o corpo físico é constituído por células em inces¬sante associação com as mais variadas e inúmeras coletividades microbianas, que vivem imersas nos líquidos hormonais, sucos, fluidos, e noutras substâncias químicas produzidas pelos órgãos mais evoluídos, é evidente que a coesão, a harmonia e a afinida¬de de trabalho entre essas forças vivas assombrosas, do mundo microscópico, também dependem fundamentalmente do estado mental e da emotividade do espírito. Este é o verdadeiro responsá¬vel pelo equilíbrio eletrônico da rede atômica e pelas relações do mundo oculto com o mundo exterior da matéria. A saúde, pois, assim como a doença, vem de “dentro para fora” e de “cima para baixo”, conforme já o definiram com muita inteligência os homeo-patas, porque a harmonia da carne depende sempre do estado de equilíbrio e da harmonia do próprio espírito encarnado.
Já explicamos que a força mental comanda a força nervo¬sa e esta é que então repercute no organismo muscular, para depois efetuar as modificações favoráveis ou intervir desordena¬damente, lesando a estrutura dos órgãos ou sistema orgânico. A doença, pois, em vez de ser uma desarmonia específica de determinado órgão ou sistema de órgãos, é o produto de uma desordem funcional que afeta toda a estrutura orgânica; é um estado mórbido que o próprio espírito faz refletir perturbadora-mente em todos os seus campos de forças vivas e planos de sua manifestação. Já dissemos que a irregularidade no campo men¬tal também produz suas toxinas específicas mentais, as quais repercutem pelo corpo astral e carbonizam as forças astralinas inferiores. Então processa-se o gradativo abaixamento vibrató¬rio do conteúdo tóxico psíquico, que se encorpa e se adensa, fluindo para a carne e constituindo-se no morbo que se situa, depois, em qualquer órgão ou sistema do corpo físico, para pro¬duzir a indesejável condição enfermiça.
Assim é que a manifestação mórbida que provoca a doen¬ça no organismo humano principia pela perturbação do espí¬rito “desde o seu campo original” de ação espiritual, e depois “baixa” gradativamente através dos vários planos intermediá¬rios do mundo oculto.

PERGUNTA: – Diante de vossas considerações, deduzi-mos que o câncer também pode provir de várias origens dife¬rentes entre si. Estamos certos?
RAMATÍS: – O câncer, no homem, não fornece a possibi-lidade de se identificar, no momento, um agente infeccioso pro¬priamente físico e passível de ser classificado pelos laboratórios do mundo, assim como se descobriram pelo microscópio os bacilos de Koch, Hansen, Kleber ou o espiroqueta de Shaudin. Não se trata de um microrganismo de fácil identificação pela terminologia acadêmica, pois é um bacilo psíquico, só identifi¬cável, por enquanto, no mundo astral, e que se nutre morbida¬mente da energia subvertida de um dos próprios elementais primários, criadores da vida física. Esse elemental primitivo e base da coesão das células da estruturação do mundo material, torna-se virulento e inverte os pólos de sua ação criadora para destruidora, assim que é irritado em sua natureza e manifesta¬ção normal, o que pode acontecer tanto pelo choque de outras forças que fecundam a vida, que operam na intimidade da cria¬ção, como pela intervenção violenta, desarmônica e deletéria por parte da mente e da emoção humana.
É certo que alguns tipos de animais e aves, como o coelho, o camundongo, o sapo, o marreco, a rã, a galinha e o peru, podem acusar a transmissibilidade e contaminação do câncer, atestando, pois, a existência de um vírus ou agente infeccioso quando são inoculados pelo filtrado ativo de tecido canceroso e cujas células tenham ficado retidas no filtro. Mas essa expe¬riência já não serve de paradigma para se verificar o câncer no homem, que é um ser mais complexo e evolvido que o animal, revelando também uma vida psíquica superior. Mas, como no fundo de qualquer câncer permanece dominando morbidamen¬te uma energia primária criadora, que foi perturbada, capaz de alimentar o vírus de natureza predominante astral ou psíquica, no animal ela sofre essa alteração para pior, em um nível mag¬nético mais denso, mais periférico no campo das forças instinti¬vas. Deste modo, o vírus astral cancerígeno, que se nutre dela, manifesta-se então mais à superfície da matéria no réptil, no animal, na ave e mesmo na vegetação, com possibilidade de ser entrevisto no futuro, assim que a Ciência conhecer o microscó¬pico “eletro-etéreo”.
Como essa alteração da energia primária criadora, no homem, que é criatura mais evolvida, processa-se no seu campo mental e emotivo mais profundo, o vírus astral não adquire o encorpamento necessário para ser pressentido à luz do laboratório físico ou conjeturado em qualquer outra expe¬riência de ordem material.
Desejamos esclarecer-vos – embora lutemos com a falta de vocábulos adequados – que na vegetação, nas aves, nos répteis ou nos animais, o vírus do câncer ainda é passível de ser auscultado pelo aparelhamento material, porque a ener¬gia criadora, subvertida o fecunda na freqüência mais baixa, num campo biomagnético mais denso e inferior, enquanto que no homem o mesmo fenômeno se processa em nível superior mental e emotivo, o que torna inacessível a sua auscultação no aparelhamento físico. Em ambos os casos, esse elemental pri¬mário perturbado durante a simbiose das energias criadoras ou pela intervenção nefasta da mente ou da emoção humana, atua depois desordenadamente no encadeamento normal das células físicas, originando o câncer tão temido.

PERGUNTA: – Como poderíamos entender melhor esse choque de forças criadoras que perturbam o elemental primário, dando ensejo ao câncer nos animais, ou então produ¬zindo-o no homem pela irritação mental e emotiva?
RAMATÍS: – Trata-se de uma das energias primárias fecun¬dantes da própria vida física e que, ao ser desviada de sua ação específica criadora, converte-se num fluido morboso que circula pelo perispírito ou nele adere na forma de manchas, nódoas ou excrescências de aspecto lodoso. Transforma-se num miasma de natureza agressiva, assediando ocultamente o homem e minan¬do-lhe a aglutinação normal das células físicas. A sua vida astral mórbida e intensamente destrutiva, numa’ perfeita antítese de sua antiga ação criadora, escapa à intervenção propriamente física procedida de “fora para dentro”; daí, pois, o motivo por que é imune à radioterapia, cirurgia ou quimioterapia do mundo material, permanecendo ativa, como um lençol compacto de vírus interferindo na circulação astral do perispírito, capaz de produzir as recidivas como a proliferação dos neoplasmas malig¬nos nos tecidos adjacentes aos operados ou cauterizados.
Se a Medicina pudesse estabelecer uma patogenia psicoas¬tral e classificar minuciosamente todas as expressões de vida e forças que se manifestam no mundo astralino microcósmico e interpenetram toda a estrutura atômica do globo terráqueo, nutrindo os reinos vegetal, mineral e animal, é certo que tam¬bém poderia identificar esse elemento primário e criador que, ao ser irritado por forças adversas em eclosão, ou pela mente humana, perturba a base eletrônica das células construtoras do organismo físico. Quando é violentado no campo de forças mais densas, que caldeiam as configurações vivas mais grossei¬ras, origina os efeitos cancerosos que atingem os vegetais, as aves, os insetos, os répteis e os animais; porém, se é atingido por alterações energéticas mais profundas, produzidas pelas forças mental e emotiva, então produz o câncer no homem.
Sendo uma das energias que participam da extensa cadeia de forças vivas ocultas e criadoras das forças do mundo físico, é semelhante ao alicerce de pedras que, embora permaneça oculto no solo pantanoso ou no terreno rochoso, garante a esta¬bilidade do arranha-céu. No entanto, desde que esse alicerce arruine-se pela infiltração de umidade, por alguma deficiência na liga da argamassa, ou por qualquer erosão do solo, é eviden¬te que todo o edifício sofrerá na sua verticalidade e segurança, porquanto a sua garantia e base sólida transformam-se num elemento perigoso para a sustentação arquitetônica. O mesmo ocorre com o elemental primário oculto, que pro¬voca o câncer, o qual é também um dos alicerces sustentadores do edifício atômico das formas vivas do mundo físico, desde que não seja subvertido por qualquer intervenção perturbadora. Se o desviam de sua ação criadora ou o irritam pelo uso delituoso, ele se transforma numa energia prejudicial às mesmas coisas e seres a que antes servia de modo benfeitor. Revela-se, pois, uma força nociva e destruidora quando o convocam do seu mundo oculto para fins contrários à sua energética normal.

