O Problema do Vício de Beber

Fraternidade Espiritual Estrela do Oriente – Atdto espiritual apométrico
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A VIDA HUMANA E O E O ESPÍRITO IMORTAL
Ramatís por Hercílio Maes
Ed. Do Conhecimento – 11ª edição

Capítulo 9.

Os problemas do vício de beber

PERGUNTA: – Sem dúvida, os instrutores espirituais devem considerar o álcool um dos maiores malefícios do nosso mundo. Não é assim?
RAMATÍS: – O álcool não é um dos maiores malefícios do mundo, mas de incontestável benefício para o ser huma¬no. Ele serve para compor xaropes, tintas e medicamentos; move motores, alimenta fogões, ilumina habitações, higieniza as mãos, desinfeta contusões e seringas hipodérmicas; limpa móveis, extrai manchas de roupas e asseia objetos, destrói germens perniciosos e enriqueci os recursos da química do mundo. Usado com parcimônia, estimula o aparelho cardíaco, acelera à digestão difícil e ajuda a queimar o excesso de gordu¬ras nas pessoas idosas. O álcool é maléfico, avilta, deprime e mata, quando os homens abusam de sua ingestão e chegam a degradar-se pela embriaguez.

PERGUNTA: – Sob a vossa conceituação espiritual, o alcoolismo deve ser considerado um vício ou uma doença da humanidade terrena?
RAMATÍS: – O alcoolismo deveria ser enquadrado mais propriamente no terreno patológico, pois o alcoólatra é um doente, que se enferma por sua livre e espontânea vontade. Assim como certas doenças deformam e lesam o organismo durante a sua manifestação, a embriaguez também produz lastimáveis e perniciosos efeitos no corpo físico, ofendendo os delicados centros cerebrais e rebaixando o homem no conceito da moral humana.
Surpreende-nos que os administradores, cientistas e auto¬ridades de todas as nações terrenas movimentem campanhas contra o vício da maconha, da cocaína, da morfina e do ópio, e até procurem disciplinar o uso de entorpecentes farmacêuticos, mas negligenciem completamente quanto ao abuso do álcool e tolerem os seus resultados nefastos. Enquanto a medicina inverte somas apreciáveis para pesquisar e sanear moléstias de menor importância, descuram-se de erradicar o alcoolismo, que lesa a vitalidade humana. Embriaga-se o rico com o uís¬que caríssimo e o pobre se degrada com a cachaça; no entanto, ambos se envenenam pelo mesmo tóxico pernicioso.

PERGUNTA: – E como se poderia solucionar problema tão crusciante?
RAMATÍS: – Alhures, explicamos que a graduação espi¬ritual primária dos habitantes da Terra justifica os indivíduos desordeiros, inescrupulosos, injustos, fesceninos, cruéis, mistifica¬dores, ciumentos e desregrados, motivo por que o orbe terráqueo ainda não merece ser governado por espíritos do quilate de um Francisco de Assis, Gandhi, Buda ou Jesus; essas entidades santi¬ficadas jamais conseguiram disciplinar ou administrar criaturas ainda tão desatinadas pela cobiça, ambição, pilhagem e guerras fratricidas; e em sua maioria, preocupadas exclusivamente com os seus interesses pessoais.
Malgrado o problema cruciante do alcoolismo, que degrada o moço negligente, a mulher ingênua, o homem desesperado ou velho desiludido, os terrícolas despendem gastos nababescos, para pousarem na Lua e lá prolongarem o mesmo sistema nefas¬to de vida cruel e viciosa, já cultuada na Terra! Conseqüentemen¬te, a displicência do homem, quanto ao alcoolismo, em breve há de ser corrigido pela “Administração Sideral” da Terra, pois neste “Fim de Tempos”, ou profético “Juízo Final” já em execução no seio da humanidade terrena, devem ser exilados para outro orbe inferior os responsáveis pelos desequilíbrios e empreitadas funes¬tas, que perturbam a vivência sadia do homem!

