DEIXE-ME VIVER – LUIZ SÉRGIO
Por Irene Pacheco Machado
1ª Edição 1992
NOTA: Aqui podemos ver através do livro Deixa-me Viver, cuja matéria é das mais ricas no tema aborto, o medo dos espíritos em voltar em mais uma tentativa de nascimento junto aos pais que os sacrificaram nas mesas de cirurgias, arrancado-os do útero materno e o Vale da Revolta para onde vai os médicos abortadores e todos os seus ajudantes.
Fato interessante se pode ver em nossos atendimentos desobsessivos onde consulentes escondem e não anotam na ficha o aborto feito. Umas por achar que não tem importância nenhuma abortar; outras por vergonha, ou por não se lembrar mais do ocorrido, pois o mesmo não tinha nenhum significado para ela. Mas, nossa percepção durante o andamento do trabalho, nos leva a descobrir que, em meio aquela situação existiu um aborto, ou é visto, pelas médiuns videntes, o espírito que ainda se mantém em estado espiritual, agarrado ao útero materno em completa simbiose. Também já encontramos caso difícil de aborto espontaneamente provocado pela rejeição inconsciente da mãe, por saber que terão que conviver na vida presente com um inimigo ferrenho do passado como filho, ou, às vezes, pelo próprio espírito que não quer vir passar por um carma pesado dentro daquela família.
Noutros casos, vemos o espírito grudado no duplo etérico daquela que seria sua mãe, que por força da repercussão vibratória, sua ira começa a atuar na consciência da imprudente que passa a se sentir mal.
A maioria dos abortados, voltam-se para o estado de ódio em monodeísmo extremo e se cristalizam mentalmente no estado de vingança podendo levar a mãe ao desencarne quando não para o suicídio. Em desdobramento espiritual notamos também, a aura da consulente em estado deplorável causado pelo desregramento sexual; outras mulheres possuem a tela búdica rompida; atritos e brigas com o marido ou namorado; vida trancada, pois nada dá certo; e muitas vezes com estado de depressão já instalado. Tudo provocado pelo sentimento de culpa inconsciente mais a ação nefasta dos espíritos abortados que muitas vezes se mancomunam com outros no astral inferior, para vingar-se dos pais que o rejeitaram.
Apenas uma vez, tivemos um atendimento de um homem jovem, mas muito enleado com uma ex-namorada, a qual teve que praticar aborto devido à insistência dele. Juntos, em simbiose, ora com a ex-namorada e ora com ele estava o espírito que deveria vir à vida e que se encontrava em lastimável estado vibratório quase levando o consulente ao suicídio, por ser ele mais vulnerável psiquicamente do que a ex-namorada.
O livro Deixa-me Viver, escrito por Irene Pacheco pelo espírito do Luiz Sérgio, é um expoente no assunto. Não existe outro que aborde o tema aborto da forma tão explícita.
Luiz Sérgio em visita ao Hospital dos abortados no Umbral nos deixa ver de forma nua e crua o que acontece com estes espíritos que voltam ao mundo espiritual em lastimável estado após a tentativa de conseguir um corpo para apaziguar o remorso dos erros do passado. Neste estado de remorso existem milhares de espíritos que aceitam qualquer tentativa de ingresso na carne, para que desta forma, apazigúe a mente que o atormente constantemente devido ao remorso dos erros do passado, e após uma tentativa frustrada de entrar no mundo dos “vivos” se voltam raivosos contra aquela que seria a única porta disponível para uma nova encarnação. Muitos espíritos detratores e raivosos até conseguem fazer com que a mãe morra no desfecho do aborto para vingá-la quando esta cobra o sentido no mundo espiritual de forma cruel e horripilante. Por isso, quando temos atendimentos deste tipo em nossa casa Estrela do Oriente, sempre receitamos às mulheres a compra e leitura do referido livro e se possível repassar às amigas, para que elas se cuidem e não cometam o assassinato covarde de um corpo que já tem um hospedeiro para uma nova vida na matéria.
Aborto e suicídio são dois pecados que não tem perdão. Os infratores pagarão na carne o ato insane em futuras encarnações corretivas.
O DIREITO À VIDA
Passeava meu olhos por toda a Colônia, enquanto pensava: “meu Deus, como é possível entender que uma mulher seja capaz de assassinar o próprio filho?” Nisso, fui chamado pela minha nova equipe de trabalho:
- Luiz Sérgio, vamos prosseguir com a visita aos doentes.
Assim o fizemos e chegamos a uma enfermaria. Os bebês eram metade bebê, metade adulto, como me referi antes. Uns urravam, outros choravam, e ainda outros proferiam palavrões; todos muito revoltados. O encarregado daquela enfermaria permitiu que somente os médicos entrassem e estes, quando o fizeram, foram cercados pelas vítimas do aborto. A doutora Kelly indagou:
- Quando eles voltarão à carne?
- Não sabemos. Antes terão que sofrer algumas cirurgias perispirituais e receber tratamento psicológico. Se os irmãos desejarem, podem assistir à luta dos psicólogos espirituais para tratar essas mentes, pois muitos deles relutam em sarar.
- Zeus aproximou-se de Mário e lhe perguntou:
- Que deseja o irmãozinho?
- Quero mamãe, quero papai – respondeu com voz infantil.
Zeus alisou sua cabecinha, dizendo, carinhosamente:
- Recorde, Mário, que Deus, nosso verdadeiro Pai, jamais nos abandonou. Procure tornar-se filho d’Ele e jamais será abandonado.
Mário começou a babar, com a mão dentro da boca. Jogou-se no chão, retorcendo-se e gritando: “mamãe, papai, mamãe, papai…” Da porta, eu e os outros companheiros observávamos a triste cena. Eu fazia força para parecer durão, mas o meu espírito chorava de tristeza por verificar que, enquanto as clínicas abortivas se alastram no Brasil e no mundo, o plano espiritual colhe os lírios e os cura das violências de que são vítimas no plano físico. Ninguém pode imaginar o trabalho da espiritualidade nas colônias que funcionam como verdadeiras clínicas de recuperação. E tudo isso porque o homem e a mulher julgam-se no direito de matar.
Observávamos o martírio dos rejeitados, quando vimos Solange, uma garotinha, ou melhor, um bebê, toda deformada, que gemia baixinho. A médica de serviço, chegando perto, envolveu-a com a luz azul, enquanto ela, suplicante, olhava para todos.
- Hoje vamos submetê-la a mais uma cirurgia. Logo estará curada – falou a doutora para Solange.
O nenê nada disse, mas seu olhar queria indagar: “para que? Para voltar ao plano físico e ser novamente violentada através do aborto?” A médica pareceu compreender Solange.
- Se agora tiver de voltar, será através de uma mulher que mesmo não tendo ligação espiritual com você, irá recebê-la como filhinha querida. Existem, Solange, criaturas boas e mulheres divinas; não tema os encarnados. Existem criaturas maravilhosas, que tudo fazem pelos outros. Pouco são os maus.
