Recordando Allan Kardec – O Fim do Mundo

Recordando Allan Kardec

O fim do mundo


Entre o velho mundo e o novo, não haverá solução de continuidade

” (. . .) é então que o fim chegara…” – Jesus. (Mt.,24:14.)

Em uma página instrutiva e de peregrina beleza que se contrapõe às escatológicas e apocalípticas notícias sobre os horizontes futuros da Humanidade, esclarece Jobard (l):

“( … ) Se a apreensão do fim do mundo terrifica os seres pusilânimes de vosso mundo, ela fere igualmente de terror os seres atrasados da Erraticidade. Todos aqueles que não são desmaterializados, quer dizer, que, embora Espíritos, vivem mais materialmente, se amedrontam à ideia do fim do mundo, porque compreendem, por esta palavra, a destruição da matéria. Não vos admireis, pois, que esta idéia coloque em emoção certos Espíritos que não saberiam em que se tomar se a Terra não existisse mais; porque a Terra é ainda o seu mundo, seu ponto de apoio …

Por mim, disse a mim mesmo:

- Sim, o fim do mundo está próóximo; ele está ali, eu o vejo, eu o toco … Ele está próximo para aqueles que, com seu desconheciimento, trabalham para precipitarrlhe a chegada … Sim, o fim do mundo está próximo … Mas de que mundo é o fim? Será o fim do mundo da superstição, do despootismo, dos abusos mantidos pela ignorância, da malevolência e da hipocrisia; será o fim do mundo egoísta e orgulhoso, do paupeerismo, de tudo o que é vil e reebaixa o homem; em uma palavra, de todos os sentimentos baixos e cúpidos que são o triste apanágio de vosso mundo.

Esse fim do mundo, essa grande catástrofe que todas as religiões concordam em prever, é o que elas entendem? Não é preciso ver aí, ao contrário, o cumprimento dos altos destinos da Humanidade? Se refletíssemos em tudo o que se passa ao nosso redor, esses sinais precursores não são o sinal do começo de um outro mundo, eu quero dizer de um outro mundo moral, antes do que o da destruição do mundo material?

Sim, senhores, um período de depuração terrestre termina neste momento; um outro vai começar… Tudo concorre para o fim do velho mundo, e aqueles que se esforçam por sustentá-lo trabalham energicamente, sem o querer, para sua destruição. Sim, o fim do mundo está próximo para eles; eles o pressentem e com isto se assustam, crede-o bem, mais do que do fim do mundo terrestre, porque é o fim de sua dominação, de sua preponderância, à qual se prendem mais do que a qualquer outra coisa; e isso será, a seu respeito, não a vingança de Deus, porque Deus não se vinga, mas a justa recompensa de seus atos.

Os Espíritos são, como vós, os filhos de suas obras; se são bons, é porque trabalharam para o futuro; se são maus, não é que não tenham trabalhado para o futuro, é porque não trabalharam para se tomarem bons.

Amigos, o fim do mundo está próximo, e eu vos convido vivamente a tomarem boa nota desta previsão; ele está tanto mais próximo, quanto já se trabalha para reconstruí-lo. A sábia previdência d’Aquele a quem nada escapa quer que tudo se reconstrua antes que tudo seja destruído; e quando o novo edifício estiver coroado, quando o cume estiver coberto, será então que se desmoronará o antigo; ele cairá por si mesmo; de sorte que, entre o velho mundo e o novo, não haverá solução de continuidade.

É assim que é preciso entender o fim do mundo, que tantos sinais precursores pressagiam. E quais serão os operários mais poderosos para essa grande transformação? Sois vós, senhoras; sois vós, senhoritas, com a ajuda da dupla alavanca da instrução e do Espiritismo. Na casa da mulher em que o Espiritismo penetrou, há mais do que uma mulher, há uma operária espiritual; nesse estado, tudo trabalhando por ela, a mulher trabalha ainda mais do que o homem na edificação do monumento; porque, quando ela conhecer todos os recursos do Espiritismo, e deles souber servir-se, a maior parte da obra será feita por ela. Amamentando o corpo de seu filho, ela poderá também amamentar seu Espírito; e quem é melhor ferreiro do que o filho de um ferreiro, aprendiz de seu pai? A criança sugará, assim, em crescendo, o leite da Espiritualidade, e quando tiverdes os Espíritas, filhos de Espíritas e pais de Espíritas, o fim do mundo, tal como o compreendemos, não terá se realizado? Admirai-vos, pois, depois disto, que o Espiritismo seja um espantalho para tudo o que se prende ao velho mundo, e da obstinação que se põe para abafá-lo em seu berço!”.

Tais assertivas do nobre Espírito Jobard encontram pleno respaldo na Codificação Espírita, haja vista a inserção de mais argumentos, feita pelo insuperável Mestre Lionês, que lhe avaliza, plenamente, o texto. Ei-o:

“( … ) Será que, predizendo a sua segunda vinda, era o fim do mundo o que Jesus anunciava, dizendo: “Quando o Evangelho for pregado por toda a Terra, então é que virá o fim?”. Não é racional se suponha que Deus destrua o mundo precisamente quando ele entre no caminho do progresso moral, pela prática dos ensinos evangélicos. Nada, aliás, nas palavras do Cristo, indica uma destruição universal que, em tais condições, não se justificaria.

Devendo a prática geral do Evangelho determinar grande melhora no estado moral dos homens, ela, por isso mesmo, trará o reinado do bem e acarretará a queda do mal. É, pois, o fim do mundo velho, do mundo governado pelos preconceitos, pelo orgulho, pelo egoísmo, pelo fanatismo, pela incredulidade, pela cupidez, por todas as paixões pecaminosas, que o Cristo aludia, ao dizer: “Quando o Evangelho for pregado por toda a Terra, então é que virá o fim”. Esse fim, porém, para chegar, ocasionaria uma luta e é dessa luta que advirão os males por ele previstos.

Tais são os esclarecimentos espiritistas que nos abrem horiizontes inimagináveis, acenandoonos com infinitas perspectivas, no âmbito da magna questão do proogresso humano, que deverá – neecessariamente – fazer-nos atingir o desiderato existencial, assinado pelo Pai Celestial para todas as Suas criaturas: a felicidade sem mescla e a perfeição relativa.

1 – KARDEC, Allan. Revue Spirite. Abril de 1868. Araras: IDE, 2000.

2 – KARDEC, Allan. A Gênese. 34.ed.Rio [de Janeiro]: FEB, 2003, capo XVII, item 58.

Rogério Coelho

Rcoelho47@yahoo.com.br

O autor é escritor e palestrante espirita em Muriaé, MG.

Revista Internacional de Espiritismo – abril/11

Postado em Recordando Allan Kardec - O Fim do Mundo | Comente