A Vida Além da Sepultura.

A VIDA ALÉM DA SEPULTURA
Ramatís por Ercílio Maes
Ed. Do Conhecimento

Recortes para estudos da Obsessão pelo espírito Ramatís

Pg. 320 à 336

PERGUNTA: – Como nos informastes que os espíritos devotados às tarefas de desobsessão devem conhecer satisfatoriamente os segredos da psicologia humana, perguntamos: não basta o conhecimento técnico do perispírito para se dispensar a necessidade de pesquisa do fator psicológico?

RAMATÍS: – Se até os próprios espíritos malfeitores, do  Astral inferior, criam cursos de psicologia humana para se tornarem exímios identificadores das vulnerabilidades dos encanados, seria bastante incoerente que os benfeitores espirituais desprezassem tal recurso, optando só pela técnica e pelo cientificismo das relações do perispírito com o corpo físico. Trata-se de apurado e valioso estudo, imprescindível ao trabalho desobsessivo, para melhor se apurarem os sintomas psicológicos negativos, afins às manifestações da preguiça, cupidez, vaidade, orgulho, avareza, luxúria, ciúme, crueldade ou hipocrisia, que  ainda se conjugam perigosamente ao cabedal de vícios, que completa a escravidão do ser humano ao pelourinho de sua  própria desgraça.
Servindo-se desse potencial de forças negativas do homem encarnado, os perseguidores das sombras operam com êxito e formam elos favoráveis para servir de algemas lançadas do mundo invisível sobre o mundo carnal. Normalmente, o homem obsidiado é a criatura que amplia os seus defeitos ou um vício de origem que já dormitava potencialmente na sua intimidade, psíquica e que eclode voluptuosamente sob o convite e desejos subvertidos do comando mefistofélico dos espíritos obsessores.
O vocábulo “obsidiado” encerra uma definição de sentido mais amplo, pois também define que já se encontra dominado por um desejo veemente, uma idéia fixa, ou é vítima de impulsos violentos e incontroláveis. O estado obsessivo pode ser proveniente da angústia implacável do homem para obter a todo custo um cargo público, um posto de destaque nas esferas sociais ou artísticas, da cupidez insofreável pelo prestígio político, a cegueira pela fortuna fácil ou a escravidão a uma paixão indomável. O desgoverno psíquico, a teimosia incessante para se possuir algo a qualquer preço, também cria o estado obsessi¬vo, diferindo apenas da obsessão espiritual pelo fato de que são os objetos, as ambições ou as sensações mundanas ou desagra¬dáveis que então são tomadas como entidades obsessoras, até que, por fim, se forma o alicerce tão desejado para a eficiente e solerte investida dos perseguidores e gozadores das sombras.

PERGUNTA: – Poderíeis nos dar algum esclarecimento mais  objetivo do assunto?

RAMATÍS: Que é o fumante inveterado senão o obsi¬diado pelo fumo, o alcoólatra pelo álcool e o transviado pelos entorpecentes? Há mulheres que exaurem as rendas copiosas, dos seus esposos para o culto exagerado e obsidiante do luxo e da vaidade pessoal; certos homens extinguem a própria fortuna obsidiados pelo amor-próprio ou pelo desejo de ganhar alguma ação judicial impetrada por qualquer banalidade ofensiva às suas convicções de honra e tradição de família. Criaturas fortes, sadias e libertas de preocupações aceitam o jugo obsessivo da preguiça, esquecidas de empreender movimentos que dinami¬zem a alma no socorro à infelicidade alheia; homens sensuais, cercam-se de bens, mas colocam a fortuna à disposição do prazer genésico, esquecidos de que, se só atendem às exigências do corpo, atrofiam a vitalidade psíquica.
Que é tudo isso, senão várias formas de auto-obsessão, que oferecem ótimos ensejos para que os malfeitores das trevas ope¬rem com êxito sobre infelizes que já perderam a sua liberdade e passam a viver algemados às suas próprias criações mentais fascinantes.

PERGUNTA: – Não poderia ser dispensado, nos cursos de desobsessão mantidos no Espaço, aquele estudo psicológico que  dizeis ser tão necessário aos espíritos que os freqüentam, considerando-se que todos eles devem ser capazes de ler os pensamentos dos obsidiados e obsessores, conforme no-la informam certas obras de excelente origem mediúnica?

RAMATÍS: – Se assim fosse, também não haveria necessidade de que os espíritos diabólicos, das sombras, frequentassem sem cursos de psicologia humana para rebuscar as válvulas das debilidades espirituais das futuras vítimas de suas torpezas e  vampirismos. Inúmeras contradições e sutilidades psíquicas, que escapam à percepção do espírito encarnado, os astutos das  trevas conseguem explorar tão sorrateiramente, que só depois da sua desencarnação é que se consegue avaliar com indizível espanto o seu trabalho. Trata-se de estados íntimos tão dissimulados no recesso do psiquismo humano, que somente não os ignora o homem dotado de profundo senso de autocrítica espiritual muito aguçada.
O homem terreno, pela sua grande ignorância espiriritual, ainda é muito influenciado pelo meio em que habita e ao qual se apega com excessivo prejuízo para sua futura libertação. Ele vive no cenário da Terra algo hipnotizado pelos seus interesses egocêntricos e paixões violentas; encarcera-se nas grades das prisões econômicas para cercar-se de bens que terá de abandonar à beira do túmulo, ao mesmo tempo que fica algemado ao sentimentalismo que o liga egoisticamente à parentela consangüínea. Raras criaturas se decidem pelo reino do Cristo, tentando se libertar das formas do mundo material e reconhecer que a verdadeira família é constituída por toda a humanidade.
E, como o homem terreno ainda possui em sua estrutura psíquica fragmentos de todos os vícios e vulnerabilidades perigosas provindas da sua herança animal, fragilmente reprimidas pelas leis sociais, toma-se um débil instrumento que, habilmente te explorado, pode materializar na Crosta a vontade pervertida dos espíritos inferiores.