Solange submetera-se a longo tratamento perispiritual. Fora sugada pelo aborto, retirada do útero materno aos pedaços e já sofrera, até aquele momento, oito operações, porém recusava-se a apagar de sua casa mental os minutos cruéis do seu assassinato… – Vamos assistir ao filme de Solange, Luiz Sérgio.
Acionado, o projeto nos ofereceu a imagem de um casal em sua vida social: barzinhos, festas, cinemas, teatros, enfim, “aproveitando a vida”, até que surgiu uma gravidez inesperada. E justamente, quando planejavam uma viagem para a Europa. O que fazer com a criança? Não pensaram duas vezes: abortar. Assim, a mãe de Solange deu entrada numa clínica de aborto, pagando alta quantia para se livrar dela. Nem achou caro. Não sabia ela o quanto este dinheiro iria render-lhe de débito. Quantas lágrimas teria de verter para pagar este hediondo crime! Queira Deus que Solange um dia cruze o seu caminho e possa perdoar-lhe. Jamais supusera existissem casais que por um nada matassem seu próprio filho. Acompanhamos, em seguida, o suplício de Solange, recebendo as pancadas de um médico aborteiro. Ninguém pode imaginar esse horror. Só não sofre mais o espírito do abortado, porque Maria de Nazaré e Sua falange de abnegados espíritos divinos fazem guarda nessas clínicas; para socorrer essas vítimas indefesas. No momento em que o espírito está lutando para permanecer no útero, a equipe de Maria tenta tirá-lo, antes do crime, mas muitos deles reagem, por julgar que a mãe ainda vai desistir do seu intento.
Fiquei louco de dó. Solange acreditava que a mãe fosse salvá-la. Corria do aparelho, apavorada, rejeitando o socorro da equipe de Maria. ….
Solange foi esquartejada e jogada em uma lata de lixo. Seu perispírito, todavia, foi socorrido pelos médicos divinos. Ninguém conseguia apagar da mente de Solange a violência sofrida.
- E ainda vão mandá-la de volta a tão sangrento casal? Perguntei ao meu colega.
- Não. Solange sofreu muito e agora entrará em uma outra família. Será adotada no plano espiritual.
- Quê? Explique para mim, não estou compreendendo.
- Mas é fácil compreender: de há muito esta criança espera a boa vontade dos pais, e eles sempre relutando em recebê-la. As voltas dolorosas maltrataram Solange demais. Será selecionado um lar, mesmo sem que ela tenha qualquer vínculo com o casal escolhido, ou seja, dívidas pretéritas. Queira Deus, ela ame como merecem aqueles que, por bondade, irão abrigá-la. O casal em questão não tem filhos e de há muito deixou de se preocupar com essa possibilidade; agora vai receber Solange, uma criança marcada pela ignorância do homem, mas rediviva pela bondade de Deus. Sabemos que os espíritos, unidos pelos sentimentos, formam no espaço grupos e famílias. Solange não pertence ao agrupamento espiritual da família que irá abrigá-la. Os que seriam seus pais longe se encontram de Deus. Sabe que Solange foi mãe do homem que hoje pagou para matá-la? Veja o que faz a matéria, entorpece os sentimentos, e se o homem não se espiritualizar, cada vez mais se distanciará de Deus. …segue… Outro caso lamentável foi o de Fernando. Da cintura para baixo possuía a forma de um bebê e da cintura para cima o formato de um homem. Seu olhar cintilava de ódio. O médico lhe perguntou:
- Você é o Fernando? ele assentiu, com leve movimento de cabeça. Deseja conversar hoje?
- Não, nada quero, somente morrer de vez.
- sabe que isso é impossível. E depois, o plano de Deus espera por você. Terá de voltar à terra e prosseguir viagem.
- Vocês são loucos e sanguinários. Vejam o meu estado! Obedecendo à Espiritualidade Maior, freqüentei todos os cursos para o mergulho em novo corpo e hoje, o que restou de mim? Uma deformação odiosa, pela rejeição de alguém que prometeu acolher-me no seu ventre. Tudo mentira! Nada quero, não acredito em mais nada. O mundo é feito de ódio.
- Fernando, por favor, vamos buscar sua antiga forma, ela está na sua mente, vamos correr para os braços de Jesus e verá que é capaz de fazê-lo. Nada pode tolher seus movimentos, eles lhe pertencem, portanto, a saúde está em você, busque-a agora, queira-a, meu irmão!
- Não posso, não vê que tenho um aleijão? Sou homem e bebê.
- Não, você não é um bebê. Você é que insiste em recordar tão triste fato. Esqueça-o, irmão querido, e busque na sua alma a forma verdadeira do seu corpo de homem. Agora vamos imaginar cada órgão seu e verá surgir o verdadeiro Fernando.
- Não posso, eles me matam! A mesa… os aparelhos… as seringas… a dor, a dor, a dor queima, queima, queima!… Não, não me mate, mãe! Nada lhe fiz de mal, peço-lhe somente: deixe-me nascer!
- Fernando, o seu corpo! Molde-o novamente! Molde-o novamente como você era antes!
- Não posso! O líquido me queima, estou sendo assassinado friamente! O que fiz para vocês, assassinos? Reduzem-me a feto e, agora, covardemente, abusam da minha pequenez e me matam! Por favor, deixe-me nascer, não os perturbei jamais. Abandonem-me depois para que outros me criem, mas não me matem, covardes. Eu não tenho armas para me defender. Um dia terão de pagar por isso e o meu ódio será eterno. Como posso chamá-la de mãe, quando assassina um filho inocente e indefeso? Nem o animal pratica tão cruel assassinato. Bandidos cruéis!
- Dizendo isto, desmaiou.
- Luiz Sérgio, todos os dias tentamos trazer Fernando de novo à realidade, mas ele não esquece o aborto covarde que sofreu.
Fernando foi retirado dali, mas o seus gritos ainda ressoam em meu espírito: “como vocês são cruéis, eu não posso me defender, sou tão pequeno!… Vejam, o que lhes posso fazer de mal? Apenas deixem-me nascer, não se matem, covardes.”
- Meu Deus, que desespero!
- Tem razão, Luiz, esta Colônia é regada pelas lágrimas.
Ao virar-me para ver quem me falava, vi irmã Rosália, a querida irmã das flores, …..
Pg. 27/28… O refeitório estava repleto. Aquelas crianças deformadas pareciam filhos de uma guerra.
- Por que ainda estão assim?