PERGUNTA: – Quais são as conseqüências mais graves para os homens alcoólatras?
RAMATÍS: – O alcoólatra é o indivíduo que já perdeu o senso direcional do seu espírito, pois vive em função do coman¬do discricionário de uma entidade oculta, que comanda todas as suas ações na vida física e até depois de desencarnado! Convinha que todos os homens seduzidos pela bebida alcoóli¬ca pudessem certificar-se dos cometimentos atrozes e terríveis, próprios das vítimas do alcoolismo em tratamento nos sana¬tórios antialcoólicos. Elas assemelham-se a verdadeiras feras enjauladas que, entre uivos e clamores, torturadas pela ardên¬cia insofreável do vício degradante, ameaçam despedaçar-se de encontro às grades protetoras. São trapos vivos, que se amon¬toam pelo solo e transpiram as emanações etílicas por todos os poros compondo a fauna dos candidatos à morte inglória nas valetas do mundo ou expostos nos necrotérios públicos.
É estarrecedor, após o exaustivo período sacrificial de ges¬tação da mulher, na sua função sublime de procriar um filho, vê-Ia tombado no lodo das ruas e marcado pelos estigmas vicio¬sos do alcoolismo!

PERGUNTA: – No entanto, muitos estudiosos do problema do alcoolismo temem pela extinção da indústria de bebidas alcoólicas, considerando um desastre econômico e colapso fatal na fabulosa renda fiscal do país. O fechamento de fábricas de garrafas, barris, caixas, tampinhas, cortiças e copos, a redução de impressos, transportes e conseqüente extinção da lavoura de lúpulo, cevada, ou cana-de-açúcar hão de causar os mais vulto¬sos desempregos do mundo! Que dizeis?
RAMATÍS: – E absurdo, insensato e maléfico esse sis¬tema de sustentação econômica terrícola através do álcool, pois ainda são mais catastróficos os prejuízos e as tragédias decorrentes de tal vício, em vez do desastre econômico, desem¬prego e” déficit” da renda fiscal, que podem ser remediados por outros recursos mais sensatos! O alcoolismo é o responsável direto pela maior parte de latrocínios, prostituições, doenças, misérias, luxúria, orgias, desordens, desventuras domésticas e maus-tratos da família. A indústria e o comércio que o sus¬tentam lembram um monstruoso vampiro a sugar as forças sadias de toda a humanidade! Qual é a vantagem do mundo em manter indústria tão macabra e funesta, se o álcool devora o organismo do próprio homem, além de ser combustível indire¬to da tuberculose, câncer, cirrose, sífilis, degenerações renais e pancreáticas, embrutecimento cerebral, imbecilidade, histeria, epilepsia, neuroses, lesões orgânicas, prostração física, enfra¬quecimento nervoso, taras hereditárias e esterilidade?
Mas o homem, em sua imbecilidade, chega até a glorificar o abuso do álcool e valoriza o produto nefasto, como se tal acontecimento vicioso e degenerativo fosse realmente algo de notável à cultura, glória, filosofia ou cientificismo de um povo! A Alemanha orgulha-se de sua cerveja; a Rússia, da vodca, a França, Espanha, Portugal e Itália, dos seus vinhos famosos; a Escócia e a Inglaterra são países mais conhecidos pelo seu uís¬que do que por suas realizações históricas! A América Latina proclama a preciosidade do rum de Cuba, da tequila do México, ou da cidra da Argentina, enquanto o próprio Brasil muito se envaidece pela sua famigerada cachaça! Sem dúvida, tudo isso poderia consagrar um país, caso fosse usado com parcimônia, que não conduz ao vício e à degradação, pois há povos cujos louvores provêm dos seus saborosos pêssegos, morangos, figos ou deliciosas uvas!
Malgrado a bebida alcoólica ser excelente fonte de renda fiscal, paradoxalmente, o seu abuso provoca o dobro dos gastos da administração pública de cada país, ante a série de enfermida¬des, degenerações orgânicas, crimes, desastres, acidentes, infelici¬dades, embrutecimento e desencaminhamento da juventude! Há verbas vultosas para atender à manutenção de asilos, hospitais, cárceres, presídios, institutos de recuperação psíquica e excepcio¬nais filhos de alcoólatras.

