O Mundo que nos cerca:
Em sua obra Energia e Espírito, o Dr. Lacerda no ensina a lição abaixo:
“Vivemos em uma região do planeta, chamada “biosfera”, a zona da manifestação da vida sobre a crosta planetária; portanto, na superfície terráquea banhada pelo sol.
Essa biosfera (a palavra vem do grego e significa – “portadora da vida”) caracteriza a área em que os homens e os animais habitam.
Junto a esta, porém, há outra imensa região – maior que a biosfera, e em dimensão diferente – que chamamos de “psicosfera”, que é a zona habitada pelos seres desercarnados, os espíritos.
A região material habitada pelos humanos na superfície da Terra, a biosfera, e a psicosfera não se misturam.
Embora contíguas, não há continuidade entre elas, isto é, estão sempre separadas entre si.
Como são de dimensões diferentes, podem se interpretar, porém conservam suas próprias características de identidade.
Como localização espacial, a psicosfera é mais ampla do que a biosfera, pois enquanto esta ocupa unicamente a crosta superficial do planeta banhada pelo sol, a psicosfera estende-se para as zonas inferiores, dentro da terra, talvez por alguns quilômetros.
Caracterizam esses espíritos inferiores e os sofredores em geral, necessitados de expurgarem as energias deletérias, que acumularam sobre si próprios em razão de vivências no mal, quando, no passado, prejudicaram seus semelhantes.
Outros espíritos, pelo abuso de atos de desvario contrários á harmonia cósmica, endividaram-se enormemente, devendo purgar as cargas negativas.
Por outro lado, os limites superiores da psicosfera avançam por muitos quilômetros verticalmente sobre a superfície da crosta, onde vivem os espíritos eleitos, suficientemente desmaterializados para poderem viver nestas regiões de paz e felicidade.”
Essas zonas são denominadas como:
• Zona Superior: Céus ou Astral Superior
• Zona Intermediária: Purgatório ou Umbral
• Zona mais profundas: Trevas ou Inferno
Dr. Lacerda ensinou ainda que:
“junto conosco, vivendo em ambiente nosso, embora separados pelos parâmetros dimensionais, encontram-se em grande número entidades espirituais de baixo nível evolutivo preocupadas com os comezinhos problemas humanos: negócios, paixões, ódios, amores mal correspondidos, preocupações com familiares, dores, angústias, e todo o cortejo de sofrimentos morais e físicos, tal qual os homens mortais.
A maioria vive ainda na erraticidade, isto é, sem finalidade útil, perambulando ao léu; outros nem se deram conta de que estão desencarnados.
A ação do pensamento perturbado desses milhares de espíritos dá como resultante uma nota tônica definida, um padrão vibratório característico, que nada mais é do que o somatório de todas essas emissões de freqüências desencontradas, sintônicas ou antagônicas, fruto dos pensamentos e interesses dos encarnados e dos desencarnados.
Por estarem matizados pelas emoções de cada um deles, têm força viva, pois é o sentimento que dá matriz emocional aos nossos atos, tornando-os mais ou menos ativos e perigosos para os homens.
Nessa situação somos grandemente influenciados (e até prejudicados) por esses diversos campos magnéticos, tudo de acordo com o nosso próprio padrão vibratório e nosso grau de sintonia com esses campos adversos.
Por esta razão, devemos tomar a precaução de elevar o mais possível nosso próprio padrão vibratório, a fim de nos isolarmos do ambiente que nos cerca mormente nos momentos dedicados ao intercâmbio salutar com os espíritos, como acontece nas sessões espíritas. Para alcançarmos esse nível espiritual, a primeira técnica geral recomendada é a prece.
Através dela, vamos implorar o auxílio espiritual pela assistência dos irmãos maiores que nos vigiam mais de perto e nos protegem.”
ESFERAS DA TERRA
Sub-crostas
Descendo centenas de quilômetros na crosta da terra, encontraremos seres disformes e mostruosos . O acesso não deve ser feito por médiuns sem o auxílio de entidades de alta estirpe, pois o “passeio” sozinho poderá nos trazer desequilíbrio mental.