- Cada um guarda na lembrança o cruel momento do aborto. E ainda por muito tempo eles irão sofrer o trauma dolorido da maldade humana. Luiz Sérgio, hoje, no mundo inteiro, o aborto é praticado. São milhões de almas que voltam para o plano espiritual em estado desesperador. Fala-se muito em direitos humanos, mas ninguém levanta a voz para defender a vida de um feto. Eles são ainda tratados, por alguns homens, como uma bola sem vida, desconhecendo que no zigoto já existe vida. Enquanto na terra existir uma clínica de aborto, nela existirão lágrimas e desespero. O homem que defender esse covarde crime sentirá o ranger dos dentes. Ninguém, nenhum ser encarnado possui o corpo físico imortal, e queira Deus não estejam ao lado do túmulo os espinhos plantados pelo seu coração repleto de egoísmo, no dia em que depositar esse corpo na sepultura. Ninguém tem o direito de infringir as leis da natureza e nesta Colônia defrontamos com milhares de espíritos que não puderam reencarnar, porque a ganância de alguns profissionais e o egoísmo de algumas mulheres não o permitiram.
Fitando aqueles espíritos, agradecemos a Deus pelo Seu amor e perdão. Prometemos a Ele lutar pelo direito da vida, pelo direito da mulher com Deus e orar por todos os que, fria e covardemente, assassinam seus próprios filhos.
YURA – SEQÜELAS DA INSENSATEZ
Pg.. 35… À medida que me inteirava das estórias daqueles espíritos, mais me comovia. Como pode o homem ignorar o mundo espiritual, se aqui e ali um adoece, outro desencarna? Mesmo assim a Humanidade está cada vez mais materialista e é esse materialismo que hoje faz aumentar as clínicas do aborto. Muitos fingem ignorá-las, mas elas funcionam e até em lugares respeitados pela sociedade.
Aqui, na Colônia dos Rejeitados, estamos vivendo ao lado das vítimas da liberdade sexual. Na nossa frente, os rejeitados, os filhos assassinados por mulheres que não aprenderam a respeitar a si mesmas.
A enfermeira Loreta, indicando uma garota de dois anos, Yura, que cantava junto à irmã Rosália, disse-me:
- Veja, Sérgio, aquela menina: no momento do desencarne, ou melhor, na hora do aborto, plasmou esse corpo de uma criança de dois anos e aqui se encontra há quatro anos. Por mais que receba tratamento, teima em não crescer e encarnar de novo. Vamos até lá, quero que a conheça.
Ao nos aproximarmos, ela buscou o colo da irmã Rosália, encolhendo-se toda, trêmula de medo e choramingando, assustada.
- Não fique assim, querida, o titio já vai embora, disse-lhe eu.
Alisei seu cabelo e me retirei. Loreta me acompanhou, pedindo desculpas.
- Sabe, Sérgio, vou-lhe contar a vida e a luta de Yura para nascer. Dizem que é da sua última encarnação o nome que hoje usa. Foi mulher lindíssima, quando viveu no plano físico. Desencarnou, mas precisou retornar ao seio da sua antiga família. Aí, iniciou-se a sua tortura. Após longo aprendizado, chegou o momento da volta à carne e com apenas dois meses de vida uterina recebeu violenta carga negativa de repulsa e ódio. Por mais que implorasse que a deixassem viver, sentiu a violência do homem encarnado, infligindo-lhe um dos mais cruéis métodos abortivos: aquele no qual sentiu sobre sua frágil organização, pelo estado de queimação. Desesperada, viu-se tragada por água fervente e, para não sofrer demais, plasmou em sua mente que era uma linda menina de dois anos de idade. O corpo foi jogado fora, mas sua alma foi amparada pela mão sublime de Maria de Nazaré. Outras tentativas reencarnatórias se fizeram e o mesmo fato ocorreu. Abrigada por espíritos abnegados, Yura reluta em voltar à carne e até hoje não se reequilibrou.
- Meu Deus, julgava eu, que a droga fosse a pior coisa do mundo, a assassina cruel dos sonhos e da dignidade humana, mas diante de tantas clínicas abortivas, cheguei à conclusão de que o aborto, diante da droga, é um mal assustador. Ninguém pode imaginar quantos fetos são assassinados diariamente por profissionais inescrupulosos, vidas interrompidas por pessoas gananciosas. Assim como Yura, vários e vários espíritos estão sendo arrancados do útero materno selvagemente e nada se diz, nada se faz; quando se faz é para pedir a liberação desse ato covarde em nossa Pátria. O aborto não só interfere no plano divino como também faz muito mal à mulher e muitas delas já bem cedo sofrem as suas conseqüências. Hoje estamos vendo até adolescentes praticando esse ato tão cruel e desumano: o aborto.
- Você tem razão, Luiz Sérgio, a mulher que interrompe covardemente uma gravidez um dia sofrerá não só com os remorsos, como também por ter violentado o próprio corpo.
- Sem deixar de fitar Yura, agradeci a Deus por todas as grandes almas que cooperam com o seu próximo. Orei também por todos aqueles que egoisticamente só pensam em si mesmos.
Encontrava-me cansado. Fui saindo, contando os meus passos. Meu coração…. segue….. Os aborteiros não podem aquilatar quantos pais, mães, filhos e parentes queridos desencarnados foram por eles impedidos de renascer, atrapalhando assim todo o trabalho do Departamento da Reencarnação.
- Luiz Sérgio!… – chamou-me Hápila.
- Sim, irmão. O que deseja?
- Apenas convidá-lo a descermos, hoje vamos integrar a equipe das encarnações difíceis.
- Difíceis, amigo?
- Sim, dos prováveis rejeitados, pois comumente o abortado é um espírito muito ligado à mãe ou ao pai que hoje despreza. O grupo nos espera no anfiteatro oito; dirijo-me para lá, se o irmão desejar ficar aqui, lá o esperamos.
Olhei o meu novo companheiro, analisando-o: alto, porte atlético, e muito educado. Sorri-lhe, agradecido, mas ainda fiquei na pracinha algum tempo, onde as flores me sorriam, encorajando-me a prosseguir na minha luta evolutiva junto a todos os que sofrem. Quando cheguei, a turma orava para iniciar o trabalho na crista da Terra. Acomodei-me no final do anfiteatro e me senti aliviado com as preces ali proferidas, como se uma nova energia me banhasse o corpo e o espírito. O ambiente era de uma paz tão grande, que pensei: “isto é um pedaço do Céu”. Muitos oravam sentidas preces, cada qual mais bela que a outra, levando-nos às lágrimas. Era o departamento reencarnatório que pedia a todas as mães encarnadas: “deixe-os viver!”.
Pg. 73…
O IMPORTANTE TRABALHO DA DESOBSESSÃO
Demos mais uma chegada ao Centro Espírita e lá, no vaivém dos muitos freqüentadores, percebemos como a Doutrina Espírita é o Consolador prometido por Jesus. Com emoção, presenciamos o tratamento das obsessões, onde legiões de espíritos inferiores eram esclarecidas pelos evangelizadores espirituais. Chegavam vampirizando os doentes, denotando-se nestes o olhar vazio, sem sonhos e realidades. Na observação cuidadosa de um subjugado é que se nota a que ponto chega uma influenciação. Os corpos saem do nível e os trevosos buscam as rodas energéticas e se alimentam através delas. O espírito encarnado vai perdendo as forças e ficando à mercê dos vampiros. Observei os médiuns em trabalho: muito bonita a tarefa desses irmãos. Eles talvez sem imaginem como são protegidos. Notei que os trevosos não conseguiam divisar os médiuns, para segurança dos tarefeiros de Jesus.