PERGUNTA: – Alegam alguns homens célebres que, se Deus permitiu a descoberta do álcool no mundo, evidente¬mente, é para se bebê-lo!. .. E a própria Bíblia narra a feliz descoberta de Noé na fermentação da uva, assim como o uso costumeiro da bebida alcoólica entre as primeiras tribos judaicas! Que dizeis?
RAMATÍS: – Deus não induziu a descoberta do álcool para o homem se embriagar, assim como da descoberta do ácido sulfúrico ninguém deve se matar! Ele quis prover a huma¬nidade de um elemento útil para aliviar os problemas mais simples da vida! Caso o Senhor considerasse o álcool bebida para ser ingerida sem qualquer controle, é indubitável que também teria criado as fontes, os riachos e rios prenhes de vinho, cerve¬ja, uísque, licores e cachaça; jamais tê-Ios-ia enchido de água! Mas é a concupiscência, a ganância, a cobiça, a avidez e a falta de escrúpulo de lucros ilícitos e fáceis que induzem os homens a se explorarem mutuamente no intercâmbio do alcoolismo oneroso e funesto.
Por isso, a propaganda alcoólica é feita por hábeis artistas através de quadros atraentes e multicores, que sugerem hipno¬ticamente as mais excêntricas bebidas corrosivéis à conta de verdadeiras ambrosias dos deuses! A imprensa, o rádio, a tele¬visão e os cartazes de ruas seduzem os incautos e avivam-lhes o desejo para preferir certo alcoólico da moda. Aliás, maquiave¬licamente, a indústria já introduz álcool em doces, chocolates e bombons finos, a fim de habituarem, desde muito cedo, as crianças, ao condicionamento tóxico e assim garantirem novos clientes no futuro! Que importa aos homens ambiciosos, egoís¬tas e inescrupulosos a aventura do próximo, desde que possam aumentar a sua receita financeira?
Embora certas descrições da Bíblia, que aparentemente endossam o uso do álcool, Jesus e seus apóstolos nada disse¬ram de favorável a esse vício nefasto. Aliás, Paulo de Tarso é bem claro quando assim adverte: “Nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os que se dão à embriaguez, nem os maldizentes possuirão o reino de Deus” (I Coríntios, 6:9-10) e antes dele já dizia o célebre profeta Habacuc: “Ai daquele que dá de beber ao seu companheiro!”

PERGUNTA: – Por que até homens de talento louvável e capacidade criadora têm-se deixado aviltar completamente pelo álcool?
RAMATÍS: – Não há dúvida, foram vitimados pelo álcool homens de avançada sensibilidade, como Edgard Allan Poe, Charles Baudelaire e outros, que deixaram um rasto lumino¬so na superfície do orbe. No entanto, os homens consagrados nas esferas científicas ou da arte do mundo material também podem ser pobres analfabetos espirituais! Nem sempre o talen¬to no mundo é sinal de que se fez o conhecimento da verdadeira vida do espírito imortal. Em geral, tais homens se estiolam na pesquisa demasiada dos valores da vida física, numa especializa¬ção isolada do panorama espiritual, ignorando a Lei do Carma e o processo justo da Reencarnação, que lhes poderia solucionar inúmeros problemas da vida em comum! Alguns atribuem-se excessivo valor quanto à sua personalidade incomum na face da Terra, e chegam a se mostrar humilhados, porque o destino ligou-os à família vulgar humana! Infelizes no lar, ante o clima prosaico e primário da parentela consangüínea, mal sabem que a Lei os imantou a criaturas deseducadas, que exploraram no passado. Revoltam-se alguns contra um pseudo Criador que os fez nascer empobrecidos, ignorando que a trama cármica os desvia incessantemente da fortuna material e motivo de desman¬dos funestos no pretérito! Os mais inteligentes transformam a sua desventura pessoal num melodrama cósmico, e vivem em sob intenso protesto contra quaisquer motivações divinas! Outros, exaltam a boemia regada a álcool, justificando o seu próprio vício como válvula de escape para a poesia, a pintura, a literaatice ou dramas novelescos!
No entanto, muitos desses bêbedos intelectualizados são homens vulgares, que atormentam os filhos ou infelicitam o ambiente doméstico, malgrado os seus arroubos geniais e epigra¬mas incomuns! Embora sejam escritores, poetas, dramaturgos ou artistas, quando se embriagam regridem ao nível dos homens primários, cujos sentimentos se afogam nas ondas do instinto animal! Em geral, a esposa heróica se curva sobre o tanque de lavar roupas, atravessa a madrugada com o ferro de engomar, ou se humilha na limpeza dos casarões alheios, desdobrando -se para sustentar, vestir e educar a prole faminta, enquanto o esposo de talento percorre as bodegas lançando ditos inteligen¬tíssimos ou compondo poesias de alta emotividade. A boemia sustentada à base de cachaça ou de uísque, mesmo quando se trate de bêbedo capaz de tecer as mais delicadas filigranas sonoras e poéticas, não oferece nenhum motivo para louvores extemporâneos!

