Justiça das Reencarnações

Justiça das Reencarnações

Aprendemos, com o Espiritismo, que tudo tem uma razão

Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante
walkiria. wlac@yahoo.com.br

“Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saaciados. Bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, porque o reino dos céus é para eles.” – Mateus. (cap. V, v 4,6 e 10)

Podemos encontrar três princípios importantes neste trecho extraído de Mateus: primeiro, que não existem filhos deserdados do Pai; todos nós, sem exceção, estamos amparados pela força Divina que há em nós; segundo, o princípio de justiça, entendendo-a como correção de caráter, pois só podemos exigir dos outros aquilo que somos capazes ou pelo menos nos esforçamos em fazer; terceiro, que é complemento do segundo, quando nos afinamos com as Leis Universais passamos a ser instrumentos e exemplos vivos delas.

“Vós sóis bem-aventurados, vós que sois pobres, porque o reino dos céus é para vós. Vós sois bem-aventurados, vós que agora tendes fome, porque sereis saciados. Vós sois felizes, vós que agora chorais, porque rireis-” – Lucas. (can. VI. v 20. 21)

Todas as vezes que sofremos limitações e procuramos ter resignação diante delas, damos mais um passo em nossa evolução. Porque a pobreza, a fome, a dor são instrumentos que as Leis da Natureza utilizam para nos impulsionar para frente e promover o nosso reajuste. Aproveitemos as oportunidades que nos batem à porta e façamos o melhor que pudermos para que este reajuste seja o mais breve possível, que não se perpetue para outras encarnações, até que tenhamos aprendido a lição.

“Mas ai de vós, ricos! porque tendes vossa consolação neste mundo. Ai de vós que estais saciados, porque tereis fome. Ai de vós que rides agora, porque sereis reduzidos ao pranto e às lágrimas” – Lucas. (cap. VI, v 24,25)

Da mesma forma que as dificuldades representam alavancas propulsoras de progresso, a calmaria excessiva nos retarda os passos fazendo-nos acreditar que não temos necessidade de reajuste e ficamos como um lago pantanoso que apresenta calmaria, mas que está cheio de impurezas no fundo que, cedo ou tarde, precisam ser depuradas.
Sem a justiça das reencarnações muitas das afirmações de Jesus ficariam sem explicação. Seria uma afronta à inteligência comum. Por isso, podemos entender a Justiça das Aflições como a Justiça das Reencarnações. Através das migrações sucessivas, quando ora estamos encarnados, ora desencarnados, podemos entender o porquê de tantas disparidades que ocorrem ao nosso redor e conosco mesmo. Tantas desigualdades sociais e culturais que interferem positiva ou negativamente em um povo. As classes sociais, as diferenças raciais, a irmandade que muitas vezes une povos que não se entendiam muito bem no passado, mas que na hora da dor se unem para se ajudar mutuamente.
Aprendemos com o Espiritismo que tudo tem uma razão de ser. Que Deus, Pai Amoroso, Justo e Bom não nos deixaria entregues à nossa própria sorte e mais, que todos os sofrimentos, todas as vicissitudes têm uma causa, uma razão de ser e, como as Leis provêm de Deus, esta causa e esta razão também são justas, como Sua Lei o é.
Começamos a trilhar o caminho do entendimento com Moisés, que nos apresentou os dez mandamentos; Jesus sendo o exemplo vivo de amor e o Espiritismo ou como o próprio Evangelho nos diz em seu capítulo V, item 3, “a voz dos Espíritos” vem nos alertar de além-túmulo. Engana-se aqueles que participam de trabalhos mediúnicos, mas que estão lá como veículos passivos da espiritualidade maior. Como já disse uma entidade amiga, quando distribuímos flores fica um pouco de perfume em nossas mãos; também quando participamos de um trabalho medi único fica em nós a impressão da experiência vivida naqueles momentos do trabalho, da mesma forma que também deixamos a nossa impressão nos espíritos que por nós passaram. Cabe-nos escolher o quando dessa experiência vai acrescer em nossas vidas ou se simplesmente vamos fingir que nada aconteceu. Usando outra analogia, o primeiro ouvido mais perto de nossa boca é o nosso próprio.
Mas é muito fácil atribuir a outras encarnações as nossas vicissitudes atuais. Esquecemos que muitos dos nossos sofrimentos têm a sua causa nesta mesma encarnação. É o não pensar antes de agir; é querer o que é do outro sem nos esforçarmos para conseguir de forma justa e honesta; é não ter equilíbrio e moderação na forma de conduzir a vida; é acreditar que tudo cai do alto e não perseveramos diante dos embates da vida; são os casamentos forjados no interesse e na ambição desmedida; o descaso de muitos pais que não combatem as más tendências dos filhos e que mais tarde choram arrependidos por tal atitude; enfim, é uma soma de situações que vamos tendo durante a encarnação e que não podemos transferir para outros ombros a responsabilidade.
As Leis de Deus estão escritas em nossa consciência (questão 621 de O Livro dos Espíritos) e não há nada que fuja a esse julgamento. À medida que vamos evoluindo, vamos adentrando melhor nesse terreno e compreendendo o seu significado em plenitude. Saber que mesmo que estejamos no fim da encarnação atual estamos aprendendo e formando arcabouço para a nossa próxima encarnação. Que a Justiça das Reencarnações continue nos brindando para que possamos chegar puros ao Pai.

A autora participa do Centro Kardecista “Os Essênios”, de João Pessoa-PB.

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