Deu entrada no salão o jovem Clarindo, que era levado ao consumo de litros e litros de bebida alcoólica: foi iniciado o tratamento doutrinário, muito mais para os acompanhantes indesejáveis do que para o jovem. Tentavam eles continuar na mesma vida que levavam antes de desencarnar; e, para saciar seus vícios, juntaram-se a Clarindo condenando-o, sem piedade, à destruição.
Relutaram em entrar na câmara de passes, mas já no salão, recebendo fluidos magnéticos tranqüilizadores, meio apatetados, foram-se aproximando dos encarregados do trabalho. Estes não perderam o tempo: ligaram um aparelho no cérebro deles e numa rotação bem alta começaram a aplicar choques energéticos. Um deles, que vamos chamar de Tarcílio, relutou enquanto pôde para não ser tratado, mas com um conhecimento muito grande daquele trabalho, os encarregados foram levando-o até um dos médiuns. Quando Tarcílio tocou nas auras do médium, estas, como se fossem uma garra, o abraçaram e ele foi ficando anestesiado, sendo logo socorrido. Falei a Hápila:
- Fácil este tratamento, não é mesmo?
- Sabe quantos passes esses acompanhantes já tomaram?
- Quantos?
- Vinte. Só agora serão encaminhados para os postos de socorro.
- É mesmo? Isto me faz lembrar de alguém que deseja pegar passarinho: joga a comida dentro da gaiola e deixa aberta a portinha, até que ele resolva entrar.
- É um trabalho repleto de paciência.
O jovem, de cabeça baixa, orava, sentindo-se outro homem e queira Deus ele também ajude a espiritualidade, porque casa mental limpa, corpo são.
- Sérgio, repare bem as fisionomias das pessoas, disse Amintas. O contato com as entidades trevosas vai, pouco a pouco, fazendo-as adquirir as feições desses desencarnados e até assumir suas atividades.
Nisso, entrou no salão uma senhora gritando estridentemente, segurada por alguns irmãos, não só encarnados como desencarnados; ela urrava, mais parecendo bicho. Por mais que buscássemos os seus acompanhantes, não os víamos. Até que conseguiram levá-la à cabine e o encarregado espiritual, utilizando-se de um aparelho, foi localizando no duplo etérico fisionomias retorcidas. Confesso que me assustei. Vou tentar narrar para vocês o que presenciamos.
Em cada roda energética surgiram minúsculas figuras e estas iam-se alongando, deformadas, como quando jogamos uma tinta num papel e esta se espalha. Na roda energética víamos as fisionomias nas fiações, uma gosma que se espalhava disforme. Cada roda energética possui sua cor característica, mas quando subjugada pelos trevosos elas se misturam, e naquela irmã todas as rodas estavam subjugadas. A fisionomia da irmã era de terror. Os passistas usaram o mesmo tratamento. A espiritualidade não dispunha de uma sala especial para atendimento desses casos mais graves. Sugiro aqui que uma Casa que trabalhe com desobsessão tenha uma cabine especial, composta de alguns médiuns videntes respeitados. Quando chegassem irmãos em tal estado de alucinação, deveriam ser encaminhados para esses departamentos, onde a espiritualidade montaria a cabine com aparelhos apropriados, capazes de operar melhor em semelhantes casos. Mesmo assim, aqueles abnegados médiuns deram uma ajuda enorme àquela irmã e ela se acalmou. Perguntei ao encarregado daquele passe:
- Vocês conseguiram tirar alguns daqueles subjugados?
- Ainda não, estes casos são mais demorados. Breve teremos salas especiais e a resposta ao atendimento será mais rápida.
- Que bom. Acredito que quando forem criadas essas cabines especiais os espíritos encarregados da desobsessão terão melhores recursos para curar os doentes.
Gostaria de desenhar…..
… por isso, perguntei à encarregada do trabalho por que a irmã adquiriu tais companhias.
- Luiz Sérgio, ela violou as leis de Deus e, sem piedade, tirou o direito de nascer desses que hoje pedem justiça, colados ao seu corpo.
- O quê, irmã? Esses verdugos são os rejeitados que hoje se vingam da aborteira?
- Sim, Luiz. Ela já está sofrendo antes de desencarnar. O que é muita sorte, pois no corpo físico torna-se mais fácil à cura.
- E nesses casos os socorristas não conseguem dar abrigo aos espíritos rejeitados?
- Não. Muitas vezes os espíritos rejeitam a ajuda e colam-se aos seus assassinos para cobrar deles o direito de viver. Não se esqueça, Luiz Sérgio, de que nem todos os espíritos são bons, também os maus reencarnam. Naquele caso de Marina, o espírito era familiar, de boa índole, e jamais seriam um verdugo. Mas os que vimos agora, estes não se conformam de terem sido retirados sem piedade do ventre materno.
- Meu Deus, por isso….
- Vimos sete irmãos, não é mesmo?
- Não, ali estava alojada uma legião de sofridos.
Observei ainda mais a irmã, que agora conversava, e busquei as fisionomias nas suas rodas energéticas (chakras). Elas, que antes estavam …
Os corpos gelatinosos tinham desaparecido e os espíritos pareciam dormir.
- Mas eles não podem ser retirados?
- Não, ainda é cedo. A irmã só tem quatro meses de tratamento, esperamos que ela se conscientize dos seus erros e ela mesma limpe suas rodas energéticas.
- Mas como, irmão?
- Através de sua reforma íntima. Se a irmã pegar o Evangelho de Jesus e buscar com humildade a renovação interior, ajudada pelos mentores da Casa, terá a cura.
- Se ela não melhorar, também não se livrará dos seus inimigos?
- O amor vence o ódio. No dia em que a irmã descobrir o verdadeiro amor e dedicar sua vida a Deus e ao próximo, tudo se modificará e ela será novamente alguém útil à sociedade. Até lá, sentirá o “ranger dos dentes”. O Centro Espírita fará mil coisas para auxiliar a irmã, ….
Pg. 131…
YVEs, MAIS UMA VITIMA DO MATERIALISMO.
Daquela sala fomos levados a outra, onde alguns irmãos nos esperavam.
A doutora Kelly iniciou a explanação sobre um filme feito pela espiritualidade, retratando o mais recente método abortivo. Doutor Misael acrescentou alguns fatos novos.
Presenciávamos os mais terríveis meios de se interromper uma gravidez.
Ouvíamos, boquiabertos, chegando à conclusão de que o homem aprimora-se cada vez mais para matar sem piedade.