PERGUNTA: – Mas a história e a literatura do mundo exaltam bastante os poetas, artistas e músicos, os quais, embora fossem noctívagos e beberrões, deixaram sinais brilhantes na sua passagem pelo mundo terreno!
RAMATÍS: – Sob o critério de julgamento feito pelo mundo espiritual, os valores terrenos mudam completamente de interpretação, pois só prevalecem no Além-Túmulo as virtudes do espírito imortal! É flagrante a incoerência do homem que traça roteiros luminosos e geniais no campo da poesia, da arte, da crítica, do teatro ou da literatura, mas não consegue movimen¬tar-se de modo digno e sensato junto à família!
Os sentimentos de bondade, ternura, humildade, renúncia, fidelidade e amor não são exclusivos do homem talentos o e científico, mas qualidades insignes do homem! Muitos gênios forjados nos elementos transitórios do mundo material, e dis¬tinguidos lisonjeiramente pela história, são espíritos débeis e escravos dos vícios, exaltando a boemia improdutiva! Muitos desses boêmios talentosos, mas ignorantes da realidade espi¬ritual, que alegram as ruas e os botequins das cidades, costu¬mam abandonar a família como um lastro inútil, oneroso e humilhante. Outros trocam a companheira devotada, laboriosa e resignada, que os serviu nos dias mais aflitivos, pela mulher volúvel, ociosa e ladina, e a elegem como inspiradora de suas obras excêntricas!
Causa estranheza que tais gênios só despertem a sua veia poética ou a inspiração artística sob o aquecimento do álcool corrosivo, mas quando sóbrios são incapazes de conseguir um litro de leite para os filhos! Nenhum ensinamento duradouro podem legar à humanidade os poetas, filósofos e artistas, que, para produzirem algumas obras geniais, principiam justamente escrevendo o drama covarde e inescrupuloso de abandonarem a família! Que valem para o mundo, cada vez mais sedento de esclarecimento espiritual, a alacridade, as rimas, os conceitos e as filigranas, os pensamentos e as graças literárias dos poetas ou gênios alcoolizados, que sabendo cantar a epopéia da vida humana, não conseguem manter a alegria no próprio lar?

PERGUNTA: – Os homens geniais, mas boêmios e beber¬rões, quando desencarnam também sofrem as mesmas conseqüências espirituais próprias das vítimas de embriaguez, sem qualquer talento ou cultura?
RAMATÍS: – A Lei Espiritual preceitua “a cada um será dado segundo as suas obras”, e não quanto à sua cultura, crença, inteligência ou alacridade boêmia! O alcoólatra, de qualquer natureza, ou mesmo capaz de criar no mundo das letras ou da arte, quando desencarna sofre no perispírito as conseqüências mortificantes da ação corrosiva do tóxico alcoó¬lico, assim como o arsênico tanto queima a pele do homem ou da mulher, do bandido ou do santo, do gênio ou do analfabeto! Isso é uma questão de química transcendental e nada tem a ver com a condição social, cultural ou religiosa do homem no mundo físico!
Aliás, a inteligência ou genialidade humana, que distingue o homem na face terráquea, pode ser completamente inútil para a criatura ainda distante da “sabedoria espiritual” do mundo angélico! O artista genial pode criar deslumbrante obra no mármore provisório do mundo físico, e, no entanto, ser um péssimo escultor da sua própria felicidade; o escritor talentoso pode compor admirável texto literário de esclarecimento psi¬cológico aos encarnados, continuando um analfabeto nas suas resoluções espirituais! A verdadeira sabedoria é alicerçada nas coisas definitivas do espírito imortal, uma vez que o mundo físi¬co é apenas o “meio” e não o “fim” da existência humana!
Atila, Gêngis Khan, Alexandre, Júlio César, Anibal, Carlos Magno, Napoleão ou Hitler, foram “gênios”, mas no conceito de guerra, seu talento e habilidade eles os empregaram destruindo e pilhando outros povos! Passaram pelo mundo execrados por essa genialidade enfermiça e que deixou gemidos e mortes no seu rasto de sangue. No entanto, gênios também foram Vicente de Paulo, Francisco de Assis, Paulo de Tarso, Buda, Krishna, Confúcio, Gandhi ou Jesus, porém, sábios espirituais que con¬sagraram-se na estratégia sublime de melhorar e enriquecer a vida da humanidade. O sábio autêntico é aquele que sabe administrar a sua própria vida espiritual, proporcionando a si mesmo a ventura eterna. Jamais é genial quem conquista povos ou tesouros materiais, mas desencarna possuindo um árido deserto no coração!
O problema da ventura espiritual é assunto particular; por isso, muitos gênios, artistas e cientistas, que fartaram de álcool o seu corpo pelas espeluncas do mundo, enquanto dei¬xavam a família à míngua de um pedaço de pão, infelizmente, acordaram no Além-Túmulo estarrecidos e desgraçados ante a tragédia que passaram a viver em si mesmos! Sofreram a mais atroz desilusão, desaparecendo-lhes a garridice, o sarcasmo e os epigramas com que se aureolavam no mundo físico e deslum¬bravam os “fãs” através de jogos incomuns de palavras e recita¬tivos álacres! Muitos desses famosos beberrões ironizavam os tolos da crença na vida imortal. Mas, para a sua infelicidade, confundiam a sua própria incapacidade de apercebimento da Realidade Divina, na convicção de avançada sabedoria pes¬soal!
Malgrado terem sido cultos oradores, abalizados filósofos e argutos psicólogos, ágeis de raciocínio, famosos e ricos de epi¬gramas aguçados, eis que após o “falecimento” precisam apoiar¬-se, servilmente, na textura que lhes oferece a esposa inculta, inexpressi\’a e resignada, que no seu orgulho intelectivo eles abandonaram na Terra!