PERGUNTA: – Que idéia poderíamos fazer desses cursos de psicologia humana freqüentados pelos espíritos das sombras?

RAMATÍS: – Os comandos das trevas realizam estudos minuciosos sobre as tendências prejudiciais humanas, pesquisando as vontades fracas e procurando os escravos dos preconceitos e convenções mundanas, para depois vampirizá-los em sua vitalidade psíquica. Muitas vezes eles organizam cuidadosos relatórios das prováveis vítimas a serem obsidiadas, examinando todas as suas reações nos campos de sua manifestação física e natureza moral de suas reflexões inferiores. Assim não lhes custa muito descobrir um desejo mais vigoroso ou imprudente, que possa servir como um “detonador psíquico” procu¬rado para a concretização dos seus objetivos sombrios. Esse desejo muitas vezes palpita como um ideal oculto no âmago da futura vítima, podendo ser uma ansiedade permanente por algum objetivo de auto-exaltação perigosa na esfera social, polí¬tica ou no comando na vida, disfarçando talvez uma vaidade exuberante ou um orgulho implacável.
É algo persistente que domina pouco a pouco a criatura e supera todos os demais desejos e objetivos acidentais; desen¬volve-se sub-repticiamente, à revelia do seu próprio portador. Quantos tiranos, caudilhos, magnatas desonestos e vultos atrabiliários da história viram-se alçados rapidamente às posições mais perigosas ou prestigiosas do mundo, apenas porque descobriram a sua força e o seu desejo vigoroso oculto no subjeti¬vismo da alma e os atiçaram à medida que se formava o clima eletivo para a sua eclosão definitiva.

PERGUNTA: – De que modo atuam os obsessores à pro¬cura desse desejo fundamental em cada criatura vítima de sua atenção malévola?

RAMATÍS: – Os magos das sombras procuram conhecer o tipo do predominante desejo de cada criatura e a probabilida¬de de lhes servir como ponto de apoio para suas maquinações diabólicas ou desforras cruéis; examinam e distinguem, pouco a pouco, todos os pensamentos que inconscientemente podem ser produzidos por esse desejo oculto e ainda ignorado da pró¬pria vítima. Auscultam-na por meio de todos os seus empreen¬dimentos e relações, assim como lhe proporcionam toda sorte de oportunidades e contatos com outras criaturas que possam atuar na mesma faixa vibratória e superexcitar aquele desejo oculto, até conseguirem a sua eclosão no mundo exterior.
A vítima vai despertando lentamente ao tomar conhecimen¬to objetivo de sua excitação íntima que, embora vaga, é uma força condutora tentando orientar-lhe os passos para algum ideal, realização ou programa absolutamente afim à sua índo¬le. Muitas vezes o passado influi vigorosamente na fixação do “desejo central”, pois ainda vive na intimidade do indivíduo o eco das glórias faustosas, a força ardente das paixões calorosas ou então um certo gozo, que é um prolongamento da prepotência e do comando tirânico de outrora sobre os homens. Quando o espírito já alimenta propósitos melhores na atual existência, mas ainda é alvo do interesse das sombras – para que não repila com veemência o seu “desejo central”, que pode se chocar com a moral já condicionada aos seus projetos – os obsessores buscam enfraquecer-lhe as defesas, criando ensejos de gozos e facilidades, que de início não passam de atrações algo inofensivas e, quando muito, leves pecadinhos comuns a toda a humanidade.
E assim armam perigosa equação do seu senso psicológico comum, abrindo-lhe brechas cada vez maiores e que a criatura subestima porque a sutileza e capacidade do invisível não a deixam aquilatar a proporção de prejuízo ético e o aviltamento moral que pesa sobre os seus hipnotizados. É o caso de certas criaturas que iniciam inocente jogatina no lar, sem interesse utilitarista ou intenção subversiva, mas gradativamente se condicionam ao vício, sem se aperceber disso. De um simples “passa tempo” inofensivo e enquadrado na moral das criaturas, nasce a paixão viciosa pela ilusão das cartas, que pouco a pouco lhes rouba o senso do comando consciente e produz a superexcitação da febre do jogo, capaz de levá-las aos piores desatinos. Mas a queda pode ser de modo tão milimétrico e despercebido, que as vítimas da paixão do jogo não avaliam a metragem que já percorreram na descida de um abismo que já as separou da ética moral que lhes servia de garantia espiritual e sensata no mundo. Muitas ainda se zangam se alguém as adverte do extremismo perigoso em que já podem se encontrar, corroborando o velho ditado de que”o pior cego é o que não quer ver”.
Igual processo se efetua, sob a direção dos espíritos malfei¬tores, sobre aquele que eles pretendem fascinar para conseguir as suas realizações diabólicas; ativam-lhe o “desejo central” inferior, que identificam no âmago do encarnado, dando-lhe força e excitando-lhe a imaginação, num processo gradativo e incessante, que muito lembra a marcha progressiva da hipnose. Então esse “desejo central” vai aflorando à consciência desper¬ta da vítima, pintando-lhe quadros de realizações agradáveis e possibilidades grandiosas e avivando-lhe o campo emotivo sob perigoso narcisismo, até que o trabalho das trevas consi¬ga alimentar no terreno da alma a grande paixão oculta, que será doravante o motivo da fanática sedução. Essa paixão será então o “centro hipnótico” ou o “ponto hipnótico” maligno, que absorverá toda a atenção do obsidiado e, enquanto isso, os obsessores se apossam do seu sistema nervoso e coordenam o seu campo intuitivo, para então levá-lo a servir-lhes de instru¬mento vivo de suas maquinações perigosas. Em verdade, os tre¬vosos nada mais fazem do que explorar qualquer paixão, vício ou capciosidade oculta da criatura, que na forma de “desejo central” predominante seja o mais indicado para o cultivo na forma de paixão incontrolável.