PERGUNTA: – A fim de podermos perceber melhor qual a ação exata dessa energia, que tanto sustenta a vida física como também pode perturbá-la causando o câncer, poderíeis dar-nos algum exemplo comparativo com qualquer outra energia conhecida em nosso mundo?
RAMATÍS: – Cremos que a natureza e a ação da eletrici-dade poderiam ajudar-vos a compreender melhor a natureza e a ação desse elemental primário que, ao ser irritado, produz o terreno mórbido para o câncer. A eletricidade é uma energia pacífica no mundo oculto, e integrante de todos os interstícios de toda vida planetária e, também, só se manifesta à periferia da matéria, depois de excitada ou irritada, quer seja pelo atrito mecânico e irritação das escovas de metal sobre o dorso dos dínamos em movimento, quer pela simples fricção entre dois panos de lã. A energia elétrica, pois, encontra-se também em estado latente no seu mundo natural, na forma de um elemen¬tal primário, atendendo a certa necessidade da vida física. Mas, assim que a irritam, baixa em sua vibração normal e passa a agir vigorosa e intempestivamente na superfície material.
O homem, através da máquina elétrica, produz a eletricida¬de pela fricção desse elemental energético e natural do mundo astral, porém interpenetrante em toda a vida física. É evidente, pois, que a energia elétrica existe tanto no dínamo como em suas escovas de metal, mas a sua revelação só se faz pela fric¬ção, que o homem consegue controlar habilmente. Quando o relâmpago risca o céu e o raio fende o espaço carbonizando a atmosfera, partindo árvores ou fundindo objetos na sua atração para o solo, ainda nesse caso é a mesma energia primária que se transforma em eletricidade, materializando-se por efeito do atrito ou da “irritação” produzida pelos choques das nuvens.

Segue………………no livro.

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O Missionário Agostinho de Hipona

O missionário Agostinho de Hipona.

Um ensaio.