Terminada a reunião, ganhamos a rua e nos dirigimos a uma recém-inaugurada clínica abortiva, equipada com os mais modernos aparelhos. Na sala de espera estava uma jovem, que acabara de chegar, Olhei-a . Deveria ter uns dezesseis anos. Jovem, muito jovem. Parecia muito nervosa. Aproximei-me, tentando entrar em sua casa mental e lhe pedi: “pelo amor de Deus, não mate seu filho, ele é um pedaço do seu corpo físico e o prolongamento do seu espírito”. Ela começou a chorar, pensando mesmo em sair dali e voltar para casa.
Nisso, entrou o namorado: um senhor dos seus quarenta e cinco anos que, carinhosamente, ficou ao seu lado.
- Querido, estou pensando seriamente: será que não seria melhor deixar a criança nascer?
- Está louca, menina? Esquece que tenho família e posição social? E seus pais, como aceitariam um filho nosso, sendo eu um membro da família? Sua irmã não suportaria o golpe.
- Mas nós nos amamos!…
- É, querida, mas o amor não é tudo, principalmente quando temos muitas adversidades para ultrapassar.
Eu continuava intuindo a garota, mas os argumentos do seu namorado foram mais fortes do que os meus. Ele era o príncipe encantado de Isabelle e, o Luiz Sérgio, apenas um trabalhador do Senhor.
Chegou a vez da garota. Com que discrição as coisas ocorriam!… A que estava lá dentro saiu por outra porta e só chegou na ante-sala outra paciente após Isabelle ter entrado. Uma clinica muito sigilosa.
Quando a nossa menina adentrou a sala cirúrgica, o doutor Zeus e a doutora Kelly tentaram ainda sensibilizar o coração do médico, mas ele, materialista ferrenho, só pensava na quantia que iria receber. O ser humano nada representava para aquele homem, que um dia prestou juramento a Deus pela grandeza da sua profissão. Era ali um assassino cruel, muito mais cruel e perigoso que um salteador. Todos nós orávamos quando ele, com sua auxiliar, iniciou o trabalho. Tentamos de tudo, mas as drogas e os aparelhos utilizados pelo clínico, com seu coração repleto de indiferença, foram mais fortes. Pesarosos, assistimos a mais uma tocante cena. O feto se encolhia todo, chegando a chorar. Doutora Kelly, com seu conhecimento tentava protegê-lo, mas o espírito que habitava aquele corpo de criança sofria uma transformação – do medo que sentia, no início do aborto, passou a alimentar um ódio terrível. Por mais que os técnicos tentassem, não conseguiam retirar o reencarnante. O corpo físico foi jogado fora, mas, colado ao útero de Isabelle, permanecia o espírito do abortado. Um processo hemorrágico teve início e dava trabalho, muito trabalho. Como não conseguíamos salvar a criança, tentávamos salvar a jovem. Ela estava muito mal.
Outros médicos da clínica deram entrada na sala, mas quem a salvou foram Kelly, Misael, e Zeus. O cunhado mau caráter encontrava-se desesperado, não pela menina, mas temeroso de um escândalo. Sentia-me nervoso, muito nervoso, só me acalmando quando vi Isabelle fora de perigo. Ela ainda ficou ali algumas horas. Quanto ao espírito, recusava-se a ser reconduzido para a espiritualidade. Era uma inteligência adulta num corpo fetal. Perguntei a Zeus:
- O que vai acontecer com os dois?
- A garota vai ficar muito doente, pois o nosso irmãozinho reluta em abandoná-la, respondeu.
- Mas não podemos forçá-lo?
- Não, não podemos. O que nos é permitido fazer é dar uma assistência aos dois por um período mais longo. Não deixaremos Isabelle, iremos acompanhá-la, tentando retirar o irmãozinho do seu útero …segue… A menina ainda sangrava, mas foi considerada fora de perigo e levada para casa. Eu, Lélis e Misael fomos designados a lhe prestar auxílio…. Tendo colado em seu corpo uma mente perturbada, Isabelle começou a apresentar desequilíbrio emocional, chorando, quebrando tudo, acusando o cunhado. Não esqueçamos que ela só tinha dezesseis anos. Médicos foram chamados, exames pedidos, resultado: um pouco de anemia e cansaço mental. Mas Isabelle piorava cada vez mais. Ouvia a voz do filho lhe dizendo: assassina! assassina! Ela nem mais dormia. Nós três orávamos, enquanto Zeus cuidava do perispírito do abortado e da saúde de Isabelle, mas, no estado em que se encontrava, o tratamento pouco êxito alcançava.
- Já se passara uma semana, quando me propus a intervir da minha maneira. Encostei-me no abortado, que aqui chamarei de Yves, e lhe falei:
- Companheiro, não vê que está perdendo tempo colado em uma matéria que lhe rejeita, quando no mundo espiritual será tratado, amado e resguardado? Não percebe que está perdendo precioso tempo? Nós, hoje, vamos embora e você ficará lutando com esse corpo fetal para permanecer ao lado de sua mãe, quando ela não lhe quer. Dia mais, dia menos, será retirado daí e chorará pelo tempo perdido.
- Não sairei, vou matá-la, como fez comigo!
- Deixe disso, Yves, você é o único prejudicado. Hoje Isabelle está doente, mas logo vai receber tratamento físico e espiritual e ficará boa. Quanto a você, já perdeu um bom tempo.
- Engana-se, ninguém conseguirá tirar-me daqui, vou sugá-la até o último fluido. Sei de vários casos como o meu, em que a mulher nunca mais foi feliz.
- É justo fazer isso? Um crime não justifica outro. Deixe Isabelle e vamos voltar à colônia divina.
- Quando dei por encerrado o diálogo. Yves parecia uma bola, de tão encolhido, e em Isabelle ocorreu outra hemorragia, sendo levada às pressas ao hospital e, mais uma vez, o poder do cunhado abafou o escândalo.
Ficou vários dias internada e nós tentamos ajudá-la, bem como ao Yves. Mas os dois relutavam em receber ajuda. O ódio pelo cunhado era tanto que Isabelle só desejava morrer, dificultando o nosso trabalho. Zeus muito fez por aqueles dois sofridos espíritos. Isabelle morria a cada dia e os mais capacitados médicos não compreendiam o que estava acontecendo. Foi então que Lélis, aproximando-se do útero de Isabelle, começou a fundir-se nele. De pronto percebemos que Yves já não se encontrava no útero de Isabelle e, sim, no útero de Lélis. Zeus aproveitou esse momento para adormecê-lo e, num átimo, Lélis partiu com Zeus, ficando somente eu e Misael, que dava passe em Isabelle. Aquela garota, menina ainda, já vivia tão triste realidade. Misael cuidava de Isabelle, quando o médico encarnado entrou. Que surpresa! A menina estava bem, muito bem. Convidado fui a me retirar…segue…. pg. 135…
Pg. 149.. Íamos agora para outro trabalho, quando doutora Ísis foi chamada para prestar socorro à Marina. Encontramo-la deitada, pálida, ou melhor, cadavérica. Perguntei a Constança, que ali já havia chegado:
- O que aconteceu?