PERGUNTA: – Em face da complexidade do assunto, rogamos-vos mais alguns esclarecimentos sobre a natureza desse “desejo central”, que serve de base tão sólida para o êxito das obsessões. Poderíeis atender-nos?

RAMATÍS: – Esse desejo corresponde a uma força pas¬sional oculta, de forte exaltação psíquica, resultante de todas as energias conseqüentes da experimentação rnilenária da cons¬ciência. É conquista que funde num só campo de forças tudo o que a alma experimentou e absorveu no trato energético com o mundo exterior. Figura no âmago da consciência como sua fina¬lidade mais importante, que supera todos os demais desejos e ações que não vibram com esse “desejo central”. Mas ele tanto pode ser o fruto de más raízes, que a consciência espiritual lançou para o fundo do seu psiquismo, como pode ser também um oceano de energias represadas que, ao romperem as suas comportas, podem acender as mais sublimes luzes messiânicas a favor da humanidade.
No subjetivismo do ser, esse desejo vai fazendo a sua investida lenta, mas tenaz, porque não é força estável, mas sim energia inquieta à procura de expansão e domínio. Em alguns seres, a sua eclosão pode cessar quando atingidas as bordas da vaidade pessoal em conseqüência de posses econômicas ou posições sociais comuns à vida epicurística, quiçá no orgulho pessoal dos cargos e gloríolas políticas, embora sem grandes expansões notórias. Em outros, porém, é força perigosa que, ao eclodir, transforma as instituições clássicas do mundo e subver¬te as leis tradicionais, impondo programas tirânicos, o fausto, ou a rapinagem que sacrificam o gênero humano.
Mas na alma superior, o “desejo central”, embora ainda indefinido, expande-se como um potencial de reservas abençoadas e produz as grandes renúncias e os iluminados guias da humanidade, Francisco de Assis, quando sentiu aflorar a força íntima do seu “desejo central”, consumiu-se no desempenho do serviço amoroso aos infelizes; Jesus, dominado pelo mesmo impulso oculto, transformou-se num vibrante instrumento vivo de heroísmo e amor, cujo potencial energético exsudou-se em torno da cruz do martírio, a favor da felicidade do homem. O “desejo central” desses sublimes seres recebeu o alento das hie¬rarquias angélicas, enquanto que, nos grandes tiranos ou flage¬los da humanidade, o alento partiu do poder das trevas.

PERGUNTA: – Ser-vos-ia possível dar-nos alguns exemplo objetivos do que dizeis?