Da Filosofia Cristã à Codificação do Espiritismo

Fabio Alessio Romano Dionisi
fabiodionisi@terra.com.br

Certa feita, um mentor espiritual muito querido nos chamou a atenção para o fato de que pouco se fala, nas lides Espíritas, a respeito de Santo Agostinho*. Aguçado nosso interesse, fomos pesquisar essa figura tão importante para o Cristianismo e para a Igreja Católica e, igualmente, chave, na Codificação da Doutrina Espírita. (1)
Nossa maior surpresa nem tanto foi a vasta obra deixada por esse filósofo e teólogo, mas alguns pontos por ele defendidos que já preconizavam conceitos que o Espiritismo consolidaria, muitos séculos depois, inclusive, através do próprio Espírito de Agostinho.
Para o Espiritismo, sua importância pode ser avaliada pelas suas comunicações ocorridas no século XIX, das quais Kardec incluiu, aproximadamente, 35, nos livros da Codificação e na Revista Espírita. (2)
Traços biográficos
Agostinho de Hipona nasceu em 13 de novembro de 354, na cidade de Tagaste (atual Souk-Ahras, Argélia), no antigo reino da Numídia, norte da África, e desencarnou em Hipona, atual Annaba (Argélia), em 28 de agosto de 430.
Filho de Patrício, um pagão, e de Mônica, fervorosa cristã que seria canonizada, posteriormente, como Santa Mônica de Hipona.
Considerado um dos maiores expoentes do pensamento cristão, foi mestre de retórica, escritor fecundo, teólogo e filósofo. Pagão, converteu-se ao Cristianismo em 386. Batizado em 387, tornou-se Bispo de Hipona em 396. Em 1298, o Papa Bonifácio Otávio lhe concedeu o título de Doutor da Igreja. (3)
Um dos maiores divulgadores do Espiritismo
Com o mesmo empenho que defendeu o Cristianismo nascente, combatendo através de cartas, hoomilias, sermões e livros, os movimentos heréticos (maniqueísmo, donatismo, pelagianismo e arianismo), foi profícuo divulga dor dos conceitos Espíritas, no séc. XIX.
“Santo Agostinho é um dos maiores vulgarizadores do Espiritismo. Manifesta-se quase por toda parte. (..) Pertence ele à vigorosa falange dos Pais da Igreja, aos quais deve a cristandade seus mais sólidos esteios. ” (Erasto) (1)
Importância de Santo Agostinho para o Cristianismo
Após o Concílio de Niceia (325), surge como um dos grandes nomes da patrística latina (4), sendo considerado o seu mais importante filósofo. Desenvolveu as teses que constituíram a base da filosofia cristã, durante séculos, abordando temas como as relações entre a fé e a razão, a natureza do conhecimento, o conceito de Deus e da criação do mundo, a questão do bem e do mal, e a filosofia da história universal.
“Sua importância, como escritor e pensador, é monumental. Ele foi o maior teólogo cristão desde o apóstolo Paulo, e suas ideias moldaram o desenvolvimento subsequente do Cristianismo (..). O pensamento de Agostinho dominou a Idade Média, fornecendo argumentos tanto para a Reforma como para a contrarreforma. (6)
A necessidade de se constituir uma filosofia cristã
Sócrates e Platão acreditavam que qualquer conhecimento só é seguro por meio do “escrutínio da razão”.
Como na época do Cristianismo nascente o mundo ocidental continuava impregnado pelas ideias de Platão, houve um esforço constante para se harmonizar a filosofia grega e a fé cristã. (6)
Havia motivos para isso. A Igreja Cristã buscava ser aceita, “mostrar-se intelectualmente respeitável perante o mundo antigo” (6); por isso, os Padres da Igreja (5) buscaram criar uma linguagem e estrutura filosófica para a religião cristã, a partir da filosofia grega. Nela se apoiaram para construir a teologia cristã.
Segundo Raeper (6):
“Os Padres da Igreja descobriram que tinham de esclarecer questões filosóficas para as quais não havia respostas evidentes na Bíblia. Por exemplo, como Jesus é ao mesmo tempo Deus e homem? A partir do que Deus criou o mundo, de matéria preexistente ou do nada? ( .. ) tinham de voltar-se para a filosofia grega para dela conseguir auxilio em suas especulações a respeito dessas difíceis perguntas.”
Coube a Agostinho importantísssimo papel…
Aspectos proféticos de Santo Agostinho
Fácil de ser comprovado… Basta nos valermos de suas próprias citações.
• Relações com os Espíritos dos mortos. (7)
Em seu livro Confissões, uma autobiografia, ele comenta sobre seus infrutíferos esforços na tentativa de deixar a vida desregrada que levava e, que, certo dia, rogando, fervorosamente, a Deus, que o ajudasse, ouviu ( … ) uma voz que lhe dizia repetidamente: “Tolle, lege – toma, lê”.  Como essas palavras não provinham de de um ser visível, ficou convencido de ser uma ordem de Deus, determinando-lhe que abrisse, ao acaso, o livro das Epístolas de Paulo e que lesse a primeira passagem que sob os olhos lhe caísse. Tratou-se da Carta se de Paulo aos Romanos (13:13-14).
“Não caminheis em glutonarias e embriaguez, nem em contendas e rixas; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não procureis a satisfação da carne com seus apetites. ”
Uma outra citação sobre a relação com os mortos encontra-se em seu tratado “De cura pro mortuis.”(8)
“Os espíritos dos mortos podem ser enviados aos vivos, podem desvendar-lhes o futuro, cujo conhecimento adquiriram, quer por outros espíritos, quer pelos anjos, quer por uma revelação divina”.
E, mais adiante, acrescenta:
“Por que não atribuir essas atuações aos espíritos dos defuntos e não acreditar que a Divina Providência faz um bom uso de tudo, para instruir os homens, consolá-las ou assustá-los?”
Em “Cidade de Deus”, a propósito do corpo lúcido (perispírito, para os Espíritas), trata das operações que o tomam apropriado a comunicar com os Espíritos e os anjos e obter visões.
• Sobre a Reencarnação (7)
Em suas Confissões:
“Não teria minha infância atual sucedido a uma outra idade antes dela extinta?… Antes mesmo desse tempo, teria eu estado em algum lugar? Seria alguém?”
Firmando este princípio moral:
“Conforme a justiça divina, aqui neste mundo não pode existir um desgraçado que não haja merecido o seu infortúnio. ”
Dessa forma, preconizando a razão dos sofrimentos, a causa geral das provações.
• Sobre o perispírito (8)
“Acredito, portanto, que a alma não poderia existir sem corpo algum.”
E, na carta a Nebrido (390):
“Necessário é te recordares de que agitamos muitas vezes (..) essa questão de saber se a alma não tem por morada alguma espécie de corpo, ou alguma coisa análoga a um corpo”.
Certamente, teve que mudar conceitos …
Como qualquer Espírito, também tem se transformado, na mesma medida em que se expande em sabedoria e virtudes.
O homem velho, de Hipona, ressurgiu num homem novo, o das comunicações mediúnicas, do século XIX. Num processo gradativo e contínuo de evolução, onde os conceitos corretos são mantidos e os incorretos, corrigidos, face aos conhecimentos novos incorporados.
“Dar-se-á venha Santo Agostinho demolir o que edificou? Certamente que não. Como tantos outros, ele vê com os olhos do espírito o que não via enquanto homem (..) compreende o que antes não compreendia (…). Na Terra, apreciava as coisas de acordo com os conhecimentos que possuía. (…) Agora pode ele, sobre alguns pontos, pensar de modo diverso do que pensava quando vivo, sem deixar de ser um apóstolo cristão. (1)
Santo Agostinho e as três revelações
Embora limitados pelo espaço de um artigo, acreditamos que seu aspecto missionário ficou evidenciado.
Certamente, trata-se de um enviado de Jesus, com marcante participação nas duas últimas Revelações.
Caro leitor, lamentavelmente chegou a hora de nossa despedida; contudo, aproveitamos nossas últimas palavras para deixar no ar uma dúvida intrigante: qual teria sido seu papel na primeira?
Quiçá, um dia, teremos a resposta…

‘Por uma questão de identificação, mantivemos a designação de Santo.
1- Kardec, Allan. O evangelho segundo o Espiritismo. Capo 1, item 11.
2- Fernandes, Washington Nogueira. Agostinho de Hipona. Revista cristã de espiritismo. 6″ edição.
3- Titulo conferido por um papa àqueles cujos pensamentos, pregações, escritos ou forma de vida engrandeceram o Cristianismo.
4- Fase em que foi fundada (início da Era Cristã) a teologia da Igreja Cristã e seus dogmas. Obra realizada pelos primeiros Padres da Igreja.
5- Mestre doutrinário dos primeiros séculos. Vários Pais da Igreja são também Doutores da Igreja (Santo Agostinho, por exemplo).
6- Raeper, William e Smith, Linda. Introdução ao estudo das idéias. Parte 1, item 3. Edições Loyola. 2007
7- Denis, Léon. Cristianismo e Espiritismo. Notas Complementares, N° 5.
8- ldem, ibidem, N° 9.

O autor é articulista e palestrante Espirita. – Revista Internacional de Espiritismo – Janeiro de 2011.

Prece
– Livro Cabana de Sonhos
– Espírito Luiz Sérgio por Irene Pacheco Machado.
-  Recanto – 1º Edição 2005

Fazei ó Senhor nosso Deus, que esperemos à sombra das Vossas asas. Protegei-nos e guiai-nos. Guiareis, sim; guiareis os Vossos filhinhos; guiá-los-ei até quando atingirem os cabelos brancos. A nossa firmeza só é firmeza quando Vós nela estais, mas quando depende de nós, então é enfermidade. O nosso bem vive sempre em Vós; e somos perversos, porque nos apartamos de Vós.
Fazei, ó Senhor, que voltemos já par Vós para não submergirmos, porque o nosso bem, que sois Vós mesmo, vive, sem deficiência alguma em Vós. Apesar de nos termos precipitado do nosso bem, não temos receio de o não encontrar quando voltarmos, porque, na nossa ausência, não desaba a nossa habitação – a Vossa eternidade.

Agostinho (Confissões)

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Justiça das Reencarnações

Justiça das Reencarnações

Aprendemos, com o Espiritismo, que tudo tem uma razão

Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante
walkiria. wlac@yahoo.com.br

“Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saaciados. Bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, porque o reino dos céus é para eles.” – Mateus. (cap. V, v 4,6 e 10)

Podemos encontrar três princípios importantes neste trecho extraído de Mateus: primeiro, que não existem filhos deserdados do Pai; todos nós, sem exceção, estamos amparados pela força Divina que há em nós; segundo, o princípio de justiça, entendendo-a como correção de caráter, pois só podemos exigir dos outros aquilo que somos capazes ou pelo menos nos esforçamos em fazer; terceiro, que é complemento do segundo, quando nos afinamos com as Leis Universais passamos a ser instrumentos e exemplos vivos delas.