- A irmã está com suspeita de hepatite.
Misael aplicou-lhe passes magnéticos, detendo-se, particularmente, na região do fígado.
- Como contraiu tal enfermidade? Indaguei.
Doutora Kelly respondeu:
- A mulher grávida, além de abrigar o corpo orgânico do espírito reencarnante, dele recebe também as vibrações mentais. A mulher se funde com o espírito do filho. Recordemo-nos das árvores enxertadas, é caso semelhante. Nos nove meses de gestação, a mulher grávida quase perde a personalidade. Muitas vezes os pensamentos são do ser que ela abriga em seu ventre.
- Sim, é uma permuta de sentimentos. Assim como Marina atua na formação do corpo físico de Fabrício, ele também atua no dela e a doença de Marina é proveniente da hepatite de Fabrício, que foi impressa na mente de Marina. Não só os corpos estão ligados; as mentes de ambos também.
A partir desse instante, Ísis iniciou a dispersão mental, para aliviar a doença de Marina. Eu prestava muita atenção ao quadro clínico, quando foi projetada, sobre a mente de Fabrício, a cura da doença que motivou o seu desencarne: a hepatite… segue….
Pude, então, perceber por que muitas mulheres mudam tanto no período da gravidez. É como se elas adquirissem uma dupla personalidade. E feliz da mulher que abrigar em seu ventre uma criança portadora de bons sentimentos! ….
Pg. 165…
NO ASTRAL INFERIOR – O VALE DA REVOLTA
- Sérgio, agora vamos dar uma chegada ao Vale da Revolta, convidou-nos Ísis.
Agradeci e a acompanhei em silêncio. Juntamo-nos aos outros e ganhamos a estrada. À medida que nos aproximávamos do Vale, a vibração ia caindo. Era sufocante. Andávamos com dificuldade. Uma neblina enfeiava a paisagem. O ruído do vento pareceu-me propício para abafar os gritos estridentes. A certa altura, dentro da neblina, apareceu um ponto luminoso. Destacou-se, então, uma pequena cabana, onde frei Quirino nos aguardava. Ele e outros espíritos eram os guardiães do lugar. A pequena casa, toda iluminada, era como uma estrelinha em noite tormentosa. Ficamos por algumas horas …. …. Esta casa é um pequeno hospital.
Andamos ainda mais um pouco, enfrentando uma atmosfera asfixiante. De longe avistamos o Vale. Casas corroídas pelo tempo, praças sem jardins, davam a impressão de uma cidade fantasma ou bombardeada.
Chegamos a passos lentos e só então compreendi por que na casa de frei Quirino, recebemos tratamento de luz, que revestia os nosso perispíritos de uma matéria grosseira, capaz de nos proteger na tarefa que íamos desempenhar. Até os outros companheiros me pareceram estranhos.
Entramos na cidade, ou melhor, na vila. Pelas ruas encontramos mulheres correndo como loucas, com os cabelos em desalinho. Estavam grávidas e víamos o feto como se galopasse dentro de seus ventres. O mau cheiro era terrível e o nosso caminhar muito penoso. Era como se estivéssemos atolados na lama. Aquela cidade parecia gelatinosa.
- Como surgiu este lugar? Indaguei. Não creio que tenha sido obra de Deus!
- Claro que não. Esta cidade é composta de emanações inferiores, portanto, de acordo com os espíritos culposos que aqui se encontram. Saiba, que eles não foram trazidos para cá e, sim, atraídos pela vibração perispiritual de cada um.
… Encontramos um senhor de seus quarenta anos, com o perispírito todo deformado. Mais parecia um cabide de espíritos, tamanha a quantidade de irmãos que nele se grudavam. Completamente dementado, gritava:
- Eu sou o doutor… – deixem-me em paz, seus vampiros sujos!
Assim era aquela vila: morada de mentes perturbadas, cujos perispíritos eram compostos de toxinas, formando uma crosta ácida e viscosa, que os alucinava. Passávamos por eles, mas não éramos percebidos.
Nossa equipe…… …..Quando pude falar, perguntei:
- Este vale é composto só de aborteiros?
- Sim, e de algumas mulheres e homens que, sem piedade, abusaram do direito de possuir um corpo físico.
- Mas é terrível este lugar! Igual a este só o Vale dos Suicidas.
- Tem razão, Sérgio, são os mais tenebrosos lugares do astral inferior, decorrentes dos crimes contra a vida. Os aborteiros são os piores inimigos da vida, cruéis exterminadores dos sonhos daqueles que aspiram a reencarnar.
Calei-me. Meu coração sofria ao presenciar o horror em que vive um aborteiro no mundo espiritual. Bem perto de nós, debatia-se, envolto por dez espíritos obsessores, um aborteiro, que chamei de Célio. Tentamos ajudá-lo, mas sua forma, que não podemos dizer humana, tal a deformação perispiritual, toda gelatinosa, arrastava-se pelo solo negro e viscoso, movendo-se com dificuldade, ainda mais por carregar junto a si seus verdugos, também muitos deles ainda na forma fetal, no ponto da interrupção da gravidez. Em Célio só havia a fisionomia sofredora, o resto do seu corpo não mais possuía forma humana. Destacava-se nele o semblante sofredor. Mais parecia um verme, lutando para se livrar dos seus verdugos, que lhe sugavam sem piedade. Célio me pareceu um enorme feto, tendo a cabeça humana deformada, e, colado nele, as suas vítimas. Assim como Célio, ali estavam vários outros aborteiros que contribuíram não só para retardar o plano de Deus para a reencarnação, como também prejudicaram seus próprios corpos. Falei:
- Quem diria que o grande e famoso médico do passado hoje é uma massa gelatinosa de emanações repugnantes! O seu perispírito deformado é tão indefeso quanto ontem eram as vítimas! – murmurei, perplexo.
Assim, fomos varando aquelas ruas, onde os seres se arrastavam no solo escuro e escorregadio, muitos ainda levando as suas vítimas que não o perdoavam. Olhei para o solo e dei graças a Deus por volitar …. segue…. Enquanto conversávamos, uma ave horrível passou sobre nós, em vôo rasante.
- Que bicho é esse?!… perguntei, assustado.
Zeus respondeu:
- São aves das zonas inferiores.
- Perdoe-me a pergunta, mas nessa ave existe um espírito em evolução, como notamos nas várias espécies dos reinos da natureza?
De Misael veio a resposta:
- Não, não existe. Deus seria injusto se colocasse uma centelha de luz num ser tão horripilante.
- Mas elas são aves…
- Essas aves foram criadas pelas mentes humanas e têm vida curta. Elas são formas-pensamentos, mas que prestam um real serviço a estes espíritos, pois são elas que, para sobreviverem, necessitam absorver as sujeiras dos seus perispíritos. Estas toxinas que causam dores e dificultam os seus movimentos alimentam estas aves, como outras mais. Como vê, elas, mesmo possuindo forma horrível, são úteis a este vale.