Umbral Inferior
Começa na superfíce do solo e estende-se verticalmente para cima(interpenetração) são habitados por elementais, espíritos primitivos e todos agrupados por finidades vibratórias, em comunidades. E também os espíritos malignos que agem por livre-arbítrio com liberdade e que escravizam milhares de outros.
Umbral Médio
É um prolongamento da região anterior, desdobrando-se em círculos concêntricos habitados sucessivamente.É habitado por espíritos sofredores do mais variado aspecto; espíritos suicidas, desencarnados em provações de resgate, recolhidos em colônias, abrigos e outras inúmeras instituições de assistência e recuperação, também por espíritos parcialmente esclarecidos, em servidões evangélicas, prestando serviços os mais variados, inclusive em repartições administrativas como, por exemplo, as reguladoras das reencarnações e dos resgates etc.
O que é Apometria
O Inspirador da Apometria
Dr. Luiz Rodrigues
Farmacêutico/bioquímico, natural de Porto Rico, radicado no Rio de Janeiro.
Quem primeiro experimentou no Brasil o desdobramento induzido por um operador encarnado.
Hipnometria
Essa técnica consistia na aplicação de pulsos magnéticos concentrados e progressivos no corpo astral do paciente, ao mesmo tempo que, por sugestão, comandava o seu afastamento para o plano espiritual
O Inspirador da Apometria
Hospital Espírita de Porto Alegre (HEPA)
Em 1965, o Dr. Luiz Rodrigues demonstrou sua técnica em Porto Alegre, durante palestra no HEPA, então presidido pelo Sr. Conrado Rigel Ferrari.
O Dr. Luiz Rodrigues não era espírita e dele não mais se tive notícias até seu desencarne.
O Criador
Dr. José Lacerda de Azevedo
Tinha formação e vivência espírita desde a juventude.
Nas artes, sem nunca ter exposto, pintou diversos quadros com real valor artístico.
Casou-se em 1947, com sua prima, Sra. Iolanda Lacerda de Azevedo, mulher de grandes virtudes, médium dedicada e caridosa.
O convite do Sr. Conrado Ferrari para assistir à demonstração de Hipnometria, dirigida pelo Dr. Luiz Rodrigues, no Hospital Espírita de Porto Alegre, foi a partida para que o Dr. LACERDA, homem de rara genialidade, desenvolvesse e fundamentasse cientificamente a APOMETRIA.
O termo Apometria
APOMETRIA
Do grego, “apo” = além de, separar e “metron”, medida.
Por entender que o termo Hipnometria era impróprio por dar a idéia de hipnose, que não tem qualquer relação com as técnicas de APOMETRIA.
Representa o clássico desdobramento entre o corpo físico e os corpos espirituais do ser humano.
Não é propriamente mediunismo, é apenas uma técnica de separação desses componentes.
O êxito da Apometria reside na utilização da faculdade mediúnica para entrarmos em contato com o mundo espiritual da maneira mais fácil e objetiva, sempre que quisermos. Embora não sendo propriamente uma técnica mediúnica, pode ser aplicada como tal, toda vez que desejarmos entrar em contato com o mundo espiritual.
“ Apometria é uma técnica que permite com razoável facilidade, a um grupo de médiuns treinados, a indução para estados de desdobramento dos corpos mediadores; em especial o etérico, o astral e o mental. É também importante ferramenta de criação de campos de força. Não basta somente o conhecimento da técnica em si, mas é fundamental a egrégora que se forma durante os trabalhos, pois, é proveniente de cada elo da corrente a sustentação mental para que “o lado de cá” possa agir em padões vibracionais , que normalmente exigiriam grande despendio de energia e esforço das falanges socorristas, que dão apoio a esses trabalhos de cura desobssessivos.”