“Vós sóis bem-aventurados, vós que sois pobres, porque o reino dos céus é para vós. Vós sois bem-aventurados, vós que agora tendes fome, porque sereis saciados. Vós sois felizes, vós que agora chorais, porque rireis-” – Lucas. (can. VI. v 20. 21)

Todas as vezes que sofremos limitações e procuramos ter resignação diante delas, damos mais um passo em nossa evolução. Porque a pobreza, a fome, a dor são instrumentos que as Leis da Natureza utilizam para nos impulsionar para frente e promover o nosso reajuste. Aproveitemos as oportunidades que nos batem à porta e façamos o melhor que pudermos para que este reajuste seja o mais breve possível, que não se perpetue para outras encarnações, até que tenhamos aprendido a lição.

“Mas ai de vós, ricos! porque tendes vossa consolação neste mundo. Ai de vós que estais saciados, porque tereis fome. Ai de vós que rides agora, porque sereis reduzidos ao pranto e às lágrimas” – Lucas. (cap. VI, v 24,25)

Da mesma forma que as dificuldades representam alavancas propulsoras de progresso, a calmaria excessiva nos retarda os passos fazendo-nos acreditar que não temos necessidade de reajuste e ficamos como um lago pantanoso que apresenta calmaria, mas que está cheio de impurezas no fundo que, cedo ou tarde, precisam ser depuradas.
Sem a justiça das reencarnações muitas das afirmações de Jesus ficariam sem explicação. Seria uma afronta à inteligência comum. Por isso, podemos entender a Justiça das Aflições como a Justiça das Reencarnações. Através das migrações sucessivas, quando ora estamos encarnados, ora desencarnados, podemos entender o porquê de tantas disparidades que ocorrem ao nosso redor e conosco mesmo. Tantas desigualdades sociais e culturais que interferem positiva ou negativamente em um povo. As classes sociais, as diferenças raciais, a irmandade que muitas vezes une povos que não se entendiam muito bem no passado, mas que na hora da dor se unem para se ajudar mutuamente.
Aprendemos com o Espiritismo que tudo tem uma razão de ser. Que Deus, Pai Amoroso, Justo e Bom não nos deixaria entregues à nossa própria sorte e mais, que todos os sofrimentos, todas as vicissitudes têm uma causa, uma razão de ser e, como as Leis provêm de Deus, esta causa e esta razão também são justas, como Sua Lei o é.
Começamos a trilhar o caminho do entendimento com Moisés, que nos apresentou os dez mandamentos; Jesus sendo o exemplo vivo de amor e o Espiritismo ou como o próprio Evangelho nos diz em seu capítulo V, item 3, “a voz dos Espíritos” vem nos alertar de além-túmulo. Engana-se aqueles que participam de trabalhos mediúnicos, mas que estão lá como veículos passivos da espiritualidade maior. Como já disse uma entidade amiga, quando distribuímos flores fica um pouco de perfume em nossas mãos; também quando participamos de um trabalho medi único fica em nós a impressão da experiência vivida naqueles momentos do trabalho, da mesma forma que também deixamos a nossa impressão nos espíritos que por nós passaram. Cabe-nos escolher o quando dessa experiência vai acrescer em nossas vidas ou se simplesmente vamos fingir que nada aconteceu. Usando outra analogia, o primeiro ouvido mais perto de nossa boca é o nosso próprio.
Mas é muito fácil atribuir a outras encarnações as nossas vicissitudes atuais. Esquecemos que muitos dos nossos sofrimentos têm a sua causa nesta mesma encarnação. É o não pensar antes de agir; é querer o que é do outro sem nos esforçarmos para conseguir de forma justa e honesta; é não ter equilíbrio e moderação na forma de conduzir a vida; é acreditar que tudo cai do alto e não perseveramos diante dos embates da vida; são os casamentos forjados no interesse e na ambição desmedida; o descaso de muitos pais que não combatem as más tendências dos filhos e que mais tarde choram arrependidos por tal atitude; enfim, é uma soma de situações que vamos tendo durante a encarnação e que não podemos transferir para outros ombros a responsabilidade.
As Leis de Deus estão escritas em nossa consciência (questão 621 de O Livro dos Espíritos) e não há nada que fuja a esse julgamento. À medida que vamos evoluindo, vamos adentrando melhor nesse terreno e compreendendo o seu significado em plenitude. Saber que mesmo que estejamos no fim da encarnação atual estamos aprendendo e formando arcabouço para a nossa próxima encarnação. Que a Justiça das Reencarnações continue nos brindando para que possamos chegar puros ao Pai.

A autora participa do Centro Kardecista “Os Essênios”, de João Pessoa-PB.

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A Mutabilidade do Destino

Mudança

A mutabilidade do destino

Quem produz o bem colhe o bem; e quem produz o mal deverá ver essa causa corrigir-se no destino.