- Meu Deus, quanto sofrimento! Até parece o inferno.
- O inferno não existe. Aqui eles recebem auxílio, pois não há penas eternas.
- Irmão, quanto tempo demoram neste sofrimento?
- Só o tempo de drenar os fluidos negativos que aderiram ao perispírito.
- E os técnicos não podem fazer isso para aliviar o sofrimento deles?
- Não. Os técnicos só podem ajudá-los na hora certa, quando eles merecem.
- Coitados! E quando isso ocorrerá?
- Luiz, Deus é bom, tanto é que eles, os gananciosos, cruéis verdugos de anjos, recebem auxílio do Pai, neste vale. Por isso, Sérgio, estamos aqui, para tentar levar alguns para os hospitais.
- Fiquei sem jeito.
- Tem razão, Deus não desampara Seus filhos, nós é que ainda não entendemos Seus desígnios. Notei amigo, que uns estão piores que outros.
- Muitos chegam a um pior aspecto de deformação por praticar maior número de abortos. Célio chegou a fazer cinqüenta por dia.
- Quê? Cinqüenta? É matar demais!
Nisso, avistamos Leocádio. Era uma larva humana e junto a ele vários rostos deformados. Leocádio xingava demais. Era bem visível em sua fisionomia as torturas que sofrera, mas mesmo assim não parava de esbravejar:
- Se preciso for, voltarei a matá-los, a todos, seus fetos imundos! Deixem-me em paz, estou cansado de tê-los junto a mim!
Ísis, aproximando-se de Leocádio, foi chamando pelo nome um por um dos abortados e eles foram desprendendo-se da massa gelatinosa, como quando se joga inseticida numa planta e caem os parasitas. Assim também foram caindo sobre o aparelho que Ísis tinha nas mãos. Ela conseguiu retirar de Leocádio uns vinte espíritos, que Ísis fez adormecer com amor. Leocádio, com voz orgulhosa, falou:
- Obrigado, colega. Agora, ajude-me a voltar a ter um corpo humano. Não sei por que Deus permitiu que esses fetos imundos me atormentassem tanto. Só fiz o que os pais me pediram, nada mais. Sou um profissional, montei uma das melhores clínicas abortivas, na Grande São Paulo, dando todo conforto à gestante. Não acha mais nobre tirarmos as mulheres das mãos das curiosas aborteiras? Na clínica, a mulher recebe toda assistência, o que não acontece em casa de curiosas. Agora, não sei por quê, vejo-me junto a esses fetos malcheirosos. Eu, o doutor Leocádio, eminente médico brasileiro.
- Irmão, como médico, temos por dever lutar pela vida e o irmão, quando escolheu a sua profissão de médico, bem sabia que teria de consagrar o seu trabalho à saúde e ao prolongamento da vida física de seus pacientes. Interromper uma gravidez é extinguir vida humana em sua fase embrionária, é tolher o plano divino, que prepara as almas para cumprir sua etapa no mundo físico.
- Pensei que fosse médica, mas pelo visto é mais uma fanática religiosa.
- Engana-se, irmão, sou uma filha de Deus que se esforça para servir a todos os que de mim precisam.
- Deixemos de conversa e me ajude. Quero só a forma humana.
- Sobre isso eu nada posso fazer, o seu corpo está deformado pelo ódio no seu coração, e ele é o seu cirurgião plástico. Por enquanto, o irmão não tem condição de moldar um novo corpo humano. Até lá, será prisioneiro dessas terríveis deformações perispirituais. Não será Deus, nem seremos nós, os médicos mensageiros, que iremos livrar-lhe dessas lesões espirituais. O seu corpo verdadeiro, o criado por Deus, está latente dentro dessas deformações. Só depende do seu coração ressuscitá-lo.
- Mas eu não suporto mais este sofrimento…
- A quantos espíritos o irmão negou um corpo? Por isso hoje o seu é esta massa gelatinosa, composta de fluidos repugnantes. Se ficar livre do orgulho, os fluidos divinos logo o envolverão.
Ísis afastou-se, levando consigo os espíritos que antes atormentavam Leocádio para que frei Quirino pudesse ajudá-los até a chegada do socorro. Assim, muitos espíritos foram separados dos seus algozes, mas nem por isso se sentiram reconfortados. Pensei que iríamos voltar….
Pg 180
– Irmã, eu só gostaria de saber por que lá no vale existem tantas árvores feias e bichos peçonhentos.
- Graças a eles, naquele lugar ainda se respira. Eles são os filtros das emanações ruins que partem das mentes humanas e de todos os habitantes daquele lugar. Eles trituram os lixos mentais da humanidade.
- Sabe que estou surpreso com esses animais?
- Por quê? Nessas aves do umbral inferior não existe espírito em evolução. Elas foram criadas pelas imperfeições do homem.
- Quer dizer que a mente perturbada cria e alimenta seres monstruosos?
- Não é bem assim, Sérgio.
- Mas que o plano inferior vive das vibrações baixas dos encarnados, isso vive.
- Sim, os motéis, por exemplo, possuem uma aura vermelha que, imantada pela luxúria da perversão, fornece energia aos espíritos que ainda desejam praticar sexo, mesmo já desencarnados. É nesses lugares que buscam forças sexuais lá existentes, para suprir seus desejos desenfreados.
- Obrigado, amiga. Até outro dia, irmãos deste vale – falei, fazendo continência.
Pg. 215…Voltei para junto dos outros, pois teríamos trabalho numa clínica aborteira, onde a especialidade do “doutor” era assassinar fetos de quatro a seis meses de vida uterina. Para lá nos dirigimos.
A clínica ficava num bairro de classe média alta. O “doutor”, muito conceituado pelos seus clientes, sentia-se um deus. Tudo muito limpo. Quem a visitasse, nem poderia imaginar que o “doutor” Argemiro praticava tais crimes levado pela ambição, sem o menor constrangimento. Esperavam-nos vários espíritos, médicos, irmãs de Maria, enfim, diversos trabalhadores do Senhor. Uma bela senhora segurou as mãos de Misael, dizendo:
- Não deixe minha neta fazer o aborto, não deixe!
Misael lhe respondeu:
- Estamos aqui para trabalhar, ore a Deus para que a sua neta tenha consciência do que vai fazer.
Aquela mulher estava transtornada. Era o avô da menina que estava reencarnando e a avó sofria por presenciar o desequilíbrio daquela que tanto amava. Quando nossa equipe entrou na sala de cirurgia, a neta da senhora já estava sendo preparada. Zeus fez de tudo para o médico desistir. Provocou-lhe tontura, ânsia de vômito, tremor nas mãos. Entretanto sua ganância era bem maior e rapidamente foi feita a operação cesariana. Sim, meus amigos, cesariana. O feto ainda nasceu vivo, mexendo com os pezinhos. Mas, ao invés de ser acolhido em incubadora, foi friamente assassinado por aqueles que ali estavam. Mesmo jogado fora, permanecia com vida. Nosso médicos tudo faziam para socorrê-lo, até poder retirá-lo do frágil corpo físico. O tempo que aquele feto se debateu em busca de oxigênio foi um dramático pedido de socorro. Aproximei-me de Ísis e indaguei:
- Por que não o separa logo do corpo físico?