RAMATÍS: – Quais seriam os “desejos centrais”, que palpitavam no âmago do modesto jornalista chamado Benito Mussolini e do apagado ajudante de cozinha denominado Adolf Hitler, quando ainda não passavam de criaturas desconhecidas do mundo. Embora ainda ignorassem, no seu subjetivismo, a existência de um “desejo central” predominante sobre os demais desejos e manifestações menores da alma, indiscutivelmente esse desejo era o de conquistar o mundo! E isso se’ comprova facilmente, pois, assim que se formou neles o clima psicológico favorável à sua eclosão, foi justamente o “desejo central” de conquista e domínio do mundo que os obsidiou definitivamente. Os espíritos diabólicos que procuravam almas simpáticas, a fim de levar à guerra o mundo terreno e mantê-lo submisso às suas influências, fazendo dele um campo subver¬sivo para a sua nutrição desregrada, anotaram, protegeram e estimularam o perigoso “desejo central” de Hitler, Mussolini e outros, conseguindo transformar essas criaturas em turbulen¬tos instrumentos da última hecatombe mundial.
É provável que, durante a sua mocidade, os planos de pre¬potência desses homens não fossem além da invasão da proprie¬dade do vizinho, coisa já identificável no seu “desejo central”, mas os gênios das sombras puderam ampliar a área de ação desses súditos simpáticos, conseguindo lançá-los à estratégia e à rapinagem sobre as terras dos países vizinhos. À medida que os espíritos malfeitores iam criando neles o clima favorável para a preponderância do seu “desejo central”, também solapavam a sua resistência moral condicionada no mundo, até poderem cegá-los pela sua paixão de conquista, tornando-se êmulos dos grandes assaltantes da História. Feito isso, foi-lhes fácil extinguir todos os seus últimos escrúpulos, pois em breve invertiam os conceitos do Direito humano e das leis pacíficas, substituindo-os por uma legislação à base de canhões e bom¬bas homicidas.
E quando a força oculta, que lhes modelava todos os gestos e planos, veio completamente à tona, rompendo todas as barreiras de ética e bondade, o modesto cabo do exército alemão se transformou em “Fuhrer” e o inquieto jornalista se
travestiu de “Duce”. Na realidade, era o próprio “desejo cen¬tral” que adquiria personalidade e viera se manifestar à luz do ambiente material. Os comandos das sombras puderam exultar pela sua astuciosa realização e pelo êxito infernal, pois, exumado o “desejo central” subversivo daqueles marionetes vivos, puderam produzir a brecha inicial e dar vazão à enxurrada sangrenta, que também passou a ser alimentada por outras almas vibrando em simpatia com as Trevas. Alcançados os fins de morte, desespero, miséria e luto, os “chefes negros” do Além abandonaram os seus tolos “médiuns” belicosos à mercê da jus¬tiça da Lei do Carma, tirando-lhes todo o apoio e deixando-os morrer estúpida e ingloriamente, na colheita dos resultados do seu próprio “desejo central” pervertido.
Há muito tempo, o “desejo central”, despertado violenta¬mente num jovem militar da Macedônia, transformou -o em Ale¬xandre Magno; posteriormente, retomando o mesmo espírito à matéria o “desejo central” ainda o conduziu à figura de Cesar, outro grande general; enfim, pela última vez, reeditou-o como Napoleão Bonaparte, para que se pudesse erigir na Terra um império de vaidade humana. No entanto, esse mesmo “desejo central”, operando de maneira inversa, primeiramente edificou Samuel, o profeta puro; retomando, também, o mesmo espírito à Terra, plasmou-se na figura suave de João Evangelista, que mais uma vez voltou a iluminar a superfície do orbe como Fran¬cisco de Assis que, invadindo os corações humanos, também erigiu um império, porém de amor e de glórias espirituais.

PERGUNTA: – Poderíeis nos explicar, mais objetivamen¬te, o que se compreende por um “centro hipnótico” ou “ponto hipnótico”, ao qual tendes aludido, alhures, como sendo a base principal do êxito para o mais fácil comando dos obses¬sores sobre os obsidiados?

RAMATÍS: – Verificamos que vos equivocais na pergunta, pois não é o “centro hipnótico” que serve fundamentalmente ao obsessor para comandar as suas vítimas. O obsessor aproveita a ocasião em que sua vítima cria um “centro hipnótico”, fican¬do, por isso, hipnotizada pela vaidade, por um perigoso vício, uma tentação ou pecado, deixando campo aberto para ser obsidiada facilmente e, então, trata o obsessor de agir, não no “centro hipnótico” que ela criar, mas sim no espírito da vítima escolhida.
É como se uma mulher se postasse por longo tempo à jane¬la de sua casa, entretida em palestra com alguém ou com as futi¬lidades da rua, e os gatos, penetrando na cozinha, roubassem os peixinhos que ela ia preparar para o jantar…
Na hipnose comum, o hipnotizador procura conduzir o “sujet” a fixar toda a sua atenção num objeto, num ponto, num acontecimento ou mesmo numa evocação subjetiva, pro¬curando distraí-lo ao máximo, a fim de poder criar o “ponto hipnótico” ou mesmo o “centro hipnótico” que deve se tomar o tema convergente da mente do hipnotizado. Pouco a pouco, o paciente se entrega ao sono hipnótico, influenciado pela inces¬sante sugestão do seu hipnotizador ou por qualquer odor carac¬terístico, ruído, monótono ou música sonolenta, ou mesmo por se submeter voluntariamente à sua ação e vontade.
O hipnotizador algema-lhe a consciência objetiva e a segrega no cárcere construído pela incisiva sugestão mental, mas deixa em liberdade o comando motor e psíquico das ativi¬dades subconscientes do corpo, que reside na zona instintiva sediada na região cerebral. Então se apossa da região proviso-riamente desabitada, do seu “sujet”, a qual Freud classificou habilmente como sendo o “porão da individualidade”. Por meio dessa região submissa, atua a vontade do hipnotizador que, então, desata o seu mecanismo “psicofísico”, produzindo-se os fenômenos térmicos, as reações instintivas, os choros e risos, à simples mudança de novas sugestões mentais, cenas estas muito comuns nos teatros terrenos e que servem para estupefa¬ção do público ainda ignorante da realidade espiritual. Como todos os acontecimentos ocorridos com a criatura, no pretérito, encontram-se normalmente registrados em sua “memória eté¬rica”, constituindo a bagagem do passado, os hipnotizadores conseguem que se reproduzam as rixas, os prazeres e as atitu¬des e reações emotivas que seus pacientes tiveram na infância longínqua e que, reproduzidos em um corpo adulto, tomam-se caricaturas ridículas que divertem o público festivo.
No entanto, assim que o paciente desperta o seu espírito retoma a posse da região do “córtex cerebral” motor, na zona intermediária do cérebro, ajusta-se ao comando dos seus centros ‘sensoriais e se focaliza outra vez na habitual figura comum ao meio presente. Na verdade, o seu espírito não se afastou do comando cerebral; apenas” distraiu -se”, atraído pelo seu        “centro hipnótico”, tal qual a mulher do nosso exemplo que, por se dis¬trair demais à janela, não notou o roubo na cozinha… Eis a fun¬ção importante do “centro hipnótico” ou “ponto hipnótico”, que serve para distrair e desviar a atenção do dono do corpo físico, enquanto o hipnotizador serve-se, à vontade, do equipo neuroce¬rebral com o seu cortejo passado e os automatismos instintivos.