É cediço que o destino se apresenta relativizado pela possibilidade de alterações micro, ao longo da existência do espírito. E mesmo que não partamos de uma existência macro, mas, considerando tão somente uma única passagem material resta-os evidente que tudo aquilo que o espírito faz, no gozo o seu livre-arbítrio limitado, reflete na própria essência do seu destino. Isto é, se o destino demonstra ser a nuvem que paira sobre o espírito, a fim de lhe corrigir a rota, o seu desenho depende, exclusivamente, das próprias ações racionalizadas do espírito. É que, se não há entendimento, não haveria como designar responsabilidades.
Por outra via, se o espírito, dentro de sua compreensão, ainda que limitada, age, isso leva a um necessário desenrolar de efeitos. A causalidade, tal como amplamente explorada, e que se faz presente, ao longo de toda existência espiritual, desenhar-se-á, enquanto correção, nos efeitos. Ou melhor: no próprio destino. E nem estamos tratando de toda a vida espiritual.
Dentro de uma encarnação terrena, ressaltando a racionalidade que move os humanos, praticam estes condutas, ainda que limitadas ao campo do pensamento, que trazem efeitos como consequência. Pode até parecer simplista, mas não podemos nos furtar à obviedade de que quem produz o bem colhe o bem; e quem produz o mal deverá ver essa causa corrigir-se no destino.
Evidentemente, ao longo da existência espiritual, a prática de grandes condutas pode trazer efeitos diferenciados, sendo o espírito merecedor de outras benesses. Citamos o exemplo da diminuição da dor de um espírito que desencarnara, repentina e traumaticamente – por conta de compromissos passados -, justamente pelas conquistas morais que advieram de sua encarnação.
No momento derradeiro da encarnação, já nos elucida Simonetti: “É uma espécie de balanço existencial, um levantamento de débito e crédito na contabilidade divina, definindo a posição do Espírito, ao retomar à Espiritualidade, em face de suas ações boas ou más, considerando-se que poderão favorece-lo somente os valores que ‘as traças não roem nem os ladrões roubam’ , a que se referia Jesus, conquistados pelo esforço do Bem”(l).
Nessa linha, não é despropositado até mesmo afirmar que mudanças mais sensíveis podem rodear o espírito. É o caso de espíritos encarnados que vivem, na Terra, muito mais do que o inicialmente esperado – embora não exato – e até aqueles que sofrem a alteração de uma morte traumática para um desencarne tranquilo. E isso tudo deita raiz na mudança mais acentuada è para melhor – da moral do espírito. Novamente, a conclusão parte da lógica quase infantil de que quem planta o bem colhe o bem. Quando o espírito evolui, sensivelmente, agindo em prol dos demais e desenvolvendo a si mesmo, essa evolução deverá se refletir justamente no destino. Nesse acerto de condutas, considera-se não somente os atos de existências anteriores – os que podem conduzir à programação aproximada de um desencarne traumático -, mas, também, todos os atos que o espírito praticou naquela existência. Essa dinâmica do destino, que permite se redesenhar o tempo todo, nada mais é do que fruto da justiça divina (2)•
Por outra via, o espírito pode, mesmo dentro de determinados balizamentos, portar-se de forma incompatível com a moral do Criador. Lembramos do espírito que, mesmo limitado fisicamente, pode se mover, negativamente, pelo pensamento. É que a evolução não começa na atitude, mas no pensar. Aquele que se desdobra em manter a calma, enquanto blasfema, internamente, não demonstra a nítida evolução do pensamento, embora não se possa desconsiderar que o fato de pretender se controlar seja uma semente evolutiva. Vale dizer, embora não inspire a evolução do pensamento, ao menos demonstra a vontade de perquiri-Ia.
É importante ter em mente que os desvios graves de conduta podem, assim como o bem, gerar acentuadas alterações no destino de determinado espírito. Chega-se, até mesmo, num extremo, a incentivar o desencarne precoce do espírito – antes daquela referida programação aproximada -, a fim de não comprometer, ainda mais, o desenvolvimento – ou melhor, a sua falta – espiritual.
Natural que assim o seja, até mesmo em reforço as considerações que tocam à liberdade do espírito. É que o Pai, sensível que é à necessidade de assistir os Seus filhos, compromete-lhes a liberdade absoluta. Dentro desses balizamentos, permite-se que o espírito voe, com suas asas, mas não por todo o céu. É dar ao canário as asas de canário, e à gaivota as asas’ de gaivota.
Por essa razão é que não soa invasão no status libertatis do espírito a mudança de programação que faz culminar no desencarne antecipado. Embora – reiteramos – a medida seja extrema, ela pode, por vezes, fazer-se necessária. Se o Pai não desampara Seus filhos e, ao cabo, o que pretende é a evolução dos mesmos, clareia-se a possibilidade de redimensionar as suas existências, sem jamais afastar cada um de seu livre-arbítrio e da responsabilidade pelos seus atos.
A mudança que relativiza o destino, tanto não aceitando uma programação pronta e absoluta, como dividindo a existência em micro-pontos de causas e efeitos, fez gerar alterações, não apenas na vida do próprio destino, mas de um incontável número deles.  Isto é, partindo da concepção de Lei de Sociedade, segundo a qual os espíritos apenas evoluem, conjuntamente, a essência de um auxiliando o desenvolvimento alheio sempre que se trate de alterações espirituais, elas envolvem laços com outros espíritos(3)• Se, por exemplo, um espírito desencarna, precocemente, ele deixará de possuir laços materiais futuros com membros da família ou amigos, naquela existência. Mais: na matéria, não colaborará com o desenvolvimento alheio e nem os próximos colaborarão com o seu crescimento(4)• E não é só. Se havia alguma programação aproximada da realização de uma missão com outros espíritos encarnados, esse intento encontrar-se-á, por ora, rompido. Assim, a mudança no destino de um espírito reflete em destinos alheios. E nem se deve dizer que isso somente ocorra em casos extremos, como no exemplo fornecido. Em outras ocasiões mais simples, quando pequenas correções se fazem presentes, reflexos se emitem para outros espíritos, podendo gerar modificações nas escalas alheias.
Evidentemente, dentro dessa compreensão, o espírito que cava o mal, fazendo com que sejam necessárias novas alterações, desde as comezinhas até as extremas, torna-se também responsável. Não que sua conduta prejudique os espíritos alheios, pois isso seria estender a sua responsabilidade pessoal. A espiritualidade dá conta de remanejar o necessário para reacertar os rumos. Mas não se pode olvidar que, no prejuízo causado pelo espírito, soma-se aquele que diz respeito à mudança da perspectiva alheia(5).
E também é natural que assim o seja. Aquele que age com desvios de conduta nunca prejudica apenas a si mesmo, mas também a outros espíritos. E, se assim o faz, é evidente que deve responsabilizar-se por suas condutas. E, embora a espiritualidade seja digna em proporcionar rearranjos necessários, isso não apaga os méritos e os deméritos pessoais.

1- SIMONETTI, Richard. Quem tem medo da morte? 6.ed. Bauru: Gráfica São João, 1988. P.29-30.
2- Ressalta-nos Herminio Miranda: “Nossos erros de hoje serão, fatalmente, as dores de amanhã: o sofrimento que hoje causamos virá, mais cedo ou mais tarde, atingir-nos no mais fundo do nosso ser. Nossas agonias espirituais hão de sempre resultar do nosso atrito com as leis de Deus, do nosso desrespeito à ordem universal divina. A lei não pune nem a dor é castigo. A lei indica o caminho a seguir e a dor redime a consciência inquieta, corrigindo a rota espiritual”. Reencarnação e imortalidade. 1.ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975. p.247.
3 – Ver questão 768 de O Livro dos Espíritos.
4- Ideia semelhante se desenvolve no suicídio.
5- Ainda nos lembra Joanna de Ângelis: “Quando alguém se eleva, com ele se ergue toda a Humanidade. Quando cai é prejuízo na economia moral do planeta”. FRANCO, Divaldo Pereira. Leis morais da vida. 3.ed. Salvador: Alvorada, 1976. p.128.