Ramatis
Física Quântica na Apometria
Aplicação na Apometria
A teoria da Relatividade desenvolvida por Albert Einstein, chegou à conhecida relação:
E = m.c2 (Energia é igual a massa, vezes o quadrado da velocidade da luz) ou m = E / c2 (matéria é igual a Energia dividida pelo quadrado da velocidade da luz).
Por onde se pode concluir que a matéria é formada por energia condensada.
Assim sendo, é fácil se verificar que os diversos estados da matéria, desde o sólido até a matéria espiritual quintessenciada são formas diferenciadas de energia em níveis vibratórios cada vez mais elevados, e que, podendo a energia atuar sobre a energia, no estado espiritual, é a mente, através do pensamento impulsionado pela vontade, a grande moduladora das formas e das ações.
O pensamento irradia-se em todas as direções a partir da mente, por meio de corpúsculos mentais energéticos.
Quando devidamente potencializado através de uma mesa mediúnica e canalizado através de um médium ao Mundo Espiritual, dado o grande potencial energético do mundo material, poderá ser modulado pelos espíritos do Bem, Mentores, etc, realizando ações e produzindo efeitos notáveis.
O comando do dirigente por meio de pulsos cumulativos de energia cósmica, por ele e pela mesa, atraída e somada às energias vitais do próprio corpo, passa ao Plano Astral – e, em conformidade com as descobertas e revelações da Física Quântica, transformadas as freqüências vibratórias em massa magnética, atua de maneira decisiva sobre os espíritos a eles dirigida.
A Apometria e a Física Quântica confundem-se no estudo e aplicação dos limites da matéria, lá onde o material e o espiritual se confundem, lá onde a matéria feita energia e a energia feita espírito convivem em perfeita harmonia e interação.
A Apometria ao adotar as leis da Física Quântica nas suas técnicas e procedimentos, com ela se identifica, fazendo a perfeita harmonização do conhecimento com o amor.
Tipos de Obsessão
Obsessão simples
Caracteriza-se por ação maléfica que poderíamos chamar de superficial.
O algoz atua através de simples sugestão, não empregando campos-de-força ou instrumentos mais sofisticados.
Trata-se, quase sempre, de espontâneo fruto do ódio; o agente visa prejudicar a vítima sugestionando-a através de idéias ou imagens.
Não usa de maiores recursos para que isso se cristalize; a ação é limitada, em seus efeitos, pela força mental da indução.
Mono-obsessão quando houver um espírito agindo sobre outro.
Poliobsessão se forem vários os obsessores que atuam sobre uma mesma vítima.
Obsessão Complexa
Todos os casos em que houver ação:
• de magia negra;
• implantação de aparelhos parasitas;
• uso de campos-de-força dissociativos ou magnéticos de ação contínua, provocadores de desarmonias tissulares que dão origem a processos cancerosos.
Complexos são, igualmente, os casos em que técnicos das sombras fixam no obsediado espíritos em sofrimento atroz, visando parasitá-lo ou vampirizá-lo.
Indução Espiritual
A indução espiritual de desencarnado para encarnado se faz espontaneamente, na maioria das vezes de modo casual, sem premeditação ou maldade alguma.
O espírito vê o paciente, sente-lhe a benéfica aura vital que o atrai, porque lhe dá sensação de bem estar.
Encontrando-se enfermo, porém, ou em sofrimento, transmite ao encarnado suas angústias e dores, a ponto de desarmonizá-lo – na medida da intensidade da energia desarmônica de que está carregado e do tempo de atuação sobre o encarnado.
Obsessão Espiritual
“A obsessão é a ação persistente que um espírito mau exerce sobre um indivíduo Apresenta caracteres muito diversos, desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais.”
(Allan Kardec)
“É a ação nefasta e continuada de um espírito sobre outro, independentemente do estado de encarnado ou desencarnado em que se encontrem.”
(Dr José Lacerda)
A obsessão implica sempre ação consciente e intencional, com objetivo bem nítido, visando fins e efeitos muito definidos, pelo obsessor que sabe muito bem o que está fazendo.