PERGUNTA: – Poderíeis, agora, nos explicar de que modo é criado esse “centro hipnótico” pelos hipnotizadores
da Terra, dominando completamente o “sujet” nas experiên¬cias de hipnotismo?

RAMATÍS: – Não vos esqueçais de que, à maneira de um médico especialista, estamos apenas dando exemplos de como os espíritos obsessores, além de comandar a operação obsessora, exploram os pacientes por meio de seus conhecimentos psicológicos.
Entretanto, para satisfazer ao vosso desejo, lembramo-vos de que alguns hipnotizadores, promovendo certa intimidade com os seus pacientes, procuram criar neles o “ponto hipnóti¬co” para em seguida fazê-los dormir, incentivando-os a isso por meio de qualquer ponto vulnerável do gosto ou preferência dos mesmos. Enquanto alguns pacientes adormecem facilmente sob a execução de sua melodia predileta, outros entontecem pela descrição viva de cenas agradáveis, pela fixarão mental de uma estrela, de uma rosa ou de um ponto, brilhante no recinto. Durante o sono hipnótico, alguns pacientes são convencidos pelos seus hipnotizadores, por exemplo, de que, sempre que em estado de vigília ouvirem a voz que os comanda, devem cair imediatamente em transe ou adormecer. Entre os hipnólogos essa técnica é conhecida como a “chave hipnótica” ou a cria¬ção de um clichê mental que fecha as portas do consciente do paciente, que assim cai em hipnose em qualquer local e a qual¬quer momento, logo em seguida ao ser pronunciada a palavra combinada e dentro de um prazo determinado.
Os odontólogos que se dedicam à hipnodontologia costu¬mam combinar essas chaves com seus pacientes mais sensíveis e as renovam intermitentemente, a fim de se evitarem gastos de tempo e de energia psíquica, que seriam precisos para recomeçar, cada vez, a hipnose destinada ao tratamento dentário. Basta isso para que, depois, eles adormeçam instantaneamente, quando se encontram sob o tratamento combinado.
Isto exposto, não vos será difícil perceber qual o processo de obsessão empregado pelos espíritos maquiavélicos do Além, pois é bastante para isso que crieis a hipótese de que um hip¬notizador terreno fosse um obsessor interessado em fascinar um cliente por meio de um “ponto hipnótico” previamente explorado.

PERGUNTA: – E quais os fatores mais comuns que os obsessores descobrem para produzir esse “ponto hipnótico”, que então lhes assegura o êxito nas obsessões?

RAMATIS: – Pelo seu profundo conhecimento das mazelas humanas, os espíritos obsessores, quando conscientes, logram focalizar o “desejo central” oculto na alma da vítima e que já expusemos com certos detalhes. Certas vezes, esse “dese¬jo central” pode se originar de um “reflexo-suicida” de vida pas-sada, com uma base emotiva de desespero, quase sempre não trazendo à tona nem o fato nem o motivo do gesto tresloucado do passado, que podia ter sido orgulho recalcado, o amor-pró¬prio, a excessiva avareza, a luxúria, a cobiça ou o remorso. Mesmo uma forte disposição para o vício, ou um estímulo psíquico desregrado, que se mantenha, a custo, soterrado sob a censura da consciência, serve de pretexto fundamental para os obsessores criarem a oportunidade favorável para a constitui¬ção de um “ponto hipnótico” no indivíduo.
No psiquismo do ser humano, há quase sempre um “tema fundamental” predominante e que, sendo vulnerável às suges¬tões mefistofélicas do Além, pode servir de motivo básico para se formar esse “centro” ou “ponto hipnótico” necessário ao êxito da obsessão. É por isso que comumente se diz que os nossos maiores adversários estão no seio de nossa alma e devem ser combatidos em nossa própria intimidade, pois, na verdade, as nossas mazelas e vícios são os alicerces perigosos em que os malfeitores desencarnados se firmam para impor-nos o coman¬do obsessivo. Desde muitíssimos anos, a voz amiga do Além adverte o homem de que o segredo de sua segurança espiritual ainda provém do “conhece-te a ti mesmo”.
Os obsessores se dedicam maquiavelicamente a explorar esse “desejo central” predominante, quase sempre ignorado do seu portador e, se a vítima não tiver consciência exata de sua situação, ou desprezar a fiel observância do Evangelho de Cris¬to, é certo que não tardará a se submeter ao comando e aos desejos torpes do Astral inferior. Assim como o hipnotizador encarnado consegue criar o desejado “ponto hipnótico” no seu paciente, o obsessor procura transportar para a consciência em vigília, do encarnado, o seu “desejo fundamental”, que tanto pode ser uma incontida vaidade, um grande orgulho ou desejo de comando despótico como também uma represada luxúria, sensualismo ou mesmo a propensão para os entorpecentes ou o alcoolismo.
O obsidiado, ignorante dos verdadeiros objetivos do obses¬sor, mas responsável pelo descontrole de suas emoções e pensa¬mentos, é conduzido docilmente à criação de um “centro hipnó¬tico” ou de fascinação, que pouco a pouco constitui sua atração psíquica, tornando-se um “clichê mental” ou a “idéia fixa”. Logo isso se transforma em vigorosa força comandando-lhe a zona cerebral, onde se localiza a sua bagagem subconsciente e o controle dos instintos animais do pretérito; sorrateiramente os gênios das trevas impõem-se através daquela “distração” fixa, passando a comandar o sistema nervoso e a excitar cada vez mais as emoções e os desejos de sua vítima.
A criatura é obsidiada porque se distraiu com a sedução que constitui o seu “ponto hipnótico”; afrouxa então a vigi¬lância em torno de sua habitação carnal, porque está voltada exclusivamente para um objeto que a domina emotivamente. Isto sucedido, os espíritos daninhos procuram favorecer os desejos da criatura e as suas realizações perigosas, prolongan¬do o transe sedutor, com o que se firma cada vez mais o “ponto hipnótico”, que lhes permitirá maior acesso ao equipo físico da vítima.