PERGUNTA: – Fomos informados de que o álcool chega a produzir modificações na contextura do perispírito! Poderíeis dizer-nos algo a respeito desse acontecimento?
RAMATÍS: – Não há dúvida; a anarquia física do bêbedo é apenas o reflexo da sua mórbida desordem psíquica! Assim, quando desencarna, o seu perispírito desfigurado pela ação corrosiva etereoastralina do álcool plasma um aspecto larval, vampírico e horrendo, que impressiona e assusta as almas mais tímidas! Aí na Terra, o corpo desfigurado, bamboleante e repulsivo, reflete a desagradável plastia da sua organização perispiritual, cujo tecido delicadíssimo é profundamente sensí¬vel às ações mentais.
O bêbedo descuida-se do seu vestuário, torna-se excêntrico e extravagante; interpreta a vida a seu modo e confunde anomalias censuráveis com a naturalidade da existência. Irrita-se facilmente, discute numa fatigante verborragia as coisas mais simples e tolas, contradiz-se, revolta-se, rebaixa-se moralmente e perde o senso psicológico do ambiente. Vive existência à parte; os seus delírios são constantes e mesclados de alucinações visuais e auditivas. Degeneram-se os seus órgãos físicos, inflamam-se os intestinos e o estômago sob a ação corrosiva do álcool, atrofia-se o fígado, dificulta-se a drenação renal e fatiga-se o coração. Então, o seu aspecto modifica-se numa feição estranha, o rosto de cor terrosa, olhos empapuçados e injetados de sangue. O ébrio contumaz se impressiona e se horroriza da sua feição quando, depois de desen¬carnado, defronta a sua imagem refletida na condensação fluídica do meio astralino, pois alguns fogem, espavoridos de si mesmos, lembrando as histórias fantásticas de “O Médico e o Monstro”.

PERGUNTA: – Mas o que poderíamos entender por câncer cármico?
RAMATIS: – O câncer cármico resulta da vertência da carga “psicotóxica” do perispírito para o corpo carnal, espécie de residual nocivo de energias destruidoras, que o espírito mobili¬zou em vidas anteriores na prática da feitiçaria mental, verbal e física. Não é propriamente um castigo divino, mas conseqüente perturbação no mecanismo normal do intercâmbio das forças primárias, provindas da Terra, em choque com as energias espi¬rituais descidas do Além. Os radiologistas que morrem de “radio¬dermite” não são castigados por exercerem profissão incomum e perigosa, mas eles sofrem apenas o efeito da causa nociva radioa¬tiva, que é inerente ao mecanismo e à técnica radiológica! Assim, os espíritos que, na sua ambição e ignorância das leis da Criação, mobilizaram certa energia primária, de fácil inversão destruido¬ra, terão de suportar a dolorosa condição de cancerosos futuros, quando para a sua própria ventura espiritual precisarem drenar do pelispírito o indesejável morbo deteliorado! Sabe-se que a eletlicidade é uma força criadora ou destrutiva, conforme seja aplicada a sua polaridade, pois ela tanto produz a luz, o calor, como regela e mata, na inversão dos pólos!
Eis, então, por que o câncer incide mais nos órgãos vulnerá¬veis ou ofendidos do homem alcoólatra, como o esôfago, o estô¬mago ou então os pulmões, nos fumantes inveterados!