Esta ação premeditada, planejada e posta em execução, por vezes, com esmero e sofisticação, constitui a grande causa das enfermidades psíquicas.
Os tipos de ação obsessiva podem acontecer em:
• desencarnado atuando sobre desencarnado,
• desencarnado sobre encarnado,
• encarnado sobre desencarnado,
• encarnado sobre encarnado ou ainda
• obsessão recíproca,
• esses dois últimos, estudados sob o título de Pseudo-Obsessão.
Pseudo-Obsessão
É a atuação do encarnado sobre o encarnado ou a obsessão recíproca.
Trata-se de ação perturbadora em que o espírito agente não deseja deliberadamente, prejudicar o ser visado.
É conseqüência da ação egoísta de uma criatura que faz de outra o objeto dos seus cuidados e a deseja ardentemente para si própria como propriedade sua.
Exige que a outra obedeça cegamente às suas ordens desejando protegê-la, guiá-la e, com tais coerções, impede-a de se relacionar saudável e normalmente com seus semelhantes.
Simbiose
Por simbiose entende-se a duradoura associação biológica de seres vivos, harmônica e às vezes necessária, com benefícios recíprocos.
A simbiose espiritual obedece ao mesmo princípio.
Na Biologia, o caráter harmônico e necessário deriva das necessidades complementares que possuem as espécies que realizam tais associações que primitivamente foi parasitismo.
Com o tempo, a relação evoluiu e se disciplinou biologicamente: o parasitado, também ele, começou a tirar proveito da relação.
Existe simbiose entre espíritos como entre encarnados e desencarnados.
É comum se ver associações de espíritos junto a médiuns, atendendo aos seus menores chamados.
Em troca, porém recebem do médium as energias vitais de que carecem.
Embora os médiuns às vezes nem suspeitem, seus “associados” espirituais são espíritos inferiores que se juntam aos homens para parasitá-los ou fazer simbiose com eles.
Em Biologia, “parasitismo é o fenômeno pelo qual um ser vivo extrai direta e necessariamente de outro ser vivo (denominado hospedeiro) os materiais indispensáveis para a formação e construção de seu próprio protoplasma”.
O hospedeiro sofre as conseqüências do parasitismo em graus variáveis, podendo até morrer.
Haja vista o caso da figueira, que cresce como uma planta parasita, e à medida que cresce, sufoca completamente a planta hospedeira a ponto de secá-la completamente.
Parasitismo espiritual implica – sempre – viciação do parasita.
O fenômeno não encontra respaldo ou origem nas tendências naturais da Espécie humana.
Pelo contrário, cada indivíduo sempre tem condições de viver por suas próprias forças.
Não há compulsão natural à sucção de energias alheias.
É a viciação que faz com que muitos humanos, habituados durante muito tempo a viver da exploração, exacerbem esta condição anômala, quando desencarnados.
Tanto quanto o parasitismo entre seres vivos, o espiritual é vício muitíssimo difundido.
Casos há em que o parasita não tem consciência do que faz; às vezes, nem sabe que já desencarnou.
Outros espíritos, vivendo vida apenas vegetativa, parasitam um mortal sem que tenham a mínima noção do que fazem; não tem idéias, são enfermos desencarnados em dolorosas situações.
Neste parasitismo inconsciente se enquadra a maioria dos casos.
Há também os parasitas que são colocados por obsessores para enfraquecerem os encarnados.
Casos que aparecem em obsessões complexas, sobretudos quando o paciente se apresenta anormalmente debilitado.
O primeiro passo do tratamento consiste na separação do parasita do hospedeiro.
Cuida-se do espírito, tratando-o, elementos valiosos podem surgir, facilitando a cura do paciente encarnado.
Por fim, trata-se de energizar o hospedeiro, indicando-lhe condições e procedimentos profiláticos.
LIVRO
No aprofundado estudo da etiopatogenia da loucura, não se pode mais descartar as incidências da obsessão, ou predomínio exercido pelos Espíritos desencarnados so¬bre os homens.