Emerson Ademir Borges de Oliveira
Escritor frequenta o Centro Espírita Luz e Verdade – Marilia – SP.
emersonboliveira@yahoo.com.br

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A Vida em Outros Mundos

Imortalidade

A vida nos outros mundos

“Na Terra trabalhamos e nos preparamos; o mundo espiritual é o prêmio, nosso verdadeiro lugar, nossa verdadeira vida, o Sol depois da chuva … ”

Rogério Coelho
Escritor e palestrante espírita em Muriaé, MG.
rcoelho47@yahoo.com.br

“Acima da felicidade oferecida pelo gozo dos bens terrenos uma felicidade existe maior e infinitamente duradoura …”
- O Livro dos Espíritos – q. 785

Algumas das comunicações difundidas por Arthur Conan Doyle na obra História do Espiritismo, Cairbar Schutel incluiu em seu livro A Vida no Outro Mundo, da editora “O Clarim”, contendo informações da vida espiritual, exaltando a Imortalidade da Alma. É de se ressaltar que a edição de A Vida no Outro Mundo ocorreu no ano de 1932, portanto bem antes da extraordinária série André Luiz, psicografada pelo não menos singular médium mineiro, Chico Xavier.
Eis alguns informes que julgamos interessante transcrever aos leitores, ainda que parcialmente, para despertar o interesse no conhecimento integral do capítulo e mesmo da obra toda que, conforme declaração do próprio autor no prefácio do livro, diz: “( … ) O meu fim é levar consolação aos aflitos, a fé aos descrentes, a verdade aos que por ela anseiam e trabalham …. Se este livro concorrer para estancar lágrimas de amor pela separação de entes caros, e para a iluminação de cérebros que se consideravam vazios de espiritualidade, eu me darei por satisfeito, com o meu trabalho”.
Eis trechos de comunicação do Espírito Lester Coltman:
“(…) Meu trabalho continua aqui como se iniciou na Terra, ou seja, no terreno científico. Para progredir em meus estudos, visito frequentemente um laboratório, onde encontro facilidades tão completas como extraordinárias para a realização de experiências. Tenho casa própria, verdadeiramente bela, com uma grande biblioteca, na qual existe toda a classe de livros de consulta: históricos, científicos, de Medicina, e de todos os gêneros da Literatura. (. . .) Tenho uma sala de música com toda a sorte de instrumentos. Tenho quadros de rara beleza e móveis de gosto apurado… ”
E continua com a naturalidade de sua descrição: “(…) Atualmente vivo só, mas recebo com frequência a visita de amigos; também os visito em suas casas, e, se alguma vez me sucede sobrevir ligeira tristeza, vou, então, visitar aqueles a quem mais eu quis na Terra…” .
Em outra transcrição de Doyle, o autor destaca: “Eu me ocupo de música com as crianças e de outras tantas coisas. Mas trabalho muito mais do que na velha Terra. Aqui não há quem suscite disputas e isto contribui para que a felicidade seja maior e mais completa…”.
Indagado sobre sua moradia, o Espírito respondeu: “É encantadora… Jamais vi na Terra o que se lhe possa igualar. E quantas flores! Por toda parte variedade extraordinária e de várias cores. E seus perfumes são maravilhosos!”.
E concluindo o capítulo, Cairbar apresenta outra notável informação: “Por amor de Deus, sacudi e despertai essa gente que não quer crer! O mundo precisa saber o que existe aqui. Se eu, na Terra, soubesse o que me esperava aqui, a minha vida teria sido muito diversa. Aqui não há lutas nem maldades. Interesso-me por muitas coisas de caráter humano, sobretudo pela regeneração e progresso do mundo terreno…”.
Indagado sobre o local onde estava e sobre o alimento que se utilizava, o Espírito informou: “É muito difícil explicar devido às condições que aqui imperam. Eu me acho num lugar onde queria estar, o melhor que eu podia desejar…”.
E sobre o alimento: “Não se parece em coisa alguma com o vosso: é muito mais agradável e delicado. Tudo o que constitui frutos raros, essências deliciosas e outras coisas desconhecidas na Terra”.
E conclui, o Espírito comunicante, com esta bela frase: “Grandes surpresas vos esperam, todas belas e nobres, doces e radiantes … A vida na Terra é unicamente um preparativo para estas esferas. Sem esse preparativo eu não teria podido entrar neste mundo glorioso e admirável. Na Terra trabalhamos e nos preparamos; este mundo é o prêmio, nosso verdadeiro lugar, nossa verdadeira vida, o Sol depois da chuva!”
E Cairbar fecha o capítulo, enaltecendo a importância de que as notícias sobre a Imortalidade possam correr o mundo, pois conforme raciociona, “só assim o homem trabalhará pelo seu futuro”.
De nossa parte, espíritas da atualidade, possamos trabalhar com afinco o próprio aprimoramento interior e o amor ao próximo para fazermos jus a tais abençoados locais da pátria espiritual, ou seja, nas “muitas moradas da Casa do Pai”, como afirmou Jesus, “onde nos prepararia lugar, para estarmos junto d’Ele”.
É tão flagrante e extraordinária a diferença entre os dois planos da vida que impossível é para nossa vã imaginação querer estabelece-la e vislumbrar a realidade existente nas “muitas moradas”. Só vendo! … E um dia veremos, afinal para isso fomos criados: para a felicidade imarcescível.

1 • Artigo feito com base em dados coletados da RIE de Novembro de 2004 – página 516.

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Ação e Reação – causa e efeito.

Ação e Reação, causa e efeitos

Diz a terceira lei de Newton que toda ação provoca uma reação de igual intensidade, mesma direção e em sentido contrário. É a conhecida Lei de Ação e Reação. Por outro lado, a Doutrina Espírita mostra-nos que, como espíritos, gozamos de livre-arbítrio, que nos dá a liberdade de agir, conforme nossas convicções e desejos. Entretanto, os compromissos assumidos trarão consequências imediatas ou futuras. É a Lei de Causa e Efeito.
As dúvidas surgidas, quanto à interpretação das duas leis, fazem-nos perguntar: essas leis são sinônimas?; se são, por que são?; se não são, qual é a implicação direta e/ou indireta de se pensar que essas leis são iguais?; qual é a relação entre essas duas leis? São dúvidas que buscam ser esclarecidas em Lei de Causa e Efeito x Lei de Ação e Reação. Ressaltando a importância do estudo para a correta compreensão dos ensinamentos espíritas, o autor esclarece-nos que “(…) tais leis têm um princípio semelhante; entretanto, são leis diferentes. A semelhança entre essas leis baseia-se no fundamento de que, para cada ação, existirá uma reação; i.e., para cada causa, tem-se um efeito. Esse fundamento é algo lógico, para tudo na vida; entretanto, as maneiras como a Lei de Causa e Efeito e a Lei de Ação e Reação se processam são completamente diferentes”. E prossegue: “(…) nós não devemos tentar ‘adivinhar’ as possíveis causas dos efeitos, sobretudo, quando as circunstâncias são completamente desconhecidas e, em especial, se o conhecimento dessas causas não nos adicionará algo de importante para a nossa evolução. Por exemplo, nós não devemos conjecturar as causas que geraram as atuais situações (i.e., efeitos) as quais nossos irmãos estão a vivenciar. De outra maneira, estaríamos a julgá-los, e isso seria contra os ensinamentos do nosso Mestre Jesus (…).
O estudo atento das obras da codificação dá-nos a oportunidade de melhor compreender a Lei de Causa e Efeitos e os obstáculos enfrentados em nossa existência. Olhando para trás, analisando e refletindo acerca dos erros cometidos e conscientes de que somos os únicos responsáveis pelas dificuldades pelas quais passamos e, também, os únicos que podem atenuá-las, através das boas ações.
Que no ano que se inicia, possamos colocar, em nosso “planejamento”, o desejo de que tudo se realize, de maneira que os valores espirituais estejam acima dos materiais, e, assim, as consequências da Lei de Causa e Efeito sejam mais brandas em nossas vidas.