PERGUNTA: – O álcool é nocivo à gestação?
RAMATÍS: – O álcool é prejudicial à gestação; e quando as mães o ingerem em demasia durante a gravidez perturbam a formação do feto e podem dá-lo à luz com a tara da histeria ou esquizofrenia. Há casos, também, em que degenera o filho gerado sob a ação do álcool, mesmo por parte do pai ou dos pais, como é comum a bebedeira na noite de núpcias, em que o gérmen responsável pela fecundação já inicia o seu ciclo de vida sob uma ação tóxica perturbadora.
À surdez, os defeitos de visão, as paralisias, a mudez e outros efeitos patológicos também podem ser de origem alcoólica.

PERGUNTA: – Não seria uma injustiça o espírito reencarnante sofrer os prejuízos na sua organização carnal, só porque seus pai estavam ébreos no momento da fecundação?
RAMATÍS: – Embora não haja duas encarnações perfeita¬mente semelhantes, na Terra, em geral, o espírito inicia a com¬posição do corpo no ventre materno logo após o espermatozói¬de fecundar o óvulo feminino. Então o perispírito, já reduzido à configuração fetal, pode “encaixar-se” no ventre perispiritual da mulher terrena, dando início à convergência das energias etérico-fisicas para preencherem o molde original. Assim, o duplo-etérico, o veículo intermediário entre o espírito e o corpo físico também vai se modelando gradativamente conforme a materialização do feto físico.
Os técnicos siderais, responsáveis pelo evento reencarnató¬rio, só vinculam o espírito ao campo “biofísico” da progenitora, depois de ajustá-la através dos cromossomos à linhagem ances¬tral hereditária e atendendo ao programa cármico do encarnan¬te. Em conseqüência, o espírito de melhor-padrão sideral fez jus a um organismo sadio e de boa contextura nervosa, e por esse motivo não deve nascer de pais alcoólatras. No entanto, o “ex-alcoólatra” do passado será encaminhado para descender de pais alcoólatras, e tal processo se efetua por afinidade espiri¬tual e jamais sob qualquer determinação divina, injusta!
Quando o espírito de bom quilate espiritual verifica que se contaminou o embrião que lhe deve proporcionar o corpo físico, isso por força da embriaguez dos pais durante a fecundação ou da imprudência materna na fase gestativa, ele pode desligar-se do processo reencarnatório, se assim preferir, sendo imediatamente substituído por outra entidade afim ao caso.

PERGUNTA: – Supondo-se que a mãe se ponha a beber durante a gravidez, mas só na proximidade do parto é que se verifica a lesão no feto, o que sucede após o longo tempo já decorrido da vinculação do espírito encarnante?
RAMATÍS: – Em tal situação, os técnicos do Além interfe¬rem e libertam o espírito que não merece um destino tão ingló¬rio de um corpo físico lesado pelo álcool, pois não há injustiça por parte da Administração Sideral. Isso, então, pode ocorrer através do aborto inesperado, ou se não é conveniente pôr em perigo a vida da mãe, mesmo imprudente, o nascituro não se cria, ante a impossibilidade de outro espírito ainda vincular-se em tempo no comando “psicofísico!”
Sem dúvida, é desventurada a mãe que perde o seu descen¬dente, após nove meses de gestação e sacrifícios, quando, por causa de sua imprudência ou vício censurável, frustra o trabalho exaustivo do próprio espírito reencarnante, e o obriga a desven¬cilhar-se de um corpo perturbado e carmicamente imerecido. Desde que a Lei Cármica dispõe “a cada um segundo as suas obras”, os pais que se embriagam na noite de núpcias e podem lesar o gérmen da fecundação, ante a gestação de um corpo defei¬tuoso para o espírito encarnante, candidatam-se à amargura de procriarem filhos retardados, esquizofrênicos, mentecaptos, nevropatas ou alcoólatras, que passam a substituir a entidade espiritual que é liberada por não merecer a tara do alcoolismo. Nenhum espírito encarnante é injustiçado por qualquer eventualidade desastrosa ou indesejável, pois o seu guia e amigos desencarnados vigiam e protegem-lhe o processo reencarnatório perfeitamente vinculado ao programa cármico elaborado.