PERGUNTA: – Poderíeis nos dar alguns exemplos con¬cretos de outras hipnoses das quais se aproveitam os obsessores?

RAMATÍS: – Muitos artistas, escritores, líderes, despor¬tistas, taumaturgos ou crianças prodígios, que já conseguiram visível destaque no mundo material, se deixam às vezes fasci¬nar tão perigosamente pelo seu sucesso ou pelas suas glórias súbitas, que tombam de seus pedestais de barro, vítimas de sua própria vaidade, que é habilmente explorada pelos espíritos do Astral inferior .
Alguns pregadores religiosos arvorados em missionários ou salvadores da humanidade, doutrinadores entusiastas, críticos sisudos do labor do próximo e médiuns de brilhante fenomenologia por vezes se perdem, dominados pela vaidade ou orgulho, porque lhes falta o abençoado senso crítico do “conhece-te a ti mesmo”. Fecham os ouvidos às mais sensatas advertências que recebem e passam a cometer as maiores estul¬tices, como se fossem manifestações de genialidade espiritual. Então enclausuram-se na sua vaidade e autofascinam-se con¬victos de sua paradoxal modéstia, mas ignorando que o velho “desejo central” delituoso, do passado, pode estar eclodindo lentamente, explorado pela astúcia e capacidade das trevas. Chega o momento em que não tardam em se abater, desmoro¬nados pelas próprias forças destruidoras que aliciaram em si mesmos, ficando então relegados à obscuridade e ao anonima¬to.
Em verdade, essas criaturas deixam-se iludir pela presun¬ção de serem almas de alta estirpe espiritual, incapazes de se equivocarem e permanentemente atuadas pelas hierarquias superiores; isso, em breve, torna-se excelente fator para aflorar a sua vaidade e o potencial de orgulho adormecido no recôn¬dito do ser, com a inevitável convergência para um “centro de fascinação”, ideal para a operação das sombras. Muitas vezes a vaidade grita tão alto a essas criaturas, que elas tomam o maquiavelismo dos obsessores como sendo grandes surtos de revelação espiritual. Então, não tardam em pregar o ridículo à conta de sabedoria, os lugares comuns como preceitos doutriná¬rios, e transformam a irascibilidade ou os envaidecimentos ínti¬mos em posturas messiânicas; “distraem-se” com suas próprias fascinações, enquanto do invisível lhes guiam os pensamentos e as emoções. Enquanto cultivam fanaticamente o seu “desejo central” e se desorientam refesteladas no trono de sua vaida¬de presunçosa, são como fortalezas inexpugnáveis e hostis a qualquer advertência benfeitora; a cegueira hipnótica leva-as gradativamente ao ridículo, à decepção e ao equívoco, maquia¬velicamente planejados pelas trevas.

PERGUNTA: – Guardamos a crença de que não deve ser tão fácil a intervenção dos obsessores sobre os encarnados, em face das grandes diferenças vibratórias que existem entre o plano material e o Astral; não é assim?

RAMATIS: – Evidentemente, há grande dificuldade para os desencarnados exercerem o seu comando sobre os encarnados, mas não quando são estes que dão lugar a isso e ainda auxiliam muitíssimo o trabalho dos obsessores e, paradoxalmente, desfavorecem a proteção e a assistência dos espíritos benfeitores, porque se cercam de fluidos perniciosos, que atraem pela sua proverbial indiferença para com os ensina¬mentos evangélicos. Em conseqüência, dificultam grandemente os serviço de socorro e a orientação superior que ainda se faça possível graças ao heroísmo e sacrifício dos abnegados “guias” e tradicionais “anjos de guarda”.
E à medida que os encarnados mais se rebaixam pelos seus desatinos emotivos e desregramentos mentais, pondo-se em contato mais íntimo e perigoroso com as faixas vibratórias do Astral inferior, é óbvio que também aumenta o império das sombras sobre a Terra. Impedindo a sanidade psíquica, que limpa a aura humana e capta as vibrações das freqüências e inspirações mais altas, a degradação humana transforma-se jus- tamente em alimento que consolida a “ponte vital” repugnante e permite aos malfeitores desencarnados atuarem na margem da vida física e estimularem toda sorte de vilezas e prelimina¬res para o trabalho obsessivo.