Revista O Clarin

Conceituação

Lei de Causa e Efeito x Lei de Ação e Reação

A compreensão da Lei de Causa e Efeito pode nos ajudar a tomarmos decisões sábias e evoluirmos de forma mais eficiente.

Por Rodrigo Machado Tavares
Rodrigo.machado@capita.co.uk

Todos nós vivemos neste universo infinito, criado por Deus, o nosso Pai. Consequentemente, tudo e todos estão sujeitos às Leis de Deus (ou como ainda falam alguns: às leis da natureza). Essa verdade é muito bem explicada pelos ensinamentos espíritas, particularmente, através dos seguintes livros da Codificação Espírita (i.e., o Pentateuco Espírita), a saber; O Livro dos Espíritos (Livro Primeiro – das Causas) e A Gênese (Capítulo II).
Uma dessas “leis naturais” é a conhecida Lei de Ação e Reação, a famosa terceira lei de Newton. Tal lei nos ensina que: para toda força aplicada de um objeto para outro objeto, existirá outra força de mesmo módulo, mesma direção e sentido oposto. Em outras palavras, a Lei de Ação e Reação nos diz que, para cada ação, existirá uma reação oposta e de mesma intensidade. É oportuno salientar que as Leis de Newton são somente aplicáveis para os movimentos nos quais as velocidades dos objetos/corpos em deslocamento são bem menores do que a velocidade da luz. Por essa razão, a Física Quântica e a Teoria da Relatividade estão sendo usadas para a compreensão dos movimentos de objetos/corpos nos mundos microcósmico e macrocósmico. Em resumo, a própria lei de ação e reação não é adequada para descrever certos fenômenos, na esfera material dentro do planeta Terra.
Um outra lei natural é a Lei de Causa e Efeito, a qual não foi descoberta, mas revelada para todos nós, de fora verossímil, através da Doutrina Espírita, no século XIX. Essa lei é bem discutida nos livros da Codificação Espírita, sobretudo nos seguintes livros: O Livro dos Espíritos, O Evangelho Segundo o Espiritismo e O Céu e o Inferno. O conhecimento da Lei de Causa e Efeito é bastante importante para que possamos compreender o amor de Deus. Em verdade, o entendimento claro e racional dessa lei tem o potencial de fazer com que nós ajamos em concordância com o Amor. Em outras palavras, a compreensão da Lei de Causa e Efeito pode nos ajudar a tomarmos decisões sábias, em nossas existências, e, consequentemente, a evoluirmos de forma mais eficiente.
Considerando, portanto, essas duas leis e suas “similaridades”, é comum escutarmos frases, como estas: A Lei de Causa e Efeito é a mesma coisa que a Lei de Ação e Reação, aquela lei de Isaac Newton. Para falar a verdade, a Lei de Causa e Efeito é um exemplo prático da Lei de Ação e Reação, pois nada é por acaso. Baseados nisso, podemos nos perguntar: i) essas leis são sinônimas? ii) se são, por que são? iii) se não são, qual é a implicação direta e/ou indireta de que se pensar que essas leis são iguais? iv) qual é a relação entre essas duas leis?
Esses tipos de questionamentos podem ser bastante comuns, especialmente quando se está começando a estudar os ensinamentos do Espiritismo. Tenho isso em mente, nós devemos sempre relembrar o que o Espírito Verdade nos disse: Espíritas, amai-vos, eis o primeiro ensinamento. Instruí-vos, eis o segundo. É interessante observar que o Espírito Verdade incluiu um segundo mandamento: a instrução, que claramente não é mais importante que o Amor, contudo deve também ser um objetivo de todos nós, espíritas.
Sir Isaac Newton publicou o seu trabalho sobre as Leis do Movimento, em 1687. Já a ideia sobre a Lei de Causa e Efeito nos foi dada no século XIX, com o advento do Espiritismo. Dessa forma, é razoável pensarmos que a maioria de nós é (ou era) possivelmente mais familiarizada com a Lei de Ação e Reação do que com a Lei de Causa e Efeito. Isso pode ser afirmado, levando-se em consideração que todos nós somos seres imortais e, sendo assim, já ouvimos falar e aprendemos sobre a Lei de Ação e Reação muito mais do que sobre a Lei de Causa e Efeito.
Sendo assim, poderíamos dizer que o entendimento da Lei de Causa e Efeito e algo razoavelmente novo, aqui na Terra. Além do mais, o seu conceito e ainda “restrito”, ou melhor, mais e melhor difundido entre nós, espíritas. Seguindo essa linha de pensamento, muitos de nós, quando iniciamos nossos estudos espíritas, muito possivelmente, ao aprendermos novos conceitos (incluindo a Lei de Causa e Efeito), fazemos comparações, analogias, associações, etc., a fim de que possamos tê-los mais claros, em nossas mentes. Por exemplo, é muito comum, durante o processo de aprendizagem, usar um objeto de comparação, para poder explicar o objeto de estudo.
Seguindo esse pensamento, o objeto de estudo é a Lei de Causa e Efeito, e o objeto de comparação é a Lei de Ação e Reação. Apesar da associação entre essas duas leis ser feita durante a aprendizagem, não é correto dizer que as mesmas sejam as mesmas leis. Ao dizer que essas duas leis são a mesma coisa, estamos a assumir que o objeto de estudo é a mesma coisa que o objeto de comparação e vice-versa. Tal afirmativa pode nos levar a perceber a sentença “nada é por acaso”, de forma incorreta. Como consequência disso, existe uma possibilidade de se criar uma “teoria de fatalismo divino”, a qual não tem nada a ver com os ensinamentos espíritas. É recomendável a leitura do Capítulo 10 (Lei de Liberdade), de O Livro dos Espíritos.
Por essa razão, é correto afirmar que a Lei de Causa e Efeito não é a Lei de Ação e Reação. Claramente, tais leis têm um princípio semelhante: entretanto são leis diferentes. A semelhança entre essas leis se baseia no fundamento de que, para cada ação, existirá uma reação; i.e., para cada causa, tem-se um efeito. Esse fundamento é algo lógico, para tudo na vida; entretanto, as maneiras como a Lei de Causa e Efeito e a Lei de Ação e Reação se processam são completamente diferente. A tabela abaixo resume as principais diferenças entre essas duas leis.
Como é possível observar, as duas leis são completamente diferentes. Sendo assim, nós devemos estar cientes disso. Isso é oportuno de ser dito, porque nada é por acaso, mas cada caso é um caso.
Seguindo, então, essa lógica, nós não devemos tentar “adivinhar” as possíveis causas dos efeitos, sobretudo, quando as circunstâncias são completamente desconhecidas e, em especial, se o conhecimento dessas causas não nos adicionará algo de importante para a nossa evolução. Por exemplo, nós não devemos conjecturar as causas eu geraram as atuais situações (i.e., efeitos) as quais nossos irmãos estão a vivenciar. De outra maneira, estaríamos a julgá-los, e isso seria contra os ensinamentos do nosso Mestre Jesus (Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados – Lucas 6,37). Nós não devemos – nem tampouco nos punir – através dos sentimentos de culpa pelas decisões menos sábias as quais tomamos e/ou pelos “sofrimentos” pelos quais passamos. Contudo, devemos, sim, evitar cometer os mesmos erros do passado, buscando sempre refletir, antes de quaisquer de nossas ações (o que inclui também os nossos pensamentos). Nós não devemos “culpar” Deus, nem o governo, nem nossos familiares ou amigos pelos nossos erros ou “sofrimentos”, em nossas atuais existências. Se agirmos assim, estamos, de forma indireta, afirmando que a Lei de Causa e Efeitos é a mesma coisa que a Lei de Ação e Reação. E, ao afirmarmos que tais leis são a mesma coisa, é promover, de forma inconsciente, a doutrina ilógica do fatalismo.
Em resumo, responsabilidade é a palavra-chave. Nós devemos usar o nosso livre-arbítrio de forma sábia, o que significa dizer: amando a nós mesmos e amando o nosso próximo. Essa é a forma de se amar a Deus, tão bem demonstrada por Jesus, aqui na Terra, e, agora, tão bem explicada pelo espiritismo.