- Esperamos que ocorra um milagre, que alguém se arrependa.
Mas, nada. O “medico” já costurava o pequeno corte da cesariana. E a jovem logo estaria na onda da moda, pronta para mais uma gravidez….
Não sabia ele que no plano espiritual nós tentávamos conter a avó, que, abraçada ao corpo frágil da criança, gritava:
- Perdoe, querido, ela não sabia que era você! Perdoe!
Mas o feto urrava de ódio. Logo presenciamos sua transformação, que se operou parcialmente: de uma frágil criança para um homem já idoso. Os médicos aguardavam, mas ele mal podia sustentar a cabeça de homem no corpo de um feto de cinco meses.
- Eu vou matá-la! Dizia Euzébio. Eu vou matá-la!
A avó suplicava:
- Não, não! Ela não quis você, porque é muito jovem ainda …
Tentou levantar-se, mas as pernas eram mínimas; ele olhava a neta ainda sonolenta e gritava:
- Assassina! Assassina! Assassina!
Kelly o adormeceu, mas qual foi nossa surpresa: a pacata vovó aproximou-se do médico aborteiro e disse, com muita raiva:
- Você vai sofrer muito, eu vingarei o meu velho, você nunca mais terá paz.
Eu não sabia se acalmava a senhora, ou assistia à retirada do feto. Cheguei perto da avó e falei:
- Vamos embora. Eu gosto muito das vovós, tenho a mais bela de todas. Não gostaria de vê-la sofrer. Venha comigo.
- Não, eu vou obsediá-lo até ele não agüentar mais. Vou chamar todos os que ele fez sofrer, e não lhe darei mais sossego.
- Não faça isso. Vamos passear lá fora, falei, acariciando-lhe os cabelos.
Ela aceitou o meu carinho, mas ao passar pela neta, gritou:
- Assassina, vai morrer seca e podre!
A menina captou aquele desespero e começou a gritar.
- Viu como é fácil levá-la à loucura? Disse a avó. A consciência deles é o passaporte para que todas as suas vítimas venham a obsediá-los. O ódio que têm no coração é morada para os espíritos vingativos.
- Mas você, vovó, não é um espírito vingativo, tenho fé de que no seu coração o ódio não vai alojar-se.
Ela me abraçou, soluçando. ……
Pg. 221…
INSEMINAÇÃO: OS NOVOS TEMPOS
….. – Algumas vezes tentamos dissuadir as gestantes, mas o nosso trabalho não é esse e sim dar assistência aos espíritos violentados pelos encarnados. O ato é sempre muito rápido e, além do mais, repito, nós não fomos preparados para isso. Mas há irmãos que estão prestando esse trabalho evangélico. Eles tentam desesperadamente, e às vezes até o conseguem, tirar a mulher da mesa cirúrgica.
- Verdade? Que beleza!
Enquanto obtínhamos esses informes, vimos chegar uma menina aparentando quatorze anos, mascando chiclete, mais parecendo um tique nervoso, acompanhada de uma bela mulher, elegante mesmo, que fumava nervosamente. Dirigiram-se à enfermeira, que as mandou esperar. Sentaram-se. A garota, completamente alheia ao seu problema, continuava a mascar o chiclete. Alguns espíritos socorristas aproximaram-se para conversar com as duas. A mãe olhou a filha, dizendo:
- Está com medo:
A resposta veio somente por um sinal com a mão: mais ou menos. O grupo doutrinava as duas. De repente, a garota deu um pulo na cadeira.
- Sabe, estou frita de medo, vou me mandar.
- Quê? – e a mãe a puxou pela blusa. Está louca! Como pretende ter um filho, quando nem sabe quem é o pai? Primeiramente você vai se formar.
A garota não retrucou, continuou a mascar o chiclete, desejando ir embora. A enfermeira ajudou a mãe, segurando Andréia que, mesmo intuída pela equipe de socorro, não mais quis ter o filho….segue….. orando, testemunhávamos mais um assassinato frio e cruel. Tudo acontecia normalmente, até notarmos que algo estava errado. Os nossos médicos correram a ajudar Andréia, que em minutos respirava com dificuldade e por mais que o aborteiro fizesse, ela foi separando-se do corpo físico. O auxílio ao feto de três meses, entretanto, continuou, mas sua mãe, na flor da idade, voltava ao mundo espiritual de maneira trágica. Andréia ainda lutava para não abandonar seu corpo físico, mas este, pouco a pouco, ia perdendo força. Sofrera uma parada cardíaca. Apesar dos esforços do médico para reanimá-la, Andréia viu-se desligada e ligada, ao mesmo tempo.
- E Andréia, por que está tão ligada ao corpo físico? Ela é suicida?
- Não é suicida. Ela sofreu um assassinato, só isso. E nesses minutos só nos resta aguardar.
Mal terminou de falar, deu entrada a equipe de socorro, para prestar assistência ao bebê e à mãe. Mesmo assim demorou um pouco o desligamento de Andréia. O médico tentou dar explicação à mãe, mas esta ficou furiosa, desejando processá-lo. Nós fomos saindo devagar, pois não tínhamos mais o que fazer ali. Afastamo-nos, levando na lembrança a destruição de um ser…
Pg… 224 – Não, porque ela está muito comprometida e depois, Andréia, para todos os efeitos, preparou-se para ser submetida a uma operação nesta clinica, ninguém entra nela para abortar. Uns vem retirar pólipos, tumores, miomas, útero, ovários, enfim, ninguém vem para matar filhos….
- Luiz, com Andréia estavam dois espíritos. Eram gêmeos.
- O quê? Então o médico “matou” três sonhos!…
- Sim, embaraçou o caminho dessas almas até Deus.
- Coitado, vai virar gelatina!… Quem pratica o aborto….
Andréia foi levada ao mundo espiritual junto a um de seus filhos, que relutava em sair do seu ventre. O fato me intrigou e perguntei a Zeus:
- Como fica o caso do feto alojado no perispírito de Andréia? Vai ser retirado a força?.
- Não. Se ela desejar e se for bom para o seu crescimento espiritual, ela terá o filho por mais seis meses alojados em seu ventre e a criança nascerá na maternidade espiritual. Porém, se ficar revoltada, e não desejar a criança, teremos de separá-los. Só a Andréia caberá a escolha.
- Então, se ela plasmar a criança no seu ventre, esta crescerá no mundo espiritual?
- Como Deus é bom, se Andréia desejar, ela será mãe no plano espiritual.
Era muito para minha cabeça. Cheguei ao Centro Espírita e fui descansar….
Fim