PERGUNTA: – Essa hipnose e perseguição sistemática, que os espíritos malfeitores exercem sobre os encarnados, circunscreve-se unicamente a desforras ou vinganças contra adversá¬rios do passado, ou inclui outros objetivos subversivos?

RAMATIS: – As almas trevosas, além de cruéis e vinga¬tivas, vivem cheias de desejos inferiores carnais que ficaram impedidas de satisfazer pela morte corporal. Acresce que as condições vibratórias sutilíssimas, do Mundo Astral, acentuam as sensações do perispírito, que é a sede dos desejos da alma; então esses desejos ainda recrudescem e se tornam mais violen¬tos, sem poder se saciar por intermédio do corpo físico destruí¬do, ao qual estavam condicionados. O alcoólatra, por exemplo, tem a mente conturbada pelo desejo insofreável que vibra no seu perispírito, mas, quando na posse do corpo carnal, sacia-se em parte, pelas reações físicas produzidas pelo corrosivo e que depois repercutem no Mundo Astral dos desejos. No entanto, quando perde o corpo de carne, em verdade desmantela o seu alambique vivo, pois que, desencarnado, se vê obrigado a ser¬vir-se do corpo de um vivo na matéria para que este absorva a maior quantidade possível de álcool e lhe garanta a satisfação mórbida de poder aspirar a substância astral volatizada pelo corrosivo e exsudada pela aura.
Este é um dos motivos pelos quais os espíritos desregra¬dos despendem tenazes esforços para conseguir os necessários “canecos vivos”, que na Terra lhes possam transferir e volatizar a maior quantidade possível de bebidas alcoólicas, destinadas a acalmar-lhes a insaciabilidade viciosa superexcitada no Mundo Astral. E eis por que os desencarnados do Astral inferior não se cingem exclusivamente a desforras contra os seus desafetos encarnados, mas, depois de vingados, ainda envidam todos os esforços para conduzir as suas próprias vítimas a se tornarem intermediárias dos seus nefandos vícios e desejos torpes que trazem da matéria. Esses infelizes espíritos, constituindo-se na forma de verdadeiras agremiações delituosas, auxiliam-se mutua¬mente nas suas empreitadas vingativas, trabalhando em equipes que atuam ardilosamente sobre os encarnados, a fim de transfor¬má-los em “repastos vivos” de suas insaciabilidades viciosas.
Ficam profundamente furiosos e aumentam o seu ódio contra as estirpes angélicas quando percebem que, pela liquidação cármica ou proteção superior, as suas vítimas estão sendo ampa¬radas no campo vibratório do seu perispírito e imunizadas con¬tra a ação deletéria do Mundo Astral inferior. Irrita-os a idéia de que mais um “prato vivo” lhes fuja vibratoriamente da ação indigna, muitas vezes depois de ter-lhes custado imenso traba¬lho para confeccioná-lo a contento de sua voracidade satânica. Daí o fato de preferirem desenvolver, em suas operações obsessi¬vas sobre os encarnados, os desejos e vícios latentes do passado, que mais facilmente os fascinem. A vingança, quase sempre, é o pretexto com que mais tentam justificar suas ações sombrias do mundo trevoso, mas, em verdade, o que mais lhes interessa é o culto dos objetivos torpes e a busca das satisfações viciosas, que ainda os acicatam como fogo ardente e inconsumível.

PERGUNTA: – Sempre nos pareceu que o corpo físico deveria ser uma espécie de anteparo ou escafandro protetor contra as investidas das trevas. Reconhecemos que os obses¬sores operam pela via interna do nosso espírito, mas é claro que nós poderíamos dominar com facilidade o nosso corpo físico, em lugar de atender às solertes infiltrações que podem nos conduzir à obsessão. Qual o motivo dessa grande facilida¬de com que os malfeitores desencarnados dominam grande parte dos encarnados?