Nota da Editora: Esta matéria foi publicada, em inglês, na The Spiritis Magazine (TSM). (http://www.thespiritistmagazine.com).
O autor, em Londres, Inglaterra, participa do Sir Willian Crookes Spiritist Society.

LEI DE AÇÃO E REAÇÃO    LEI DE CAUSA E EFEITOS

Natureza    Binária    Não-binária
Característica    Lei física    Lei Moral (lei não física)
Processo    Não-complexo    Complexo
Aplicabilidade    Corpos/objetos dentro de certas condições, no mundo matéria, no planeta Terra.    Relações intrapessoais e interpessoais, em ambos os mundos, material espiritual, não só na Terra, como possivelmente no Universo como um todo.
Dependência do Tempo    Imediata    Variável
Fatores de dependência    Limitada    Muitos

Revista Internacional de Espiritismo – janeiro de 2011

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Inversão do Sexo – Causas e Conseqüências

COMPORTAMENTO

Inversão do Sexo – Causas e Consequências

O sexo, respeitados os seus reais objetivos, é válvula propulsora do crescimento espiritual

O sexo, como tudo que existe na vida, é dádiva divina em favor da própria vida. Respeitados o seus reais objetivos, é válvula propulsora do crescimento espiritual. Porém, quando mal utilizado, poderá transformar-se em instrumento gerador de incontáveis males.
Na condição evolutiva que caracteriza o nosso planeta, o sexo mantém forte vinculação com o prazer, tornando-se importante atrativo entre os seres. Essa atração é, em verdade, uma estratégia da natureza, para que se cumpra a perpetuação da espécie.
No entanto, o espírito imaturo que ainda não compreende o verdadeiro objetivo do sexo, transforma-o em uma fonte exclusiva de prazer. Comporta-se como um sedento que tenta aplacar a sede com a água do mar – enche o estômago, mas não se sente saciado. Aderindo a essa inversão de valor (aceitação do prazer em detrimento da oportunidade de evoluir), ele se desequilibra, sofre e causa sofrimento, requerendo providências educativas indispensáveis ao seu re-equilíbrio.
Entre as providências mais comuns, relatadas através da literatura espírita, está aquela em que o espírito retorna ao palco da vida corpórea, experimentando a inversão sexual. Essa condição especial, para a grande maioria, é geradora de imensos conflitos, pois se sente portadora de um arcabouço físico inadequado ao arcabouço psicológico.
Sem sombra de dúvida, a invigilância, associada às influências impetuosas do erotismo, torna essa experiência uma condição fronteiriça ao homossexualismo, principalmente, quando o espírito submetido a essa experiência sofre as influências negativas do meio ou de obsessões. No entanto, não se pode generalizar com afirmativas, como as que abaixo destacamos, e que apenas refletem a ignorância sobre o assunto:
a)    A inversão sexual é a causa do homossexualismo.
Inadmissível a quem realmente estuda a Doutrina Espírita fazer essa afirmativa. O espírito, em si, não tem sexo; apenas de acordo com a experiência a que se propõe ou que lhe é imposta (pode ser provacional ou expiratória), a bem de sua evolução espiritual, poderá reencarnar em um corpo masculino ou feminino. Quando o espírito vem de repetidas experiências no mesmo sexo, seu arcabouço psicológico mantém as impressões peculiares desse sexo, diferindo, assim, da estrutura física, após a mudança (inversão do sexo); essa condição é conhecida como transexualismo.
Conheçamos a opinião de Dr. Bezerra de Menezes a respeito:
“[...] temos o transexualismo, que empurrado pelos impulsos incontrolados do eu espiritual perturbado em si mesmo ou pelos fatores externos, pode marchar para o homossexualismo, caindo em desvios patológicos, expressivos e dolorosos…” (*)
Percebe-se, com esse oportuno esclarecimento da espiritualidade, que a inversão sexual por si só não representa um fator determinante ao homessexualismo; no entanto, a falta de controle dos impulsos do passado e a busca do prazer intensificam os desejos que o espírito não se esforça para controlar. São as tradicionais tentações, às quais Tiago fez referência: “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.” (**)
As influências exteriores apenas despertam os vícios e desejos que o espírito tem dentro de si; não tem uma ação determinística, pois a decisão é do espírito.
b)    A inversão sexual é uma expiação; todos os que passam por essa experiência comprometeram-se com a sexualidade no passado.
Nesse caso, também não podemos generalizar. É verdade que, para o espírito que transformou o sexo em instrumento de prazer, gerando sofrimento e dor nos outros, possa ser necessária uma encarnação compulsória, através da inversão sexual; mas são frequentes, também, casos de espíritos que a solicitam, com o objetivo de adquirir experiências específicas do outro sexo. Normalmente são espíritos que já atingiram um nível evolutivo acima da media, não sofrem os anseios da lubricidade e, consequentemente, essa encarnação não lhes oferece o risco de se tornarem nomessexuais.
Mais uma vez, apresentamos o esclarecimento do Dr. Bezerra de Menezes:
“Quando são conseguidos resultados positivos numa expressão do sexo, pode-se avançar, repetindo-se a forma até que, para diferente faixa de aprendizagem, o Espírito tenta o outro gênero. No momento da mudança, em razão dos fortes atavismos e das continuadas realizações, pode-se ocorrer que a estrutura psicológica difira da organização fisiológica, sem qualquer risco para o aprendiz, porquanto à segurança de comportamento e nenhum desvio da libido por ausência de matrizes psíquicas decorrentes da degeneração imposta aos hábitos anteriores.” (*)
Ante o exposto, podemos concluir sobre a ignorância de algumas pessoas a respeito do assunto, quando confundem transexualismo com homossexualismo, ou afirmam que a inversão sexual é sempre uma expiação de espíritos com comprometimentos na área do sexo.

Revista Internacional de Espiritismo /janeiro de 2011.
F. Altamir da Cunha
Altamir.cunha@bol.com.br

(*) – Loucura e Obsessão, p.70 e 73, FEB – Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Manoel P. de Miranda.
(**) – Tiago 1:14.

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Preto Velho – Um Toque de Sabedoria

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Toques_do_Preto_Velho

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