Constituindo o mundo pulsante além da vida material, eles se movimentam e agem conforme a natureza evolutiva que os caracteriza.
Tendo-se em vista o estágio atual de crescimento mo¬ral da Terra e daqueles que a habitam, o intercâmbio entre as mentes que se encontram na mesma faixa de inte¬resse é muito maior do que um observador menos cuidadoso e menos preparado pode imaginar.
Atraindo-se pelos gostos e aspirações, vinculando-se mediante afetos doentios, sustentando laços de desequi¬líbrio decorrente do ódio, assinalados pelas paixões infe¬riores, exercem constrição mental e, às vezes, física naque¬les que lhes concedem as respostas equivalentes, resultan¬do variadíssimas alienações de natureza obsessiva.
Longe de negar a loucura e as causas detectadas pelos nobres pesquisadores do passado e do presente, o Espiritismo as confirma, nelas reconhecendo mecanismos necessários para o estabelecimento de matrizes, através das quais a degenerescência da personalidade ocorre, nas múltiplas expressões em que se apresenta.
Assinalamos, com base na experiência dos fatos, que nos episódios da loucura, ora epidêmica, a obsessão mere¬ce um capítulo especial, requerendo a consideração dos estudiosos, que poderão defrontar com extraordinário cam¬po para a investigação profunda da alma, bem como do comportamento humano.
De Guilherme Griesinger a Kraepelin, a Breuler, des¬de Pinel a Freud, de Ladislaus Von M eduna a Sakel, a Kalinovsky, a Adolf Meyer, passando por toda uma elite de cientistas da psique, sem nos esquecermos de Char¬cot e Wundt, largos passos foram dados com segurança para a compreensão da loucura, suas causas, sua terapêuticas, abrindo-se espaços para os modernos psiquiatras, psicólogos e psicanalistas.
Não obstante, a doença mental permanece como um grande desafio para todos aqueles que se empenham na compreensão da sua gênese, sintomatologia e conduta…
Allan Kardec, porém, foi o extraordinário psicotera¬peuta que melhor aprofundou a sonda da investigação no desprezado capítulo das obsessões, demonstrando que nem toda expressão de loucura significa morbidez e descontrole dos órgãos encarregados do equilíbrio psicofísico dos homens, com vinculações de natureza hereditária, psi¬cossocial, etc…
Demonstrou que o Espírito é o herdeiro de si mesmo, dos seus atos anteriores, que lhe plasmam o destino futuro, do qual não se logra evadir.
Provando que a morte biológica não aniquila a vida, facultou ao entendimento a penetração e a solução de verdadeiros enigmas desafiadores, que passavam, genericamente, como sendo formas de loucura, loucura, certa¬mente, que são, porém, de natureza diversa do conceito acadêmico conhecido.
Em razão disso, o homem não pode ser examinado parcialmente, como um conjunto de ossos, nervos e sangue, tampouco na acepção tradicional dualista, de alma e cor¬po, mas, sob o aspecto pleno e total de Espírito, perispírito e matéria…
Através do Espírito participa da realidade eterna; pelo perispírito vincula-se ao corpo e, graças ao corpo, vive no mundo material.
É o perispírito o órgão intermediário pelo qual experi¬menta a influência dos demais Espíritos, que pululam em sua volta aguardando o momento próprio para o intercâm¬bio em que se comprazem.
Quando estes Espíritos são maus e encontram guarida que as dívidas morais agasalham na futura vítima, a (nas¬cem as obsessões, a princípio sutis, quase despercebidas, para, logo depois, se agigantarem, assumindo a gravidade das subjugações lamentáveis, e, às vezes, irreversíveis….
Quando são bons, exercem a salutar interferência inspirativa junto àqueles que lhes proporcionam sintonia, elevando-os às cumeadas da esperança, do amor, e facul¬tando-lhes o progresso bem como a conquista da feli¬cidade.
O conhecimento do Espiritismo propicia os recursos para a educação moral do indivíduo, ensejando-lhe a tera¬pia preventiva contra as obsessões; assim também, a cura salutar, quando o processo já se encontra instaurado.