RAMATÍS: – É preciso não esquecerdes que, entre o vosso espírito e o corpo físico, interpõe-se o perispírito, que é o verdadeiro veículo ou elo das relações boas ou más a que vos entregais com o mundo invisível. O domínio do corpo físi¬co não se exerce por uma ação energética produto exclusivo da matéria, nem ele é uma entidade estranha, controlada por processo especial e isolado do vosso pensamento; a carne mate¬rializa em sua configuração todos os atributos e conquistas milenárias não dela, mas do perispírito, que é o sobrevivente absoluto de todas as transformações físicas.
O perispírito é um conjunto de natureza vital poderosís¬sima e de intensa atividade no seu plano eletivo do Mundo Astral, sendo organização levíssima e de tão assombrosa elasti¬cidade, que reage imediatamente à mais sutil cogitação mental do espírito, motivo por que é extraordinariamente influenciável pela natureza dos pensamentos bons ou maus das entidades desencarnadas. Durante a encarnação, o perispírito “desce” vibratoriamente, a fim de aglutinar a matéria carnal do mundo físico, mas sempre o faz com sua poderosa influência magnética e com o seu psiquismo elaborado nos milênios findos; a seguir, então, submete-se às leis da vida física e sofre a ação das tendências hereditárias do corpo de carne, malgrado os seus princípios milenários. O organismo físico, apesar dos seus ascendentes biológicos, que parecem dar-lhe uma autonomia toda especial e um valor exclusivo em sua linhagem hereditária carnal, é apenas o revelador objetivo da alma à luz do ambiente do mundo material.
No período de gestação do corpo carnal, o perispírito reca¬pitula rapidamente todas as lições já vividas na escalonada animal, e que lhe foram proporcionados nos vários contatos anteriores com o mundo material para, em seguida, servindo-se da nova oportunidade da vida física, poder ampliar e consoli¬dar as suas próprias realizações anteriores.
Embora creais que o “biombo de carne” deva se tornar um protetor poderoso contra as tentativas obsessivas dos malfeito¬res desencarnados convém refletirdes que o comando do vosso espírito sobre a carne também não se faz diretamente pelo cére¬bro físico, mas sim através do cérebro do perispírito, que é a sua matriz etéreo-astral, o maravilhoso aparelhamento que se asse¬melha a poderosa e divina usina a serviço da vida superior.
O cérebro perispiritual é o valioso órgão responsável pelo pensamento humano, desempenhando as admiráveis funções de transmissor da vontade e da inteligência da alma, como um produtor de ondas, luzes e energias de todos os matizes, fazen¬do cintilar as suas altíssimas emissões desde o encéfalo até as forças e os elementos que se agrupam na região dos lobos frontais, que será o campo avançado das atividades do homem do futuro. O corpo físico, embora servindo, como dizeis, de escafandro ou de muralha de carne protetora do espírito, é no mundo exterior o agente e o reagente dos fenômenos provindos das relações do espírito com o meio-ambiente. E o seu verda¬deiro domínio, obviamente, se processa no seu mundo interno e através do controle delicadíssimo do perispírito.
O verdadeiro controle do organismo de carne, portanto, é processado por via interna, através do perispírito, isto é, exata¬mente onde tanto podem atuar os espíritos benfeitores como os malfeitores, isso dependendo, sem dúvida, da natureza elevada ou inferior de vossas simpatias psíquicas.

PERGUNTA: – Embora já nos tenhais atendido, dando-nos algumas noções sobre o perispírito e sua estrutura, poderíeis nos dar alguns outros esclarecimentos sobre o mesmo assunto?

RAMATIS: – A semelhança do que se dá com os transmissores e receptores de ondas do vosso mundo, só é possível a sintonia superior entre o cérebro material e o perispiritual quando ambos funcionam sob a mesma freqüência de ondas e se enquadram fielmente na mesma faixa de alta vibração espiritual. Quando as correntes espirituais fluem livremente pela recíproca realização do serviço do bem entre encarnados e desencarnados, sois imensamente favorecidos, pois, graças à esse benéfico intercâmbio espiritual, tanto se eleva o vosso potencial criador, sob a direção das hierarquias angélicas, como estas não deixam que fique lesado o admirável patrimô¬nio do perispírito.
No entanto, desde que vos entregueis às funções desre¬gradas da vida animal inferior, o vosso cérebro perispiritual melhor se parecerá a uma ponte a ligar as duas margens lodo¬sas, a da vida física e a do Astral inferior. Então se dá a troca de energias deletérias e lesivas a ambos os patrimônios, o psí¬quico e o físico.
O corpo físico que, na matéria, significa o prolongamento vivo do perispírito, é acionado através da sensibilidade do seu sistema nervoso, reagindo imediatamente sob qualquer ação emotiva violenta ou produção de substâncias mentais benéfi¬cas ou nocivas, por cujo motivo o mau uso que a alma fizer do cérebro perispiritual também o amoldará às energias opressi¬vas do Astral inferior. Deste modo, os obsessores encontram o seu campo eletivo e favorável para intervir no delicado equipo perispiritual humano, avivando as paixões e os desregramentos mentais, que assim produzem as sombras favoráveis às ope¬rações obsessivas. No entanto, eles se vêem tolhidos em seus propósitos diabólicos quando se defrontam com um perispírito alimentado pelas energias de alto potencial angélico, pois estas, na forma de luzes brilhantes, dissolvem todas as sombras e pro¬dutos repulsivos aderidos ao seu delicado tecido imortal.
O perispírito é patrimônio admirável e produto de indes¬critíveis labores e adaptações efetuadas na esteira do tempo, que o ritmo divino e criador desenvolveu desde o reino mineral até à forma ereta do homem, por cujo motivo guarda em sua intimidade gloriosa a síntese de todos os eventos da própria evolução da natureza. Servindo-se da substância energética e vital do magnetismo da Terra, pouco a pouco a Sabedoria Divi¬na orientou-o sob inteligente automatismo para que pudesse organizar-se desde as escalas mais primitivas e transitórias, consolidando-se desde o impulso e irritabilidade, sensação e instinto, até à conquista da razão humana, a caminho da cons¬ciência angélica. Em conseqüência, é o mais valioso veículo que o homem tanto pode usar para o bem como para o mal, enquan¬to o corpo físico significa apenas o agente e o reagente, que o represa na carga e ação no ambiente físico, como um reflexo carnal provisório e não um anteparo absoluto.

FIM.

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