PERGUNTA: – Ante essa incessante ameaça à integrida¬de da raça humana pelo consumo cada vez mais elevado do álcool, que poderíamos fazer para reduzir vício tão perigoso?
RAMATÍS: – É de senso-comum que quaisquer vícios do homem só podem ser extintos pelo próprio homem, e não por simples admoestações ou advertências! O homem viciado, cuja vontade é escrava do vício do álcool, só poderá integrar-se novamente na comunidade dos espíritos libertos desse estigma vicioso, depois de recuperar novamente o seu domínio mental, psíquico e físico. A libertação espiritual é processo que se forja de dentro da alma para fora, do espírito para a matéria, da mente para o corpo! O homem escravo do álcool só consegue retomar o comando do seu organismo, se agir tão impiedosamente contra si mesmo, tanto quanto é tiranizado pelo vicio!
A existência humana é um estágio rápido para o espírito treinar e dispor de sua vontade, a fim de poder criar nas regiões espirituais, onde a vida se manifesta na sua autenticidade divi¬na! Sob qualquer hipótese, o homem não deve lesar o organis¬mo físico que lhe é confiado pelo Alto, a fim de modelar a sua própria ventura espiritual. E tão prejudicial o alcoolismo, e disso já tinha conhecimento o povo judeu, que a Bíblia faz as seguintes recomendações: “Não olhes para o vinho quando te começa a parecer louro. Ele entra suavemente, mas no fim mor¬derá como uma serpente e difundirá o seu veneno como um basilisco.” E mais adiante: “Não te queiras achar nos banquetes dos grandes bebedores” (Provérbios 23:31,32 e 23:20).

PERGUNTA: – Alhures, dissestes que os encarnados beberrões podem servir de instrumentos de satisfação para espíritos de “ex-alcoólatras” desencarnados?
RAMATÍS: – São poucos os encarnados conhecedores do terrível perigo que se oculta através do desregramento pelo álcool! A embriaguez é sempre uma condição vulnerável, que pode transformar o homem num ensejo para satisfazer o desejo insofreável dos espíritos de “ex-alcoólatras” já desencarnados. Os espíritos viciados pelo álcool continuam a sofrer no Além¬ túmulo os horrores do desejo insatisfeito, que aumenta ainda mais devido à vibração rapidíssima do perispírito liberto da carne! Então, só lhes resta um recurso, e os mais inescrupulo¬sos e cínicos não vacilam na sua prática: escravizar os encar¬nados para exercerem a detestável função de “ponte viva”, ou, mais propriamente, de “canecos ‘vivos” para as suas libações mórbidas!
O desejo é furioso, esmagador e masoquista; a vítima desen¬carnada alucina-se vendo visões pavorosas e aniquilantes. E quando isso acontece os espíritos inescrupulosos são capazes das maiores infâmias e torpezas contra os encarnados, desde que possam minorar a sede ardente da bebida! São almas que deixaram o seu corpo cozido pelo álcool nas valetas, nos catres de hospitais, ou mesmo em leitos ricos, mas despertam enlou¬quecidas pelo desejo desesperado de satisfazer o vício! Só redu¬zido número de almas viciadas na Terra entrega-se, submissa, à terapia do sofrimento purificador e luta, no Espaço, contra o desejo mórbido, a fim de eliminar do perispírito o eterismo ou residual etérico do tóxico que as acicata incessantemente. Algu¬mas, corajosas e decididas, depois de se libertarem do desejo cruciante do álcool alimentado na vida carnal, entregam-se ao serviço de socorro aos alcoólatras encarnados, tentando influen-ciá-los para que deixem o vício, ou atraindo-os para junto das organizações religiosas e instituições espiritualistas do mundo, que devem lhes orientar uma conduta sadia. Mas é coisa difi¬cílima encaminhar alcoólatras para os ambientes religiosos salvacionistas, tal é o assédio que lhes fazem os obsessores viciados!

PERGUNTA: – Realmente, temos observado que é tra¬balhoso conduzir um beberrão a um templo religioso ou instituição espírita onde seja protegido e esclarecido sobre o terrível vício do álcool.
RAMATÍS: – Os espíritos nas Trevas voltam-se furiosa¬mente contra os homens e instituições que tentam intervir nos seus propósitos torpes de vampirismo no mundo. Então encetam campanhas de desmoralização ou de perseguição con¬tra religiosos, médiuns ou doutrinadores, que se propõem a libertar de suas garras os embriagados enfraquecidos nas suas defesas espirituais.
Muitas vezes, quando o candidato a “caneco vivo” é digno de boa proteção espiritual, para livrá-lo da degradante condi¬ção, os seus guias provocam algum acidente ou enfermidade, que o lança no leito por longo tempo, e essa imobilidade ben¬feitora frustra o intento dos obsessores. E ali intensificam a presença de criaturas regradas, amigas e líderes religiosos, que ainda o fortalecem, cada vez mais, no sentido de encouraçá-lo contra as investidas traiçoeiras dos vampiros do Além!