Mesmo nos casos em que reconhecemos a presença da loucura nos seus moldes clássicos, deparamo-nos sem¬pre com um Espírito, em si mesmo doente, que plasmou um organismo pr6prio para redimir-se, corrigindo antigas viciações e crimes que, ocultos ou conhecidos, lhe pesam na economia moral, exigindo liberação.
Kierkegaard, o filósofo dinamarquês, em uma concei¬tuação audaciosa, afirmou que “louco é todo aquele que perdeu tudo, menos a razão”, enfocando o direito que desfruta o alienado mental, de qualquer tipo, a um trata¬mento digno, tendo sua razão para encontrar-se enfermo.
Nos comportamentos obsessivos, as técnicas de aten¬dimento ao paciente, além de exigirem o conhecimento da enfermidade espiritual, impõem ao atendente outros valores preciosos que noutras áreas da saúde mental não são vitais, embora a importância de que se revestem. São eles: a conduta moral superior do terapeuta – o doutrina¬dor encarregado da desobsessão -, bem como do paciente, quando este não se encontre inconsciente do problema; a habilidade afetuosa de que se deve revestir, jamais esque¬cendo do agente desencadeador do distúrbio, que é, igual¬mente, enfermo, vítima desditosa, que procura tomar a justiça nas mãos; o contributo das suas forças mentais, dirigidas a ambos litigantes da pugna infeliz; a aplicação correta das energias e vibrações defluentes da oração ungida de fé e amor; o preparo emocional para entender e amar tanto o hóspede estranho e invisível, quanto o hospedeiro impertinente e desgastante no vaivém das reci¬divas e desmandos…
A cura das obsessões, conforme ocorre no caso da loucura, é de difícil curso e nem sempre rápida, estando a depender de múltiplos fatores, especialmente, da renova¬ção, para melhor, do paciente, que deve envidar esforços máximos para granjear a simpatia daquele que o persegue, adquirindo mérito através da ação pelo bem desinteressado em favor do próximo, o que, em última análise, torna-se em benefício pessoal.
Vulgarizando-se a loucura como a obsessão, cada vez mais, e ora em caráter epidemiológico, faz-se necessá¬rio, mais generalizado e urgente, um maior conhecimento da terapia desobsessiva, desde que a psiquiátrica se encon¬tra nas hábeis mãos dos profissionais sinceramente interes¬sados em estancá-la.
Como o surto das obsessões está a exigir atenção crescente, reunimos, neste livro, alguns casos que nos convidaram ao estudo, inclusive um de comportamento se¬xual especial, acompanhando-os em um Núcleo do sincre¬tismo afro-brasileiro, onde encontramos a presença do amor de Deus e a abnegação da caridade cristã, conforme os ensinamentos de Jesus.
Reconhecendo, porém, a superior missão de o Conso¬lador que cumpre ao Espiritismo executar, conforme a segura e sábia conduta doutrinária apresentada nas Obras de que Allan Kardec se fez o excelente missionário, não podemos negar os benefícios que se haurem em todas as células religiosas de socorro, especialmente naquelas onde o intercâmbio mediúnico e a reencarnação demonstram a imortalidade da alma e a justiça divina, passo avançado para conquistas mais ricas de sabedoria e de libertação.
Partindo de experiências mais primárias no campo do mediunismo, este abre-se para a iluminação espiritista, enquanto se tornam celeiros de esperança, espargindo bên¬çãos necessárias para aqueles que lhes buscam o concurso.
Agradecendo ao Dr. Bezerra de Menezes e aos Nobres Amigos Espirituais que mourejam, anônimos, no socorro aos infelizes mais infelizes, que são os alienados pela loucura ou pela obsessão, e os seus algozes, exoramos as bênçãos do Terapeuta Divino, que é Jesus, em favor de todos nós, Espíritos imperfeitos que reconhecemos ser.
Manuel P. de Mlranda
Salvador, 16 de junho de 1986.