PERGUNTA: – E quando o alcoólatra chega ao final de sua vida degradante, os seus “donos” não jazem alguma coisa para evitar-lhe a morte e o conseqüente prejuízo pela perda do seu vasilhame carnal?
RAMATÍS: – Conforme explicamos, os obsessores atuam incessantemente no seu vasilhame encarnado, a fim de torna¬-lo sem o controle do raciocínio, que possa conduzi-lo às fontes de salvação. Furiosos e vingativos afastam-no, até rudemente dos ambientes regrados e de amigos bem-intencionados; dis¬tanciam-no das missões religiosas salvacionistas, dos centros espíritas ou de contato com panfletos e livros de esclarecimen¬to espiritual capazes de os livrarem da sua astuta influência. Quando lhes é possível, mediunizam o infeliz alcoólatra provo¬cando balbúrdia, sarcasmos, posturas censuráveis, ditos obsce¬nos, ofensas públicas, gargalhadas cínicas e agressividade, que desencorajam os seus protetores.
Mas esses vampiros também sabem que os seus “canecos vivos” sucumbem prematuramente aniquilados pelo excesso do álcool destruidor; e quando isso acontece, eles os deixam impie¬dosamente entregues à sua terrível sorte, agindo à semelhança do cangaceiro, que abandona na estrada o animal estropiado que o servia na sua fuga desesperada. Como não existem quais¬quer sentimentos de nobreza nesses viciados inescrupulosos e exclusivamente preocupados na satisfação de seus vícios aviltantes, pouco lhes importa a agonia, o sofrimento e a degra¬dação dos que os serviram como repasto da satisfação viciosa. Ademais, o alcoólatra “in extremis” só ingere poucas doses de álcool, o que não convém mais ao seu obsessor, por não poder saciar o desejo ardente e insaciável no deficiente alambique humano!
PERGUNTA: – Que se compreende, realmente, por “caneco vivo” dos malfeitores desencarnados?
RAMATÍS: – “Caneco vivo” é a criatura que, dominada completamente pelo vício do álcool, perde o seu comando psicológico e espiritual, tornando-se um verdadeiro “alambi¬que”, ou “robô” da vontade dos desencarnados alcoólatras. Os espíritos degenerados e viciados procuram as criaturas vítimas da bebida alcoólica, porém, enfraquecidas de vonta¬de ou escravas de paixões inferiores, a fim de transformá¬-las num prolongamento vivo e pelas quais possam absorver as emanações do álcool. Através do estômago dos seus “canecos vivos” e em infame simbiose fluídica, conseguem sugar os fluidos etílicos que se exsudam na decomposição digestiva.
Mas a confecção de um “caneco vivo” exige tempo, porque é fruto de um trabalho obstinado do obsessor, ajus¬tando-se ao “duplo-etérico” do viciado encarnado, isto é, o campo energético, espécie de cavalo que se liga vitalmente ao carro físico! De princípio, precisa afastar as boas amiza¬des, proteções e circunstâncias que envolvam o candidato a recipiente alcoólico; é necessário isolá-lo, tanto quanto possível, da própria família, através de conflitos, desen-tendimentos e repulsas! Alguns obsessores perseveram anos, vigiando e subvertendo sua vítima até à degradação máxima, pois quanto mais ela se embriaga e se degrada, mais lhes atende a sensações pervertida, E depois que o vampiro consegue o seu domínio completo sobre o bêbedo encarnado, cerca-o ele todos os cuidados e o protege contra acidentes, agressões e até enfermidades, a fim de usá-lo na lastimável função de “caneca vivo”!
Mas como o espírito sem corpo físico não pode usufruir integralmente o álcool ingerido pelo alcoólatra encarnado, pois só aproveita os fluidos etéricos volatilizados na opera¬ção digestiva, então acicata incessantemente o seu “caneca vivo” para embriagar-se até cair. Daí o motivo por que muitos alcoólatras afirmam que uma força oculta os obri¬ga a beber insaciavelmente, mesmo depois de intoxicados e debilitados! Infeliz fornecedor de vapores alcoólicos aos vampiros do Além-Túmulo, o “caneco vivo” degrada-se, dia a dia, até findar-se qual farrapo humano encharcado pelo lodo do mundo!

FIM!

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